Touch
1 A Monster
Notas iniciais
Tenho que compartilhar com vocês as minhas inspirações:
1 - Uma música de uma banda americana chamada Chelsea Grin. A Música é Morte Aeterna, que me inspirou a ideia da habilidade que o Nico tem nessa FIC.
2 - Um Anime chamado Elfen Lied, que acho que muitos conhecem :3
3 - Outro Anime, chamado Tokyo Ghoul, que apenas a letra da abertura e o final, já me deram algumas poucas ideias.
4 - A saga Jogos Vorazes, o porque vocês saberão um pouco mais futuramente.
5 - (infelizmente, tenho que admitir) A algumas cenas da Saga Crepúsculo...
6 - E não menos importante, que também me inspirou muito, foi uma música e a letra: Monster - Imagine Dragons.
Espero que gostem.
Capítulo revisado :3
Nico havia sempre sido tratado como uma espécie de monstro, uma aberração indesejada – o que ele, em parte, era e sempre foi.
Os olhos que o observavam do outro lado da espessa camada de vidro eram temerosos e assustados, e examinavam o corpo esquálido, pálido e nu do garoto com expressão de repugnância enquanto seus lábios moviam-se em murmúrios e cochichos. Ele não precisava ouvir o que estava sendo dito, aprendera, nos três anos que estava preso ali, a ler os lábios.
Fortes grilhões prendiam seus pulsos com força contra a superfície dura e fria da parede branca atrás de si, manchando-a com seu sangue já há muito coagulado. As feridas nem mais chegavam a doer. Seu corpo estava desprovido de qualquer tipo de vestimenta, expondo assim toda sua vergonha, mas o garoto não reagia; estava imerso em um estado de transe que nada mais importava. Ele não sentia nada, nem mesmo as torturas.
Eu poderia até morrer, assim até que seria melhor, pensou ele, fitando os olhos de diversas cores e tipos do outro lado do vidro retangular.
Nico – era o nome que alguém muito importante havia lhe dado algum tempo atrás – estava cercado por grandes paredes brancas, que pareciam se fechar ao seu redor com o passar do tempo, o chão também era branco, assim como o teto, e, em algum lugar naquelas paredes, havia uma porta também branca que somente era aberta pelo lado de fora. Grandes e pesadas correntes prendiam seus tornozelos a um enorme bloco maciço de metal, impedindo-o de se movimentar livremente por dentro do perímetro da sufocante e silenciosa Sala Branca. Havia câmeras em cada vértice do teto, que vigiavam Nico com seus olhos mecânicos 24horas por dia.
O líder da excursão era um homem baixo e empertigado, que trajava sobre as vestes simples um jaleco branco sem nenhuma descrição; usava um óculos de lente quadrada e seus olhos estudavam ora seus pacientes ouvidores e ora a aberração que era Nico no interior da Sala Branca, e o homem dava detalhes da fascinante e aterradora história do chamado Espécime XY, que fora contada pelos próprios lábios trêmulos e manchados de mentiras do monstro. Mas essa não era nem de perto a verdadeira história.
A história começava alguns longos anos no passado, com uma mulher que levava no ventre um filho muito esperado, ao qual já havia decidido o nome: Nico di Angelo.
A mulher andava solitária por entre as brumas da noite na cidade de Nova York, segurando o ventre com a palma da mão direita, murmurando uma silenciosa canção para o niño dentro dela.
O pai da criança era o mesmo homem com o qual ela tivera sua outra preciosidade, uma bela garota, feliz e esperta, de nome Bianca. O pai das crianças era um homem cheio de segredos e que não queria de forma alguma lhe dizer o verdadeiro nome, temendo o futuro e a segurança de Maria e de suas crianças, dizendo-lhe assim um pseudônimo: Hades.
Erguendo os olhos carregados de sono para a calçada cinzenta coberta de névoa e frio, avistou a alguns metros uma assustadora figura encapuzada, com um sobre-tudo negro que lhe cobria os sapatos, dando-lhe um aspecto fantasmagórico. Maria não demonstrou medo, andando mais calmamente quanto pôde na direção da figura, lhe direcionando um gentil sorriso quando passou ao lado do homem – agora podia ter quase certeza – dizendo-lhe:
- Boa Noite, Sor.
Ele não respondeu, apenas erguendo o rosto escondido de sombras na direção de Maria, e quando um resquício opaco de luz afugentou as sombras, Maria avistou, espantada, olhos de um vermelho carmesim como o sangue, que a fitavam sem expressão.
- Sou um servo de Hades, senhora – murmurou a figura, sua voz sendo um rouco grave como pedra raspando em pedra, sem tirar os olhos do rosto confuso de Maria.
- Hades? – Meu Hades? Ele? Maria levou instintivamente a mão até a barriga túrgida onde a criança quase formada esperava o momento de nascer. – Quem é você? O que te traz até mim?
- Sou chamado de muitos nomes, minha honrada senhora, porém o mais comum é Thanatos. – a figura se curvou numa mesura, se voltando à posição ereta em seguida, e olhando diretamente para o ventre de Maria. – Trago uma mensagem de meu Senhor Hades. – ele informou.
Maria se sentia inquieta, e agora seu medo parecia transparecer, exalando por sua pele.
- Diga o que é. – ela o apressou, não se aguentando. Sentia um mau pressentimento no aparecimento súbito da figura que se dizia um servo de Hades.
Ele apontou uma mão graciosa e bela, de dedos cobertos de pele lisa e clara, onde o indicador apontava na direção do ventre da mulher.
- “Cuidado, meu filho. Sinto muito, amor.” – o servo/mensageiro repetiu a mensagem, num tom de voz que parecia querer imitar o de seu amor, Hades, porém sem qualquer mínima semelhança. Logo em seguida olhou para o olhar confuso de Maria, e explicou em poucas palavras: — Seu filho foi amaldiçoado, e estará destinado a sofrer e passar por árduas provações. A Maldição do Toque lhe foi jogada, e suas pequenas mãos cobertas de inocência, despertarão aos cinco anos o beijo do fim.
Maria sentiu um arrepio lhe percorrer a espinha, e um desconforto no ventre, onde o filho Nico se mexia, inquieto, parecendo estar ouvindo e entendo tudo que Thanatos dizia. A figura lhe virou as costas, andando na direção da rua coberta de névoa, escuridão e frio.
- O que isso quer dizer? – gritou ela, confusa. – Do quê você está falando? – mas a figura já havia desaparecido nas sombras da noite sem nem olhar para trás.
Maria olhou para o ventre túrgido envolto em camadas de roupas quentes, sentindo medo. Tocou-o através da pele, sentindo o pequeno corpo do filho nas mãos, tentando fazer com que seu toque conseguisse acalmar a ambos. Mas não conseguiu.
O beijo do fim? O que é isso?
Alguns anos depois, ela enfim soube, horrorizada.
Era a madrugada do dia do aniversário de cinco anos de Nico, e o garoto dormia profundamente em sua pequena cama, ao lado da cama de Bianca, sua feição inocente e pura assemelhando-se a um pequeno anjo sem asas.
Maria passara os últimos anos remoendo a mensagem transmitida por aquele estranho encapuzado, e ainda sentia o medo crescente dentro de si. Desde aquele estranho dia, também nunca mais havia visto ou sequer conversado com Hades, e isso a deixava ainda mais aflita; ansiosa por uma explicação que, no fundo, ela sabia que nunca conseguiria.
Ela ouviu um choro baixo ao seu lado, e viu que o pequeno Nico chorava, acordando de um pesadelo. Amparou-o, erguendo-o no colo como quando ele era recém-nascido. O garoto, mesmo tendo exatos cinco anos, pesava pouco e era mirrado de corpo, e sendo assim Maria não tinha grandes dificuldades de aninhá-lo em seus braços. Ela sussurrava baixo para o pequeno Nico, para que ele se acalmasse, e aos poucos a criança parou de chorar, e ficou apenas olhando com grande atenção e curiosidade os olhos da mãe.
- Está tudo bem querido. – disse Maria, e ele assentiu com a cabeça.
Maria pousou delicadamente a criança em pé no chão, sentando-se na beirada da cama onde dormia, batendo nas coxas, um sinal para que Nico se sentasse no colo da mãe. Ele abriu um sorriso de poucos dentes e se jogou no colo dela, apoiando as mãos no colchão. Maria estendeu uma mão para envolver a do garoto, e ela sentiu hesitação por parte dele, mas enfim o garoto lhe tocou as mãos com seus pequenos e magros dedos.
Maria, subitamente, sentiu suas forças a abandonarem aos poucos. Uma dor excruciante lacerava sua mão, onde o frio toque da mão de seu filho lhe tocava a pele. Ela desceu lentamente os olhos na direção da mão do garoto pousado sobre a sua, e perdeu a respiração.
Uma grande e dispersa ramificação de veias negras se espalhavam a partir de onde a mão fria do garoto estava pousada sobre a sua, espalhando-se rapidamente como raízes negras sobre seu punho e se alastrando na direção de seu pulso, enviando alfinetadas constantes de dor ao seu cérebro, que lhe devolvia em impulsos nervosos gritantes; porém Maria estava demasiada pasma para gritar. De repente, tudo ficou tão claro como o dia.
O Toque do Fim, a figura havia dito, e agora, observando as veias negras se espalharem sobre sua mão, entendeu.
O Toque da Morte, entendeu, sentindo a falta de calor nas mãos pequenas do garoto, que chorava grossas e incessantes linhas de lágrimas de seus olhos inocentes; e ela é fria, a Morte.
O garoto afastou a mão fria, e Maria sentiu toda a dor desaparecer, e observou as ramificações negras recuarem lentamente, até enfim desaparecerem, como se nunca houvessem existido. Nico chorava descontroladamente, e ela abraçou o garoto, seu pequeno corpo sendo sacudido pelos soluços. Ela queria dizer algo para acalmar o garoto, dizer que tudo ficaria bem; porém ela mesma sabia que era tudo mentira, e que, realmente, as coisas não ficariam nada bem.
O garoto tinha o Toque da Morte; uma grande e poderosa maldição.
O resto das memórias do garoto eram um embaralho de imagens e lembranças desordenadas, efeito colateral do transe em que ele mesmo se submetera; dos medicamentos pesados; dos experimentos e das seções dolorosas de tortura.
Seu pulso era uma grande prova da grande e pesada medicação que lhe fora aplicada — contra sua vontade, claro: sua pele branca estava repleta de buracos vermelhos, negros e alguns infeccionados onde as pontas metálicas lhe penetraram a carne, e grandes veias roxas afloravam sobre a superfície de sua pele.
Suas costas era uma pintura que retratava a tortura: coberta de feridas, algumas já cicatrizadas com uma fina película de pele rosada, e outras recentes, que eram grandes talhos vermelhos em destaque sobre sua pele branca, com uma fina casca de sangue coagulado, resultado dos açoites e das pancadas com cabos de madeira.
A Sala Branca era um nome bonito perto do que realmente acontecia ali dentro, e ninguém nunca havia sido gentil com Nico, ou prometendo curá-lo, como haviam prometido – ninguém sequer lhe direcionava uma palavra.
Exceto ele.
Alguns meses atrás, Nico havia sido submetido a uma grande seção de tortura e espancamento. Quatro homens e duas mulheres lhe fizeram as maiores atrocidades possíveis. Baterem-lhe nas costas com cabos de madeira e aço, açoitaram-lhe as costas e pernas com chicotes de couro, fazendo sua carne sangrar grossos filetes rubros de sangue; haviam lhe dado pontapés no rosto, cortando profundamente seus lábios em vários lugares, e lhe chutaram com enorme força e raiva nas costelas e barriga.
Quando se derem por satisfeitos, respirando ofegantes, eles cuspiram por cima do corpo ensaguentado de Nico e saíram, rindo, murmurando coisas como: monstro, aberração, criatura horrenda, sem-coração, e algumas outras.
Deitado sobre o piso frio, com as mãos ainda presas nas algemas grudadas nas paredes brancas, com o sangue a lhe escorrer pelas costas, pernas e rosto, espalhando-se sobre o piso branco, Nico se perguntou o porquê de tudo aquilo. O garoto nunca quisera ter nenhum dom ou maldição, e mesmo assim era tratado como se fosse culpado.
Na época do acontecido, o grande bloco maciço ainda não havia sido implantado, e muito menos as câmeras. Era apenas uma sala branca, com suas paredes pintadas de brancas onde, por baixo de suas camadas, havia sangue.
A porta branca deslizou lentamente, e uma nova figura vestida de jaleco branco entrou hesitante na Sala Branca, com suas paredes manchadas com respingos de sangue e o chão repleto do liquido rubro. O rosto do garoto que entrou se contorceu numa expressão de horror e aversão diante a cena.
Era um garoto jovem, de aparentes 19 ou 18 anos, alto, que tinha belos olhos verdes, rosto claro bronzeado pelo sol que Nico há muito tempo não via; seu cabelo curto era cortado rente, e seus lábios finos lhe davam uma aparência austera. Ele se aproximou na direção de Nico, evitando pisar na imensa poça de sangue quando ficou de frente para o garoto ensaguentado, e Nico viu seu crachá com o nome escrito.
Percy Jackson, ele leu mentalmente.
O moreno tirou um pano de dentro do jaleco, e Nico percebeu que o tecido já estava umedecido quando o pano lhe tocou suavemente o rosto, limpando os olhos inchados pelos socos e chutes, e limpando o sangue dos lábios cortados. Nico não entendia o intuito do ato.
Será que estão me preparando para outra seção? Perguntou-se ele, confuso com o gesto.
- Eu sempre achei injusto o que fazem com você. – disse o moreno de nome Percy, limpando cuidadosamente os lábios de Nico, afastando dos olhos do garoto acorrentado uma grossa e longa mecha de cabelo desgrenhado. – Afinal, você não é um monstro, mas o tratam como um.
Todos o chamavam de monstro, aberração, criatura e coisas do gênero, então Nico não estava nem um pouco acostumado ao discordarem disso.
Percy, com o rosto corado, indicou as pernas ensaguentadas de Nico com o pano estendido, mas o garoto não se moveu, continuando a olhar, incrédulo, a pessoa que, em anos, era a primeira que estava sendo verdadeiramente gentil com ele, tratando-o como o ser humano que era; a vítima que era, e não o suposto monstro que todos viam. Sem esperar reação, ele inclinou as pernas de Nico para o lado, limpando as feridas profundas que ainda sangravam, começando na batata da perna e subindo dolorosamente até as nádegas. E o garoto limpou-as todas com igual cuidado.
- Por quê? – Indagou Nico, os olhos fitando o piso vermelho de sangue abaixo de si, sentindo uma confusão de sentimentos e pensamentos em sua mente, todos ao mesmo tempo, causando grande rebuliço.
O garoto parou de limpar as feridas de Nico, olhando-o. E como se já esperasse por essa pergunta, respondeu sorrindo:
- Não sei – e se inclinou novamente para os ferimentos um pouco abaixo das nádegas, provocando uma alfinetada de dor quando o pano tocou um talho profundo. – Talvez porque eu goste de você.
Nico não entendeu a insinuação.
O que eu fiz para você gostar de mim? Sangrar mas não chorar?, pensou ele, cético, custando a acreditar que era verdade tudo que ele dizia, e que seu gesto era puro e simplesmente humano.
- Eu não sei o que você fez para parar aqui – ele começou, subindo o pano umedecido, agora de sangue, até as nádegas pálidas e retalhadas de Nico. – Nem porque fazem isso com você, mas seja lá qual for o motivo, não os dá o direito de te tratarem como um monstro.
- Mas eu sou um monstro. – murmurou Nico, tentando com todas as suas forças restantes fazer com que ele saísse imediatamente dali.
- Não é não. Você é uma pessoa normal, com um dom especial.
- Uma maldição. – corrigiu-o Nico, mas ele pareceu nem ouvir.
- Qual o seu nome? – perguntou.
- Espécime XY – respondeu Nico, dolorosamente.
- Não, eu disse seu nome, não do que eles te chamam. – insistiu ele, e Nico percebeu que a voz dele era séria.
Nico hesitou, fitando o dorso inclinado de Percy sobre ele, limpando as nódoas de sangue em suas pernas, e enfim conseguiu dizer.
- Nico.
- Só Nico?
- Nico di Angelo.
Ambos ficaram em silêncio por um instante, até que Percy riu, e Nico também percebeu que era um riso puro e gentil, sem nenhum sinal de escárnio.
- Um belo nome para um belo garoto. – ele disse, levantando-se. – Eu tenho que ir. Se me virem aqui, eles podem querer redobrar a dose em você, e eu não quero isso.
Eu também não.
Percy se virou, andando em direção à porta, com a parte de trás do jaleco a flutuar a cada passo. Antes de desaparecer do outro lado, sorriu para Nico e piscou um olho, saindo em seguida.
Nico continuou imóvel, sentindo o corpo queimar de dor devido aos ferimentos, mas com o coração um pouco mais calmo, sabendo que o mundo não estava de tudo cheio de gente ruim. Mas, ao mesmo tempo, sentia medo de que fosse algum plano para lhe alimentarem esperanças e depois esmagá-las, assim como se faz com uma formiga, esmagando-a com força na sola do sapato.
Depois desse dia, ele o visitara outras quatro vezes, cada vez se aproximando mais de Nico, até que um dia, durante plena madrugada, quando a luz branca da Sala Branca estava desligada, ele entrou sorrateiramente, cutucando Nico com a ponta de algum objeto frio de metal.
- Está acordado? – perguntou ele, hesitante.
- Agora estou. – respondeu o garoto.
- Vamos embora – ele disse subitamente, com pressa na voz.
- O que? – Nico perguntou, assustado, erguendo os olhos para a silhueta de Percy acima dele. Mesmo com escassez de luz, apenas com as lâmpadas escuras do corredor do outro lado do vidro, Nico percebeu que ele balançava uma chave diante do rosto de ambos. Nico ficou sem reação, estarrecido com a audácia do garoto e do perigo em que isso o colocava.
- Não... Se o pegarem – começou a objetar Nico, balançando histericamente a cabeça de um lado para o outro.
- Que se dane o que acontecer comigo – ele respondeu, irritado, colocando a chave no pequeno buraco no metal onde os pulsos de Nico se encontravam. – Eu quero te salvar e te tirar daqui, para que você nunca mais sofra. Apenas isso.
Nico sentia o coração bater forte. Isto não podia estar acontecendo, gritava sua mente, mas ele sabia que estava. Sentiu um calor nas entranhas e um conforto no coração. Os olhos ardiam, e Nico podia sentir a respiração de Percy de encontro ao seu pescoço enquanto ele se inclinava para abrir a pesada algema de aço.
- Se morrer por algo assim, está tudo bem; morrerei feliz sabendo que fiz algo bom para alguém bom. Um gesto humanitário, consciente de todas as minhas razões.
- Você não vai morrer – disse Nico, com a voz embargada, sentindo lágrimas quentes e salgadas de alegria deslizar sobre a pele de seu rosto. – Eu não quero que você morra. Eu... Eu... Eu quero que você fique ao meu lado – Nico soluçou. – Sempre.
As pesadas algemas caíram com um alto tilintar metálico que ecoou pelas quatro paredes brancas, com um grande estrondo. Seu pulso doía, mas Nico não ligava para a dor, pois era sinal de liberdade.
Percy jogou o jaleco que usava sobre o corpo nu de Nico, cobrindo-lhe as vergonhas e feridas, depois agarrou as mãos fracas do garoto e puxou-o na direção da porta incrustada na parede, e Nico, na mesma hora, se arrependeu de tê-lo deixado libertá-lo.
O garoto perdeu as forças nas pernas, caindo de joelhos no piso frio, mas ainda segurava as mãos de Nico, apertando-as com força. As veias negras deslizavam como pernas de aranhas sobre a pele dele rapidamente, numa velocidade assombrosa, estendendo-se em questão de segundos até seu ombro, quando ele caiu com força no chão, ainda segurando as mãos de Nico. O garoto se ajoelhou ao lado do corpo de Percy enquanto ele se virava de bruços, fitando com seus olhos verdes o rosto pálido e magro de Nico, as expressões contorcidas a cada espasmo de dor.
- Eu tentei avisar... Eu... Eu... – Nico tentava dizer, mas as lágrimas novamente lhe escorriam pelas faces. Quando me tornei tão fraco?, perguntou-se, lembrando-se rapidamente que nem sempre as lágrimas representavam fraqueza. Às vezes também mostravam esperança, amor, felicidade, e também humanidade.
- Tudo bem. – ele murmurou, a voz rouca e frágil, apertando com força as mãos frias de Nico. – Eu já sabia. Sempre soube. Mas eu tinha de fazer isso, agora você pode ir embora, o caminho está livre.
- Não... Eu não...
Percy o puxou em sua direção com os restos de suas forças, beijando suavemente os lábios feridos de Nico, sussurrando logo em seguida nos ouvidos do garoto:
- Viva.
Então sua cabeça tombou para o lado, seus olhos sem brilho, os lábios entreabertos no último suspiro, o rosto coberto de veias negras.
Nico não conseguiu se mover, apenas se inclinou na direção do corpo de Percy, e pela segunda vez em sua vida, chorou desesperado.
Sua esperança, afinal, havia sido esmagada.
Alguns minutos depois, seguranças apareceram e bateram no garoto, prendendo-o novamente, tomando cuidado para não serem tocados por suas mãos frias cobertas de morte; e depois, preso novamente, apenas assistiu com o coração a pesar, o corpo de Percy sendo tirado dali, arrastado.
A fila de observadores começou novamente a andar, após longos e aparentes incessantes minutos, mas os olhares demoraram completamente a sumir.
Bem atrás na fila, distanciado de todos os outros, um rapaz alto, de cabelos loiros como ouro, de olhos de um azul intenso e profundo, o cabelo cortado rente e uma cicatriz no lábio superior direito, olhou na direção do corpo exposto como um pedaço de carne num açougue, e naquele olhar, Nico viu a mesma expressão que vira nos olhos de Percy.
Determinação.
Ódio.
O loiro demorou alguns instantes ali, no meio do corredor fortemente iluminado, fitando com expressão enraivecida de cenho franzido o interior da Sala Branca.
Ele murmurou uma frase e adiantou-se no corredor com passadas rápidas e pesadas.
A frase era, novamente:
Você não é um monstro.
Notas finais
O que acharam? Ahn? Ahn? AHN?
Bom, espero que tenham gostado do primeiro capítulo, e desculpe a tragédia e a tristeza tão assim de cara, porém, era necessário...
Purq? Não sei, acho que tenho um fraco por pó de coração 3 :v euhuehueheuheuhueh'
Obrigado por lerem e até a próxima.
Fale com o autor