Touch
4 Capitulo 3: Bff
Parei junto ao meu cacifo e abri-o.
Jessica foi ter comigo, toda desvairada e, se eu não a travasse, iria certamente bater com a cabeça no meu cacifo.
- Olá, o meu nome é Jessica e sou da tua turma.
- Pois… Eu sei… Tu és a menina da lima…
- Exactamente. Eu queria saber se tu querias juntar-te a mim e à minha amiga – disse e Gabriela surgiu no meu campo de visão.
- Claro – respondi, estranhando. Não era muito normal um humano falar com uma pessoa como eu, quanto mais conviver.
- Olha, não ligues para a Gabriela. O namorado acabou com ela no outro dia e ela anda toda melancólica.
Na sua mente consegui saber toda a história. Francisco, assim se chamava o ex-namorado dela, tinha arranjado uma rapariga menos desinibida e acabado de vez com Gabriela. Segundo a mente dela, ela estava mesmo mal.
Gabriela veio ter connosco. Por debaixo dos seus olhos azuis-escuros existiam carregadas olheiras o que comprovava que ela não andava a dormir. Tinha os phones postos tal como na aula e eu consegui ouvir uma banda horripilante da gritar para os seus ouvidos.
Na minha altura a música era muito melhor que a de agora… Claro que já não ouvia um bom vinil à umas boas décadas… Afinal, montar o gira discos não é nada fácil.
Já no final do dia, Jessica perguntou-me:
- Eu e a Gabriela íamos agora ao shopping, não queres vir connosco?
- Claro – murmurei, sorrindo. Peguei numa garrafa com sangue e emborquei logo metade da garrafa.
- Que é isso? – perguntou Jessica olhando enojada para o meu rico sangue.
- É um remédio que eu tenho de tomar para… Para a expectoração…
- Ah – comentou Gabriela, continuando a olhar a minha bebida de soslaio.
Decidimos ir ao fórum Coimbra. Ainda com os uniformes vestidos, entrámos no meu Boggie, carro que as deixou de boca aberta, e seguimos.
Estacionámos o carro no parque subterrâneo e saímos.
Gabriela continuava com os phones postos, mas era agora outra banda que lhe gritava para os ouvidos. Reconheci a banda como Avanged Sevenfold, visto que o Clive tinha um longo historial com essa banda horripilante.
Entramos e dirigimo-nos para o MCdonald’s.
- Vou comer um WRAP de frango e bacon e vocês? – Perguntou Jessica a Rose e Gabi.
- Bigmac- respondi.
- CBO — respondeu Gabriela demoradamente. Pedimos e fomo-nos sentar numa das mesas do fundo e no final de comermos, dirigimo-nos para a Inside, a loja preferida de Gabi.
-Jessica olha! — Afirmou Gabi olhando para uma saia de fundo preto com florzinhas brancas.
-É linda – Respondeu Jessica.
-Compra-a – Disse, sorrindo para ela docemente.
Enquanto Gabriela pagava a saia e um top preto eu e Jessica fomos até á Claires.
Mal entrei apaixonei-me logo por um colar lindo, era rosa e dizia I MY FAMILY, era tão fofinho, tão fofinho que pensei logo em Anelisse. Era a prenda perfeita para ela. Nesse momento chegou Gabriela e fomos todas á Zara experimentámos montes de roupa mas só compramos algumas coisas. Eu comprei um vestido bege só de uma alça e umas plataformas rosa choque, Jessica um top cai-cai às flores, umas Jeans de sinta subida, e umas sabrinas azuis, Gabriela uma T-shirt preta.
Quando já estávamos á ir embora passamos por um quiosque que tinha umas molduras com corações e uns póneis á dizer “Amo-te”. De repente ouvimos Gabriela a chorar e a dizer:
- Ele…ele…ele tinha-me oferecido um pónei no dia anterior ao dia em que acabámos.
- Não penses nisso Gabi. – Disse eu oferendo um maço de lenços a Gabi que chorava baba, ranho…e alguns restos de CBO do almoço.
-Tu vais encontrar outra pessoa Gabi. — Disse Jessica com o seu are muito fofinho e doce.
- Vá venham, eu levo-vos a casa.
Gabi veio o caminho todo a chorar e a lamentar-se, despedimo-nos e, por fim, cheguei a casa sentei-me no sofá e bebi a outra metade da garrafa.
Quando dei por mim, já estava com o telemóvel nas mãos, com o número de casa marcado:
- Estou? – Perguntou uma voz suave do outro lado da linha.
- Anne? É a mana, querida…
- Rose! Venham todos a Rose está ao telefone! – Gritou e eu senti uma substancia húmida a escorrer-me pela cara. Lágrimas. Lágrimas de sangue.
Devem saber que os vampiros são incapazes de chorar mas nós, os inéditos, choramos sangue. Não me perguntem porquê. É algo que acontece e que eu nunca tive curiosidade de saber porquê.
-Olá! – gritei, com a voz meia embargada por causa do choro.
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