Translação

2 Lembranças


A primeira vista, minha antiga casa era pequena e simples, perto do mais recente presente que eu ganhara de Esme. O chalé era um pouco mais robusto e cintilante, parecia mais magico. Minha casa era simplesmente o meu recanto infantil, onde eu passei os meus sonhos mais lindos e também os terrores mais sombrios.

Charlie obviamente estava assistindo o jogo da quinta temporada de basebol, eu podia ouvir sua pulsação acelerada pela emoção e adrenalina. Estacionei meu carro ao lado da viatura do meu pai, tentei parecer normal colocando minhas lentes que por sinal não remetem nenhum pouco aos meus antigos olhos, devo concordar que minha atual visão é bem mais exigente que a antiga.

Caminhei lentamente até a porta e a abri. Como de costume Charlie deu aquele velho sorriso e se levantou pra me cumprimentar. Era incrível como ele sorria com os olhos.

-Oi pai –

-Oi Bells, fazia tempo que você não vinha me ver! Cadê minha netinha? – Ele havia se apegado tanto a Renesmee, acho que ele quer me deserdar ultimamente me trocando pela neta.

-Ela ficou com Edward, ela estava com saudade de Jacob e decidiu ficar lá. – Eu o disse tentando parecer gentil sem dizer muito.

-Bom, ela gosta mesmo daquele cachorro, parece com você. – Ele sorriu sugestivamente.

-Verdade, ela gosta de brincar com Jacob, mas, Sue e Seth? – Eu perguntei notando o silencio.

- Seth anda muito com Lea ultimamente, eles ficam naquelas coisas de lobo, parece que se entendem até pelo olhar...?– Ele disse finalizando mais como um questionamento do que uma afirmação.

-Eles devem estar bem ocupados mesmo... Você gostou da viagem? – Eu o perguntei olhando a janela, o movimento era o mesmo desde que eu chegara à cidade.

-Não quer se sentar?- Ele me perguntou achando obviamente estranho.

-Não, gosto de ver a vista daqui... É interessante. – Eu protelei.

-Você que sabe garota. Edward continua andando sobre as aguas? – Meu pai sempre vai ter essa alfinetada por Edward. Desde que ele partira e me deixou sem chão meu pai nunca esqueceu.

-Sim, ele continua um deus... Pai eu queria só lhe pedir pra ter mais cuidado okay? Evite andar muito por aí esses dias... Só por precaução, e antes que me pergunte eu não posso falar então, você não precisa saber. — Eu falei tudo como um discurso inflamado pela decepção em minha vós. Eu sabia que o certo era partir, agora a cada dia que vejo Charlie percebo o risco que estou impondo a sua vida.

-Tudo bem então, se você diz... Mas... Bella está tudo bem mesmo? – Ele me olhou – Tem algo que queira me dizer mas tem medo? –

-Não pai, está tudo bem, não se preocupe. Olha, eu tenho que ir agora, Renesmee deve estar sentindo minha falta. Você deveria ir vê-la ela sente sua falta também. – Eu falei o beijando e me afastando rapidamente. O sangue ainda era um incomodo.

-Bells, você sabe que estará segura comigo, sempre. – Ele disse segurando minha mão.

Por um momento tudo o que eu queria fazer era lhe contar tudo, dizer quem eu sou agora. Dizer que tive de mudar pela minha filha, que essa nova vida não é o pesadelo doentio que os humanos criaram, mas que vivemos em mundos tão perigosos quanto.

Suspirei e criei forças para me despedir de Charlie.

- Nos veremos em breve pai. Tente visitar Renesmee essa semana okay?

-Tudo bem Bells. –

Peguei minha bolsa e tirei a chave do carro, minha aversão a maquinas velozes ficara para trás com minha humanidade. Tudo o que eu queria agora era estar com Edward e Renesmee em nosso mundinho particular. Nossa bolha de felicidade.

Liguei o motor de rugido grave e tendencioso. As ruas da cidade estavam cobertas pelas grossas camadas de neve. Os tratores causavam um alvoroço. Uma vantagem sobre Forks? Não tinha transito como em Phoenix.

Toda essa monotonia me transmitia agora uma paz que eu nunca encontrara anteriormente. O verde e a chuva quase sempre presente aqui nem sempre foram meus melhores aliados.

Minha nova vida era cheia de novidades e eu aprendi a conviver com essas diferenças, mas é que as vezes essas lembranças ainda retornavam em minha mente.

Alice previra um futuro promissor para minha filha e Jacob, meu melhor amigo e futuramente genro. Essa ideia me incomodava um pouco. Eu sentia esse sentimento de posse por Jacob, ainda que eu amasse Edward, Jacob sempre seria aquele no qual eu me apoiara. E agora tudo isso não passa de uma confusão. O meu melhor amigo tem um imprinting com minha filha.

Estacionei o carro na grande garagem da casa dos Cullens. Era engraçado, já que agora era minha casa também. Meu marido veio ao meu encontro e como o sempre cavalheiro abriu a porta do carro pra mim com aquele meio sorriso estonteante.

-Olá Sr.ª Cullen. –

-Olá cavalheiro – Sorri e me inclinei levantando a pontinha de meus pés para lhe cumprimentar com um beijo –

-Como está Charlie? – Ele perguntou colocando uma mecha do meu cabelo atrás de minha orelha.

-Bem, Sue não estava lá, ele estava vendo a quinta temporada. – Toquei seus cabelos bagunçando um pouco.

-Nossa filha estava a sua espera, mas Jacob sabe distrai-la muito bem brincando de esculpir pequenos animais em madeira. Ela possui um bom senso artístico como Esme. – Edward disse refletindo um pouco.

-Verdade, ela tem muito mais de Esme e Alice em sua personalidade do que eu imaginava, mas isso não é ruim, eu adoro a junção das duas e tirando o fato de que minha filha vai me obrigar a me arrumar melhor quando ela crescer, eu não me importo nenhum pouquinho que ela se pareça com a tia. – Sorri fechando a porta do carro e guardando a chave em minha bolsa.

-Então, vamos? – Eu o perguntei segurando sua mão agora na mesma temperatura que a minha.

-Espere – Ele disse me recostando no capo do carro, beijando minha clavícula.

-Hm, você não quer fazer isso agora... — Eu disse sussurrando mais como uma ordem interna.

-Não? – Ele insistiu roçando os lábios por minha nuca, eu conseguia sentir a respiração dele em minha pele e isso me causava arrepios.

-Não na garagem da sua mãe... – Eu lhe disse reprimindo um pouco meu sorriso, adorando a sensação das mãos dele acariciando minha cintura por baixo da blusa.

-Você tem razão, mas não sei se consigo me controlar. – Ele me disse sorrindo e se afastando.

-Pelo visto você consegue. Você é o melhor em se controlar afinal. – Eu sorri lembrando-me de minha época humana e frágil, onde não podíamos nos tocar por mais de 30 segundos porque ele se afastava de mim.

-Sim, mas posso afirmar que nossa noite será longa. – Ele disse por fim, segurando minha mão, me guiando pra dentro da grande casa branca. Eu sorri com o pensamento.

Entramos na grande sala pela porta lateral. Carlisle estava sentado lendo um jornal informativo da cidade. Era estranho como eu ainda o achava lindo. Alice e Jasper pareciam estar pendurando alguma coisa no andar superior. Eu conseguia ouvir os risinhos da minha melhor amiga. Tentei me concentrar em outras coisas, e foi bem fácil o fazer.

Avistei uma pequena garotinha sentada no chão, ela parecia distraída com os ensinamentos do rapaz moreno e forte. Jacob a explicava como se fazer um pequeno lobo de madeira, ela estava tão concentrada e isso me fez rir.

-Viu? É uma espécie de amor inexplicável não é? – Esme me perguntou passando levemente seu braço por meus ombros.

-Sim, inexplicável... – Eu concordei e nós rimos juntas.

Esme era puro amor e dedicação. Logo que a conheci, ainda humana; senti-me confortável ao seu lado. Talvez por eu estar longe de Renée ou por simplesmente sentir a fundo sua admiração por todos os seus filhos adotivos.

-O que mais me intriga, é notar que tudo ao redor se torna invisível quando você a vê. – Esme me disse e tom explicativo e curioso.

-Eu não sei bem o que acontece – Suspirei pensando para dar uma explicação plausível. –Renesmee parece me hipnotizar. Logo que descobri sua existência dentro de mim, tudo o que eu sentia era voltado pra ela. O amor, o medo, a proteção... –

-Eu consigo te entender minha querida. – Esme me disse tocando meu rosto.

-Sim, eu sei. – Eu disse concordando com ela.

-Ela está tão madura não é? – Edward disse olhando Esme.

-Sim, é verdade, os comportamentos de criança são mantidos, mas... Nessie possui um senso muito maior que as outras crianças de sua idade. — Ela suspirou me olhando.

-Tenho medo disso tudo. Apesar de ter conhecido Nahuel, eu ainda tenho medo. Medo de que ela cresça e não queira estar conosco. Medo de que ela não se adapte a todo esse mundo... – Falei mais como um sussurro.

-Ela te ama, ela ama a todos os que estão a sua volta e como você mesma diz, nossa família é unida. – Edward me disse abraçando-me tentando me reconfortar de minhas angustias.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.