Quando Max falou sobre volumes exuberantes, não esperava que fosse assim tão sério. Sério. Tipo... Sério. Ele me pediu para vestir roupas de banho e eu acabei por pegar uma camisa velha com shorts e um biquíni roxo escuro por baixo. Sequer sabia que havia uma piscina no lugar, mas tinha! (tanquinhos! IEE! Ai, meus hormônios).

"Está vendo aquele de calções laranja com amarelo?" Na verdade, eu havia reparado. O garoto parecia uma placa para que os E.T's o avistassem com aquele amarelo berrante na roupa de banho. Odeio amarelo, definitivamente. "É meu."

"Eew, pode ficar!"

"Meu amor, não sabe o poder que tem aquele menino!"

"Para, Max!" Falei com cara de nojo, mas feliz por ele me acolher e me tratar com tanta intimidade assim tão rápido. Era bom.

Max, (Que por sinal, se pronuncia com "a", pois ele disse que "Méx" era nome de cachorro) estava seminu, exibindo seu corpo esguio. Era magro, mas havia um pouco de músculos. Observei mais atentamente meu novo amigo, que tinha os olhos brilhantes e curiosos, um sorriso amigável nos lábios e pintinhas por todo o corpo. Assim que ele terminou de tirar a camisa, me levou para conhecer o "pessoal". Caminhamos até uma mesa de bambu com cadeiras feitas do mesmo material, com jovens sentados. Sorri meio tímida para eles com um aceno e um sorrisinho, tentando não ser esquisita. O grupo acenou e se apresentou. Pelo que entendi, a loira bem baixinha se chamava Lorena, o moreno de cabelos castanho avermelhado era Rick e o mais baixo de todos, Leo.

"Hummm, e aí?"

"Eddie, esse é o Rodolfo." Max indicou o homem com shorts cor de mijo que estava encostado na mesa esperando ser apresentado.

Rodolfo. Isso lá é nome de se gritar enquanto tem orgasmo? Oooh, Rodolfo.

Guardei meus pensamentos para mim e cumprimentei o garoto que tinha por volta de dezesseis anos. Era mesmo bonito. Tinha barba rala, atitude de durão e lábios fartos, mas não como os meus. Uma coisa que se notava no garoto durão cheio de músculos, era algo... Impossível de não perceber... Putz, que bunda enorme!

”Sou Eddie. Prazer!" Ele sorriu, simpático e virou sua atenção para o moreno ao meu lado.

"Amor, Verme Dourado está vendendo aquela da boa."

"Wooooooow! Wooooooow! Para tudo! Tome, entregue já a ele!" Max lhe entregara umas notas e eu fiquei sem entender, pensando que talvez estejam a falar de drogas e de como Verme Dourado era um codinome horrível.

"Você fuma, Eddie?"

"Hum, não."

"Deveria."

Querido, tem tanta menina feia nisso, que nem preciso fumar para sentir cheiro de fumaça. É só esses dragões bufarem.

"Não, valeu." Não queria dar uma de certinha. Ele deu um sorriso de cem watts para mim e retribui da maneira mais falsa possível. "Não temos aula?"

"Não. O primeiro dia é para nos instalarmos no internato. Vamos nadar?" Em resposta, fui tirando minha roupa e ficando apenas de camisa e biquíni. Max me olhava com um olhar de interrogação, me fazendo corar.

"Gosto de mergulhar de camisa."

Não vi nada, só um vulto. O garoto saiu correndo e pulou na água desesperado. Claro, com um calor desses. Fiz o mesmo, mas ao invés de pular toda graciosa como Max, acabei mexendo os braços e caindo de barriga.

"Ai! Essa doeu em mim!" Ele murmurou.

Estava vermelha do pescoço para baixo, disso tinha certeza.

Nós havíamos ficado um tempo conversando sobre as novidades da escola, com ele me apontando quem havia perdido a virgindade e quem havia feito desafios estranhos, como enfiar canela no ouvido. Até que ele espirra água em mim.

"Não, você não fez isso!"

"Ahn? Do que está falando?" Ele disse em um tom inocente, mas sem esconder o sorriso travesso. Cínico.

"Max, você vai ver!"

Ficamos espirrando água um no outro durante um tempo até cansarmos, rindo sem parar. Ele me olhava com aquele sorriso enorme e a risada afeminada, com a mão na frente da boca. Até que Max mergulhou e perdi ele de vista.

"Rá!" Levei um susto e acabei soltando um suspiro assustado, jogando água nele. Se não fosse gay, diria que rolou um clima.

Até que vomitei. Sim, eu vomitei. Vomitei água.

"Que nojo, Esquila!" Ele falou rindo enquanto saía da água e eu fugia do vômito que parecia flutuar para mim.

"Aimeudeus, me ajuda!"

Até então, eu havia passado um bom tempo com Max. Ele havia ficado na área da piscina e eu decidi ir arrumar minhas coisas. Torci para não acabar parando na diretoria do outro prédio ao tentar voltar para o dormitório. Não tinha nenhuma noção de direção.

No caminho, ouvi sussurros de vozes roucas.

"Irmã, não temos tempo."

"Shhhh... Iremos colocar o plano em ação."

Vinham de uma sala ainda não explorada por mim, com uma grande porta de madeira velha meio aberta. Espiei um pouco para ver quem cochichava tanto ali, com minha alma de curiosa e tive uma surpresa. Freiras.

Que porra essas santas vieram fazer em um colégio de ensino médio e fundamental? Não sabem que podem ser estupradas?!

Comecei a ouvir melhor, curiosa...

"Madaleine, estamos nos arriscando demais."

"Vamos orar e pedir a Deus que nos proteja das consequências."

Elas começaram a orar e eu fui saindo de fininho, mas como sou babaca, minhas botas fizeram aquele som irritante de quando escorregamos em chão liso de tênis. Saí correndo em disparada para meu dormitório.

Que merda foi aquela?!

Ainda estava completamente cercada de emoções e sentimentos, (sem querer ser Nx Zero) quando Max apareceu todo discreto com Rodolfo, agarrando a bunda do mesmo e o beijando. Limpei a garganta para mostrar que estava ali e eles pararam de se beijar, mas Max ainda agarrava as bolas de basquete de Rodolfo.

"Oh! Que vergonha!"

"Aposto que acontece sempre" Dei risada, já esquecendo o assunto das freiras. Comecei a arrumar minhas coisas como quem não quer nada enquanto voltavam a se beijar. Já estava ficando tarde. O dia passou rápido mesmo!

Rodolfo havia ido embora por volta das 23h, se despedindo de seu amado com um aperto nas bolas. As aulas começariam amanhã e eu não queria dormir tão tarde. É mentira; Max que não queria.

"Maaaaaaaax..."

"Hummm?" Ele disse meio sonolento.

“Estou no tédio!”

"Não é problema meu. Me deixe dormir."

"Você já beijou uma garota?" Perguntei sem pensar, tampando minha boca e ouvindo um suspiro do meu amigo gay.

"Não."

"Então como você..."

"Olhe, eu sei." Um movimento atraiu a minha atenção, me fazendo vê-lo virar para a parede. Desisti de tentar conversar sobre isso, vendo que havia tocado em um ponto fraco e decidi dormir.

×

O primeiro (de verdade) dia de aula foi comum. Acordei, tomei banho, me arrumei, me atrasei.

"Vamos logo, bunda mole!"

"Já vou!"

Sorri para ele antes de calçar meus sapatos, mas fui puxada de imediato para fora do dormitório. Corremos em direção ao edifício de aulas e me pergunto por que será que é tão grande. Max saiu correndo na frente quando disse que não queria suar no primeiro dia e quando cheguei finalmente na sala, o professor me olhou impaciente.

"Está atrasada, senhorita Squirrel."

"Sim, eu sei. Desculpe, senhor..."

"Woman."

Senhor Mulher? Sério?

"Desculpe, senhor M... Woman."

Percebi que era aula de Física e imediatamente me desliguei. Fiquei batendo a borracha da ponta do lápis com o cuidado de não emitir som até o fim da aula, onde vieram Química, Cálculos, Literatura e Espanhol.

Logo na última aula, uma garota me cutucou com o lápis de ponta afiada. Emiti um "Au" e encarei a garota loiríssima de nariz e peitos perfeitos. Cara, que peitos.

"Querida, seu enorme cabeção está me atrapalhando."

"Querida, vire sua cabeça de vento para o lado e enxergue." Ela pareceu surpresa e totalmente enfurecida, com aquela voz melosa.

"Como ousa?!"

"Com comunicação verbal."

"O que?" Ela não parecia ter entendido, mas mesmo assim... "Olhe só, sua esquisita, se me insultar de novo, eu pego um pano e esfrego nessa sua cara cheia de manchas. Parece um Dálmata."

"Que gentil." Me virei de frente e comecei a guardar minhas coisas, ouvindo o sinal que mais parecia buzina de barco tocar. Me afastei da loira nojenta e fui de encontro com Max, que era de outra aula.

"E aí? Como foi?"

"Interessante. Uma loira com peitões declarou inimizade comigo e não aprendi quase nada."

"Brianne Peitões?! Você está fodida!"

"Que gentil da sua parte, Max!"

"Só estou dizendo. Ela é simplesmente a garota mais nojenta do internato. É popular aqui e..."

Parei de prestar atenção quando vi uma luz. Aquela luz que todos falam, sabe? De quando você vai para o céu. O garoto que caminhava até nós tinha um leve bronzeado, lábios beeeeem cheios e nariz reto, orgulhoso. Seus olhos acizentados cintilavam a cada piscada e seu olhar parecia que estava realmente focado em tudo. Seu cabelo era castanho escuro e parecia crescer para todos os lados, menos o certo. E nossa, aquele porte físico...

"Max!" Cumprimentou meu amigo gay com um aceno de cabeça.

"Nate, essa é Eddie."

"Oi, Eddie." — Eu havia perdido a fala e acenei como uma retardada para ele, deixando um silêncio constrangedor. O deus deu um sorrisinho de lado. Metido. "Certo... Vou indo. A gente se fala, Max. Foi um prazer te conhecer, Eddie. "

Prazer é na cama contigo, garoto.

Acenei novamente igual uma toupeira e o observei ir embora. Max balançou a cabeça como se reprovasse e fomos andando de volta até o dormitório.

"Que gaaaaaaato!"

"Se é! Mas nem tente."

"Por que? Quem é ele?"

"Namorado da Peitões." Senti meus ombros curvarem para frente, decepcionada.

Ok, até que o verdadeiro primeiro dia de aula não havia sido tão ruim. O professor de Física me odiava, tinha uma inimiga, um amigo gay tarado em bundas que namorava um garoto que usava shorts cor de mijo e conheci um deus intocável. Maravilhaaaa.

"Quer ver televisão?"

"Claro!"

Passamos a tarde inteira a assistir Jogos Vorazes. Não achava aquilo tudo-tudo, mas Max pirava na batatinha toda vez que o garoto da friendzone aparecia (Gale? Sei lá, mas era realmente gostoso). Havíamos feito guerra de pipoca e tivemos que limpar tudo do chão, rindo que nem babacas. Max olhou para o relógio e arregalou os olhos.

"Se arrume, vamos sair."

"Onde vamos?"

"Em uma festa."

Me animei instantaneamente com a ideia e comecei a me arrumar tomando banho, fazendo o cabelo e colocando um pouco de maquiagem nos olhos. Só gostava do delineador e as maquiagens para a pele pioravam a situação visto que não sabia mexer naquelas coisas e tinha sardas no rosto. Meu cabelo castanho claro estava solto, indo quase até os seios e coloquei uma calça justa com uma camisa. Max torceu o nariz para a camisa, mas ignorei. A maquiagem nos olhos intensificava meu olhar e contrastava meus olhos azuis.

"Estou pronta."

"Ótimo. Só demorou duas horas." Max olhou para mim de cima a baixo e assobiou, aprovando meu visual. "Se eu gostasse se vaginas, te jogava na cama e engravidava."

"Adoro seus elogios." E era verdade.

Max me levou para atrás do internato, onde havia uma casinha distante meio abandonada com luzes piscando e música. Os diretores deviam pensar que os alunos mereciam descanso, talvez. Assim que chegamos à porta do lugar, Rodolfo se juntou a nós.

O lugar era iluminado por luz negra e algumas coloridas. O DJ tocava uma música extremamente alta e todos pulavam dançando ao ritmo da música com tinta no rosto florescentes com desenhos exóticos. Bebidas eram distribuídas, casais se lambiam e estupravam, garotas usavam fiapos de roupa dançando de modo exagerado e o deus que eu conhecera no mesmo dia estava com uma dessas garotas com fiapo de roupa, Brianne.

Desviei os olhos deles, sorrindo e sentindo o ritmo da música em mim. Era como a batida do meu coração.

Não sei o que me espera essa noite, mas sei que nunca me senti mais viva do que nesse momento.