Durante os dias que se seguiram os rapazes treinavam exaustivamente no dojô sobre a supervisão e orientação de Izuminokami, por sua vez Cristina tentava ao máximo controlar e recompor suas energias mantendo-a sob seu controle para que pudesse ajudar na batalha, mas sempre havia um porem...

“— Os selos...”

Lentamente ela olhou os próprios pulsos soltando um longo suspiro saindo do cômodo, massageando o ombro cansada de ter ficado tanto tempo em meditação, não compreendia como Akihito conseguia passar quase o dia todo fazendo isso; caminhou em silêncio até o dojô onde os rapazes treinavam e ficou de longe observando espantada a intensidade das batalhas entre eles, seus olhos correram por eles notando que alguns tiraram parte das roupas para treinar, de repente sua atenção se desviou para os dois que lutavam no fundo do dojô, Nikkari e Nagasone, o rapaz usava um blusa preta de gola alta sem mangas, calça social azul marinho e as botas, já Nagasone estava apenas com as calças, botas e as fitas que cruzavam seu peitoral, visivelmente eles eram totalmente diferentes em estrutura corporal, mas ambos com músculos definidos, mas havia algo no rapaz de cabelos verde que lhe prendia a atenção... sem pensar continuou observando-o, cada movimento era firme carregado de força e graça, sem perceber deslizou os olhos até os lábios finos que se curvaram lentamente em um sorriso de satisfação seu coração acelerou tão rápido que instintivamente ela levou a mão ao peito e se virou encostando as costas na madeira fria.

“— O que eu... Não isso não está acontecendo, eu ...”

— Taichou, está tudo bem?

Cristina teve um leve sobressalto com a voz grosa que vinha do seu lado e rapidamente se virou topando com um par de orbes lilás que a encaravam com um ar preocupado mesmo com o tom de voz passivo, os olhos dele observavam cuidadosamente seu rosto antes de ajeitar a jarra de agua e copos que trazia para os companheiros levando a mão livre até a testa da morena.

— Seu rosto está um pouco vermelho, mas não há febre...

Ao ouvir aquela afirmação e o tom mais preocupado da voz era pigarreou e sorriu tentando desviar a conversa.

— Eu estou bem Toushirou-kun, é só que está muito calor....

A morena riu meio sem graça vendo-o erguer a sobrancelha enquanto ajeitava a jarra novamente no braço, seu olhar parecia tentar sondar o que acontecia, mas apenas soltou um longo suspiro olhando-o a sério.

—Deve repousar e se cuidar estamos perto da batalha...

—Eu o farei, obrigada, mas antes...

Ela assentiu sorrindo e estendeu e estendeu as mãos em sinal que queria ajudar e em silêncio o viu estender os copos antes de passar por ela entrando no dojô se adiantando até os companheiros que rapidamente o saldaram, Cristina entrou logo atrás ajeitando os copos com um olhar perdido enquanto observava a disposição das madeiras do telhado.

“— Vamos Cristina, controle-se...não é o primeiro cara que você...”

—Cris!!

Estava tão absorta em seus pensamentos que ela não notou o desnível da entrada e em alguns segundos apenas viu os copos voarem para longe ao sentir seu pé se perder sem apoio jogando todo o peso do corpo em direção ao chão, instintivamente ela fechou os olhos se encolhendo apenas esperando a queda, mas antes que chegasse ao chão sentiu seu corpo ser amparado e envolvido com firmeza, tremula com o susto ela se manteve em silêncio alguns segundos antes de abrir os olhos ao sentir algo roçar em seu rosto, um tufo verde acariciava seu rosto ao mesmo tempo que ela tomava consciência quem a abraçara fazendo seu coração bater desordenado, envergonhada ela virou o rosto olhando o rapaz que estava embaixo de si e encarou um par de olhos bicolores que a encaravam com um brilho suave e a respiração descompassada como se tivesse corrido muito.

— Olá Ojou-sama... Bem já estivemos em uma posição parecida com essa, mas... eu estava por cima...

Cristina sentiu o coração bater tão descompassado que sua respiração ficou mais pesada e espaçada devido ao susto e a proximidade dele, ouviu -o chamar seu nome enquanto a colocava sentada no chão mas ela não conseguia emitir nenhuma palavra apenas soltou um longo suspiro na tentativa de controlar-se, mas a sensação do dorso da mão roçando em sua bochecha a fez elevar os olhos notando uma expressão carregada de preocupação.

—Cristina está se sentindo bem?

O viu se curvar sussurrando enquanto tirava as mechas do cabelo que haviam caído em seu rosto oval, por alguns segundos ele a encarou em silêncio, de repente o barulho de passadas apressadas e das vozes dos rapazes mostravam sua proximidade chamando a atenção de ambos.

—Mestra!!!

Yamatonokami foi o primeiro a chegar e se ajoelhar perto dela olhando seu rosto preocupado seguido dos outros que os cercaram, suspirando Yagen se ajoelhou ao lado dela observando-a atentamente antes de se virar fazendo um sinal de ok com a mão, Cristina ficou observando com curiosidade até que Aizen que estava aos eu lado sussurrou:

— Yagen-kun é muito interessado em medicina... desde que foi desperto ele passava dias na biblioteca quando não era convocado...

—Ah... — Ela olhava o rapaz falando com Izuminokami com seriedade enquanto o maior as vezes desviava os olhos para ela com uma sobrancelha erguida e um ar muito sério. — Já vi que vai sobrar para mim...

Após alguns minutos quando Yagen terminara de falar com ele, Izuminokami se aproximou suspirando fundo.

— A pausa já acabou ... todos de volta ao treino! — A voz dele soou imponente no dojô fazendo com que o grupo se afastasse da menina acenando. — Mestra, sente-se ali no canto...

— Eu pensei em passear nos jardins...

—No canto... por favor.

O tom de voz baixo e imponente era irrecusável e logo, Cristina se viu sentada no canto do dojô observando o treino intenso entre eles,, tentava a todo custo não olhar pra Nikkari, mas ela acabou notando que era algo impossível e frustrada jogou a cabeça pra trás apoiando-a na parede deixando os olhos vagarem pela imensidão azul daquele céu juntamente com seus pensamentos e questionamentos sobre a luta que está tão próxima, de repente sua visão foi obstruída por um rapaz alto de pele morena e com uma expressão fechado e olhos frios que encaravam a morena sentada no chão, ele trazia dois pacotes de tamanhos diferentes.

— Mestre Ren pediu que entregasse...Souza-sama.

Cristina se levantou sonolenta pegando ambos os pacotes e antes que pudesse agradecer o rapaz já havia virado as costas e ido embora.

“— Educado como o Ren...”

Suspirando-a se voltou para dentro pedindo para que aquela missão acabasse logo ficar tanto tempo perto de Ren não era benéfico pra sua saúde mental e antes que falasse algo viu o pacote mais longo ser retirado de cima do maior que repousava nas suas mãos.

— Vai que você decide visitar o chão de novo... —Aizen falara observando a embalagem dourada retangular comprida amarrada com uma fita preta que tinha um selo familiar em cera vermelha que ele logo reconheceu. — É o selo do Rafael-sama...

Cristina se virou puxando-o pela manga, tanto o selo do pacote retangular quando do maior eram de seus pais... Delicadamente ela deixou o pacote maior no chão observando a enorme caixa branca envolta em uma fita dourada, no laço tinha um selo com cera branca e um desenho dourado de flores sinos.

—Akihito-sama?? Mas o que será isso??

Cristina sentiu o ruivo se curvar por cima da sua cabeça curioso segurando a outra embalagem que rapidamente ela tirou das mãos dele abrindo o pacote maior, dentro dele tinha uma bota de couro preta e outro pacote de papel seda branco, lentamente ela abriu o papel e puxou o tecido que estava lá dentro levantando para estica-lo.

—Uma yukata... — A morena usara as duas mãos para esticar o delicado tecido admirando a yukata preta com flores sinos bordados delicadamente em dourado, nas laterais tinham duas fendas que vinham da linha da cintura, Aizen tirou uma calça justa preta com o mesmo bordado, o obi dourado e um cordão de enfeite branco.

— Uau...bem pelo menos sabendo que você não vai lutar vestida de alma do outro mundo com essa yukata branca ....

Aizen deu um sorriso maroto antes de começar a rir, sentindo o rosto corar Cristina respirou fundo e deu um leve sorriso irônico olhando o menor de lado.

—Obrigada pela preocupação...A-chan.

Imediatamente o rapaz parou de rir e ficou vermelho abaixando a cabeça resmungando algo falando de golpe baixo por parte dela, satisfeita ela guardou a roupa olhando para a outra caixa com curiosidade, porem ao tocar a caixa ela sentiu o coração acelerar e ficou paralisada olhando-o.

—Mestra tudo bem?

Cristina acenou positivamente enquanto passava os dedos pelo selo da família de Rafael, no seu íntimo ela sabia o que tinha lá dentro, todos permaneceram em silencio quando ela o abriu e se curvou abraçando o que tinha dentro.

—Mestra...

Horikawa se aproximou temeroso e inquieto com aquela reação e pode escuta-la soluçar enquanto se virara agachada com o objeto nas mãos, era uma wakizashi com uma bainha preta com pequenos detalhes vermelhos na base, impressionado Izuminokami foi o primeiro a se aproximar.

— Me permite mestra?

Cristina acenou estendendo a espada pro rapaz que a pegou com firmeza e a desembainhou observando a lâmina e punho, uma profunda admiração surgiu nos olhos turquesa enquanto analisava a wakizashi nas mãos.

— Ela foi feita sob medida para mim... — Cristina falava tocando com a ponta dos dedos no punho. — A lâmina é de aço carbono que se estende até o final da tsuka que é estreita no centro e larga nas extremidades, feita de couro de arraia e envolto em um ito de algodão fino...

— O hamom é ondulado e a lâmina é firme e como vai até o punho pode se por força sem medo... — Izuminokami a devolveu a bainha estendendo para Cristina que olhava o objeto com um sorriso carinhoso. — Quem a forjou usou um método antigo do Japão feudal dobrando o aço em si mesmo 10 vezes...

—Rafael treinava a mim e a Aizen no dojô da família dele... — Ela olhou para ruivo que tinha um sorriso satisfeito ao olhar para a wakizashi nas mãos da morena que tinha um tom de voz carregado de confiança. — Quando eu fiz 18 anos ele me deu essa wakizashi e disse que só quando eu realmente precisasse que deveria usa-la, até lá eu deveria limpa-la periodicamente...

— Por isso você sabia como limpar minha lâmina... Interessante Ojou-sama.

Cristina deu um pequeno sobressalto ao notar que o rapaz estava as suas costas inclinado sobre o seu ombro olhando a espada com interesse, mas não só ele Nagasone tinha um sorriso largo enquanto encarava a morena.

—Nossa mestra não é alguém indefesa Izuminokami-kun... Acho que a subestimamos...

Cristina sentiu as bochechas corarem diante do elogio e do olhar confiante de todos, mesmo sem estar vendo sabia que Nikkari tinha o mesmo sorriso nos lábios.

—Mas eu nunca estive em batalha...

—Mas você desarmou Rafael inúmeras vezes...

O ruivo deu os ombros rindo lembrando da cena do homem sentado no chão com a espada na garganta e começou a contar para os demais que prestavam atenção enquanto Cristina tentava faze-lo parar de falar.

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Em silencio Cristina e Izuminokami voltavam da última reunião com Ren para finalizar todos os acertos, o rapaz olhava a morena a sua frente que bocejava, estava inquieto pois mal sabia das capacidades de sua mestra, após a tarde que ela mostrara seus poderes ele ficara impressionado e hoje quando recebera a espada tinha certeza que ela não era a mestra frágil e sem capacidade que achava que era, sentia-se incomodado e envergonhado por isso.

—Kanesada-san? — A morena se virou notando o silencio que o rapaz se mantinha e quando se virou para olha-lo viu um brilho de remorso nos olhos azul turquesa, sabia que algo o remoía, mas não sabia se ele iria querer lhe contar. — Há algo errado, alguma coisa sobre a batalha?

Viu os olhos dele a encararem surpresos, mas manteve o silêncio soltando um longo suspiro levando a mão a nuca como se a massageasse, viu-o desviar o olhar com certa relutância antes de começar a falar.

—Mestra, eu...

—Souza-sama!!!!

Hasebe vinha a passos rápidos se aproximando seu rosto estava pálido quando parou diante dos dois, ele respirava rápido e seu tom de voz demostrava que algo de ruim acontecera.

—Eles se moveram antes do esperado... — Hasebe ajeitou as costas tentando ficar calmo, mas seu olhar e seu timbre de voz demostravam outra coisa. — O exército retrogrado está sendo evocado agora mesmo...

—Mestra devemos partir imediatamente...

Cristina sentiu seu estomago se contorcer e um amargo subir na garganta, mas tinha que ser firme pois eles dependiam dela naquela batalha.

—Kanesada-san, avise aos outros e peça que Aizen venha ao meu quarto...

—Souza-sama, o mestre pediu que o encontre no dojô atrás da propriedade.

Cristina acenou com a cabeça se virando indo a passos rápidos até seu quarto, Izuminokami entrou no cômodo destinados a eles e alguns segundos depois os escutou se movimentando, ela se ajoelhou dispondo a roupa que Akihito mandara e vestiu a calça e botas com uma camiseta branca, não demorou muito para que a porta de divisão se abrisse e o ruivo aparecesse, ele estava devidamente vestido com um sobretudo preto com detalhes em dourado por cima da blusa amarela, calças pretas, ombreiras e botas vermelhas, ele tinha um sorriso orgulhoso ao mostrar a roupa.

— O templo mandou roupas adequadas para todos...

Cristina o olhou batendo palmas e pegou suas próprias se virando de costas vestindo o roupão rapidamente, Aizen se antecipou e pegou o obi e a corda, quando ele terminou de amarrar a corda lhe entregou a wakizashi, a morena soltou um longo e profundo suspiro sentindo o corpo tenso.

—Vamos Aizen...

Assim que chegaram na frente do dojô ela viu de longe Ren que conversara com Hasebe, seus olhos azuis a encararam por alguns segundos medindo-a com um brilho frio antes de entrar no local, Hasebe se aproximou como sempre com seu ar cortes fazendo uma leve reverencia cumprimentando-a:

— Souza-sama recebemos novas informações de Konosuke...

Ele tirou o globo de dentro do bolso da calça destravando-o fazendo surgir o imenso mapa novamente só que desta vez ele tinha um ponto vermelho mais forte e pulsando indicando onde eles iriam surgir, a morena olhava aquilo com uma certa apreensão que tentava disfarçar pois sabia que Izuminokami estava ao seu lado atento a tudo, seus olhos se voltaram para onde Hasebe apontava.

— O número de inimigos deverá ser de 100 a 150, na sua maioria composta por tantous e tachis, poderá haver wakizashi nas tropas, mas serão raros...

— Há??? Esperai nossos inimigos são espadas???

A morena se virou para o seu capitão questionando-o baixinho para que Hasebe não escutasse fazendo com que o rapaz a sua frente parasse a explicação e olhasse confuso para ambos.

—Mestra todo o exército retrogrado é composto de tsukumonogami que foram corrompidos.

Izuminokami suspirou se curvando na direção dela mantendo o tom de voz baixo e rude como se aquela informação fosse mais óbvia possível, o que causou um incomodo na morena que a o olhava contrariada.

—São espadas corrompidas... com os mesmos pontos fortes e fracos que vocês! — Ela chegou mais perto olhando dentro dos olhos turquesas sorrindo de forma irritada seu tom de voz era sarcástico. — Você não me explicou isso Kanesada-san!

— Isso é algo tão simples que pensei que soubesse!

Contrariado Izuminokami cruzou os braços olhando-a com o mesmo olhar sarcástico que ela e falou com um tom mais ácido.

— Eu não tenho bola de Cristal! —Cristina parou o rosto a centímetros do rapaz sem tirar os olhos do dele. —Se eu não sabia dessa zona toda de retrógado como eu ia saber o que eles são...

De repente o rapaz arregalou os olhos notando que sua mestra não reagira da mesma forma que antes quando ele lhe chamara atenção, agora, ela rebatia suas palavras com um tom mais irritado, de repente Horikawa se adiantou claramente para intervir mas Aizen o segurou pelo braço fazendo um sinal negativo com a cabeça e sussurrou:

— Fique tranquilo ela só está irritada por ter pedido informação e agora saber que não teve toda ela...

—Mas Kunitoshi-kun...

—Kanesada-san está a salvo, ela tem uma certa afeição por ele... — Ele olhou para Horikawa que tinha um brilho hesitando nos olhos e sorriu cruzando os braços. — Para ser sincero, acho que ela já tem uma afeição familiar por todos nós... claro o Kanesada-san seria aquele irmão implicante.

Aizen começou a rir tirando um riso contido de Nikkari, mais afastado Izuminokami os observava ao desviar os olhos dos dela enquanto sentia seu rosto corar levemente quando sua mestra o encarou com o rosto tão perto do dele que podia ver com detalhes toda a cor dos olhos dela que eram castanhos mas tinham um rajado vermelho, contrariado ele suspirou passando a mão pela cabeça embrenhando nos cabelos.

“— Que brincadeira do destino é essa ... me enviar uma mestra que nem sabe o básico sobre esses inimigos?” — Ele se lembrou de toda a conversa durante a noite e notou que não falara a identidade dos inimigos para ela, pois ela lhe fazia pergunta atrás de pergunta sem parar que ele respondia com muita rapidez e de maneira rasa. “— Muito bem, eu fui falho em lhe dar certas informações...”.

Ele se suspirou resignado estreitando os olhos para a dupla que se mantinha de costas segurando o riso e quando se voltou para falar com ela a viu com a mão no queixo olhando atentamente o mapa.

—O mestre Ren está preparando o transporte e assim que estivermos prontos eu a virei chamar.

Cristina ficou em silencio escutando que ele falar enquanto ponderava o terreno e as condições da batalha, ao seu lado Izuminokami ficava em silencio depois da leve discussão que tiveram, já notara como era o orgulho e humor do rapaz de por isso falara em tom pois não seria respeitável deixar que todos ouvissem e notasse que ele ficara irritada com aquela informação que fora apresentada de repente para ela, agora que sabia poderia ponderar melhor as fraquezas e os pontos fortes do inimigo, ainda mais que estariam envoltos em uma breu total da noite, em silencio ela agradeceu a Hasebe que prontamente guardou o globo fazendo o holograma desaparecer, virando-se ela tocou o braço do rapaz e fez um sinal para que a seguisse na direção dos outros.

—Mestra algo a incomoda?

Nagasone se aproximou com a sobrancelha erguida e um brilho divertido nos olhos dourados ao notar o rubor no rosto do companheiro, mas quando notou uma certa preocupação nos olhos da mestra sentiu que algo a incomodava, mas ela permaneceu alguns segundos em silencio como se ponderasse algo antes de estalar ao dedos e falar com um tom baixo:

— Teremos que nos dividir em dois grupos... o local é aberto com uma vegetação densa, o que possibilita a evasão de um grupo grande deles por algum ponto cego. — A morena ergueu os olhos olhando em volta ponderando como dividir os grupos. — Ou poderíamos formar duplas fazendo quatro pontos de ataque...

— Há também outro ponto mestra... — Izuminokami falara mantendo o mesmo tom de voz sério de sempre. — Sua inexperiência em batalhas é um ponto negativo, então deveria ficar longe do campo de batalha com uma escolta adequada.

—Escolta?

Ela olhou em volta e todos estavam sérios, um deles deveria se afastar da batalha e mantê-la sem segurança, algo que não a agradava, mas entendia que era necessário, Izuminokami trocou olhares com Nagasone como se conversassem em silencio antes de falar.

— O ideal seria que fosse seu capitão, pois...

— Não ... — Ela falou cortando-o com um brilho sério nos olhos. — Você tem mais experiência em campo de batalha do que todos e além do mais tem que ter alguém para reagrupar em caso de necessidade e refazendo os planos de ataque... — Ela agarrou a bainha da wakizashi ajeitando-a na cintura. — E se a luta chegar até nós você irá tentar se conter em apenas para me proteger, pois como você mesmo falou sou inexperiente...

—Mestra eu não quis ofende-la...

—Não ofendeu..., mas devíamos pensar em balancear as duplas, eu pensei em por Kanesada-san com Kunihiro-san, Kotetsu-san e Toshiro-san e Aizen com Yasusada-san... E Nikkari me escoltaria.

— Então eu terei a honra de ser sua escolta Ojou -Sama?

O rapaz de cabelos verdes falou jogando a cabeça de lado com o indicador apoiando na bochecha, seu olhar tinha um brilho divertido e intenso, de imediato ela sentiu o coração bater descompassadamente e o rosto queimar, tentando não deixar que notassem ela sorriu e balançou o dedo como se o repreendesse, mas de repente ele desviou os olhos para Aizen que o atingira com uma cotovelada na linha da cintura com um sorriso maléfico e um brilho ameaçador nos olhos dourados que fez Cristina colocar a mão no rosto tentando conter o riso, mas sua atenção foi desviada ao notar que Izuminokami balançava a cabeça negativamente com a mão apoiada no queixo.

— Algo errado?

— Sim.... Aoe-san é uma wakizashi que já foi uma tachi .... Seria mais eficiente se ele formasse dupla com Kunitoshi-kun e Yamatonokami-kun fosse sua escolta, pois as tantous e wakizashi tem uma vantagem tática em batalhas noturnas...

Cristina ficou em silencio revendo as táticas e isso fazia sentindo, Nikkari seria melhor aproveitado sem ter que se preocupar com ela, Yamatonokami seria uma boa escolta pois foi espada de Okita sendo assim um ótimo espadachim, ela olhou para o rapaz concordando em silencio que imediatamente foi quebrado pela voz jovial de Yamatonokami.

— Mestra, conte comigo!

O entusiasmo e o tom de voz alto do rapaz arrancou risos do grupo esvaindo a tensão do início da batalha, sem se dar conta a morena olhou de relance para Nikkari que tinha uma expressão preocupada e o olhar perdido, mas não demorou muito para que seus olhos se cruzassem e ele ocultasse a preocupação com um sorriso calmo antes de se virar para Nagasone que lhe chamara atenção.

—Cris está tudo bem?

—Estou preocupada com a batalha... e com vocês...

O ruivo assentiu positivamente entendendo-a encostando a cabeça no braço dela olhando ao seu redor sussurrando.

—Se mantenha segura... a proposito não chame mais o Yamatonokami-kun tão formalmente... isso o incomoda, ainda mais que vocês deveriam ter a mesma idade...

— Mas ele...

—Ele não vai falar, pois não há intimidade para isso.

Ela acenou afagando os cabelos do ruivo com carinho, mas ao perceber que Hasebe se aproximava ela suspirou sentindo-se tensa, quando o rapaz notou que ela o olhava fez um sinal para que entrassem em silencio, assim que entraram ela notou que Ren estava no centro do dojô com o relógio na mão no chão havia um quase imperceptível desenho de um círculo perfeito, curiosa a morena observava os movimentos do loiro com profundo interesse sem notar que praticamente parara de andar até que sentiu o toque suave de uma mão no meio da suas costas empurrando-a de leve.

—Nik...

Antes que terminasse de falar ele pousou o dedo indicador nos lábios dela pedindo que fizesse silencio e a conduziu até o círculo, assim que todos estavam dentro dele Ren acionou o botão do relógio que começou a girar lentamente ao mesmo tempo que uma luz traçava a linha do chão formando um círculo de luz, quando passou abaixo deles surgiu a imagem de engrenagens iguais do relógio.

Nikkari observava a morena ao seu lado com um brilho entusiasmado nos olhos ao ver tudo que acontecia, quando os olhos castanhos dela se voltaram para ele um sorriso amoroso se formou nos lábios finos dela, ele então se inclinou e assim que ficou com o rosto rente ao dela lembrou-se de que não seria ele a escolta-la e isso lhe deixava profundamente contrariado, quando notou que Ren acionara o relógio ele sussurrou:

—Não é uma viagem muito boa Ojou-sama...segure-se...

Cristina sentia-se perder nos olhos bicolores do rapaz e a cada vez que ele se aproximava ela tinha certeza do que sentia, mas assim que escutou o que ele falava instintivamente agarrou o braço dele se encolhendo escutando ele rir segurando-lhe a mão com firmeza antes da luz invadir o dojô e em segundos desaparecer como se ninguém estivesse estado lá.

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A densa vegetação foi sacudida por um vento forte que não vinha dos céus e que cessou da mesma maneira que surgiu trazendo um silencio suave quebrado apenas pelo barulho das ondas, alguns segundos depois Izuminokami surgiu afastando os arbustos com cautela olhando em volta, a escuridão era total e somente quebrada pelas luzes do acampamento distante notando que não havia mais ninguém fazendo qualquer tipo de patrulha ele estalou os dedos avisando o grupo, o primeiro a surgir foi Horikawa junto com Aizen, de repente Nagasone passou apressado seguido de Yamatonokami e Yagen que abriam caminho segurando os arbustos, o menor tinha uma expressão preocupada enquanto olhava para trás abrindo caminho, segundos depois Nikkari apareceu com Cristina semiconsciente nos braços e se agachou em uma arvore pondo-a no chão, preocupados os três primeiros se aproximaram rapidamente em silencio, a morena estava pálida e respirava de forma acelerada suando frio.

— É uma reação ao transporte...

Nagasone falou mantendo os olhos em volta ficando de guarda, Yagen que já se agachara perto dela retirou um cantil do cinto segurando-o rente aos lábios dela.

—Taichou não beba rápido...

Sua voz era baixa e grossa e seus olhos lilases olhavam com um brilho questionador para Izuminokami que se agachara retirando de dentro do kimono uma bandagem que o rapaz molhou e estendeu para que Nikkari colocasse na testa dela antes de se levantar e se afastar observando o vasto campo.

—Kanesada-san ...

O rapaz estava ao lado dele em silencio sabendo bem o que ele queria perguntar, seus olhos turquesas desviaram dela pra a imensidão que o menor encarava e antes de dizer algo suspirou fundo:

—A mestra não tem qualquer ligação com o templo principal... Houve muitos contratempos e ela tem motivos fortes para isso. — Enquanto se lembrava se sua própria decepção e descontentamento quando a acusara de forma ríspida, seus olhos tinham um brilho de seriedade invadiu seus olhos. — Mas ela é determinada e sua energia é muito forte... tenho certeza que ela irá lhe contar se você perguntar...ela não é uma mestra convencional.

O menor apenas assentiu com um brilho mais calmo nos olhos antes de fazer um sinal se voltando para onde todos estavam, Izuminokami correu os olhos acompanhando o rapaz e soltou um suspiro de alivio ao vê-la em pé.

—Isso foi horrível!! — Ela respirava fundo enquanto sentia o pano gelado em sua testa lhe trazer algum alivio. —Nikkari por que não e avisou!!

Os olhos castanhos correram pro rapaz ao seu lado que lhe sorria com um brilho preocupado que logo seu lugar a um brilho zombeteiro.

—Bem se você não tivesse me segurado teria caído desmaiada... — Nikkari falou olhando ela fazer um bico escutando suas palavras e não resistiu em importuna-la. — Mas Ojou -sama não precisava me segurar tão forte, quase fiquei sem roupa novamente...

Cristina ergueu o rosto notando que ele falara em um tom mediano e que os outros poderiam escutar, seu rosto começou a arder ficando vermelho ao mesmo tempo que escutava ao risinho sonso dele, em um movimento rápido ela agarrou o pano na testa e jogou nele desviando o rosto em seguida se levantando.

—Nikkari!!!

— Mestra você está bem?

Yamatonokami e Nagasone se aproximaram correndo os olhos dela para o rapaz que se levantara retirando o pano úmido de cima da cabeça, Yamatonokami tinha um olhar preocupado ao contrário à de Nagasone e observava com um sorriso no canto dos lábios os dois se levantando. Quando se levantou sentindo o rosto queimar, Cristina sentiu um calafrio correr seu corpo e um cheiro de enxofre invadiu suas narinas, bruscamente ela levantou o rosto olhando para o céu em busca de algo, quando o odor ficou forte ela viu um pequeno e imperceptível vórtice se formar no céu escuro.

— Eles chegaram.

Os rapazes olharam na mesma direção que ela e apenas notaram as nuvens começando a se mover, quando o odor se tornou mais forte e a energia deles invadiu o espaço que todos perceberam em silencio Izuminokami fez sinais para todos que entrasse em formação pois logo começariam batalha, Yamatonokami se posicionou ao lado em alerta com a mão envolvendo a bainha e o polegar na tsuba, quando começou a ver que estavam prontos para irem de encontro ao exército inimigo ela juntou as mãos respirando fundo.

—Esperem...

Todos se viraram para ela que estava de olhos semicerrados com os olhos fixos na mão, de repente uma luz dourada se formou entre seus dedos e ela as abriu, havia uma redoma de luz que se elevou lentamente acima deles.

— Sei que a batalha será árdua, que vocês podem se distanciar muito ou ficarem preocupados comigo... Conheço a história de Aizen e de como ele se perdeu e passou a vagar sozinho em um tempo que ele mesmo não sabia onde era, então, mesmo com essa escuridão toda esta luz mostrará onde estou e para onde voltarem...Por favor tenham cuidado.

Os rapazes observaram em silencio o globo de luz dourada acima da cabeça de Cristina tomar a forma de uma lanterna dourada, não querendo dar vazão ao próprio temor e controlar sua angustia ela sorriu acenando com a cabeça vendo-os fazer uma reverencia mais acentuada em silencio antes de se virarem e desaparecerem na escuridão, passados alguns minutos ela escutou o barulho dos passos de Yamatonokami as suas costas se aproximando.

—Mestra...

Ela se virou ao escutar o rapaz lhe chamar com um tom mais seco e logo seu sorriso desapareceu dos lábios, Yamatonokami desembainhava a espada com um brilho nos olhos extremamente diferente do que ela conhecia, era extremamente impiedoso e frio, em um gesto rápido envolveu o punho da sua wakizashi com a mão segurando a bainha com a outra, no mesmo instante que ele desembainhou a lamina ela fez o mesmo sentindo-o passar velozmente ao seu lado, usando o pé de apoio como impulso ela cortou o vulto que se havia surgido nas costas do rapaz e antes que a lamina voltasse a bainha o ser que jazia no chão era parecido com um humano de constituição forte porem sua pele era de um cinza claro que começava a se desfazer em um denso shoki.

—Mestra!!!!???

A voz de Yamatonokami era carregada de espanto quando se virou para ela após abater outro inimigo que se aproximara, seu espanto foi tanto que ele desviou a tenção e antes que notasse um outro inimigo surgira as suas costas, sem falar nada Cristina se precipitou amparando com a bainha a lamina que acertaria as costas do rapaz e desferiu um golpe transversal de cima para baixo cortando mortalmente o ser a sua frente que era igual ao que ela abatera antes, ela sentia seu coração bater tão forte que sua garganta secara, tinha que manter um nível de calma o bastante para perceber a movimentação ao seu redor e o que sentia não era algo animador.

—Yamatonokami-kun estamos cercados...

O rapaz deu um sorriso envergonhado mas satisfeito ao escutar ela lhe chamar de maneira informal, mas rapidamente se voltou a postura de batalha e olhou em volta notando as sombras se moverem, escutara a voz dele tremula porem seus atos não demonstravam seu nervosismo e angustia nem mesmo quando suas costas encostaram na dele ambos com as espadas prontas para quem atacasse, sem notar seus lábios se curvaram em um sorriso quase sarcástico quando encarava a escuridão que se movimentava cada vez mais na sua frente.

Cristina respirava fundo lentamente tentando manter a mente calma e controlada para que sua mão fosse firme o suficiente para os golpes que teria que dar, a presença do rapaz as suas costas lhe dava uma certa segurança devido a saber que ele já enfrentara algo parecido senão a intensão assassina daquela quantidade de demônios a volta deles a colocaria em pânico, sentindo o corpo se acalmar ela guardou a lamina e flexionou os joelhos sabendo que não tardariam a atacar novamente pois o círculo começava a se fechar.

— Mestra, aqueles que vierem carregando a espada na boca serão tantous e o outro inimigo poderão são tachis ou wakizashi...

—Esses dois que nos atacaram....

—Foram tachis...

Antes que o rapaz terminasse de falar um novo ataque começou desta vez duas tachis atacaram junto com dois seres esqueléticos que carregavam lâminas nas bocas, eram rápidas e quase imperceptíveis no escuro.

“— Essas são tantous...” — de repente a morena se lembrou do que Izuminokami falou da vantagem de Aizen e Yagen e se se virou para Yamatonokami. — Deixo as tantous com você que é mais veloz e atacarei as tachis... — Cristina senti um profundo incomodo de algo não estava certo. “— Estamos longe da contenção que foi feita... por que eles vieram até nós?”

Ela o viu acenar antes de amparar a lâmina da tachi à sua frente em um movimento rápido e preciso ela desembainhou a espada rodando o corpo atingindo o inimigos na frente do rapaz, que ao se livrar daquele ataque se virou para a tantous que vinha sorrateira se aproveitando da escuridão e a acertou com um ataque veloz se virando para outra que vinha pela esquerda, seus olhos azuis se voltaram para a sua mestra, mas ela se esquivava e atacava com uma destreza digna de grande espadachins, claro que alguns ataques eram fracos devido seu nervosismo, mas ela não se abatia. Um inimigo após o outro a dupla se mantinha em sincronia e não deixava que aquele círculo de luz diminuísse e fossem sufocados por eles, Cristina sentia os braços arderem e as pernas vacilarem mas se forçava para que não deixassem a retaguarda do rapaz desprotegida, mas de repente os inimigos pararam.

—O que eles...

Cristina escutara a voz indagatória do rapaz que olhava a sua volta, ele não aparentava estar nem um pouco exausto ao contrario dela, que mantinha na mente que seu pai iria intensificar os treinos a nível espartano quando soubesse de como estava, de repente ela notou que eles apenas haviam se afastado como se esperassem algo alguns segundos após ela sentiu uma energia mais densa e forte se aproximar e se virou olhando para um vulto que se aproximava, seus olhos castanhos encararam o rapaz ao seu lado que mantinha a espada a frente do corpo olhando para onde ela olhara antes, seus olhos azuis se voltaram para ela antes de encararem o inimigo que começava a tomar força de um ser corpulento e de estatura alta que levava em uma das mãos uma enorme lança.

— Uma yari... mestra como você está...

—Sinceramente, estou suada, cansada e enjoada daquela súbita viagem do inferno.... — Cristina respirou fundo relaxando os músculos tensos firmando sua mão no punho da espada que embainhara de repente pequenas flores sinos surgiram envolvendo os dois fazendo com que Cristina sentia sua fadiga melhorar. — Então estou de mau humor e espero descarregar isso nesse aí... Yamatonokami-kun...

—Sim mestra?

— Que tal mostrar nossa cortesia com o Sandantsuki?

— Como desejar...

Cristina viu de soslaio os lábios do rapaz se converterem em um sorriso satisfeito e sarcástico antes do ser a frente deles rodar a imensa lança movimento o ar, Cristina pousou a mão no punho olhando -o ser na sua frente firmando o pé de apoio no chão antes de se lançar junto com Yamatonokami em um ataque sincronizado.

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Nagasone sentia o ar dos golpes precisos do rapaz com que fazia dupla, era rápido, preciso e mortal tal como antigamente quando lutaram juntos, por sua vez ele usava sua agilidade para contra-atacar os inimigos e dizima-los rapidamente antes que percebem sua presença, as palavras de sua mestra pouco antes de partirem o impressionou nunca que um mestre demostrara alguma preocupação com eles e por várias vezes se sentira apenas uma ferramenta da batalha como se voltasse a ser uma espada empunhada que logo voltaria para a bainha e para um longo repouso, seus olhos dourados se viraram para o pequeno globo que brilhava distante e sem sentir sorriu, ela estava lá mostrando o caminho de volta.

— Kotetsu-san... o que você acha da mestra?

— O que você pensa dela Yagen-kun?

O rapaz ficou em silencio enquanto atacava os inimigos que pareciam diminuir cada vez mais, seu rosto não demostrava qualquer expressão e para quem não o conhecesse aquilo seria tido como um ato frio e sem qualquer sentimento, mas Nagasone conhecia o rapaz a bastante tempo para desvendar que aquele pequeno brilho inconstante nos olhos lilases era a maior evidencia que ele relutava em falar o que pensava por respeito a nova mestra, suspirando Nagasone se pôs de costas para ele se preparando para a nova aponde de ataque.

— Avoada, inconsequente, desastrada e o fato de não ser ligada ao templo principal me deixa incomodado.

Nagasone sorriu desviando dos ataques furtivos de uma tantou insistente, mas assim que se livrou dela ele respirou fundo secando o suor que corria na testa antes de falar.

— Ela invadiu o templo para nos resgatar, pois segundo Aizen, não suportava esperara que resolvessem nossa situação, levou um corte profundo e mortal da lamina de Shokudaikiri que fora forçado pelo seu mestre a ataca-la... — Nagasone observava com atenção cada reação que se passava com ele e notou um profundo descontentamento ao ouvir que Shokudaikiri a ferira, suspirando continuo a falar agora dando uma risada ao lembrar. — Assim que ela acordou ficou sabendo que metre Ren nos deixava afastados e trancados em dois cômodos sem qualquer informação e foi até ele e educadamente deu um soco nele ameaçando-o... — O menor parou após dar um golpe mortal em uma tachai e se virou com os olhos arregalados, Nagasone respirou fundo olhando em volta notando que não havia mais qualquer inimigo e escutava a voz de Hasebe um pouco mais perto. — A mestra tem uma coragem imprudente e uma perseverança inabalável, por nós ela está disposta a se envolver nessa batalha mesmo sabendo que isso a fara ter um elo com a pessoa que ela mais tem repulsa, a matriarca Suzuki.

Yagen abaixou o olhar para sua lâmina que acabara de voltar para a bainha, sua mente que antes tinha dúvidas começava a ficar mais leve e clara em relação a nova mestra, lentamente ele ergueu os orbes lilases para a luz que sinalizava onde estava sua nova mestra e se lembrou de quando despertara, a autoridade ao se pôr a frente de seus companheiros e enfrentar o mestre Ren o surpreendera e ainda mais a forma que tratava e lhe sorria nos dias seguintes, era algo caloroso e acolhedor. Sem notar um leve sorriso se formou em seus lábios mas quando seus olhos notaram que a luz vacilava como se enfraquecesse um calafrio se apoderou de sua espinha e antes que falasse algo viu sua dupla se virar e uma expressão dura e sombria se apossara dos olhos dourados e sem falar nada apenas se entreolharam antes de correram o mais rápido que podiam na direção do globo que piscava.

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Nikkari brandia sua lâmina com velocidade e precisão próprios de seus golpes, porem o fazia em silencio tal como seu companheiro Aizen, o qual ele notara que evoluíra o modo de luta e parecia muito mais ágil e mortal que antes.

— Treinou bastante Kunitoshi-kun?

O ruivo que pegara impulsão em uma tachi que cairá abatido, rodopiara seu corpo no ar caindo atrás de outro inimigo surpreendendo-o e antes que notasse cortara a garganta, seus olhos dourados se voltaram ao rapaz um pouco afastado e sorriu rodando a tantou entre os dedos.

— Treino com Rafael-sama desde que ele nos acolheu... ele é considerado um mestre em defesa pessoal e espadachim.

Nikkari se virara acertando mais três inimigos em sequência antes de sorrir para ela erguendo uma sobrancelha.

— A mestra foi treinada por ele?

O ruivo seu um largo sorriso sem olhar para o rapaz lembrando-se de Cristina lutando contra Rafael em um treino.

— Cris foi a única que desarmou Rafael-sama... Ela tinha acabado de fazer 18 anos...

Nikkari suspirou soltando um largo sorriso se lembrando dela e seus olhos bicolores correram para a pequena redoma de luz que iluminava o lugar onde ela estava, mas antes que golpeasse o ultimo inimigo viu a luz tremular e piscar rapidamente antes de se apagar definitivamente, um calafrio correu em sua espinha e uma raiva se apossou se todo seu ser, sem olhar para a tachi que vinha as suas costas ele desferiu o golpe arrancando a cabeça do inimigo.

—Nikkari-kun...o que...

O ruivo desviou o olhara para o mesmo lugar que o rapaz e sentiu um nó surgir na garganta ao ver o lugar onde deveria estar a luz redoma de energia imerso na escuridão.

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Envolto em total escuridão Izuminokami desferia um golpe após outro sem cessar tendo Horikawa ao seu lado que acompanhava com perfeição cada golpe, finalizando um ataque após o outro, os dois lutavam a tanto tempo juntos que aquela sincronia se tornara algo habitual, escutava uma vez ao outra as vozes de seus companheiros que pareciam animados, porem quando aquela luta parecia perto do final, aos poucos as vozes se esvaneceram até que restava o mais completo silencio, quando o ultimo inimigo foi atravessado com sua lamina ele olhou em volta preocupado.

—Kane-san, não escuto mais nada..., nem dos nossos companheiros...

Izuminokami acenou lentamente com a cabeça se voltando ao rapaz as suas costas, mas antes que falasse algo as palavras morreram em seus lábios ao notar e que a luz onde sua mestra estava acabara de apagar.

—Kane-san a mestra!!!

Antes que falasse mais alguma coisa quatro figuras surgiram indo naquela direção em uma grande velocidade, Horikawa logo reconheceu seus amigos e sentiu a mão de Izuminokami em seu braço puxando-o.

—Esteja preparado Kunihiro...

Sabendo ao que ele se referia o rapaz correu ao seu lado se juntando ao grupo em silencio notando que todos tinham as espadas pronta para atacar o que aparecesse.