Touch

3 Capitulo 2: Primeiro dia de aulas


Acordei às oito em ponto.

Puxei os cobertores para trás e levantei-me da cama num pulo. Alonguei os membros, fazendo-os estalar.

Saltitei para a cozinha, ainda de pijama, e tomei dois sacos de sangue e torradas. A minha cara refletiu-se no copo e eu observei os meus caninos a recolherem-se.

Com o pequeno-almoço tomado, voltei para o quarto. Ponderei em desobedecer às regras e não utilizar a farda, mas, pensando bem, era o meu primeiro dia de aulas e eu não podia armar confusão. Resignada, vesti o vestido vermelho que tinha o brasão da escola, que coincidia com o brasão do rei D. Dinis e calcei umas plataformas pretas que roubei da sapataria da Cayla. Fiz do cabelo castanho uma trança, que encaracolava na ponta e passei um pouco de sombra pelos olhos castanhos.

Peguei no meu Boggie e acelerei até ao colégio.

Parei em frente ao colégio D. Dinis. Alunos de todos os tamanhos penetravam pelo grande portão de grades laranja que resguardava a escola. A escola era imponente, de grandes paredes pintadas de branco sujo e portas de vidro que chiavam ao serem abertas.

Saí do meu Boggie, e, pegando na minha mala preta onde estava escrito com letras douradas Gola, entrei pela primeira vez no colégio e a primeira coisa em que reparei foi a parede branca com o brasão da escola, entretanto tocou e dirigi-me para a sala de filosofia.

Mal abri a porta deparei-me com professor de filosofia, Louis Pierce. Sentei-me numa das mesas da frente e comecei a olhar para ele fixamente. O seu cabelo louro caia suavemente sobre os seus brilhantes olhos azuis lápis-lazúlis. Ele não deveria ter mais que vinte e dois anos e a melhor parte era que ele estava…disponível.

-Bom dia alunos – proferiu o professor – o meu nome é Louis Pierce e sou o vosso professor de Filosofia e director de turma. Já conheço maior parte da turma excepto a nova aluna. Se fizesse o favor de se apresentar…

- O meu nome é Rosemarie Mariani mas toda a gente me chama Rose. Tenho dezassete anos e venho de Florença – apresentei-me, sorrindo para o meu professor sexy.

- Se depois pudesse ficar cá no final da aula agradecia – pediu, lançando-me um sorriso amigável. Inspirando fundo, prosseguiu com a aula — O primeiro tema que vamos abordar é “Penso logo existo”. O que surge às vossas mentes perversas quando pensam nisso?

Percorreu as fileiras de mesas e parou junto a uma rapariga morena com franja que limava as unhas pintadas de azul celeste.

- Jessica, o que vem à sua mente demente quando surge a frase “Eu penso logo existo”? – perguntou o professor, retirando a lima das mãos de Jessica.

- Ora stor’, se me entregasse a minha lima eu responderia. A sério que não me vai entregar a lima?

- Não. Só lhe vou entregar a lima quando responder à pergunta que eu lhe coloquei.

- Pronto. Não concordo porque muitas das vezes eu não penso mas continuo a existir – respondeu com um sorriso inocente.

O professor lançou um sorriso amarelo para Jessica, que sorriu de volta, e entregou-lhe a sua bendita lima. Uma rapariga ruiva com longas pestanas, tirou os phones dos ouvidos, e respondeu, participando na aula pela primeira vez:

- A nossa forma de pensar condiciona a nossa forma de viver. Com a excepção da Jessica, nós vivemos porque pensamos. As nossas habilidades provêm da nossa capacidade de raciocinar. É por isso que os dementes têm outra forma de ver o mundo.

- Exactamente, Gabriela – e o professor começou a aprofundar o assunto e eu vi-me cativada pelas suas palavras.

O toque soou e eu esperei que ele acabasse de explicar a Rute uma das vertentes da filosofia. Rute saiu acanhada pela minha presença e eu sentei-me na secretária do professor.

- Como director de turma tenho por hábito falar com os meus novos alunos – “principalmente se forem lindas como tu” acrescentou mentalmente.

Corei e sorri para ele.

Estendi a mão para tocar na sua mas recolhi-a rapidamente quando uma sensação estranha me atravessou seguida por um arrepio.

Tirei uma caneta do meu estojo e escrevi o meu número do meu telemóvel na palma da sua mão e disse:

- Tem aí o meu número… Sabe… Se quiser falar de assuntos da turma, né?

Pisquei-lhe o olho e saí da sala. Só mais tarde percebi que ainda estava a sorrir como uma tolinha.