Trabalhando com o Inimigo
13 Impressão
Notas iniciais
Brenda
No dia seguinte antes de eu ir embora, fui falar com o Jonah. Já disse não duas vezes mas ele é insistente, e isso irrita. Ele acha que vai me fazer mudar de ideia falando sobre as viagens que ele fez, ou o carro dele, ou qualquer outra coisa que envolva dinheiro. Por mais que isso me atraia, não tô afim no momento. Mas então ele partiu pra ação. Em vez de me dar um beijinho no rosto ele me deu um beijão na boca! Bem ali, no ambiente de trabalho! Minha reação não poderia ter sido outra — dei um tapão na cara dele! Mas que ousado! Engraçado foi a cara dele de espanto, ele estava vermelho da cor da minha blusa. Mas mais engraçado ainda era o Romário se divertindo a beça com o que eu fiz.
Romário
Aquilo foi hilário! (Outra palavra que eu aprendi com a Brenda) O Jonah ficou vermelho e não sabia onde enfiar a cara. Bem feito aquele otário! Eu disse que a Brenda não seria fácil. Mas ele olhou furioso para mim, talvez pensando que eu disse alguma coisa para ela, ou sei lá... A Brenda ao mesmo tempo em que demonstra ser durona, ela é delicada. Como uma princesa super poderosa. Ela saiu da sala morrendo de vergonha quando me viu. Ah se ela soubesse o quanto fiquei agradecido pelo que ela fez...
***
— Romi, chegou mensagem! — disse minha irmã. Ela bateu na porta do quarto e quando abri ela entregou meu celular. — Cheguei no nível 33!
Eu sorri. Aqui em casa estamos disputando para ver quem alcança o nível mais alto no Flappy Bird. É claro que estou em 1° lugar e agora a Larissa em 2°. Fui ver a mensagem e era da Brenda. Estranho, nós não tínhamos o número um do outro, a gente se fala (raramente, e sobre o trabalho) pelo Facebook. Ela dizia que como não vamos trabalhar no feriado, mas a prova será fim de semana agora, ela precisa estudar a hipotenusa. Então propôs de a gente se encontrar em algum lugar. Aceitei. Também queria revisar algumas coisas.
O melhor lugar para a gente estudar tranquilo é o parque. Tem até mesas lá, que dá para nós usarmos. Mas terça-feira feriado talvez esteja lotado o parque...
***
— Está certinho, Brenda. Meus parabéns!
Ela sorriu. Acho que era a primeira vez que ela conseguia resolver completamente sozinha as contas sobre hipotenusa. Deu pra ver o tanto que ela ficou orgulhosa consigo mesma.
— O bom é que domingo tudo isso vai estar fresquinho na minha cabeça — ela disse. — Bom, eu acho, né. Se não me der branco!
Ela ficou séria e pareceu encarar o chão. Então ela me perguntou:
— O Jonah falou alguma coisa sobre mim?
— Ah... não — respondi. — Por quê? Por causa do tapa que você deu nele? Não...
— Ele é um idiota. Ele não vai fazer o mesmo que fez com a minha amiga, a Daniella. — Acho que essa Daniella trabalhou na loja antes de mim, porque não me lembro dela. — Ela me avisou sobre ele.
Assenti com a cabeça. Nunca tinha visto a Brenda tão à vontade assim. Ela estava com roupas para fazer caminhada, sem maquiagem e o cabelo preso. Estava bonita do mesmo jeito. Eu nunca ia imaginar que aquela garota patricinha chata da escola era assim um tanto delicada. Ela demonstra ser forte por fora, mas quando a gente a conhece melhor, vê que ela é frágil e se reprime para se defender ou se proteger. Cheguei a essa conclusão poética depois de ler alguns poemas interessantes sobre mulheres.
A Brenda está sentida ainda com a morte da mãe e está completamente estressada e desesperada com seu futuro. Já disse para ela relaxar e se manter calma, mas ultimamente ela tem estado ansiosa demais. Até me admira ver hoje ela assim mais calma aqui no parque.
Então voltamos a estudar e depois de comermos algo, fomos embora.
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