Transgressões

1 Ataque Selvagem


Notas iniciais
Olá pessoal! Então, já tem um bom tempo que eu disse que iria reescrever Vila dos DesAjustados e finalmente apresento para vocês o resultado. Mas, vou logo avisando... A história atual não é nada parecida com a antiga. Sério mesmo. Muita coisa foi mudada. Nomes, aparência, enredo, personagens, etc... Este capítulo é mais um prólogo...

ATAQUE SELVAGEM

Um instinto maligno e animalesco tomou o seu corpo, dominando-o por inteiro, e o fez atacar a pessoa à sua frente. A razão abandonara-lhe e nada poderia lhe impedir. Com a faca que estava em cima da bancada de granito da pia, há pouco fatiando legumes e hortaliças, ele tentava dilacerar alguém. Sua vítima se esquivou por pouco e correu o máximo que a idade lhe permitia, mas aquele esforço não seria capaz de deter a agilidade e força bruta alimentada pela fúria e pelo ódio.

Num instante, ele se jogou e derrubou a vítima no chão. Um de seus ossos, já frágeis pela osteoporose, acabou por trincar. A senhora dava um grito de dor agoniante, mas seu algoz não sentiu pena alguma. Ele não possuía nenhum resquício de humanidade naquele momento. Agia como um monstro assassino. Abruptamente, ele virou o corpo da mulher para que ela encarasse seus olhos assustadores.

— Sua vadia! Você me enganou! — ele vociferou e esbofeteou com selvageria o rosto enrugado e delicado.

— Saia de cima de mim! Me deixe em paz — ela tentava se libertar do aperto do homem em cima dela, mas seus braços eram segurados com muita firmeza. Ela chorava e implorava para ser liberta.

— Não acredito que você me enganou. Nós tínhamos um trato – sua voz era carregada de uma ira imensa misturada a uma estranha angústia.

— Eu nunca aceitei suas condições – ela conseguiu dizer em meio a forte dor que sentia.

Eles ficaram no chão duelando por um tempo. Ele, o predador ansioso; ela, a presa perseverante e sedenta de liberdade. Num mísero momento de distração, a velha acertou-lhe o meio das pernas e ele cedeu o aperto. Ela tentou se levantar, mas estava quase paralisada pelo medo. Ao perceber que os gemidos de seu oponente estavam diminuindo, a idosa ignorou a dor do osso trincado e começou a se arrastar com pressa pela casa.

Seu plano era chegar até a gaveta da escrivaninha de seu gabinete, onde havia um revólver carregado. O gabinete se situava próximo a cozinha, logo ela não teria que se arrastar por tanto tempo. Mas, seus momentos de segurança acabaram definitivamente.

Seus cabelos grisalhos e finos foram puxados com força e ela sentiu-se ser impulsionada por braços fortes contra a parede. Um talho se formou em sua testa e o sangue quente escorreu pelo seu rosto. A visão se turvou e ela percebia que estava por um triz de ficar inconsciente ou mesmo morta. Encarou o olhar sombrio e assassino do homem em quem chegara a confiar e fechou os olhos tentando esquecer aquela visão aterrorizante. Ela começou a rezar implorando por misericórdia e perdão de seu Criador e pedindo que sua alma fosse para o paraíso. As gargalhadas sádicas do homem atrapalhavam sua clemência, mas o balbucio passou para uma reza em voz alta tentando espantar, em vão, aquele mal.

O homem soltou um brado bárbaro e esfaqueou sua vítima inúmeras vezes vendo como o metal afiadíssimo dilacerava a carne humana. Respingos de sangue cobriram boa parte do rosto do homem, mas ele não se importou. Lambeu o líquido rubro próximo de sua boca e apreciou o sabor metálico. Ele levantou-se e olhou sua obra de arte no chão de azulejos claros. Não havia mais nenhuma centelha de vida naquele corpo idoso.

— Você não deveria ter cometido uma transgressão. – ele falou para o cadáver e deu um sorriso horripilante seguido de uma gargalhada ruidosa.

Notas finais
Espero que tenham gostado do comecinho da história ^.^ Vejo vocês nos comentários! Caso alguém não tenha conseguido ver o banner, aqui está o link: http://i4.minus.com/inq0qmUj7NsVD.jpg