Touch
2 Capitulo 1: Vida Nova, Casa Nova
Eu precisava de arejar as ideias.
Precisava de sair dali, ir para um sítio diferente, com pessoas diferentes… Já lido com a minha família há dois milénios e simplesmente preciso de espaço. Não me levem a mal, mas sabem o que são DOIS MILÉNIOS? Mucho tiempo!
Por essa razão, abandonei Florença e mudei-me para uma terra chamada Coimbra.
Arranjei casa numa rua chamada São Martinho do Bispo, rodeada de velhotes. Era uma vivenda confortável, de paredes brancas já sujas e telhas laranjas já com detritos de pássaros. A parte boa é que tinha um shopping perto e bastava uma corridinha, à minha maneira é claro, para lá chegar. Se bem que eu não necessitava de correr graças ao meu lindo Lamborghini Reventon vermelho que eu trato por Boggie.
Entrei na minha nova casa e senti o cheiro a mofo a invadir os meus pulmões. Já tinha pedido previamente para me remodelarem a casa mas o cheiro era algo que não se podia evitar.
Sentei-me no sofá maior e liguei o plasma.
A sala era em tons de laranja e bege. As paredes estavam pintadas de laranja enquanto os sofás possuíam tons de beges. Em cima da mesa pequena estava o telefone e uma orquídea roxa oferecida pela Cayla como presente de despedida.
Levantei-me do sofá e pendurei na parede um quadro com um desenho feito pela Anelise. Os estúpidos dos meus irmãos, sendo o Clive mais velho que eu, ofereceram-me uma Fart Machine 2, que resumindo, clica-se num botão e aquilo dá peidos. A Marjorie e a Letícia ofereceram-me um porta-chaves para o meu Boggie de uma Minnie que, se apertarmos um botão, diz I Love You. Os meus pais ofereceram-me um colar com uma ónix, que, segundo eles, me protege contra a magia negra.
Desliguei a televisão e fui para o quarto.
As paredes estavam pintadas de branco estando ao lado da cama a figura de uma árvore pintada de preto. A cama tinha uma colcha roxa que combinava com o armário. O meu portátil repousava sobre a secretária branca. Em frente ao meu LCD estava o meu lindo sofá língua que mandei vir do meu quarto de Florença.
Senti a garganta seca e dirigi-me para o meu reservatório de sangue… Claro que eu preferia o natural mas, visto que não me apetecia sair de casa, era o que havia.
Ao cheirar o sangue, senti os meus caninos a alongarem-se, o que apenas acontecia quando estava mesmo com muita sede e emborquei dois sacos de sangue.
O sol deu lugar à lua e o céu encheu-se de estrelas.
Quando os ponteiros marcaram as seis e meia da manhã, decidi ir para a cama. A vantagem de ser vampira é que apenas necessito de dormir pouco mais de uma hora…
Arrastei-me até ao quarto, e, deitando-me na cama, aconcheguei-me nos lençóis de seda preta e puxei para cima a colcha roxa, enterrando a cabeça na almofada. Por fim, antes de apagar o candeeiro que repousava inerte na mesinha de cabeceira, desejei um Boa noite silencioso à fotografia da minha família, que sorria para mim.
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