Romário

A Brenda é durona, não aceita um não como resposta. Me aproximei e vi que ela conversava ao telefone, talvez com uma amiga. Não pude deixar de ouvir que ela falava sobre o Vestibular. Até eu estava um pouco ansioso. Esse Vestibular é super importante, um dos mais concorridos, e as provas são difíceis. É claro que um gênio da matemática como eu, não se sairá mal, mas meu problema é a língua portuguesa.

Eu não consigo entender sobre os tempos verbais, e gerúndios, e advérbios, e sei lá mais o quê. Dá um nó na minha cabeça. Ando pensando em tentar estudar mais o português porque senão não vou conseguir passar. Já tentei estudar pela internet mas não dá certo. Não tenho paciência. Precisaria de alguém ali comigo. E o único gênio que conheço que domina bem o português é a ... Brenda. Ela é um dicionário ambulante, e sabe tanto sobre os verbos quanto eu sei sobre as equações de 2° grau. Ela não é tão boa em matemática e, ... é isso!

Eu poderia ajuda-la com a matemática e ela me ajudaria com o português! Seria os dois melhores trabalhando juntos. Bem, no caso, seria dois colegas inimigos trabalhando juntos. Acho que seria uma boa ajuda, se bem que ela é insuportável! E como eu vou ter a certeza de que ela não vai me chantagear, me ensinando errado? Espera, eu pensei numa possível parceria com a garota que eu odeio?

— Hey esquisito... — Brenda disse, aparentemente estava tentando me chamar a atenção. — Vamos trabalhar?

— Você vai prestar o Vestibular também? — perguntei de repente.

— Vou. Você sabe que meu sonho é ser veterinária. Mas por que está perguntando?

— Ah, nada. Eu também vou prestar. Se passar vou fazer Engenharia de Computação.

— O problema é que a prova é muito difícil. Eu olhei a prova do ano passado e, só fui mal em matemática. Acertei 8 de 50 questões!

— Nossa... Eu acertei 46. Mas fui mal em português. Só acertei 7! — Ela me olhou com um olhar de vitoriosa. Tinha sido melhor que eu por uma questão. Nenhum de nós dois tinha chance de passar sem ajuda. E foi aí que ela propôs:

— Tá legal. Eu sei que talvez eu me arrependa por pedir mas... Preciso de sua ajuda com a matemática. Você é o único que pode me ajudar, senão eu tô ferrada!

Eu dei risada. Era engraçado ver a “rainha” tão desesperada assim, implorando por ajuda.

— Que tal fazer um acordo? — eu disse. Brenda me olhou com um ar de curiosidade mas se pôs a ouvir. — Eu ajudo você com a matemática se,... você me ajudar com o português. Você sabe que eu sou mais ou menos...

— Mais ou menos? Você é péssimo! Seu vocabulário escasso me faz...

— Ok, ok, já entendi. Mas e aí? Topa ou não topa?

Brenda pareceu pensar um pouco enquanto olhava para o teto. Ela suspirou e então disse:

— Fechado. Mas só vamos estudar um pouquinho no horário de almoço. Primeiro você me ajuda daí eu te ajudo. Tem que dar tempo de nós estudarmos pois só falta 3 semanas para as provas.

— Na verdade faltam 3 semanas e 3 dias — Brenda revirou os olhos.

Logo começamos a trabalhar e enquanto ela montava a planilha no computador, eu desembalava dezenas de caixas com controles e consoles esperando para serem depositados nas prateleiras. Não estava acreditando no que eu acabava de fazer. Putz, o que foi que eu fiz...

Notas finais
Hum, será q esse acordo dará certo?