Traga-me para a luz.
3 Surpreendendo a luz.
Notas iniciais

Sua mãe estava ali e havia visto o Bucky. Por Deus! Como queria ter dito essa sorte. Eu queria tocar no rosto dele, porque assim ela saberia como ele era. Imaginei, como seria deslizar minhas mãos por seu rosto. O sentindo... Será que ele era tão bonito, como sua voz? Bucky parecia um homem muito especial. Porque, meu coração batia tão forte ao falar dele?
— Como ele é, mamãe? Questionei, ansiosa. – Descreva-o para mim, por favor. Disse, implorativa. Precisava imagina-lo ou pelo menos tentar.
— Por que, meu bebê? Ele é seu namoradinho? Perguntou, a mão com sua voz dominada pela preocupação e proteção. Eu nunca havia namorado, sempre fiquei distante dos garotos. E Dona Helena era tão super protetora. E meu pai, nem se fale.
— Não! Apressou-me em negar. – Ele é só um moço que me ajudou. Só que a voz dele é tão bonita, mamãe. Só quero saber se o dono é igual. Questionou, inocente. Eu não iria dizer o quanto Bucky mexia comigo, sendo que eu o havia visto apenas uma vez. Ele me salvou, mas essas coisas é melhor não falar para minha mãe. O surto dela duraria dias, se soubesse que ele me salvou de atropelamento. Ela subiria em meu apartamento, arrumaria minhas malas e me levaria de volta para casa.
— Oh meu anjinho! Você tirou a sorte grande, pudim da mamãe. Aquele é um deus grego em forma de gente. Com todo, respeito ao seu pai que é um homão. Mas, aquele homem deve ser o próprio Apolo em carne e osso. Disse, agitada. Caramba! Eu queria vê-lo.
— Foca em mim, mãe. Como ele é? Chamei, estralando os dedos em sua frente.
— O cabelo dele é longo, apesar de estar com boné. Nos ombros... E ele parece musculoso. Bastante, na verdade. Tem os olhos azuis, frios... Muito bonitos também. E o que ele falou com você? Como vocês se conheceram? Fala com a mamãe, bebê. Disse, segurando minha mão e andando até meu apartamento. Sorri, com a agitação dela.
— Ele foi muito gentil. No início, ele me assustou um pouco. Mas, a voz dele é muito bonita. Ele me trouxe até aqui. Disse, omitindo na parte do atropelamento e que Bucky havia me salvado. A última coisa que eu queria é minha mãe assustada.
— E você gostou dele? Questionou, afagando meu rosto. Enquanto, nós sentávamos em meu sofá.
— Gostei muito. Disse, tentando conter a timidez. Havia gostado dele, Bucky havia dominado minha mente. Era algo que eu não conseguia explicar, nem entender. – Mas, é provável que não nos vejamos mais. Disse, com uma nota de desapontamento na voz. Se Bucky era tão bonito, como ela descreveu. O que poderia ver em mim? Uma mulher incompleta? Balancei a cabeça, afastando de mim pensamentos depressivos e de baixa estima. De tempos em tempos, eles queriam tomar conta de mim. Porém, sempre lutei contra eles. Eu já tinha meus problemas, mas sempre manteria a cabeça erguida.
Eu sou alguém, eu sou amada e eu mereço ter a felicidade. Se Bucky não voltasse, só quem perderia é ele. Eu sou um baita mulherão. Sorri, acariciando Ares que estava deitado em meus pés.
— Ah, meu anjo. Claro que ele vai voltar, você é belíssima. E mais, do que isso... É uns dos seres humanos mais especiais que eu já vi. E não falo isso, por ser sua mãe. Ergui minha sobrancelha para ela, tentando não rir de sua fala. – Ok! É por ser sua mãe também. Mas, você... Meu amor, é uma das mulheres mais fortes que eu já vi. Tão bondosa e gentil, mesmo tendo sofrido tanto. A melhor coisa que fiz em minha vida é e sempre será ser sua mãe, meu bebê. Disse, me puxando para seus braços.
— Eu te amo, mamãe. Disse, emocionada. Fiz tentativas falhas de conter minhas lágrimas, Ares pulou em meu colo e lambeu meu rosto. Nós tínhamos essa conexão, ele sempre sentia meus humores. Minha mãe me abraçou, afagando minhas costas e colocando minha cabeça em seu colo.
***
O dia se passou, entre conversas e lendo livros com minha mãe. Ela parecia muito interessada em saber sobre Bucky, era sempre assim. Qualquer novidade em minha vida, era algo grande para ela. Sempre queria saber mais, estudar mais e pesquisar mais.
— Quer pedir uma pizza, meu bem? Questionou, minha mãe.
— Quero. Faz tanto tempo que, não como uma pizza. Disse, me lembrando da última vez. Minha mãe sempre fazia questão da geladeira sempre estar abastada de verduras, frutas, cereais saudáveis e claro, algumas besteirinhas.
— Falar em comida. Amanhã... Iremos ao mercado. Sua geladeira está ficando mais vazia. Disse, ouvia ela abrindo as gavetas e vasculhando as coisas.
— Mãe... Protestei, chateada.
— Sem ‘’ Mãe...’’, Amber. Repreendeu, imediatamente. – Esse foi o nosso combinado. Você moraria sozinha... Mas, eu ficaria de olho em você. De olho em sua alimentação, em sua rotina, em seus exames, em sua vida. Não existe um meio termo, quando eu morrer você vai poder fazer o que quiser. Inclusive, passar fome. Reclamou, chateada.
Suspirei, com aquele drama. Minha mãe era assim, doidinha, carinho e bem super protetora. Eu não poderia culpa-la, eu sei que se a situação fosse contraria... Eu seria bem pior.
— Tudo bem, mamãe. Amanhã, iremos a compras. Satisfeita, Dona Helena? Questionei, andando pelo meu apartamento.
— Muito, mocinha. Aquele rapaz nunca irá voltar, se souber que nem comida. Você tem a oferecer. Disse, rindo. Mais tranquila...
— Pelo amor de Deus! Só nos vimos um vez. Exclamei, preocupada. Eu não queria que a cabecinha dela se enchesse de ideias mirabolantes. E muito menos, que essa história chegasse aos ouvidos do meu pai. Então, eu teria um imenso problema.
— Nunca ouviu falar em amor à primeira vista? Questionou, sonhadora. Minha mãe fazia jus ao signo que tinha. Nunca teria ninguém mais pisciana do que ela... Não, que eu acreditasse nisso de fato.
— Eu não acredito nisso, mamãe. Expliquei, convicta.
— Pois, acredite! Meu pequeno bombomzinho de chocolate. Intuição de mãe nunca erra. Aquele rapaz irá voltar. Afirmou, me arrepiei em cada palavra.
Desde então, não havíamos falado sobre o Bucky. Mas, sua voz era uma constante em minha cabeça. Nunca havia ficado tão afetada, constantemente ansiosa pela presença de alguém novo em minha vida. Eu só precisava vê-lo de novo.
***
No dia seguinte, minha mãe estava pontualmente de manhã cedo em meu apartamento. Ares estava empolgado, com mais uma saída na rua. Já estava pronta para fazer compras, coloquei um vestido rodado e uma sandálias sem salto confortáveis. Sinceramente, eu não queria me estressar. Porém, eu já previra que minhas expectativas eram vãs. Eu sempre me estressava fazendo compras com minha mãe. Ela sempre dava um jeito, de me fazer comer o que ela queria. Geralmente, elas usava suas chantagens emocionais muito bem contra mim.
— Você precisa comer mais legumes. Pontuou minha mãe, me entregando algumas cenouras para que eu pudesse toca-las. – E frutas também. Alguns cereais... Disse, distraída com algo. Enquanto, me entregava uma caixa com alguns relevos em braille. Passei minha mão por ele e o depositando no carrinho.
— Filha, eu vou aqui em outro corredor. Não saia daqui. Pediu, de repente. Tocando em minha mão, levemente. Como se quisesse me situar, o quão próximo de mim... Ela estava.
— Tudo bem, mãe. Não se preocupe, Ares está comigo. Disse, a avisando. Ouvi seus passos leves, indo para longe de mim. Acariciei Ares por um momento, distraída com seu pelo macio.
— Olá, pequena ruiva. Disse, uma voz que estava marcada em minha cabeça á ferro. Mas, isso não impediu que eu me assustasse com sua extrema sutileza e silencio ao se aproximar de mim.
— Porra! Exclamei, desesperada. – Qual é o seu problema, Bucky? Disse, tentando localiza-lo.
— Você já briga comigo, como se fosse íntimos... Ruivinha. Assinalou, parecendo impressionado.
— E a culpa é definitivamente sua. O que faz aqui? Questionei, incisiva.
— O que se faz em um mercado, Amber? Perguntou, sarcástico com um tom quase carinhoso.
— Você entendeu muito bem, o sentido da pergunta...E por que você é tão silencioso? Questionei, impressionada. Eu não o tinha ouvido, até falar comigo. E isso era algo raro para mim.
— Ossos do oficio. Disse, sombrio.
— Está tudo bem com você? Disse, quase carinhosa. Oh Deus! Só de tê-lo aqui. Quando pensei que nunca mais iria vê-lo, já me deixava um pilha.
— Sim, está tudo bem. E você, ruivinha? Questionou, usando um tom parecido com o meu.
— Melhor agora. Afirmei, usando uma coragem que nem sabia que tinha.
— Isso é ótimo. Disse, sua voz soando próxima. – Amber, queria te pedir algo. Questionou, Bucky.
— Peça. Não tenho dinheiro, não tenho nada. Então, se você é um sequestrador ou Stalker... Procure uma candidata melhor. Sugeri, brincando. Ouvi sua risada explodir perto de mim, me enervando.
— Saia comigo, Amber? Como em um encontro... Pediu, enquanto sua mão acariciou meu rosto. Ofeguei com todas as sensações que fui surpreendida. Meu corpo tremia e meu coração batia acelerado. Bucky estava me chamando para sair?
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