Três Reis Contra O Tempo

27 Caniça Brava e Filhotes Fofos


— Não! — diz Mason.

— Não! — diz Brady.

— Não! — diz Boomer.

— Não! — diz Kayla.

— Não! — diz Mikayla.

— SIM! — diz Lanny. — Quer dizer, Não!

Mason carregou Boz para mais perto do fogo. Lanny colocou alguns cogumelos dentro do bolso, se eles fossem eficientes, poderiam ser bem úteis.

— Ele vai morrer não vai? — diz Brady com o ar aflito. — Nos filmes as pessoas envenenadas sempre morrem.

— Vira essa boca para lá! — diz Boomer irritado. — Ele é um rei de kinkow, ele não pode morrer! Não sem antes me pagar tudo o que ele está me devendo. Não é mesmo Mason?

— Eu não sei, majestade. — diz Mason, Kayla lhe entrega uma compressa com água fria para baixar a febre.

— O Pé Grande não sabe o que fazer? — diz Brady mordendo as unhas. — Ele vai morrer... Eu sinto isso.

— Parem com isso! — diz Mikayla para Brady e Boomer, os dois pareciam duas matracas. — Vocês não estão ajudando, então não atrapalhem!

— Deem mais espaço. — diz Mason.

— Como podemos ajudar? — diz Brady.

— Querem ajudar? — diz Mikayla.

— Sim.

— Sentem naquele tronco do outro lado da fogueira, e fiquem em silêncio.

— Mikayla, nós somos apenas reis, só Deus faz milagres. Alguma vez você nos viu ficar em silêncio por mais de 30 segundos? — diz Boomer. — Alem disso, Boz é nosso irmão...

— Sério? — diz Lanny irônico.

Mikayla suspirou, e procurou se acalmar, se demonstrasse controle talvez eles se aquietassem.

— Ele não vai morrer, está bem? — diz Mikayla, e sua boca se contorce na tentativa de um sorriso.

— Esse foi o pior motivacional ever — diz Boomer para Brady. — E olha que eu já assisti os vídeos de ginástica do Mason.

Kayla se senta do outro lado de Boz, checa seu pulso, verifica sua pupilas. Pega um pouco de água e passa pela boca de Boz, limpando a baba. Alguns minutos se passam.

— Ele não vai morrer. — diz Kayla com firmeza.

Mikayla se segurou para não dar um beijo na bochecha daquela menina, tão valente.

— Não? — diz Lanny o sorriso desaparecendo.

— Não — diz Kayla abrindo a boca de Boz e olhando lá dentro. — Se fosse para ter morrido já estaria morto, o cogumelo aparentemente não é tão venenoso assim, pelo menos não a curto prazo... Para termos certeza precisaríamos que ele tomasse um xarope de soltatripas.

— Por que o xarope se chama soltatripas? — diz Boomer.

— Porque ele faz você botar tudo para fora, ora. — diz Kayla didática. — Tem um gosto horrível, mais funciona, eu tive que tomar uma vez quando... Bem deixa para lá. A questão é que não temos o xarope, eu sei fazer, mais precisaria de caniça brava.

Boz acordou sua respiração pesada. Seus lábios se mexeram soltando um chiado baixo, Mason se aproximou para tentar ouvir o que ele estava dizendo.

— Ele diz — diz Mason comunicando aos outros, o que Boz falava. — As mina pira...

— Até o Boz está falando em enigmas agora? — diz Boomer. — Brady tem razão ele só pode estar morrendo.

Boz ainda muito fraco, junta forças para dar um soco em Mason.

— Oh me desculpem pessoal, ele disse: Posso... Sentir... A presença das ervas... Do labirinto. Caniça brava cresce na beira de uma nascente seguindo pelo caminho oeste...

Depois de dizer essas palavras Boz fecha os olhos, ainda acordado mais tentando se recuperar do esforço recente.

— Alguém precisa ir atrás dessa nascente. — diz Kayla para Mason séria.

— Eu vou — diz Mikayla se levantando, pegando seu machado com uma das mãos, e com a outra pegando um pedaço de lenha da fogueira e usando-a como tocha. — Como é a aparência dessa caniça brava?

— Ela lembra uma cana, só que tem uma cor vermelha. — diz Kayla se sentando ao lado da fogueira e pressionando os joelhos como se estivesse com frio. — Tome cuidado porque tem espinhos.

— Eu vou junto. — diz Brady pegando seu chapéu e o bandolim.

— A nascente pode estar a dezenas de quilômetros — diz Mikayla. — Tem certeza de que quer vir.

— Sim. — diz Brady. — Na verdade não muita, mais é melhor do que ficar aqui parado esperando algo acontecer.

— Eu vou junto então — diz Boomer se preparando para levantar.

— Não Boomer — diz Brady. — Fique, é bom que Boz esteja com um irmão ao lado.

— Se cuidem então. — diz Boomer ser se esforçar para sair de perto da fogueira.

— Eu deveria ir... — diz Mason preocupado.

— Pai confie em mim, Boz estará mais seguro com você ao lado dele... E as crianças também.

— Ei — dizem Boomer, Kayla e Lanny.

— Eu não sou criança! Já tenho doze anos! — diz Kayla indignada. — E sou mais inteligente que os três reis juntos!

— Ela tem bons argumentos. — diz Brady para Mikayla.

— Certo, se já se decidiu vamos logo. — diz Mikayla. — Tchau pessoal até breve.

— Esperem, sejam rápidos pois a situação de Boz pode se agravar — diz Kayla, ela corre e abraça os dois. — Agora podem ir.

Mikayla se vira e começa a correr em direção à abertura oeste do cânion, Brady bagunça o cabelo de Kayla, depois segue Mikayla.

Boomer fica sentando, acompanhando a luz da tocha de Mikayla com o olhar, até ela desaparecer diante da escuridão. Boomer se volta para Boz, preocupado, Kayla se senta a seu lado.

— Tem certeza de que confia em Brady para acompanhar a inocente Mikayla? — diz Lanny para Mason em tom provocativo.

— Cale a boca Lanny e vá dormir — diz Mason trincando os dentes. — Mais uma gracinha, e te transformo de vez em um anão de jardim.

***

As horas passam e a noite atinge o seu auge. Boomer está no seu turno da vigia, os outros estão dormindo.

— Minha... Espada é a mais poderosa das espadas... — diz Mason e depois volta a roncar.

A cabeça de Boomer bamboleia de sono algumas vezes, até que ele vê algo adentrando a luz da fogueira. A princípio ele fica assustado, por causa da grande sombra, mais ao ver o que é, ele se segura para não dar uma gargalhada.

Um pequeno poodle se aproxima de Boomer abanando o rabinho, fofo.

— Oh que coisinha mais cute cute. — diz Boomer. — Mason, Mason acorda olha só isso. MASON!

Mason acorda assustado tentando sacar a espada, quando ele percebe que não há nada de errado fica irritado.

— Por que me acordou Rei Boomer? — diz Mason coçando os olhos. — Já é o meu turno?

— Não. — diz Boomer pegando o cachorrinho e mostrando para Mason. — Olha só o que eu encontrei. E ainda dizem que este é o labirinto do medo hehehe.

Mason engole em seco.

— Ãh rei Boomer? — diz Mason. — Lembra que o artefato do tempo nos disse que enfrentaríamos nossos pesadelos?

— O que isso tem a ver com esse filhotinho, Mason? — diz Boomer.

— Esse, por acaso, é o meu pesadelo... — diz Mason se colocando de pé, e arrastando Boz para mais perto da fogueira. — Por isso eu sugiro, que você largue esse animal, acorde o Lanny e a Kayla e se prepare para uma noite bem caótica.

— Seu pesadelo? Essa coisa fofa é seu pesadelo? Que tipo de aberração é você? — diz Boomer. Agitando o filhote com a mão. — AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!

O poodle atacou Boomer tentando devorá-lo suas mandíbulas abrindo e fechando freneticamente mordendo o máximo possível de carne.

— AAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!AAAAAAAAAHHHHHH!!!! TIRA ISSO DE MIM! TIRA ISSO DE MIM!!

Mason corre até Boomer, pega o animal pela mão e o lança na escuridão.

— O que raios está acontecendo? — diz Lanny acordando.

Kayla também acorda incomodada com o barulho.

— É O ATAQUE DOS FILHOTES ASSASSINOS!!! — diz Boomer se aproximando o máximo da fogueira, parte de sua camiseta em frangalhos.

— Essa não, Boomer está tendo pesadelos de novo? — diz Kayla para Mason, mais para sua surpresa Mason se vira sério, para ela.

— Não Kayla, ele está certo... É o ataque dos poodles assassinos!

Mason aponta para o ponto mais distante da clareira, dezenas de poodles fofos surgem, adentrando a luz da fogueira, seus olhos brilhantes sedentos por sangue.