Traição
9 Capítulo 9 - O Ponto de Não Retorno
Tânia não esperou ser convidada a entrar.
Deslizou o olhar pela sala como quem avalia território, demorando-se em Bella, depois em Edward. O sorriso que surgiu em seus lábios era calculado, venenoso.
— Então… — disse, cruzando os braços. — Vejo que vocês estão tentando outra vez. Curioso, considerando que o Edward ainda passa noites comigo.
Bella sentiu o golpe antes mesmo de processar as palavras. O ar pareceu rarear. Seu corpo enrijeceu por instinto, mas ela não disse nada. Apenas olhou para Edward.
E foi ali que tudo mudou.
Edward não hesitou. Não tentou explicar. Não contemporizou.
— Saia. Agora.
Tânia riu, um som curto, descrente.
— Vai fingir que nada aconteceu entre nós? Edward, você sabe que—
Ele avançou um passo, a voz baixa, perigosa, definitiva.
— Você não tem mais acesso à minha vida. Nem ao meu corpo. Nem à minha casa. E, principalmente, à minha família.
Ela tentou tocar seu braço. Foi o último erro.
Edward segurou o pulso dela e a conduziu até a porta sem delicadeza alguma, abrindo-a com força.
— Escute bem — disse, cada palavra cravada como aço. — Se depender de mim, você nunca mais pisa em um escritório de advocacia. Nenhuma empresa séria vai te contratar. E, sinceramente? Se acabar varrendo rua ou pedindo esmola, não será problema meu.
Os olhos de Tânia arderam, não de tristeza, mas de ódio.
— Você não pode fazer isso comigo.
— Posso — ele respondeu, sem emoção. — E vou. Mas o mais importante: nunca mais chegue perto da Bella. Nunca mais chegue perto do Anthony. Se fizer isso… você vai se arrepender.
Ele fechou a porta.
O silêncio que se seguiu era ensurdecedor.
Edward permaneceu imóvel por alguns segundos, respirando fundo, como se estivesse segurando um terremoto dentro do peito. Então se virou.
Bella estava ali, os olhos marejados, o coração exposto, esperando — não explicações, mas verdade.
Edward deu dois passos, e então fez algo que nunca fizera antes.
Ajoelhou-se.
O som seco dos joelhos tocando o chão ecoou pela sala.
— Eu fui um imbecil — disse, a voz quebrando sem qualquer tentativa de controle. — Eu te humilhei. Te feri. Coloquei em risco a única coisa que realmente importava na minha vida.
Ele ergueu o rosto, os olhos brilhando.
— Eu me arrependo de tudo. De cada escolha errada. De cada silêncio. De cada vez que não te protegi como deveria. Mas eu te prometo… nunca mais vou permitir que nada — nem ninguém — ameace nossa família. Nunca mais.
Bella levou a mão à boca. As lágrimas finalmente caíram.
— Edward… — sussurrou.
— Me perdoa — ele pediu. — Não como o homem que eu fui. Mas como o homem que estou tentando ser. Eu vou lutar por vocês todos os dias. Até o fim da minha vida.
Ela se aproximou devagar. Não havia pressa naquele gesto. Apenas decisão.
— Eu te perdoo — disse, firme, apesar da emoção. — E eu confio em você. Mas escute bem: esta é a sua única chance. Se você errar de novo… eu desapareço. Com o Anthony. E você nunca mais vai nos encontrar.
Edward assentiu sem pestanejar.
— Eu sei. E aceito.
Bella estendeu a mão. Ele a segurou, levantando-se. No mesmo instante, Anthony correu até eles, envolvendo as pernas do pai num abraço espontâneo.
Edward se abaixou, puxando o filho para si, e Bella os envolveu com os braços.
Os três juntos.
Não perfeitos.
Não ilesos.
Mas inteiros.
E, pela primeira vez, verdadeiramente uma família.
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