Trabalhando com o Inimigo
14 Após a Prova
Notas iniciais
Brenda
Já havia tomado não sei quantos copos de suco de maracujá, mas ainda estava nervosa! Não comi direito e estava com uma cara de cansada. Eu estava do lado de fora da escola esperando, tentando comer um pão de queijo há mais de 10 minutos. Quando finalmente consegui engoli-lo todo minha barriga já estava estufada. Faltava 30 minutos para a prova então decidi entrar. Alguns minutos depois já estava lá dentro da sala. Peguei meu celular e antes de desliga-lo, enviei uma mensagem de “Boa Sorte” para o Romário, que respondeu na mesma hora.
Comecei pela parte de português, claro. Estava mais difícil do que eu pensava. Mas quando chegou a parte de matemática, eu gelei... Tantas contas estranhas, letras e números formando uma equação de doido! Me acalmei, respirei fundo, e então comecei a resolver (ou tentar resolver), mas estava difícil!
Romário
Finalmente eu estava jogando meu Xbox de novo! Depois que eu fiz a tal prova, fiquei mais relaxado. Se bem que também estou preocupado para saber se eu passei... Realmente estava difícil, mais do que eu esperava, mas acho que eu fui bem. Somente amanhã a partir das 18 horas é que vão liberar as notas.
Mas nada como jogar um pouco pra relaxar a cabeça...
No dia seguinte, segunda-feira, eu cheguei na loja e a Brenda ainda não tinha chegado. O que era raro, pois ela nunca se atrasou antes. Os outros já estavam lá, como sempre.
— E aí Rô? — disse o Jonah. Já mencionei que detesto quando me chamam assim? Mas como o Jonah gosta de perturbar, ele faz de propósito. — Cadê a Brenda?
— E eu sei lá! — respondi.
— Hum... pensei em ter visto vocês dois juntos ontem a noite...
— Como é? — perguntou Brenda, que nessa hora havia acabado de chegar na sala.
— Oi Brenda, e aí? — Jonah pareceu ficar meio sem graça. Depois do tapa que levou dela, eles mal se falavam. Brenda disse que se ele continuasse a assedia-la ela iria denunciar ao patrão e ele ia ser demitido. Sem falar no processo.
Marcos, o supervisor, entrou na sala e começou a nos dar ordens. Como sempre, eu e a Brenda fomos ao almoxarife fazer balanço dos jogos.
— Então, como foi ontem? — perguntei.
— Sinceramente... acho que não fui tão bem assim. — ela respondeu, dando um suspiro. — Eu to louca de ansiedade para saber logo, tanto que ontem nem dormi direito, e no sábado nem se fala. Estou com o sono acumulado, por isso acabei me atrasando um pouquinho.
— Ah, acontece. Também no sábado não consegui dormir direito. Eu acho que eu fui bem.
Ficamos conversando e trabalhando até nosso horário de almoço. Fomos para o mesmo restaurante de sempre, e comemos a mesma coisa de sempre. Mas uma coisa estava diferente. Era a primeira vez que nós almoçávamos juntos, sem ser com o intuito de estudar. Nós comemos e conversamos o tempo todo. Pela primeira vez eu a via como uma amiga. Ela até parecia um pouco com a Andreia, o mesmo gosto de música e leitura.
Estava tudo bem, até ela, a Andreia, aparecer. Ela tinha me dito que iria ir no shopping comprar não sei o quê, e que até se desse, ela ia dar uma passadinha lá na loja. Me esqueci completamente. Ela tinha 19 anos e estava fazendo faculdade, estudando psicologia, parece que era isso. Bem, não precisa ser um psicólogo para ver o deboche na voz dela quando se aproximou de nós e disse:
— Ei Romi! — ela disse me abraçando. — Não sabia que você tinha virado amigo dessa aí. Oi Brenda!
As duas se cumprimentaram com um beijo no rosto, e se encararam sorrindo. Claro que era um sorriso falso. A Andreia estava soltando faísca pelos olhos e a Brenda a olhava de cima a baixo provavelmente examinando a roupa dela. Garotas...
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