Toxic
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Eu passei muito tempo da minha vida buscando a pessoa certa, uma pessoa com a qual eu passaria o resto da minha vida, com quem eu poderia contar em todas as situações, que me faria sorrir e que me completaria. Achei que só conseguiria ser feliz quando encontrasse esse alguém, e quando eu finalmente a encontrei eu me senti inteiro, feliz, leve...
A Sungmi me fazia feliz de uma forma que eu não consigo explicar. Mas os dias foram passando, as semanas e os meses... A partir do nosso primeiro ano juntos tudo começou a mudar. Discussões, brigas, motivos para não ligar, festas, amigos novos, bebida... Então finalmente veio o amante.
Meus quatro melhores amigos sempre buscaram me alertar sobre ela, sempre ao meu lado procurando abrir meus olhos para o que estava acontecendo e para o que aconteceria, eles diziam que a Sungmi era tóxica, assim como o cigarro que eu estava fumando agora. Mas sabe qual é o problema das coisas tóxicas?
Elas nos fazem mal, mas também nos fazem bem. Por exemplo, este pequeno cigarro de maconha que eu tenho nas mãos, ele é tóxico e faz mal para a minha saúde, mas a sensação que ele me traz é boa, é relaxante... A mesma coisa com a Sungmi. Quando não estávamos brigando (quando ela não estava me intoxicando) ela me fazia bem, ela me fazia feliz... Por isso quando ela me pedia perdão por ter me traído eu a perdoava.
Mas chega um momento que tudo começa a perder o sentido, tudo fica desgastado demais. Tudo fica podre. Por isso, quando ontem ela me pediu perdão pela quarta vez em um mês eu terminei com ela.
Meu celular não para de tocar desde que eu comecei a chorar durante a ligação com o Hoseok e desliguei na cara dele. Assim que encerrei a chamada peguei minhas chaves, minha jaqueta e meu estojo tóxico e vim ao meu lugar favorito.
A vista daqui de cima é incrível. Descobri esse lugar por acaso e desde então, sempre que quero pensar ou só admirar a vista venho para cá. Estou na cobertura de um prédio abandonado um pouco afastado da cidade, ele é enorme, então seja durante o dia ou a noite, a paisagem é de tirar o fôlego. Só o Jungkook conhece isso aqui, mas como sei que é sexta à noite, ele deve estar com um de seus encontros e eu tive o cuidado de não ligar para ele no estado que estou. Ele saberia pela minha voz. Mas por outro lado, tive o descuidado de chorar enquanto falava com o Hoseok, o que significa que essa hora todos já devem estar sabendo. Meu celular comprovava isso.
Dei uma última tragada no cigarro e segurei aquilo dentro de mim o máximo que consegui, e assim que soltei relaxei por alguns minutos com os olhos fechados, sentindo o vento frio da noite. Olhei as horas no meu celular, já passavam das duas da manhã, então me virei e lá, encostado na baixa parede velha e suja do heliporto, estava ele, com os braços cruzados e me observando.
—Essa coisa faz mal, sabia? — Inclinou levemente a cabeça, sem desviar os olhos dos meus.
—Abandonou seu encontro.
—Você é mais importante do que qualquer encontro que eu venha a ter, sabe disso. — Falou enquanto caminhava até mim. Ele parou em minha frente e me encarou por alguns segundos, provavelmente pensando se deveria ou não me abraçar.
—Você vai chorar?
Eu só queria que ele me desse um abraço.
—Não, não vou. — Então ele enrolou os braços em meu pescoço por alguns instantes e voltou a se afastar, segurando meu rosto entre as mãos.
—Você sabe que eu amo você. — Assenti, vendo-o sorrir. — Aquela merdinha nunca mereceu ter alguém como você, o privilégio de acordar todos os dias do seu lado não deveria ter sido dela nem em sonhos.
—Obrigada, Kook — Ele me deu um outro abraço rápido e se pôs ao meu lado, deixando um braço sobre meus ombros. — Então, de quem era a noite?
—Um tal de Dakho, da outra turma. — Falou sem interesse enquanto caminhávamos.
Fechei meu armário com cuidado, para que o barulho não afetasse minha dor de cabeça. Eu já havia perdido a primeira aula, mas hoje eu não estava me importando nem um pouco com isso. Caminhei até o gramado que ficava próximo ao prédio de onde seria minha próxima aula e me sentei ali, colocando meus fones e reproduzindo alguma música relaxante. Me escorei sobre meus cotovelos aproveitando o pouco sol daquela manhã e assim fiquei até uma sombra repentina me atrapalhar, abri meus olhos para descobrir quem era e me deparei com o Hoseok.
—Eu estou bem. — Me apressei em dizer.
—Claro que não está! Perdeu a primeira aula, Taehyung!
—Por favor... — Implorei choramingando. — Sem sermão, estou com dor de cabeça.
—Taehyung, Taehyung, Taehyung, não sei se te bato ou se te abraço. — Falou sentando ao meu lado. — Como está?
—Eu não sei o que sentir, não sei o que pensar. Só quero ultrapassar isso o mais rápido possível.
—Você vai conseguir, é Kim Taehyung, o garoto mais lindo de todo o planeta.
—Sem exagero, agradeço.
—É a minha opinião.
—Concordo com o Hobi — Jungkook apareceu e fez um cumprimento de soquinho com o Hobi.
—Junte-se a nós, pegador. — Jeon sorriu, se sentando ao meu lado. — Como foi seu encontro ontem à noite?
Olhei para o Jungkook implorando mentalmente para ele não comentar sobre ontem, como havíamos combinado. Ele não olhou para mim, apenas sorriu levemente, fechando os olhos por dois segundos.
—Melhor do que eu havia planejado. — Olhei para o garoto ao meu lado franzindo as sobrancelhas.
—Levou ele para casa? — Hobi perguntou mexendo as sobrancelhas sugestivamente.
—Não... Só deixei ele na casa dele. — Falou e eu continuei a olhar para o Jungkook com a testa enrugada. Ele olhou para mim e sorriu de lado, tocando minha testa. — Você vai ficar cheio de linhas de expressão. — Voltou a atenção para o Hoseok e continuou a falar. — Ai depois fui para a minha casa, pedi uma pizza e comecei a assistir um filme.
—Só isso? — Hoseok revirou os olhos. — Mais detalhes Kook, por favor.
—Nós apenas conversamos um pouco... A vista de onde estávamos é linda, então aproveitamos um pouco o lugar legal e depois deixei ele em casa.
Mas eu não fui o encontro do Jungkook... Eu fui quem estragou o encontro dele.
—Eu tenho que ir... Vou perder a segunda aula...
—Hey, a professora faltou, não se lembra? — Hoseok avisou me observando recolher as coisas e levantar. — Ela avisou na aula passada que iria viajar.
—Oh... Isso mesmo. — Bati em minha própria testa.
—Você deveria ir para casa, não está bem.
—Concordo com o Hobi. — Jungkook disse se levantando. — Vamos, vou acompanhar você até seu armário. Tchau Hobi.
—Tchau Kook. Tchau Tae.
—Tchau Hobi. — Falei e começamos a caminhar em silêncio. Eu podia ver pelo canto do olho o Jungkook com os olhos fechados, sentindo a brisa contra o rosto, mas voltei a olhar para o chão, não estava interessado em tropeçar e cair no meio do campus.
Chegamos ao meu armário e Jungkook se encostou contra outros armários, olhando o que eu fazia.
—Você está calado.
—Fui seu encontro? — Perguntei de repente e Jungkook sorriu, inclinando a cabeça.
—Porquê?
—Porque você falou como se eu tivesse sido.
—Hm.
—"Hm"?
—Não, Taehyung.
—Oh... Porque? — Deixei escapar. Idiota, é isso que eu sou.
—Porquê você não foi? — Jungkook sorriu ainda me olhando enquanto eu fechava o armário.
—É...
—Você queria ter sido? — Perguntou e eu corei. Eu não devia ter corado ou sequer ter entrado nesse assunto. E eu não sei se fiquei feliz, irritado ou preocupado ao ver a reação de Jungkook ao ouvir aquela voz pronunciar meu nome.
—Taehyung?
Fale com o autor