Trabalhando com o Inimigo
7 Números e Frases
Brenda
Mas o que é isso?! Tantos números e letras para complicar. Porque tinham que inventar essas contas idiotas? Bastava só a adição, subtração, multiplicação e divisão. Ah como eu odeio a matemática! E nem sei por que colocar essas contas estranhas na prova. Vou ser veterinária, não professora de matemática. Aliás, não sei como alguém gosta de resolver isso. Tem que ser um doido que nem o Romário. Dá pra ver o quanto ele gosta de fazer isso, seus olhos até brilham.
— Brenda essa conta é fácil, e eu já te expliquei duzentas vezes! — acho que ele estava começando a perder a paciência. Ontem quando aceitei o acordo não sabia que ia ser tão chato! — Presta atenção, nós estamos começando o básico, é uma simples equação de 2° grau.
— Simples só na sua cabeça. Mas tá legal eu acho que já sei.
Peguei o lápis e comecei a resolver na folha a equação 2x² + 1x — 3 = 0. Lembro-me da fórmula de Bhaskara então escrevo na folha substituindo as letras pelos números. 2²-4*1* (-3). No final a conta da Bhaskara fica assim:
∆ = b² — 4 * a * c
∆ = (2)² — 4 * 1 * (- 3)
∆ = 4 +12
∆ = 16
— Isso aí — disse Romário. — Você passou 5 minutos para fazer metade da conta. — Ele tem que falar algo contra.
Sigo para a próxima etapa. Não lembro da fórmula mas eu vejo daí eu consigo fazer. Depois de não sei quantos minutos chego ao resultado: x¹ = 3 e x² = –1.
— Meus parabéns, você conseguiu resolver... depois de 10 minutos. Deixa eu ver, se a prova tem 50 questões, e você leva 10 minutos em cada, então eu diria que em... pouco mais de 8 horas você termina a parte de matemática. Sem contar as outras matérias...
— Ah dá um tempo. Eu achei que fui muito bem, afinal, já faz o quê, um ano que eu não vejo uma conta dessas na minha frente. Eu fui ótima!
— Que seja! — Romário revirou os olhos. — Mas agora graças à sua demora, acabou seu tempo e agora você me explica os tempos verbais.
— Isso é moleza. — respondi, pegando um livro de português que havia trazido.
Passamos os 15 minutos restantes do nosso horário de almoço lendo sobre verbos no pretérito, presente e futuro. Até que isso ele já sabia. Droga! Ele estava um passo na minha frente, mas errou a conjugação de alguns verbos. Como ele não sabia que no presente o certo é “vós voltais” e não “vós volteis”? Qual é, todo mundo sabe isso!
Voltamos ao trabalho, e lá estava eu repondo o estoque de jogos do Playstation. Eu não sei não, mas acho que eu faço de tudo um pouco. Sou auxiliar de almoxarife, repositora, administradora, já fui até atendente por alguns minutos. Se não fosse pelo Jonah e a Vitória, eu já estaria farta de trabalhar aqui. Não estou falando das minhas tarefas, porque eu gosto. Estou falando do meu colega Romário. Meu Deus como ele é chato! Haja paciência para aguentar suas crisezinhas!
No final do expediente, ele ficou reclamando com o Jonah, que pegou dois jogos da loja para dar de presente para o primo. Ele não pagou, e o Romário achou isso errado. Ele acusou o supervisor dele de favoritismo. Cara, fala sério! Ele tem é inveja do Jonah, que faz um excelente trabalho! Mas é claro que eu fiquei com a boca fechada olhando aquela pequena discussão boba. Até fiquei surpresa que ele passou o caminho inteiro no ônibus falando disso e só calou quando eu disse que ia descer.
— Hey, desde quando eu falo com você fora do ambiente de trabalho? — O Romário disse, quando eu já estava no degrau esperando o ônibus parar.
Achei graça. Isso era mesmo verdade. Era a primeira vez que a gente conversava fora do shopping.
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