Toxic

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Comentem bebês.

—O que ela está fazendo aqui? – Jungkook perguntou furioso sem emitir som algum.

—O que você quer? – Joguei minhas coisas no armário de qualquer jeito e olhei na direção da garota para a qual eu estava de costas até então.

—Quero falar com você.

—Pode falar. – Jeon também se virou para ela.

—Eu quero falar com o meu na—

—Não termine essa palavra. – Jungkook rosnou e Sungmi gargalhou da forma mais nojenta que uma vez eu vi, me causando um calafrio ruim.

—A bixinha está te defendendo agora, Taehyung?

Então eu só consegui sentir o meu sangue ferver. Meu copo tremia e minha respiração estava desregulada. Juro que se não fosse uma garota na minha frente eu teria feito uma loucura.

—Não abra a boca para falar do Jungkook. A orientação sexual dele ou de qualquer outra pessoa não é da sua conta ou sequer motivo para deboche e piadinha.

Eu tinha esquecido que vocês dois eram namoradinhos. – Cuspiu aquelas palavras com um sorriso perverso no rosto.

Eu juro que minha vontade era de pular em cima dela. Como ela ousou? Isso não pertencia a ela.

—Sua desgraçada — Rosnei com os dentes serrados.

—Taehyung, calma! – Hoseok implorou, só então me fazendo notar sua presença.

—Isso, Taehyung. – Debochou, sorrindo de forma nojenta. – Calminha, docinho.

—E você cala a boca, sua ordinária. Não basta a quantidade de merda que já fez com ele? – Hoseok falou caminhando furioso até Sungmi, parando a poucos centímetros dela. – Suja. Nojenta. É isso que você é. Uma galinha desgraçada que só soube fazê-lo sofrer, dia após dia. – Ele jogava as palavras na cara dela enquanto o Jungkook me segurava pelo braço e uma multidão assistia a confusão. – O Taehyung merece coisa melhor do que você. Roubar todo dinheiro que conseguiu dele para usa-lo com seus amantes, todos aqueles garotos. Dizer que o amava com toda essa cara de pau só para conseguir ter o luxo que ele proporcionava. Se aproveitar dos sentimentos dele... Você é tão fodidamente errada que agora está sozinha. Suas amigas largaram você, o Tae terminou com você e até a sua irmã finalmente descobriu quem você é.

Sungmi olhou para o lado e lá estava Sana, estática enquanto observava a cena. Meu coração se apertou quando Sungmi levantou a mão e a chocou contra o rosto de Hoseok.

—Sabe de uma coisa? — Ela sorria, parecia fora de sí. — Eu não vou perdermeu tempo e nem vou ficar aqui ouvindo seus guarda costas falarem essas coisas de mim, Taehyung. Eu vou atráz de você quando você estiver sozinho. Até mais, docinho. — Ela piscou de forma nojenta e começou a se afastar sem esperar resposta.

Eu puxei meu amigo para perto de mim, abraçando-o e pedindo deculpas por isso enquanto as pessoas começavam a circular.

—Tae. – Hobi me afastou, segurando meus ombros. – Não se desculpe, você não tem pelo que se desculpar.

—Tae... – Uma voz suave chamou meu nome. Sana estava a ponto de chorar.

—Não, não chore. – Pedi, me aproximando dela. – Você não tem culpa de nada disso.

—Eu não fazia ideia.

—Eu sei, eu sei. – Segurei suas mãos oferecendo um sorriso.

—Perdoe minha família por isso, estou muito envergonhada pelo que a Sungmi fez. — Se abaixou numa reverência enquanto falava, mas fiz com que se endireitasse.

—Não se desculpe, Sana. A culpa de tudo foi minha... Eu fui tolo, me deixei levar por meus sentimentos... Sinto muito por isso, você e sua família não merecem isso. Sempre foram muito gentís.

—Você é uma pessoa maravilhosa, Kim Taehyung... Passar por tudo isso por paixão... Aguentar tudo...

—Vou ficar bem. Vai ficar tudo bem. — Sorriu gentil.

—Vou telefonar para meus pais... Me desculpe mais uma vez.

Sorri o mais sinceramente que consegui naquele momento e me encostei ao meu armário, respirando fundo. Os rapazes não falaram nada, apenas tocaram meu ombro e me acompanharam para o que parecia ser o carro do Jeon. Nós entramos no automóvel e Jungkook ligou o carro, começando a dirigir para algum lugar. Eu pensava em como me permiti chegar aquele ponto, como fui capaz de deixar as coisas fluírem daquele jeito, mas então lembrei do cigarro de maconha. Tóxico.

O carro parou no que parecia ser a minha garagem, então olhei para o garoto que estava no banco do motorista e o mesmo olhava para mim. Ele olhou para trás e eu ouvi a porta abrir e segundos depois fechar.

—Ei...

—Oi.

—Não fica assim não. – Segurou minha mão.

—Eu sou um burro. – Falei e Jungkook sorriu.

—Claro que não. Apenas estava apaixonado. – Ele se sentou de lado, encostando a cabeça contra o banco, me olhando. – O Hobi está nos esperando lá dento, vamos?

Assenti em silêncio e lentamente sai do carro. Eu estava fraco. Esgotado.

Jungkook me acompanhou até o meu quarto, onde ele e Hobi fecharam as cortinas e arrumaram a cama para que eu deitasse. Me acomodei sob o edredom e chamei os dois garotos antes que eles saissem.

—Vocês não vão embora, não é? — Pedi.

—Não, Tae. Nós não vamos.

—Vocês podem dormir aqui?

—Claro. — Hoseok falou com um doce sorriso no rosto e Jungkook assentiu ao seu lado como uma criança.

—Obrigado... Eu só vou dormir um pouquinho. Daqui a pouco encontro vocês.

—Descança, Taetae — Ouvi Jeon dizer e em seguida a porta fechou.

Abri os olhos e o quarto estava escuro. Olhei para o teto um pouco perdido, mas logo suspirei ao me lembrar do ocorrido. Minha cabeça estava voltando a doer, então levantei devagar e caminhei até o banheiro. Tirei toda minha roupa e entrei no boxe, ligando a água quente e me pondo sob o jato relaxante.

Não demorei muito no banho, apenas o suficiente para me sentir um pouco melhor. Me sequei e me enrolei em uma toalha, caminhando até o lavábuo e abrindo o armário de remédios, pegando uma aspirina e tomando-a com um copo de água. Voltei ao meu quarto e me vesti com um conjunto confortável de moletom.

Caminhei até a sala procurando os meninos e logo encontrei os dois jogados no sofá de forma preguiçosa enquanto a televisão estava ligada. Eles usavam roupas minhas, que provavelmente pegaram enquanto eu dormia. Assim que o Hobi me viu sorriu em minha direção, saindo cuidadosamente do sofá, me fazendo perceber que Jungkook dormia.

Passamos pela cozinha para alcançar a porta de correr feita de vidro e fomos até o quintal, sentando nos cadeirões que tinham ali.

—Está se sentindo melhor? — Perguntou se enrolando em mim. Estava frio e chovia um pouco.

—Sim... Estou melhor.

—Pegamos suas roupas — Sorriu. — Você estava dormindo tão profundamente que não queria acorda-lo para pedir.

—Você mais do que ninguém sabe que não precisa me pedir nada. Essa casa é mais sua do que minha, sabe disso.

—Eu sei... — Ele que sorria foi ficando sério aos poucos e então se endireitou ao meu lado, ficando em silêncio por algum tempo. — Aquilo que ela falou, sobre você e o Jungkook...

Meu estômago revirou levemente, mas tentei não demonstrar meu nervosismo em tocar naquele assunto.

—É verdade?

—É.

—O que aconteceu?

—Já faz muito tempo... — Suspirei e passei a mão no rosto. Ele deveria saber, eu deveria ter contado quando aconteceu. — Foi no aniversário do Jimin, de 16 anos... Todos nós bebemos muito, havia muita gente naquela noite, os amigos do Jimin estavam brincando de verdade ou desafio... Jungkook e eu fomos brincar também. Nos desafiaram a "sete minutos no paraíso". Não sei se pelo álcool ou pela animação da minha primeira festa ou qualquer outra coisa... Mas quando nós estávamos dentro do armário, nós estavamos conversando e sorrindo, então derrepente aconteceu, nós nos beijamos. Quando a brincadeira acabou ninguém sabia o que dizer ou o que fazer, então cada uma foi para um lado na festa.

—Então foi isso?

—Não... depois disso nós ficamos uma semana sem nos falar devidamente, então nós fomos conversar e, dessa vez, a curiosidade foi maior e nós ficamos novamente. Depois disso eu me afastei dele, arrumei uma namorada, depois outra e outra...

—Então esse foi o motivo da "briga" de vocês?

—Sim.

—Porquê não me contou?

—Eu não sei — Suspirei. — Acho que fiquei com medo.

—Gosta dele?

—Por um longo tempo sim, não mais... Eu me esforcei muito para tirar isso de mim — Falo firme, mas meu estômago estranhamente reage a isso.

Ouvimos a porta abrir e logo um Jungkook sonolento apareceu. Ele se jogou entre nós e fechou os olhos.

—Achei que tinham me largado nessa casa escura.

—Claro que não — Hoseok sorriu.

—Vamos comer pizza.

—Gordo — Brinquei, fazendo-o sorrir.

—Excesso de gostosura — Ele falou, fazendo-nos gargalhar.

Notas finais
Passando para dar um oi :))