Notas iniciais
Oiees!!! Cheguei com mais um capítulo! Este demorou mais de uma semana, mas foi porque não tive tempo de revisá-lo antes e todo vez que ia postar minha irmã se apossava do notebook. Acordei mais cedo só para deixá-lo aqui para ocês, hein? Ollha o sacrifício da autora... Devo dizer que é um capítulo em que veremos Olivia demonstrando que, apesar de ter amadurecido desde o primeiro capítulo da primeira temporada para cá, ela ainda comete alguns deslizes quando ouve o seu lado mais infantil e imaturo. Ela não é perfeita, lembrem-se disso. Estamos entrando em Era de Ultron, oficialmente. Boa leitura!

Foram as quarenta e oito horas mais longas da minha vida desde que a Hydra mordeu a isca até o instante em que a localização geográfica do trapaceiro irresistível por fim foi determinada por um satélite das Indústrias Stark.

Ao que tudo indica, Loki parou de se movimentar — ou ser... arrastado — em algum ponto da Europa Oriental. Mais precisamente em Sokovia — país do qual eu nunca tinha ouvido falar até hoje, me julguem.

O que eu posso dizer? Trabalhar para a S.H.I.E.L.D. também é cultura e parece que meus professores de Geografia não eram tão bons quanto eu imaginava.

Infelizmente, quando eu pensei que a espera tinha chegado ao fim e o Quinjet pousou no meio de uma floresta coberta de neve, fui instruída — lê-se forçada — por meu chefinho querido a ficar trancafiada aqui, deixando toda a diversão por conta dos Vingadores, que partiram todos lindos e saltitantes rumo ao resgate de Loki, animados com a ideia de chutar alguns traseiros da Hydra pelo caminho até chegarem no traseiro-mor — o de Von Strucker.

— Isso não é justo! — resmungo pela milésima vez desde que fui deixada para trás, fazendo questão de expor toda minha insatisfação enquanto percorro o jato com passos firmes e pesados, de braços cruzados e fazendo bico. — Não é justo!

Por meio de uma compacta tela no moderno painel de navegação da aeronave, vejo Coulson se mexer um pouco em sua cadeira na base da S.H.I.E.L.D., antes de limpar a garganta e dizer:

— Eu ouvi da primeira vez, agente Mills.

Irritada com a aparente insignificância do meu papel para a organização, rio sem humor e ataco:

Agente Mills, rá! Acho que você quis dizer “A piada do século”, não é? Afinal, que tipo de agente fica para trás numa situação como essa? — Dou alguns passos rumo ao canal de comunicação com o Diretor da S.H.I.E.L.D. e mudo de estratégia, vendendo o meu peixe: — Coulson, eu posso fazer mais do que isso, posso ser útil de alguma forma, juro juradinho.

— Eu não duvido do seu potencial, Olivia. Você teve uma ideia brilhante — o dito cujo assegura, antes de contra argumentar: — Mas, por hora, você não está pronta para se arriscar em campo. Além disso, foi o combinado desde o começo, lembra? Na verdade, a condição de Loki era que você ficasse bem longe da ação. Geograficamente longe e segura. Sendo assim, eu já abri uma exceção e tanto ao permitir que você fosse para Sokovia e acompanhasse tudo de perto.

Acompanhasse tudo de perto? — repito com surpresa e ironia. — Mas como, se eu não faço ideia do que está acontecendo lá fora? O bicho está pegando e eu estou aqui, falando com uma tela estúpida de computador!

— Você precisa se acalmar — o manda-chuva da S.H.I.E.L.D. diz em tom de conselho.

De pronto e mais indignada, retruco:

— O que eu preciso é saber o que está acontecendo! Entender o babado! Por que eu não posso ver o circo pegando fogo, hum? Ou melhor, ver com esses olhinhos de noite serena que os Vingadores estão sambando na cara do inimigo com a ajuda do meu boy magia? Isso sim iria me acalmar!

— Isso não é um filme, Olivia. E eu duvido que algo assim te acalmaria — Coulson rebate com firmeza, fazendo-me recuar um pouco. — As imagens via satélite possuem certa oscilação e não é possível acompanhar quadro a quadro, momento a momento. Como eu disse, não é um filme e você só ficaria mais apreensiva e confusa.

— Pior do que tá não fica, já dizia Tiririca — resmungo, cruzando os braços de novo.

Ignorando-me como se eu fosse uma criança birrenta, Phil prossegue com seu raciocínio:

— Então, apenas saiba que tudo está correndo muito bem até agora. Logo os Vingadores estarão de volta.

Com um estalo, pressinto o que ele está prestes a fazer. Em outras palavras, esta não é a primeira vez que o irrito e sei muito bem qual será a sua resposta a minha postura.

— Não se atreva a me deixar falando sozinha, chefe — peço, mesmo sabendo que será em vão.

Ele estará de volta também, não se preocupe — Coulson prossegue com a tentativa de me tranquilizar, mas a referência a Loki apenas acelera meu coração e me deixa mais ansiosa.

— Eu não acredito que você vai desligar a comunicação de novo... — protesto de um jeito mais manso, lançando-lhe minha melhor imitação do olhar suplicante do Gato de Botas.

Isso não amolece o Diretor da S.H.I.E.L.D., que simplesmente relembra algo que eu mencionei antes:

— Eu pensei que você não quisesse falar com uma tela estúpida de computador.

— Bem, é melhor do que nada.

Por um momento, penso que Coulson vai reconsiderar, mas então ele se endireita na cadeira a quilômetros daqui e articula firme:

— Sinto muito, mas eu tenho trabalho a fazer agora. Não é necessário monitorar os Vingadores o tempo todo, tenho certeza que tudo sairá como o planejado e sei que você não vai tentar sair do Quinjet sem autorização.

Acho que meus olhos brilham com tal possibilidade, já que no instante seguinte minha esperança de fuga é podada por ele:

— Mesmo porque algo assim seria inútil. Stark programou o sistema de segurança para que a porta só abra pelo lado externo do jato. Portanto, você deve esperar pelo retorno da equipe.

Diante desta revelação, abandono a cara de Gato de Botas e sinto a surpresa dar lugar à revolta. Em seguida, esbravejo possessa:

— Pelo casal de cisnes da Viúva Porcina! Isso significa que eu posso morrer aqui dentro? De tédio e inanição? Esquecida para sempre?

Sem me levar a sério — e acho que controlando certo riso diante do meu drama — tudo o que Coulson diz é:

— Você vai ficar bem. Tenha um pouco de fé e paciência.

Lembrando-me de um meme recente da série Três é demais, faço uma careta e repito com uma voz infantil e forçada:

— Tinhi im pici di fi i piciênci.

Contudo, Coulson não vê muita graça, já que pigarreia e me repreende no ato:

— Agente Mills.

Percebendo que passei da conta, endireito a postura, bato continência e assinto vencida:

— Copy that, chefe.

Mesmo relativamente longe da ação, consigo ouvir daqui os disparos contínuos e assustadores de armas, bazucas e canhões a minha volta. De vez em quando, o chão parece tremer, como se uma enorme fera verde estivesse esmagando Deus e o mundo lá fora.

Rá! Amy iria amar estar aqui agora, tão pertinho do seu Vingador favorito.

Faço uma nota mental para aproximar esses dois o quanto antes e encolho-me em uma das poltronas. Coloco os fones de Bruce Banner, faço uma careta ao constatar que ele só tem música clássica em sua playlist pós-Hulk e decido baixar o Mix Awesome do meu irmão para ajudá-lo a expandir os horizontes.

Estou ouvindo Fox on the run quando a entrada do Quinjet se abre de um jeito brusco e rápido. Num pulo estou de pé, mas demoro alguns instantes para entender a imagem que transcorre diante dos meus olhos.

Carregado por Thor e Natasha, Clint mal se aguenta nas próprias pernas. Sua careta de dor e a mancha vermelha em seu traje divo de Gavião Arqueiro na lateral do abdômen finalmente me tiram do estado inerte. Mesmo assim minha pergunta sai meio engasgada:

— O que... O que aconteceu?

Sem olhar para mim — aliás, com toda a atenção voltada para ele —, Natasha reporta tensa e preocupada com a situação:

— Ele levou um tiro.

Em meio ao semblante dolorido, um sorriso surge e Clint tenta tranquilizá-la:

— Foi só de raspão, Nat. Não se preocupe, eu vou sobreviver.

— Shh — ela o corta, enquanto Thor o acomoda numa espécie de maca.

Não quero ser insensível nem nada, mas como Clint parece mesmo fora de perigo, olho para a entrada e indago:

— Cadê os outros?

Já que a Viúva Badass Negra está totalmente focada em prestar os primeiros socorros ao boy arqueiro magia, é o Deus do Trovão que toma a palavra e explica:

— Steve foi atrás de Strucker, Stark está checando os computadores do inimigo, Loki e Banner estão destruindo os últimos bunkers da Hydra.

As palavras do top model asgardiano dançam nos meus ouvidos enquanto eu tento pegá-las no ar e absorver o que cada ação significa. Tenho muito a perguntar neste momento, mas por hora tudo o que sai da minha boca é:

— O gafanhoto e o Hulk estão trabalhando juntos?

Barton ri — em seguida geme de dor devido ao esforço —, e diz:

— Maluco, não é? Sabe o que é ainda mais maluco? Que eu só não levei mais tiros porque seu namorado confundiu os soldados da Hydra, se multiplicando diante deles como em Matrix, lutando e trapaceando, até o Hulk aparecer e destruir o bunker de armas.

Mais uma vez, tenho muito o que perguntar diante do que ouço. Porém, a segunda menção ao Deus da Trapaça é o incentivo que faltava, o empurrãozinho necessário para que um desejo dentro de mim se transforme numa decisão irrevogável que toma forma e força a cada instante.

Eu preciso vê-lo.

Me julguem, mas eu não posso mais continuar aqui, não posso perguntar mais nada, não posso me preocupar com Clint, nem mesmo questionar se é seguro ir lá fora, porque tudo o que eu quero é reencontrar Loki e é lá que o danado está.

Quando dou por mim, não só estou olhando para a saída do Quinjet como um cachorro de apartamento diante da possibilidade de passear um pouco, como já estou correndo em disparada e descendo os degraus do jato, aproveitando-me de um segundo de distração dos Vingadores que deixo para trás. Ignoro o chamado de um deles enquanto corro pelo cenário branco e gelado a minha volta.

Atraída pelo som das armas e por palavras russas soltas no ar, logo avisto o Gigante Esmeralda esmagando tudo o que vê pela frente, enquanto Loki — astuto, malandro, lindamente descabelado e parecendo se divertir— se infiltra entre os soldados remanescentes, os confunde com o milagre da multiplicação, luta com destreza com sua espada asgardiana e os rende antes mesmo que eles entendam o que acabou de lhes acontecer.

Orgulhosa e aliviada, apresso o passo e aceno ao mesmo tempo em que chamo aos gritos:

— Ei, chuchu! Olha eu aqui! Olivia Mills da Silva Sauro se aproximando em três, dois, dois e meio...

Tenho a impressão de que o deus trapaceiro olha para mim de relance, mas não tenho tempo de confirmar se me viu mesmo. Antes disso, sou atingida em cheio por algo que surge de repente e passa por mim a toda velocidade. Com o choque, despenco no chão feito uma jaca madura e saio rolando. Minhas mãos quase congelam ao tocarem a extensa crosta de neve que toma conta de boa parte da paisagem. Há gravetos secos no meu cabelo. Sinto-me numa videocassetada.

— Mas que marmota é essa, gente? — pergunto-me confusa.

Atordoada, olho para todas as direções possíveis, tentando entender o que aconteceu e o que exatamente me atingiu. É então que descubro que não foi algo, mas sim alguém que me levou ao chão desta forma abrupta e humilhante.

É a única explicação plausível que encontro quando vejo um sujeitinho andando a minha volta, esboçando um sorriso cínico e uma cabeleira estilosa e meio acinzentada contra o vento.

— Você não viu isso chegando? — indaga de um jeito ainda mais sonso, assumindo a culpa pela minha queda.

Quando abro a boca para perguntar quem o mal-educado é, o dito cujo simplesmente se afasta num disparo, correndo e desaparecendo do meu alcance de visão em questão de um segundo. Talvez menos do que isso. É possível?

Pisco algumas vezes, sem acreditar no que acabei de vivenciar, levanto num pulo e arrisco:

— Papa-Léguas? É você?

Ainda estou absorvendo a bizarra experiência quando sou agarrada por alguém que me segura no colo com agilidade e força, levando-me a envolver o seu pescoço por instinto e logo reconhecer seu rosto.

— Gafanhoto! — Aninho-me mais em seus braços, aproveitando para tirar uma boa casquinha dessa proximidade aconchegante em meio ao frio de Sokovia. — Você sabe mesmo como arrebatar uma garota, hein?

Abro um enorme sorriso, mas para minha surpresa, Loki não parece feliz em me ver. Ao menos não nessas circunstâncias.

Com uma expressão impassível — ou seja, a cara de limão azedo clássica e irritante —, ele se movimenta rápido rumo ao Quinjet, correndo entre as árvores e limitando-se a me questionar:

— O que você está fazendo aqui, midgardiana imprudente?

Por mais que o tom repreensivo me incomode, sou obrigada a colocar a mão na consciência e perceber que fiz besteira. No que eu estava pensando, afinal? Oh... certo, na verdade, eu estava pensando nele.

Não medi qualquer risco nem imaginei que eu podia atrapalhar a missão. Simplesmente saí correndo como se fosse tirar o pai da forca! Estúpida! Estúpida! Estúpida!

Quando vou abrir a boca para me explicar, o top model asgardiano passa por nós como um raio. Mesmo assim, consigo distinguir o olhar repreensivo que me lança e só então concluo que era ele me chamando instantes atrás. Com certeza, veio atrás de mim às pressas e nada satisfeito por eu ter saído pela tangente. Mas, ao invés de se dar por satisfeito ao me reencontrar sã e salva nos braços do irmão, Thor continua seguindo na direção oposta, enquanto Loki e eu nos aproximamos do Quinjet.

Tomada pela curiosidade e adrenalina do momento, olho para trás e vejo a capa vermelha de Thor — ou seria uma das cortinas do palácio de Asgard? — se erguer no ar quando ele dá um enorme salto, praticamente voa, e atinge o chão em cheio com o Mjölnir, espalhando uma onda de eletricidade mágica por vários metros do ponto de impacto.

Com isso, os soldados restantes da Hydra se desequilibram e despencam no chão feito pinos de boliche, enquanto o Hulk destrói os últimos bunkers de armas e tanques, rugindo eufórico.

— Jesus, Maria e José! — solto, empolgada com o verdadeiro filme de ação a minha volta.

Posso ter agido como uma leviana há alguns minutos, mas ver os Vingadores em ação e a Hydra em maus lençóis é impagável e, por um momento, faz qualquer risco valer a pena. Além disso, reencontrei o Deus da Trapaça no meio da confusão. Que ele não leia meus pensamentos, mas estou muito orgulhosa de sua participação e louca para saber mais detalhes.

Quando Loki por fim adentra o Quinjet e me põe no chão, milhares de perguntas fervilham em minha mente. Contudo, deixo todas elas de lado e jogo meus braços em seu pescoço. Num claro ataque de piriguetismo, pressiono minha boquinha na sua por um longo e proveitoso momento. Seu beijo sabor algodão-doce me deixa com as pernas bambas e um calor muito interessante se espalha por todo meu corpinho. Acho que não preciso nem mencionar as borboletas e os sinos, certo? Eitcha lelê! Isso aqui está bom demais!

Só não tiro mais uma casquinha do dito cujo porque lembro que Robin Hood e Lady Marian estão por perto. Então esmurro o ombro de Loki com o punho fechado, sorrio e o parabenizo por ora:

— Bom trabalho, gafanhoto. É assim que se faz!

Deixando claro que não esqueceu minha estripulia anterior, o deus trapaceiro estreita o olhar e diz taxativo:

— Você podia ter morrido lá fora, tormento.

— Bitch, please! — Reviro os olhos e tento fazer pouco caso, embora saiba que ele tem razão: — Não seja dramático.

Nem um pouquinho satisfeito, Loki coloca as mãos para trás, endireita a postura e inquere:

— De quem foi a brilhante ideia de te trazer até aqui?

Antes que eu confesse que a ideia foi minha mesmo e que tive que insistir bastante até Coulson e os Vingadores concordarem, algo reluz atrás de Loki, algo no meio da floresta lá fora, algo extremamente brilhante e azulado que o Homem de Ferro traz consigo à medida que plana e se aproxima do jato.

O artefato não me é estranho, porém mesmo assim me ouço perguntando:

— O que é aquilo?

De imediato, Loki olha para trás e se detém por algum tempo, apenas observando o intrigante — e de certo, poderoso — objeto. Em seguida, volta-se para mim mais uma vez e responde simplesmente:

— Olhando daqui, parece com o meu Cetro.

Pimba! É isso! O Cetro que Loki usou durante o ataque à Nova York. Mas o que essa arma tem a ver com a missão? Como veio parar aqui? O que está acontecendo? O Cetro estava com a Hydra o tempo todo? A S.H.I.E.L.D. tinha o perdido? Que descuidados!

É nessas e em mais uma série de questões que estou pensando, quando Tony sobe os degraus, sai da armadura e passa por nós com uma expressão um pouco estranha. Como se estivesse mergulhado em algum pensamento importante ou impressionado por alguma coisa que aconteceu durante a missão.

Será que estou imaginando isso? Talvez. O fato é que durante a viagem de volta, consigo obter algumas respostas relevantes sobre este agitado dia.

O Papa-Léguas, na verdade, se chama Pietro Maximoff e tem uma irmã, esquisitona como a Eleven de Stranger Things, chamada Wanda. Os dois possuem poderes especiais e estavam lutando ao lado do inimigo, não se sabe há quanto tempo ou por quê.

Ao que tudo indica, Strucker acreditava que eu seria um reforço e tanto para o seu time de aprimorados. Entre uma experiência ali e uma lavagem cerebral acolá, pretendia me arrastar para o lado negro da força de um jeito ou de outro, tirando o máximo de proveito do meu DNA alienígena. Graças ao trabalho conjunto entre Vingadores e Loki, posso voltar a respirar aliviada a partir de agora.

Contrariando o combinado, Loki partiu para cima do dito cujo quando ainda estava no cativeiro e tentou estrangulá-lo. Stark chegou a tempo de impedi-lo e Strucker passa bem. Não consigo ficar decepcionada com o gafanhoto. Apesar de ter lhe dito, inúmeras vezes, que o procedimento da S.H.I.E.L.D. é zelar pela integridade física dos inimigos, imagino que não foi fácil para ele ficar no mesmo ambiente que o meu sequestrador, descobrindo o que pretendia fazer comigo.

Ainda não se sabe o que a Hydra planejava fazer com o Cetro, mas desde que a S.H.I.E.L.D. o perdeu, von Strucker e sua equipe de cientistas vinham trabalhando com afinco no objeto de outro mundo. Aparentemente, tentavam entender melhor a sua composição, funcionamento e potencial.

Apesar de tudo ter acabado bem, levei uma bronca e tanto do Diretor da S.H.I.E.L.D. por telefone, já que corri para o meio da ação daquele jeito irresponsável, desobedecendo suas ordens, me colocando em perigo e arriscando atrapalhar o desfecho da missão.

Agora que a adrenalina e a ansiedade passaram, sinto-me uma tremenda idiota por ter agido de tal forma. Eu achei que estava pronta para ser uma agente exemplar e que seria mamão com açúcar. Agora percebo que tenho muito o que aprender, a controlar e a observar antes que meu trabalho em campo seja sequer cogitado.

Em outras palavras, estou no período de experiência na empresa e minha postura nada profissional em Sokovia não me ajudou em nada.

É em tudo isso que estou pensando quando olho para Clint sobre a maca. Ele parece estável. Uma renomada geneticista coreana, Hellen Cho, o aguarda no laboratório de Bruce, na Torre dos Vingadores, onde irá fazer os remendos necessários em seu corpinho.

Enquanto Steve interroga o Barão von Strucker em uma cela abaixo de nós pela milésima vez, observo Bruce sentado numa poltrona adiante e com o fone nos ouvidos. Percebo que esta foi a primeira vez que o vi logo depois que o Hulk saiu de cena.

E essa transformação, de homem para fera e fera para homem, parece mexer com ele de alguma forma muito pessoal. Bruce Banner está mais fechado do que nunca e parece meio atormentado também.

Mesmo assim, noto um leve sorriso quando ele se dá conta do upgrade que fiz em sua playlist. Quando ergue o olhar em minha direção, formo o nome Peter Quill com meus lábios de forma silenciosa e dou de ombros.

Se os Vingadores estão temerosos sobre a proximidade entre Loki e o Cetro durante o vôo, não demonstram. Contudo, o Homem de Ferro não lhe daria chance de se aproximar um milímetro sequer, já que mantém o artefato em seu poder desde que deixamos a Europa Oriental para trás.

Por falar no gafanhoto, ele não parece estar matutando uma forma de reaver o Cetro, muito menos de se lançar numa nova tentativa de dominação global. Ao invés disso, sinto-o introspectivo ao meu lado. Talvez esteja relembrando tudo o que fez quando estava de posse dele. Talvez, assim como eu, esteja se perguntando o que a Hydra pretendia fazer quando desvendasse todo o seu poder destrutivo.

Afasto esse pensamento tenebroso e me agarro ao fato de que a missão foi concluída com sucesso. Seja lá o que a Hydra almejava, não importa mais, pois ela não conseguiu. Além disso, o Cetro parece bem seguro nas mãos de Tony Stark.

Pensando em como o mundo está a salvo, em dado momento da viagem pego no sono. Acordo com Natasha anunciando que acabamos de entrar no espaço aéreo dos Estados Unidos e percebo que eu estava babando no ombro do Deus da Trapaça até então.

Constrangedor? Um pouco.

— Deprimente, tormento — ele sussurra no meu ouvido, me fazendo lembrar do nosso segundo dia juntos no meu cafofo, quando me vi numa situação bem parecida com esta.

Meu rosto queima de vergonha e Loki se delicia com isso, assim como naquela ocasião.

— Traste — resmungo, contrariada.

Notas finais
Peço desculpas se o capítulo ficou muito corrido ou meio bleh kkkkkkkkkk Eu tava com certo bloqueio quando o escrevi, mas a partir do próximo, a coisa melhora. Juro, juradinho. Reviews? Beijos! PS: Ainda bem que o Cetro está seguro com Stark, não é mesmo?