Três Reis Contra O Tempo
28 O Ataque dos Poodles Assassinos
— Poodles assassinos? — diz Kayla. — Como eles vão nos matar? Com fofurisse?
Boomer pegou o saquinho de marshmallows e jogou em direção aos cachorrinhos, antes mesmo do saquinho atingir o chão, ele já não existia mais. Os animais simplesmente obliteraram os marshmallows.
— Uow! — diz Kayla pegando o cajado de Boz e se preparando para o combate. — Se isso for um pesadelo e daqui a pouco eu acordar ao lado da fogueira, vocês vão apanhar muito!
— Isso é um pesadelo. — diz Boomer. — A questão é que a origem dele é o Pé Grande!
— São muitos — diz Mason preocupado.
Na clareira os cachorros se amontoavam como hyenas, aguardando o bando ficar completo para atacar. O que era algo muito estranho de se ver, porque cerca de 50 poodles uivavam na escuridão.
— Vamos jogar o Boz para eles comerem — diz Lanny sacando a pequena faca em sua manga. — Talvez assim os animais morram envenenados, e como Boz já está quase morto mesmo, ele nem sentiria a dor... Se esse plano falhar, sempre tem o plano B, jogar o Boomer.
— Talvez, devêssemos jogar você. — diz Kayla para Lanny.
— Já pensei nisso Kayla — diz Boomer. — Mais o Lanny tem muita pouca carne, em menos de dois segundos, os poodles cairiam em cima da gente. O único que ofereceria carne suficiente, seria o Mason, mais se ele morresse Mikayla nunca nos perdoaria... O que nos coloca na estaca zero.
— Co... — diz Boz do chão. — Cogumelos...
— Garoto você quase morreu quando comeu um e ainda quer mais? — diz Boomer.
— Pode dar certo — diz Mason pensativo. — Rei Boomer, Boz está sugerindo lançarmos alguns cogumelos em direção as bestas.
Kayla correu e pegou o restante dos cogumelos que estavam no chão e lançou para os cachorros. Os animais devoraram rapidamente.
O grupo ficou olhando ansioso para ver o que acontecia com os filhotes, de repente vários deles começaram a tombar na terra, imóveis.
— HAHA toma isso suas pestes! — diz Boomer. — Esse é meu irmão Boz, sempre com ideias geniais.
— Funcionou!! — diz Mason sorrindo. — Não temos mais?
— Não — diz Kayla olhando ao redor. — Esses eram os únicos.
— Pessoal — diz Boomer a voz novamente preocupada. — Tem algo de errado acontecendo.
Os cãezinhos que comeram cogumelos, começam a se levantar tremendo e babando. De repente eles ficaram duas vezes maiores e não estavam nem um pouco fofos.
— Esse é o rei Boz, condenando-nos a uma morte mais dolorosa! — diz Lanny sacando a pequena faca da manga.
Devido ao contratempo com os cogumelos, os cães desistiram de aguardar e iniciaram o ataque.
Lanny gritando como uma menina, se vira pega uma tocha e sai correndo em direção a entrada norte do labirinto.
— Boa ideia Lanny! — diz Boomer fazendo o mesmo.
Kayla acertou alguns cachorros com o cajado, a maioria se desvia, os mais azarados porém são lançados para longe, seus ganidos soando, assustadores. Mason coloca Boz em um dos ombros, e com uma das mãos pega uma tocha.
— Kayla, vamos fugir, eles são muitos! — diz Mason tangendo alguns cachorros com o fogo da tocha.
Kayla continua tentando acertar os animais com o cajado, para cada dez que caiam vinte surgiam das sombras.
— Este cajado idiota não faz nada? — diz Kayla se cansando rapidamente.
Como que ouvindo Kayla, o cajado soltou uma rajada de poder azul que lançou vários caninos para a escuridão.
— Assim ficou melhor! — diz Kayla, nesse momento Mason a puxou para trás.
Um poodle voador, quase a acerta na cara.
— Obrigado Mason! — diz Kayla o suor frio escorrendo pelo rosto.
— Não há como lutar contra eles, vamos embora! — diz Mason. — Lanny e Boomer já estão se distanciando!
Kayla finalmente entende o que Mason estava dizendo e ambos começam a correr, os cachorros velozmente tentam alcança-los.
A condição física de Mason e Kayla faz com que eles alcançassem Lanny e Boomer rapidamente. Boomer suava como um porco, e se aquela corrida não fosse por sua vida, ele já teria desmontado.
A passagem norte, primeiramente iniciava em um declive mais depois subia abruptamente, dificultando ainda mais a fuga. Os paredões negros do cânion os encaravam, indiferentes. A escuridão era muito poderosa ali, tudo o que eles conseguiam enxergar com as tochas, era alguns metros a frente ou atrás. E os filhotes assassinos continuavam latindo furiosamente, mostrando que se fizessem qualquer parada seriam devorados.
— Quem disse que cachorro que ladra não morde, merece ser apresentado a essas criaturas! — diz Boomer respirando pesadamente enquanto corria, tirando forças da raiva que sentia.
Eles continuaram correndo por alguns minutos, até que diante deles surgiu uma nova clareira se abrindo para mais de sete caminhos.
No desespero eles continuam correndo sem pensar, logo, eles adentram o caminho mais próximo. E isso torna a acontecer mais algumas vezes, os cânions abriam caminho nas mais variadas direções, e eles eram obrigados a simplesmente correrem em direção ao instinto.
De repente eles se dão em uma passagem, onde paredões dos dois lados os apertam. Assim eles são obrigados a seguir em fila indiana. Mason na frente, com Boz no ombro, Kayla atrás, seguida por Lanny e por último Boomer.
O estreito termina abruptamente lançando-os em uma clareira rodeada por paredões de rocha escuras como breu.
— Não estou mais ouvindo os latidos! — diz Kayla.
— Eles devem estar economizando energia para nos devorar, continue correndo gazela! — diz Boomer.
Mais nessa hora Mason e Kayla param, Mason coloca Boz no chão, troca a tocha pelo cajado na mão de Kayla e o usa para soltar uma nova rajada de poder sobre o topo da passagem de onde saíram. O barulho triturante da avalanche de rochas caindo, faz Boomer tropeçar em Lanny.
Sem forças para ficar de pé, Boomer olha para a entrada do cânion que havia sido selada por destroços. Lanny esmagado por Boomer, continua estirado no chão.
— Bom trabalho! — diz Kayla sorrindo para Mason, afastando o cabelo suado dos olhos.
— Hi Five! — diz Mason.
Mason estendeu a mão e Kayla vendo a distância abaixou a sua.
— Deixa para daqui uns dez anos. — diz Kayla dando risada. — Você vai estar velho e eu na flor da idade. Ai, veremos quem Hi por último.
Ambos riram da piada.
— Acha que eles ainda podem estar vivos? — diz Boomer se arrastando até Kayla e Mason.
— Creio que esmagamos eles. — diz Mason a luz da tocha refletindo em seu sorriso.
— Assim como você fez com o Lanny. — diz Kayla. Os três riem novamente.
— Se eu fosse vocês, não riria antes da hora! — diz Lanny, a voz cheia de medo. — O pesadelo de Mason pode ter acabado...
Todos se viram para trás, Lanny aponta para algo a poucos metros de distância, que mesmo diante da fraca luz da tocha podia ser visto. Diante deles havia um enorme ogro com mais de 15 metros de altura:
— Quem me acordou do meu sono de beleza? — diz o ogro a voz monstruosa. Ao ver os cinco, sua expressão muda, e ele prossegue esfregando as mãozorras. — Hmmmmm! Hoje eu vou ter uma refeição de gala!
— O meu pesadelo acabou de começar... — diz Lanny com um sorriso tremulo.
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