Touch

2 Another Promisse


Notas iniciais
Oláaaa, pessoas lindas do meu coração... 75 visualizaram e apenas 3 das cinco que acompanharam comentaram... Mas enfim, obrigado por isso, é o suficiente para me dar forças para continuar... Essas está sendo uma daquelas FIC que estão tomando todo meu tempo e dedicação, mas faço isso por vontade própria, porque estou simplesmente amando escrever essa FIC. Obrigado aos reviews, por isso este capítulo é especialmente dedicado à: Jello Vivi di Angelo e Claudia12. Enjoy, you all.

A porta branca deslizou suavemente sobre seus eixos, e uma mulher de cabelos loiros que lhe escorriam lisos sobre os ombros, usando um óculos de lente fina e quadrada sobre os olhos azuis entrou a passos graciosos e decididos na direção de Nico, trazendo nas mãos uma bandeja metálica, onde, Nico sabia, continha sua refeição diária equivalente ao seu... Almoço? Janta? O desjejum? O garoto não sabia. Ali, rodeado por aquelas paredes brancas, onde a quente luz do sol não penetrava, ele se sentia perdido, não sabendo as horas, e muito menos o dia em que estava. Não que importasse saber os dias, já que ele nunca iria sair da grande prisão que era esse laboratório em que agora estava preso.

A mulher depositou a bandeja sobre o chão, na frente do garoto, mostrando-lhe a refeição de hoje, que era igual à de todos os dias anteriores: um pão seco e um copo de água. Era com isso que ele sobrevivia todos os dias, e parecia ser suficiente, pois não havia morrido de fome até agora.

Ela estendeu as mãos de pele lisa e branca, apanhando o pão, levando-o na direção da boca de Nico, que, sem alternativa, abriu os lábios e mordeu um pedaço do pão, fazendo força para cortar a maça nos dentes, engolindo em seco em seguida.

Era sempre assim – também.

Nico era um espécime de tamanha periculosidade – ainda mais depois do acontecimento com Percy... – que seus pulsos ficavam presos a todo o momento, de forma que, a cada semana, uma pessoa diferente lhe trazia a refeição, dando-lhe também de comer, e essa semana seria a dessa mulher de longos cabelos loiros.

Os olhos azuis dela ainda observavam com certo nojo e aversão o rosto pálido e magro do garoto, onde uma grande e negra mexa de cabelo lhe escorria desgrenhado sobre o olho. Seu cabelo e o membro viril foram as únicas coisas que eles não haviam tirado de Nico.

Tiraram suas roupas; tiraram sua família; tiraram, deram, e depois mataram suas esperanças; mas os cabelos escorriam longos até as costas, caindo em cascata sobre os ombros, negros e desgrenhados, sujos e pesados. Ninguém nunca tentara lhe cortar os cabelos, pois parecia que lhes agradava, dando uma aparência mais fantasmagórica e assustadora ao garoto acorrentado. De alguma forma lhe dava um ar mais ameaçador, mesmo que ele fosse um ser dócil e jamais houvesse pensado em usar seu toque para matar a mais vil das almas.

Era idiotice, sim, ele sabia. Em um mundo onde o mal dominava ser alguém bonzinho não levava a lugar nenhum se não à sepultura. Mas Nico se recusava a seguir esse caminho repleto de dor e arrependimento, onde apenas os rostos de quem ele poderia tirar a vida lhe atormentariam o sono, implorando as misericórdias que ele ignorou. Apenas com a recordação da forma determinada com que Percy o libertou, e da forma como morreu, não ligando para si, mas sim para a libertação de Nico, foi o suficiente para fazer o coração do garoto pesar e doer.

Mesmo que lhe infligissem as mais sofridas e dolorosas torturas — tanto corporais quanto psicológicas — Nico nunca tentou revidar, mesmo com as tantas chances que teve; apenas aguentava, gemendo e sufocando gritos, enquanto sua mente tentava não sentir a dor, mergulhando-o no tão (falso) apaziguador transe.

A refeição acabou rapidamente, e a mulher inclinou o copo com água aos lábios ressecados e rachados de Nico, e o garoto sorveu o tão delicioso líquido sem sabor, sentindo os dedos gelados descerem confortavelmente por sua garganta dolorida.

Em seguida a moça rumou a passos rápidos, com suas sandálias brancas de salto baixo retinindo a cada passo, em direção à porta branca, desaparecendo silenciosamente, e Nico novamente ficou sozinho, fitando as paredes brancas e sentindo o olhar mecânico das quatro câmeras ao seu redor a lhe sondarem. Fechou os olhos, concentrando sua mente e seu corpo num momento no passado, e mergulhou num transe.

Nico agora revivia o passado.

E ele era feliz. Mas essa tão aclamada e quente felicidade não chegou a durar muito.

Voltou numa lembrança de três anos atrás, quando ainda vivia e usufruía de sua liberdade, cercado pelas únicas pessoas no mundo que conhecia e que o amavam verdadeiramente: sua mãe, Maria di Angelo, e sua querida irmã Bianca.

Era noite, e os três andavam a passos lentos, conversando baixo e rindo, por uma rua escura e silenciosa durante noite cerrada.

Fazia frio.

A respiração de Nico se transformava em claras nuvens diante de seus lábios, e seu corpo era sacudido por arrepios constantes, mesmo com sua pele coberta pelo grosso tecido de sua jaqueta.

Sua mãe sempre levava Nico e Bianca para o trabalho nos finais de semana, e o horário em que acabava seu expediente já era tarde, quase inicio de madrugada, quando a lua estava em seu apogeu, lançando sua luz pálida sobre o asfalto negro. Ela trabalhava na casa – mansão – de uma figura de extrema importância na cidade, porém Nico nunca soube exatamente o que ela fazia. Na verdade ele nem queria saber, pois ela aparentava estar feliz, e simplesmente por ver o belo sorriso dela e sua áurea de felicidade fazia Nico se sentir completo, e também partilhar da felicidade dela. Parecia o mesmo com Bianca, que estava sempre alegre.

Nico trazia uma pequena mochila nas costas, onde alguns jogos de tabuleiro estavam colocados, e que ele os usou enquanto aguardava na grande sala o expediente de sua mãe terminar, jogando com Bianca um jogo chamado Mitomagia. E ele sempre ganhava.

Fazia alguns longos anos que Nico já sabia sobre sua maldição, a denominada por ele de Toque, de forma que estava sempre usando uma luva de couro negro fervido nas mãos, para que assim pudesse viver normalmente como um garoto qualquer de sua idade, mesmo que isso fosse apenas uma enganação, uma mentira criada por ele mesmo para se sentir melhor e igual a todos.

– Você é diferente de todos, Nico – sua mãe lhe dizia enquanto acariciava gentilmente seus cabelos. – Você foi agraciado com um dom, e vai chegar um momento em que as pessoas sentirão inveja de você e de seu dom, e vão querer roubá-lo; tirar isso de você, e vão querer te transformar num monstro. – ela olhava fundo nos olhos de Nico, com seu rosto geralmente sempre agraciado com um belo sorriso transformado numa máscara séria e sem expressão. –Não deixe, Nico...

Nico nunca havia entendido o que ela poderia estar querendo dizer, mas assentia como tivesse entendido perfeitamente. Parecia que sua mãe previa que algo ruim estava para acontecer a qualquer momento.

Até que um dia realmente aconteceu, e ele entendeu.

Enquanto os três ainda andavam pela rua escura e silenciosa, Nico ergueu os olhos para os prédios ao redor, que se erguiam como troncos majestosos de árvores numa floresta cinzenta de concreto e vidro, e atrás das camadas finas do vidro das janelas, rostos os observavam, assustados e enojados, e quando o olhar de Nico se encontrava com o daquelas pessoas, elas se assustavam e desapareciam em seus apartamentos, e as luzes das janelas se apagavam, mergulhando a rua em que percorriam na escuridão.

Nico também não entendia isso, mas nunca perguntou para sua mãe; não queria atrapalhar sua felicidade transbordante com essas questões irrelevantes que muito bem poderiam ser coisas de sua cabeça infantil e cheia de fantasias.

Quando chegaram próximo ao lugar onde moravam, uma casa humilde e pequena, dois carros conversíveis pretos estavam parados em frente à entrada, com suas janelas negras e esfumaçadas totalmente fechadas, mas mesmo com o vidro negro impedindo contato com os olhos que estavam em seu interior, Nico pôde sentir que o olhavam com grande interesse e também pôde sentir que sorriam como se tivessem encontrado algo muito valioso que estivessem procurando desesperadamente por muito tempo.

Maria parou de andar, estendendo o braço esquerdo na frente de Bianca, que segurava a pequena mão de Nico em sua palma, e ela também parou, erguendo os olhos confusos para sua mãe.

– Mamãe – chamou Nico, e sua voz estava carregada de medo, só não sabia o porquê de estar se sentindo tão amedrontado. – O que foi? Não vamos para casa?

Sua mãe abaixou os olhos para o garoto confuso e amedrontado ao seu lado, sorrindo e dizendo num tom de voz baixo e reconfortante:

– Está tudo bem, querido.

Em seguida olhou para Bianca, e os rostos de ambas endureceram, e sua irmã assentiu, determinada, apertando com força e convicção a mão de Nico. Ela se virou e puxou o garoto consigo, voltando a andar a passos rápidos na direção em que vieram. Um som de porta se abrindo foi-se ouvido, e passos confusos e apressados, seguido de um burburinho desordenado de vozes baixas, conversa e um protesto feito por uma voz que Nico conhecia muito bem. Olhou ao redor e enfim percebeu que sua mãe não os acompanhava, então começou a procurar ao redor com olhos confusos e tremeluzentes com a luz do luar, olhando por cima do ombro e vendo um instrumento metálico apontado para a cabeça de sua mãe, que estava parada e de braços abertos impedindo os tantos homens vestidos de pretos a seguirem Nico e sua irmã. Mesmo distante Nico pôde vislumbrar uma fina linha brilhante feita por uma lágrima que escorreu o rosto de sua mãe a partir de seus olhos, que estavam fortemente cerrados.

Logo em seguida um estampido grave e ecoante quebrou o silêncio sepulcral da noite, e Nico viu o cano da arma disparar um projétil no rosto de sua mãe, que se contorceu para frente e em seguida despencou para trás, com um pequeno buraco rubro em sua testa, caindo pesadamente no chão.

Nico não soube quando começou a chorar e gritar, mas agora as grossas linhas de lágrimas quentes e desesperadas lhe molhavam o rosto incessantemente, e sua boca escancarada gritava histericamente o nome de sua mãe.

Ele queria voltar correndo e ajudar a mãe; algo dentro de si gritava que ela ainda estava bem e aguardava sua volta; algo dentro de si o puxava de volta, porém o aperto de Bianca em seu pulso era muito mais forte, e ela o puxava por caminho adiante, também chorando e soluçando, mas mordendo os lábios com força para não gritar, e Nico cambaleava atrás dela.

Andaram pelo que pareceu horas, e Nico ainda chorava e soluçava, porém não mais conseguia gritar. A imagem de sua mãe tombando no pó da calçada fria ainda lhe perturbava a mente, revolvendo e revolvendo a todo o momento, fazendo seu coração doer e o chão sobre seus pés desabarem, e a única coisa que ele conseguia fazer era se perguntar incansavelmente em sua mente: Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? Por quê? , mas nunca nem sequer encontrando uma razão plausível.

Após algumas horas andando pelo centro gigantesco da cidade repleta de altos arranha-céus, virando esquinas e percorrendo vielas, eles se depararam em frente a um imenso prédio, onde uma fachada colossal estava esculpida e erguida em concreto pintado de branco, onde se lia em letras grandes e vermelhas: Tártaro Corp.

Inicialmente, com a mente anuviada pela cena que ainda revolvia em sua mente, Nico nem sequer pensou em associar aquele nome na fachada com algo, ele simplesmente era guiado pelos passos de Bianca, andando automaticamente, passo a passo, fitando o chão cinzento se estender a sua frente indefinidamente.

– Nico, Nico – agora ela lhe sacudia histericamente os ombros, olhando para seu rosto sem expressão de olhos arregalados e marejados de lágrimas. – Você tem de entrar ali e pedir ajuda. Eu vou despistar esses caras que estão nos seguindo – ela dizia, e Nico ouvia petrificado, com os lábios entreabertos respirando pesadamente. Ela falava apressadamente, e quando terminou, dizendo algo que Nico não ouviu, o garoto apenas assentiu. Ela estendeu a mão, e Nico nem chegou a pensar, apenas notando que ela tremia, entregou a pesada jaqueta à ela, e logo ele virou as costas correndo em direção às portas duplas de vidro enquanto Bianca desaparecia na penumbra da madrugada.

As portas se abriram quando ele se aproximou, automáticas e silenciosas, e Nico se viu num ambiente calmo, onde paredes brancas e brilhantes guardavam uma recepção deserta. Nico se aproximou a passos rápidos do balcão de tábua de mármore branco – tudo ali era branco; tão branco que até fazia vista doer. – apoiando ambas as mãos enluvadas em cima do balcão e gritando por ajuda para a recepcionista, que o olhava confuso. Após explicar em poucos detalhes e atropeladamente a sequência de acontecimentos à mulher, ela se levantou do balcão e sumiu por uma porta, deixando Nico sozinho, com as lágrimas a ainda verterem de seus olhos vermelhos e doloridos.

Quando a atendente morena retornou, trazia consigo um homem alto, de cabelos grisalhos e curtos, de rosto duro como pedra e olhos frios como gelo e lábios que pareciam duas linhas vermelhas pintadas escrotamente em uma pedra, e ele vestia um longo jaleco branco até o tornozelo. Ele se aproximou de Nico se ajoelhou na frente dele, e lhe fez apenas uma pergunta.

– Qual o nome de seu pai?

Nico nunca soube o nome de seu pai, pois, segundo o que sua mãe lhe dissera, ele nunca dizia o verdadeiro nome, mas apenas um pseudônimo que insistia que fosse usado.

– Minha mãe... – ele hesitou, sentindo a dor inundar-lhe o peito ao se lembrar de sua mãe, porém respirou fundo, fungou o nariz e continuou na voz mais estável e segura que pôde encontrar. – o chamava de Hades.

O homem apenas assentiu, levantando-se e estendendo uma mão para Nico.

– Venha comigo, nós vamos te proteger. – ele disse, num tom de voz áspero e quase que robótico: sem emoção ou sentimento. Quando Nico estendeu a mão para tocar a do homem, ela se recolheu, e ele perguntou novamente: — Por que usa uma luva?

Nico hesitou, sentindo um nó na garganta. Não queria contar às outras pessoas sobre sua maldição, mas lembrando-se de sua mãe e da forma violenta como foi executada, da forma desesperada com que sua irmã insistiu para que Nico encontrasse refugio e ajuda naquele grande prédio branco, sentiu-se no dever de contar.

– Eu tenho uma maldição... – começou Nico, fitando a mão enluvada, e conforme ia contando para o homem sua história, Nico percebeu que um sorriso débil se formava no canto de seus lábios, transformando seu rosto numa máscara assustadora; seus olhos brilhavam de excitação quando Nico terminou o relato. O homem estendeu novamente a mão, e prometeu:

– Nós vamos livrar você disso. Eu juro.

Nico acreditou inocentemente no que lhe foi dito.

Estendeu a mão e tocou a do homem acima dele, e andaram a passos apressados na direção de um longo corredor branco cheio de salas eu eram uma espécie de consultório, virando numa esquina, depois esperando um elevador se abrir em frente à suas portas metálicas onde o rosto assustado de Nico o fitava de volta, entrando no casulo metálico quando este chegou, e descendo por longos minutos através do subsolo. Quando a porta se abriu novamente, um amplo e longo corredor branco se expandiu diante de seus olhos, e parecia que nunca terminava, e enquanto andava por entre o corredor, percebeu que este era repleto de outros corredores que de igual forma pareciam não terminar nunca.

O homem parou abruptamente em frente a uma porta branca, onde ao lado, na parede, uma grande e extensa janela retangular dava uma vista do recinto.

– Chagamos. – o homem de jaleco branco anunciou, abaixando os olhos para Nico, com um sorriso assustador em seu rosto de pedra.

– Que lugar é esse? – perguntou Nico, sentindo algo dentro de si inquietar-se. Algo naquele lugar repleto de branco o assustava: parecia que aquelas paredes alvas escondiam algo em sua crosta fina de tinta.

– É um lugar seguro. – ele disse, apenas. Estendeu a mão e apertou um interruptor, logo em seguida uma tabela digital com números e letras surgiu.

Uma senha, Nico percebeu, confuso. O homem digitou rapidamente 16 caracteres, e a porta deslizou, abrindo-se e revelando o interior completamente branco da sala. Ele fez menção para Nico entrar, e o garoto entrou, pisando um pé para dentro da sala, examinando todo o ambiente com olhos apreensivos notando que não havia nada na sala, a não ser um par de grossas algemas de aço escuro no meio da parede de frente à porta.

– Bem vindo à Sala Branca, Espécime XY – disse o homem atrás de Nico. Nico olhou para trás no exato momento em que a porta branca deslizava e se fechava, quase desaparecendo na parede devido à cor, que também era branca, como tudo ali.

Um súbito sentimento de medo e desespero tomou a mente de Nico, e ele começou a bater na superfície da porta com força, gritando para que o libertassem, mas nada.

E assim o garoto ficou por horas e horas, até que a porta finalmente se abriu novamente, e um homem usando uma roupa de proteção entrou acompanhado de outros três, e Nico ergueu os olhos do canto onde as paredes se encontravam, com o rosto manchado de lágrimas entre os joelhos, e novamente o medo o tomou. Eles se aproximaram com passos pesados. Agarraram Nico pelos braços, rasgaram suas roupas, transformando-as em trapos e fiapos, ignorando seus gritos suplicantes e angustiantes e as lágrimas que escorriam doloridas por seu rosto. Prenderam-no nas pesadas algemas na parede, arrancaram suas luvas de couro e saíram silenciosamente, sem nem ao menos olharem para trás.

Foi aí que se lembrou do que sua irmã havia dito, e sua voz era distante: Não conte a eles sobre aquilo.

Nico abriu os olhos quando ouviu a porta deslizar, acordando do transe dolorido para uma realidade ainda mais dolorida e angustiante, repleta de dor e humilhação.

Nico, lembrando-se do passado, amaldiçoou a si mesmo por sua inocência, e da forma como foi enganado e levado para o próprio inferno. Inferno. Tártaro Corp. Tártaro. Ele teve de conter um riso, percebendo a semelhança.

Prometeram me curar e me livrar desta maldição, pensou Nico, erguendo o olhar para a figura que se aproximava, mas me trouxeram para o próprio Inferno.

A figura que se aproximava trazia uma bandeja metálica com outra refeição, porém, ele percebeu, não era uma mulher que trazia sua refeição, mas sim um homem.

Para ser mais exato, era um jovem, e o mesmo jovem que lhe examinou do outro lado da janela com seus olhos azuis e seu lábio superior com uma cicatriz.

Ele caminhava na direção de Nico a passos silenciosos e lentos, enquanto seus olhos examinavam o corpo pálido e magro do garoto. Ele se agachou, depositando a bandeja metálica na frente de Nico, e o garoto visualizou sua básica refeição: um pão circular do tamanho da palma do jovem à sua frente, um copo com um líquido que, dessa vez, não era água, mas sim leite e...

Uma maçã.

Uma maçã redonda e vermelha, com sua superfície reflexiva. Apenas com a visão da fruta aparentemente saborosa, a boca de Nico se encheu de saliva, e ele se viu sedento por algo que não fosse apenas pão e água.

– Isto é por você ter sido um bom garoto – disse o loiro, e seu tom de voz era grave, porém gentil, referindo-se à maçã e também ao copo de leite. Ele apanhou a fruta e a estendeu na frente do rosto de Nico, e o garoto a mordeu, arrancando um pedaço suculento e saboroso que desceu confortavelmente por sua garganta até seu estômago.

Enquanto comia avidamente a fruta, os olhos do loiro o estudavam, e naquelas esferas azuis como lápis-lazúli, Nico percebeu um brilho que era uma mistura de expectativa, alegria e outros sentimentos que não soube identificar.

– Aguente só mais um pouco – ele disse quando Nico terminou de comer a refeição, e se levantava carregando a bandeja metálica em direção à porta branca. – A hora está próxima. Em breve você saíra desse inferno. – ele continuou, olhando para o corredor branco que se abria através da porta, quando olhou por cima dos ombros e encontrou os olhos negros como ônix do garoto, acrescentando com um leve sorriso no rosto: — Eu juro.

Nico nada disse, pois se sentia extrema e grandemente confuso. Novamente estavam sendo gentil com ele, e Nico apenas temia o mesmo fim para o garoto loiro que o deu de comer. Ele queria ter perguntado o motivo pelo qual ele havia feito a promessa.

Aguente mais um pouco? A hora está próxima? O que tudo isso significava? Era confuso, mas novamente a luz da esperança brilhou, e Nico cogitou a possibilidade de finalmente poder sair daquela prisão branca e sentir o sol quente na pele pálida do rosto, mesmo com o medo de que novamente sua esperança pudesse ser esmagada, ele queria se apegar àquela reconfortante sensação.

Nico fechou os olhos, mas não mergulhou o corpo num transe proposital. Ficou a revolver a imagem dos brilhantes olhos azuis de garoto e a forma como eles brilhavam, com finas linhas brancas de luz, e a frase que sempre voltava aos seus ouvidos.

Eu juro.

Outra promessa foi proferida, mas Nico se recusava com todas as suas forças a pensar que fosse uma mentira como a outra, mesmo que isso fosse ingênuo, e que alimentar falsas esperanças pudesse doer.

Eu esperarei.

Notas finais
Prevejo esperanças esmagadas u.u' Zoas, zoas u.u' Como percebemos, Jason tem sua entrada envolta em brilho e glória como nosso herói u.u' E sim, vejo que vocês também partilham do mesmo ódio que eu por essa maldita corporação... Espero que tenham gostado, e por favor, não esqueçam os reviews, ele me dão força e vontade de continuar... Onegai, Minna-san!