Transtornato - Transtornos Em Um Internato
3 Capintolo 3
Eu me sentia incrível! Reconheci a música que tocava como Sleepwalker, de Rise At Night, sendo grande fã de eletrônica e automaticamente senti meu corpo se mover ao ritmo da música. O lugar era um galpão que fora transformado em uma boate com luzes negras, verde, rosa e lasers. As máquinas de fumaça faziam com que a minha vista ficasse um pouco nublada, mas se acostumasse aos poucos. Nunca havia estado em uma festa antes e a não ser pelo cheiro de tabaco, bebida e vômito, eu não queria mais sair de lá. Max havia se juntado a mim na "pista" de dança, que na verdade era o lugar inteiro e eu acabei por me sentir meio deslocada quando ele começou a dançar com R. (Apelido bem mais atraente, não? Rodolfo, eew).
"Vamos, Eddie. Tome um gole!” Max me oferecia, insistindo.
"Olhe, eu não posso. Desculpe."
“Entendo!” Meu amigo moreno ria-se com seu amante e dançava de maneira vulgar. Me perguntei como ele conseguia fazer aqueles movimentos. Me lembrava a música “Vai lacraia” quando um cara desconhecido me dava um copo. Olhei incrédula para o copo tive vontade de perguntar por que diabos ele me dera um copo ao invés de jogar no lixo ou no chão. Ou na cara da Brianne.
"Você já está aqui. Prometo que só vou deixar você beber dessa vez." Pensei um pouco.
Já estou aqui.
Acabei por desistir de resistir, tomando um gole do copo descartável vermelho e roubando um sorriso vitorioso da pessoa ao meu lado que dançava como uma cobra. O líquido queimou forte na minha garganta, me fazendo tossir várias vezes e arrancando um olhar preocupado do meu amigo "Estou bem!"
Max me lançou um longo olhar e sorriu de forma descontraída. Já estava bêbado e dançava alegremente com seu amante. Me senti deslocada ali, então fui saindo de fininho para sentir um pouco de ar. Assim que alcancei a porta de vidro com moldura de madeira que me parecia ser a dos fundos, senti uma pontada de alívio. Eu estava no meu terceiro copo e já me sentia meio tonta. Fui cambaleando até a grama e respirei fundo. Soltara o copo no chão sem perceber.
Ok, vamos avaliar isso. Estava em uma festa. Uma grande festa. Estava bêbada. Meu amigo gay estava dançando de uma forma indelicada com seu namorado e eu não sabia o que fazer. No dia seguinte eu teria aula e estava bêbada. Bêbada! Eu sempre odiei bebida alcoólica e estava bêbada, caramba!
Estou completamente ferrada, minha nossa. O que os professores vão dizer para a minha mãe quando me verem de ressaca? Minha mãe vai me matar.
Parei de pensar tanto sobre isso para admirar a noite. Não haviam estrelas. A lua crescente iluminava a noite, mas ainda estava bem escuro. Muitas árvores altas e velhas estavam no local. Me encostei e fiquei perdida nos meus pensamentos.
"O que está fazendo aqui fora?!" Me assustei no mesmo instante, tombando para trás da maneira menos graciosa possível.
"Meu deus, Max! Que puta sus.." Max tampou minha boca com a mão antes de eu terminar a frase e me levou para um breu de árvores, me deixando absolutamente curiosa. "Fica quieta..."
"Mmmffff!"
“Quieta!” Ele sussurrava baixo, até que vimos duas sombras. Dois garotos musculosos de cabeça chata e braço maior que a cabeça apareceram como se checassem o lugar, procurando alguém. Eles foram embora depois de alguns segundos e eu olhei para Max à procura de resposta.
"Derrubei vodka neles sem querer." Ele destampou minha boca.
"Que educado!"
E então, eu senti um cheiro. Era doce e mentolado. O cheiro invadiu minhas narinas e eu quis sentir mais. Vinha de Max. Ele estava completamente bêbado e sorria para mim tão perto que sentia sua respiração. Seus olhos encaravam meus lábios e vi suas pupilas dilararem-se.
"Tudo bem?" Eu me surpreendi, pois o tom afeminado havia sumido de sua voz, ficando rouca e mais grossa.
"O que houve com sua voz?"
"O que...?"
Ficamos em um silêncio nada constrangedor. Max não estava mais com aquele sorrisinho palhaço no rosto. Ficamos ali calados talvez por minutos, segundos, não sei. Até que ele colocou o meu cabelo por trás da orelha e me fez sentir completamente vulnerável. Foi se aproximando e se aproximando...
"Max..." Sussurrei antes de ele roçar os lábios nos meus, tocando o meu lábio superior com a ponta da língua. Um gosto doce explodiu na minha boca. O gosto era uma mistura dos melhores sabores. Sabor Max. Fechei meus olhos instantaneamente e o beijei com cuidado. A música havia desaparecido e parecia que tudo ficara negro, sobrando só nós. Sua mão estava no meu pescoço e acariciava de leve enquanto a minha estava no seu peito, apertando a camisa. Ele chupou meu lábio inferior.
Parecia tudo em câmera lenta, até que um casal de bêbados saiu do galpão gritando e rindo. Nos afastamos rapidamente, de olhos arregalados. Estávamos ofegantes e vermelhos.
"Eu tenho que ir." Ele falou tão baixo que quase não ouvi. Permaneceu ali. Ambos olhávamos para o chão. Não sabia o que diabo tinha acontecido e nunca havia estado tão envergonhada daquela maneira. Eu tinha beijado meu mais novo amigo gay. Max levantou o olhar para mim e sorriu daquele jeito palhaço. O álcool tomou conta de mim e eu ri alto.
"Não me olhe assim!"
"Assim como?"
"Assim!"
Estávamos rindo quando R. apareceu à procura de Max. Nós saímos do nosso esconderijo e R. sorriu para Max, beijando ele e o abraçando. Fui andando de fininho até o galpão.
Meu deus, isso foi muito estranho. Muito. Muitoooooooooo! Ok, a noite ainda não acabou. Eu preciso esquecer isso. Quer dizer, amanhã Max nem vai lembrar. Ele está muito bêbado. Amanhã falaremos sobre isso. Amanhã.
Não preciso pensar. Apenas dançar. O álcool vai fazer tudo por mim. Ok, vamos lá, vamos lá...
Blasterjaxx — Miami tocava nas caixas de som e eu dançava do meu jeito. Do jeito do álcool, quero dizer. Estava no meu quinto copo quando senti meu estômago embrulhar. Minha mente estava vazia e eu dançava de olhos fechados. A música era minha, só minha...
"Vejo que está se divertindo!" Uma voz gritou no meu ouvido por cima da música. Nate havia aparecido com um copo na mão. Ele usava uma camisa branca com umas calças jeans surrada. Sorri para ele e meio que tombei pro lado, mas o garoto me segurou. "Beba, Eddie. Vai te fazer bem."
Peguei o copo e dei uns goles, pensando se deveria ou não falar devido ao meu estado. Era água o que me dera. Nate não parecia nem um pouco bêbado, o que o contrastava no meio daquele monte de corpos cheios de álcool. Eu fazia parte desse monte. Que nojo de mim, porra.
"Eu fiz algo muuuuito errado!" — Dei risada comigo mesma, nem me dando conta do que acabara de dizer. Nate me pediu para beber mais água e franziu as sobrancelhas ao ver algo. Ele parecia ainda mais lindo quando focava o olhar em algo, mesmo confuso. — "É mesmo? O que?"
"Não posso dizer!" Me acabei em risadas, roubando algumas dele também. Sabia que estava vermelha de vergonha.
"Amanhã terei que descobrir por mim mesmo... Agora vamos para o seu dormitório, está muito bêbada."
"Sim, senhor!" Fiz posição de sentido, seguindo Nate até a saída do galpão. Eu dava risadas e ele retribuía com um sorriso lindo. Digno de matar focas se existissem por aqui. "Cadê sua namorada peituda?"
"Brianne, presumo. Não estamos juntos. Peituda?"
Senti meu rosto corar novamente, até que enfim chegamos ao meu dormitório. Ele devia saber o número por causa de Max. Max...
"Nate, o Max é mesmo gay?" — Perguntei antes de pensar. Idiota.
"Nunca vi ele e Rodolfo transarem, se quer saber."
"Oh, eu..." Fiquei vermelha de novo. Meu deus, eu ando ficando corada frequentemente.
"Tudo bem! É brincadeira. Vá, deite aqui. Eu tenho que ir, tudo bem?"
"Sim, claro!" Nate havia me dado um último olhar antes de colocar um copo de água na mobília ao lado da cama. Sorriu para mim de um jeito descontraído e deixou-me sozinha ao passar pela porta e a fechar sem fazer um estrondo.
Estava tonta e mesmo que esse cara lindo de morrer estivesse no meu dormitório, precisava de um tempo. Estava bêbada, beijara meu novo amigo gay que tinha namorado e um garoto lindo de morrer me levou para o quarto. Isso saiu estranho. Ok, ele me acompanhou até o quarto. Pior: no dia seguinte, teria aula.
"Eu estou tão ferrada..."
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