Total Drama: Tudo ou Nada Brasil!

13 Cuidado com a cobra! [Parte 1]


Notas iniciais
Minas Gerais foi a última parada na qual nossos corajosos competidores tiveram que enfrentar um dos desafios mais complicados da temporada. Começando pelo Acre onde o amanhecer depois da tempestade revelou um cenário de terror dentro de Hotel. Ao chegarem em Minas Gerais, as equipes se dividiram entre ir para as profundezas de um abismo ou uma louca corrida de queijos, para mais tarde se deliciarem com os famosos pães de queijo no Minerão. Quando tudo parecia que ia terminar bem, o inesperado acontece! Varginha revela-se ser a última parada do programa justamente no mesmo local onde o famoso ET apareceu e (para a surpresa de todos) REAPARECEU segundo alguns competidores que tiveram a chance de presenciar esse estranho contato de 3° grau. Felizmente, ou não, ninguém foi abduzido ou eliminado já que era uma rodada não eliminatória. Mas, mais um novo dia nasceu e a batalha em busca dos 2 milhões de reais tem que continuar. Sejam bem vindos ao Total Drama: Tudo ou Nada Brasil!

Depois da mais exaustiva rodada do programa, a noite de chuva e terror finalmente chega ao fim com o amanhecer na cidade de Varginha em Minas Gerais.

— Olá! – sorri Olávio tentando disfarçar o cansaço – Sejam bem vindos a mais um episódio de Total Drama: Tudo ou Nada Brasil! Ontem, como todos puderam ver, tivemos o mais complexo e aterrorizante desafio de todos, com direito até a supostos “avistamentos alienígenas”. Por sorte, tudo acabou bem e ninguém foi eliminado, o que é uma pena, mas hoje é um novo dia, e é hora de acordar nossos “queridos” competidores – dizia enquanto tentava controlar o tom de excitação na voz – Como fui chamado à atenção por estar usando uma buzina para acordar as pessoas, hoje vamos usar algo diferente. Pode entrar amiguinho!

Assim que a câmera foca na porta, alguém vestido de ET entra no cômodo e causa uma crise de risos em Olávio.

— Pois a brincadeira não pode acabar! – riu saindo porta a fora para acordar o pessoal.

Ignorando o quarto dos Militares, que ele tinha certeza que já estavam se exercitando nas redondezas do hotel, Olávio começa pelas equipes do terceiro andar e as primeiras vítimas acabam sendo As Testemunhas de Jeová.

Deitados, a dupla é surpreendida quando Olávio começa a piscar as luzes do cômodo enquanto o ET fica de pé na frente da cama de casal.

— Acordem terráqueos! – dizia o ET forçando a voz para um tom mais "alienígena".

Ao ouvir a falação, a dupla demora a perceber a figura cinza de grandes olhos pretos os observando de braços abertos.

— Vim para abduzi-los!

— TÁ-REPREENDIDO-EM-NOME-DE-JE-O-VÁ! – berrou Raimunda dando um salto na cama e jogando contra o ET a primeira coisa que veio a mão: A bíblia.

Antes mesmo que Zebedeu pudesse fazer algo, o coitado do ET foi atingindo entre as pernas pelo livro de quase 500 páginas e se contorcia no chão.

Ajudado pelos parceiros de crime, que riam mais que ajudavam, o homem vestido de ET sofrendo com a dor, pensa em desistir, mas de tanto Olávio insistir acaba cedendo e se preparando para entrar no próximo quarto – O dos Melhores Amigos.

— Preciso nem dizer né... – ria Olávio enquanto tentava girar a maçaneta que não abria – Qual o problema? – insistia o apresentador pedindo ajuda pro câmera, já que o ET usava uma luva de dedos compridos.

— Abra a porta – pede o ET com a voz normal.

— NÃO! – berraram os dois de dentro do quarto – Quem é você?

— Sou eu, Olávio! – repetiu o ET se controlando para não rir com o apresentador do seu lado.

— MENTIRA! ELE NÂO TEM ESSA VOZ DE PATO! – gritou Jéssica.

— Sou eu pirralhos! – repetiu Olávio – Abram logo isso!

— ‘pera aí – respondeu Mateus dando inicio a uma sucessão de arrastamento de móveis.

Segundos depois, a dupla abre uma fresta e a primeira coisa que veem é a cara do ET. Aos berros tentam fechar a porta, mas o ET e Olávio a empurram para dentro e deixam a dupla em pânico gritando em alto e bom som as quinze para as seis da manhã, em meio a arremessos de travesseiros, luminária, e até uma cadeira que foi arremessada contra o ET que fingia tentar pega-los, ao mesmo tempo em que temia ser ferido. Enquanto Olávio gargalhava ligando e desligando a luz, a dupla aos berros e aos prantos, saltam por cima da cama, rolam pelo chão e saem engatinhando do quarto, continuando a gritaria pelos corredores estreitos do hotel e quase arrebentam a porta dos Esquisitos, que terminavam de se arrumar.

— O ET VOLTOU! – berravam de debaixo da cama sem fôlego – INVOQUEM SATÃ PRA MATAR ELE!

— Ugh... – resmungou Lucio respirando fundo e revirando os olhos – Não é “ET”. É o Olávio e suas brincadeiras idiotas...

— Exatamente, esquisito! – respondeu Olávio surgindo com o ET na porta e causando uma nova gritaria – Calma, pirralhos! É só o Rodrigo, um de nossos editores. Tira a máscara.

— Não quer sair – responde o homem forçando o zíper.

— AI MEU DEUS É UM ET DE VERDADE! – gritou Olávio correndo e causando mais pânico no quarto com os jovens gritando – Brincadeira, pronto, viu. É um homem de verdade.

— Prefiro com a máscara – respondeu Lilith penteado os cabelos.

— Muito engraçado... – resmungou o homem saindo do quarto e evitando olhar na cara dos outros hospedes que foram acordados pela gritaria.

— Que idiotice – continuava resmungando Lucio sonolento calçando as botas.

— Agora que acordamos todo mundo, se preparem para partimos! – sorri Olávio saindo do quarto e se preocupando ao ouvir sirenes de polícia.

— Nossa vingança será maligna! – gritou Mateus secando as lágrimas levantando o punho em ameaça.

Enquanto Olávio e sua equipe prestam explicações para o gerente do hotel e a polícia que foi chamada pelos hospedes, os competidores aproveitam para tomarem um café da manhã sem briga. Pouco depois das seis da manhã, todos partem em vans em direção ao Aeroporto de Varginha, onde além de perceberem que de fato a construção tinha o formato de disco voador, percebem que usariam helicópteros no lugar do avião da FAB. Divididos em dois grupos, as 11 equipes decolam pelo céu matutino e pousam uma hora depois na aérea militar do Aeroporto de Belo Horizonte. De lá, são escoltados pela pista e comemoram ao ver que estavam prestes a embarcar em um voo comercial.

— Juraaa!? – comemora Alice – Já tava de saco cheio de voar naquele trambolho do exército.

— ‘miga – chama Vera cotovelando a garota nas costelas – Agradece que tá voando de graça!

Né non— concorda Tony subindo as escadas para entrar na aeronave – Pra quem subia e descia o morro de moto-taxi tá ótimo!

Acomodados na classe econômica de um voo quase vazio, as equipes aproveitam o conforto para descansarem mais um pouco. Uma hora e meia depois, são avisados do pouso em Brasília onde tiveram que esperar quase duas horas para trocar de avião e levantar voo para mais duas horas depois, o avião finalmente fazer seu pouso no local que não foi dito pelo comandante da aeronave. Como de costume, eles são os primeiros a serem liberados da aeronave e correm pelo túnel de desembarque até o saguão, onde encontram o tapete com o logo do programa, mas nada da Caixa do Olávio.

— Gente, roubaram o Olávio anão! – gritou Angélica já correndo pra chamar um segurança.

— Roubaram não! – apontou Paulo para o teto.

Pendurado em meio às tubulações no teto do saguão, a Caixa do Olávio quase não podia ser vista. Preocupados e irritados com a possível nova brincadeira, logo se impressionam quando um único envelope é liberado da boca do mini-Olávio, mas ao invés de cair, os surpreende quando um mini-paraquedas sai do envelope e o faz flutuar, dando inicio a briga para quem o pegava primeiro. Quase se estapeando, Raul e Soldado Mello rasgam ao meio a dica e as juntam para ler o recado:

— “Espero que não estejam cansados de voar, pois é hora de voar novamente! Voltem para o portão de embarque e sigam os balões brancos. Encontro vocês entre os lençóis”

— Lençóis? bem... – riu Vera com seus pensamentos pecaminosos – Não fica dando esperança pra nega aqui não!

Seguindo os balões, as equipes chegam até a pista do aeroporto e continuam a seguir os balões até encontrarem pela enésima vez a “lata velha” da aeronave do exército: o C130.

— UGH! – gritou Luis – Tava bom de mais pra ser verdade!

Como de costume, todos correm para a porta traseira, mas dessa vez se espantam ao ver que no lugar das poltronas, um grupo de soldados os esperavam.

— Ah, merda! – deixou escapar Soldado Mello dando meia volta – Não, NEM FU... PENSANDO!

— Entra! – ordenou Capitão Mello que não precisou nem falar para que todos os soldados prestassem continência assim que o militar pisou no interior da aeronave, deixando toda a equipe do programa boquiaberta.

— Era só o que me faltava! – disse Guilherme – Escapei do alistamento militar e agora tenho que ir pra guerra...

— Quê isso!? Terceira Guerra Mundial começou? – pergunta Tony olhando de cima a baixo os soldados, principalmente os com braços musculosos – Não sabia que podia usar bomba no exército. Cuidado hein gente! Alguns aqui se dar um salto, explode – gargalhou com os competidores embora nenhum soldado tenha rido – Eu vi você rindo, fofo. Gostei dessa covinha.

Sem lugar para se sentar, as equipes se seguram onde podem enquanto o avião taxia e levanta voo. Amedrontados, são surpreendidos quando descobrem o motivo pelo qual dividem o lugar com os militares.

PULÁ DE PARAQUEDA! – gritou Vera se segurando numa rede – NEM PENSANO!

Mas no fim a mulher teve que se render já que não tinha outra alternativa. O processo era simples: Os paraquedistas prendem seus equipamentos ao equipamento dos competidores por uma armação específica, desenvolvida exclusivamente para suportar duas pessoas em um único paraquedas.

— Calma queridon— se assustou Tony sentindo um dos soldados o puxar forte contra seu corpo – Me paga um drink pelo menos, ô da covinha.

— Preparados? – anunciou o líder do esquadrão em bom e alto som.

— SIM! – confirmaram todos os soldados e Os Melhores Amigos em alto e bom som, deixando os demais competidores assustados.

— Jeová do céu, não tinha que ter um treinamento antes? – perguntou Raimunda segurando a bíblia.

— Tá tranquilo tia – responde o soldado que parecia ter metade da idade da pastora – Não vou te deixar cair.

— Quem tá com a Vera, gente? – gargalhou Tony – Lembra daquela bomba lá no Japão? Então, temos a nossa versão humana! Vamo arrasá com a zorra toda!

— Bixa, tu viu o tamanho do braço desse deus grego aqui – gritou Vera indicando o soldado musculoso de quase dois metros a segurando por trás – Vou ficar tão agarrada nele que vou chegar lá embaixo grávida de nove meses!

— BERRO!!! – gargalhou Tony com os demais, jurando que o seu soldado estava se esforçando para não rir.

— Esquadrão! Posição! – ordenou o líder dos paraquedistas que saltaria sozinho – Capitão Guerra foi um prazer te reencontrar – apertou a mão do militar e em seguida a do recruta – E você, considere o mais sortudo do mundo por estar ao lado desse homem!

— S-sim senhor! – respondeu Soldado Mello tremendo mais que vara verde ao se preparar para seu salto. Ele e seu superior eram os únicos dos competidores que tinham treinamento adequado e também saltariam sozinhos.

Quando a grande porta traseira se escancarou e aos poucos foi revelando o quão alto estavam, não teve um que não sentiu o coração na boca. Ao comando do líder, Os Militares são os primeiros a saltar, seguido dos Melhores Amigos, Os Esquisitos e Os Youtubers que aproveitaram para filmar toda a diversão.

— Ai, Jeová me proteja – rezava a pastora segurando o vestido enquanto o soldado continuava a empurra-la para a borda da porta aberta.

Antes que Raimunda terminasse a prece, a mulher só sentiu o vento nos cabelos e por dentro do vestido, seguido da queda livre que a puxou para baixo, não dando tempo para gritar e nem sentir a bíblia escapar de suas mãos e ser levada pelo vento, o que por pouco não acontece com Raul que quase perde o chapéu, e com Os Índios a quem foram oferecidos calças e uma bolsa para guardarem seus trajes. No que pareceu horas de queda, em um empuxo de tirar o ar dos pulmões, todos são puxados para cima quando os paraquedas se abrem e tranquilamente flutuam até as areias fofas do que parecia um deserto, embora nem todos tenham caído em pé, como Paulo que caiu de cara na areia e Guilherme que foi parar dentro de um lago.

— Estão todos bem? – perguntou Capitão Guerra ao pousar junto com mais três equipes. Ao ouvir um “sim”, sentiu-se tranquilo ao garantir a reputação de seu precioso exercito em meio a todas as pessoas que assistiriam ao episódio.

— Boa sorte, Capitão Guerra, senhor! – prestaram continência os primeiros soldados em solo.

— Obrigado, paraquedistas! Descansar! – respondeu o capitão orgulhoso – Bom descanso e continuem dando seu melhor!

— Sim Senhor! – responderam novamente vendo o ídolo correr em direção a Caixa do Olávio que brilhava a luz do sol em meio às dunas quentes.

Ainda no ar, Raimunda acorda aos gritos e assusta o soldado que desestabiliza e por pouco, ambos não vão parar dentro de um lago.

— Eu juro que vi Jesus! – disse Raimunda limpando o vestido e se livrando do equipamento – Nunca mais quero participar desses tipos de desafio.

— Só desistir! – responde Lana saltando na areia quente quase sendo atingida por algo que cai do céu.

— Aleluia Senhor! – glorifica a pastora pegando o objeto da areia – Minha bíblia!

Correndo pelas areias quentes das dunas do até então local desconhecido, as equipes encontram Olávio de óculos escuros, vestido de camisa florida, bermudas e chapéu de palha sob uma tenda montada especialmente para ele.

— Sejam bem vindos! – saúda o apresentador cujos dentes refletiram a luz do sol – Bem vindos ao meio dos lençóis! Dos Lençóis Maranhenses!

— Ah, esses que era os lençóis... – decepciona-se Vera.

— Maranhão é a nossa próxima parada na competição – explica o apresentador o roteiro do dia para os competidores e para os telespectadores que assistem as cenas do local – Estamos no Parque dos Lençóis Maranhenses, uma área de mais de 156 mil hectares e mais de cinco mil oásis. Considerado o “Deserto do Saara Brasileiro”, com suas areias quentes que são levadas pelo vento e formam essas incríveis dunas, hoje nosso desafio vai ser quente! O verdadeiro local do desafio está situado a alguns metros daqui, e para isso vocês terão que seguir as bandeiras até o local e dessa vez tudo será filmado pelos nossos mais novos equipamentos! – disse apontando para o céu onde quatro drones sobrevoavam acima de suas cabeças.

— Qual a necessidade? – pergunta Raul.

— É aí que entra a diversão! – sorriu o apresentador – Desde ontem à noite, dezenas de caçadores de recompensa vieram atrás de um suposto tesouro que disseram estar escondido aqui e como não acharam nada, aproveitamos os buracos que eles deixaram para deixar a competição mais animada. Então, prestem atenção onde pisam, e boa sorte! 3,2,1 VÃO! – deu a largada sem sequer dar tempo para que os competidores pudessem discutir sobre o assunto.

Correndo pela areia quente com precaução, no caso de Lilith sem os saltos, as equipes seguem o caminho indicado pelas bandeiras, e num primeiro momento não encontram dificuldades.

— ‘bora Paulin’ – grita André passando a frente dos Militares saltando na areia – Isso parece até treinamento na prai...

Antes que jogador de futebol pudesse completar a frase, o rapaz é engolido pela areia e aos gritos cai em um buraco de um metro e meio, e por pouco não tem a cabeça pisada pelos Militares que saltam por cima do buraco.

— Exercício militar recruta! – ordena o capitão.

Mas nem todo o treinamento os deixaria escapar de um buraco que acabou engolindo ambos poucos passos depois. Atrás da dupla, Os Melhores Amigos sofrem com o calor e perdem posição para Os Índios e Os Desempregados que correm como se disputassem um lugar na fila de emprego. Enquanto Angélica, e Os LGBT tentam recuperar o fôlego depois de gargalharem com a queda de Vera num buraco, as primeiras equipes se deparam com o cenário mais estranho até o momento: Ali, em um dos poucos locais planos da região, centenas de castelinhos de areia estavam espalhados simetricamente por todo o local.

— É aqui que a gente desiste? – pergunta André impressionado.

— Você quem escolhe! – riu Olávio descendo de seu buggie com um megafone – Competidores, se vocês pensam que será fácil, podem tirar seus cavalinhos do sol, por que hoje vão virar carvão! Aqui temos QUINHENTOS castelinhos de areia, e o passaporte para a próxima fase está dentro de APENAS ONZE delas – gargalhou.

— TÁ DE SACANAGI! – berrou Vera suando em bicas.

— Jamais! – respondeu o apresentador rindo – O desafio é simples. Cada dupla só pode destruir DOIS castelos por vez! Vou repetir por que eu sei que vocês tem dificuldade. “CADA-DUPLA-SÓ-PODE-DESTRUIR-DOIS-CASTELOS-POR-VEZ!” – gritou pelo megafone — E se não encontrarem nada, terão que reconstruir o castelinho com a ajuda dos baldinhos que estarão à disposição, e usando a água do lago para ajudar a manter a forma – apontou para a lagoa mais a diante depois de todos os castelinhos. Quando encontrarem uma chave dourada, como essa, a dupla poderá correr para um dos quatro helicópteros na praia e escolher em qual vai sair daqui. Além de obvio, terem de esperar mais duas equipes para partirem. Com exceção da primeira equipe a terminar que terá que esperar somente mais uma. Ok? Alguma duvida?

— Posso ficar de biquíni? – pergunta Lana.

— Desde que não esteja nua, tudo bem. Alias, dentro da barraquinha – apontou para a tenda feita com folhas de coqueiros – Têm chapéus, protetores solar e água a vontade! Certo? Preparar, apontar, cavem!

Ao som berrante da buzina de ar comprimido, metade das equipes opta pela proteção, se lambuzando de protetor, ou pegam os chapéus de palha para se protegerem dos raios de sol. Debaixo de um calor de quase 50 graus, as equipes começam o desafio em meio a muita reclamação, areia e xingamentos, pois nos dez primeiros minutos ninguém havia encontrado nada e para piorar, a ideia de reconstruir tudo o que foi destruído aumentava ainda mais a temperatura da competição.

— Será que eles testam essas ideias idiotas antes de nos obrigarem a fazer? – reclama Vera passando a mão no rosto suado.

— Ninguém é obrigado a nada! – responde Olávio pelo megafone.

— Depois dessa cavava um buraco e ia pra China – riu Guilherme passando a mão no corpo para tirar a areia.

— Vai me ajudar a abrir o buraco? – pergunta Vera com uma piscadela.

— Que absurdon! – riu Tony.

Mas o clima de descontração logo é interrompido quando Jéssica sai correndo aos gritos com a cara cheia de areia e com a chave dourada nas mãos.

— Pegou isso com a boca, criança? – perguntou surpreso com a rapidez da garota – Parabéns pirralhos! Sigam a trilha e corram para os helicópteros!

— Valeu tiou! – agradeceu Mateus lambuzado de protetor solar em metade do corpo.

Enquanto Os Melhores Amigos rolam duna abaixo, literalmente, Zebedeu ajoelha e agradece aos céus por ter encontrado a chave.

— Aleluia! – exclama Olávio dando permissão para que sigam atrás dos primeiros colocados.

— Quem disse? – pergunta Raimunda – Tô muito velha pra tomar conta de criança encapetada!

— Deus tá vendo... – diz Lucio entregando a chave ao apresentador.

— Falando em capeta... – responde Zebedeu fazendo bico – Vamos querida...

Apostando corrida, os rivais ouvem de longe a gritaria de mais uma equipe que havia encontrado a chave.

— Parabéns, Jogadores de Futebol! Corram para marcar um golaço! – disse Olávio indicando para onde os rapazes deveriam correr.

Ain gentchy... – reclamou Tony misturando areia com água para remontar o castelo que havia derrubado – Meus ancestrais devem estar rindo me vendo trabalhar igual um escravo.

— São vocês que não estão sabendo usar a cabeça – diz Olávio bebericando sua água de coco – Se vocês prestassem atenção em quais castelos estão com a areia escura, não derrubariam a mesma pela terceira vez.

— Falar é fácil né patrão – respondeu o rapaz irritado – Sunçê só quer saber de sombra e água fresca. Quero ver fazer isso aqui! Vou sair daqui preta igual à sobrancelha da Verona! – riu.

— Que sobrancelha? – gargalhou Alice fazendo a alegria do povo ao perceberem que de tanto a mulher suar, a tinta da sobrancelha escorreu.

— ‘miga sua loca! Aqui num tem carvão não, hein – debochou Tony.

— Isso, vai brincando exu! – respondeu Vera se levantando do chão quente e mostrando o punho fechado.

— Eita que agora rola briga – vê Rian se preparando para um possível estapeamento.

— Carvão? Só se for você que vai ficar queimado debaixo desse maçarico. Te vejo mais tarde bebê – riu mostrando que na mão fechada escondia a chave dourada.

— GRITOO!!! – debochou Olávio pelo megafone espantando meia dúzia de pássaros na moita – Ou é berro? Eu sempre confundo – disse dando permissão para que Mãe e Filha seguissem em frente.

A beira mar, quatro helicópteros, representando as cores da bandeira do Maranhão, esperam seus ocupantes para levantar voo. Os Melhores Amigos já estavam no de cor azul, mas mudam de opinião ao ver Os Esquisitos entrando no helicóptero preto.

— O quê vocês querem? – pergunta Lilith ao ver a dupla invadindo o helicóptero.

— Queremos ir com vocês – responde Jéssica pondo o cinto – Vai ser mais divertido

— Ha! Entram no helicóptero errado – Lucio deu um sorriso de canto de boca.

Enquanto o primeiro helicóptero decola, as Testemunhas de Jeová, pacifistas, escolhem o branco, já Os Jogadores de Futebol e Mãe e Filha embarcam juntos no vermelho que é o próximo a decolar com a chegada dos Índios.

— Por que ninguém quis vir com a gente? – pergunta Raimunda indignada.

De volta à competição, Os Desempregados são os próximos a encontrar a chave, e se junta As Testemunhas de Jeová, e depois aos Sertanejos, formando o trio necessário para deixarem o local. Como se combinado, Os Militares, Os LGBT e Os Youtubers terminam com poucos minutos de diferença e sobem a bordo do último helicóptero.

Sob o mar, com vinte minutos de vantagem, Os Esquisitos agradecem pelos Melhores Amigos terem dormindo, mas aturam o peso deles sob suas pernas. Já no outro helicóptero, o piloto já anuncia o pouso sobre um quebra-mar, não muito longe de uma grande tenda de telhado amarelo que era ligada ao continente pelo píer. Assim que as hélices param, as equipes se atropelam uma sobre as outras e alcançam a Caixa do Olávio no meio das pedras:

— “Tudo em Um” – lê Vera – “Hora de rangar”. Aleluia! Tô chei’ de fome.

— Então você está no lugar certo! – respondeu Olávio através de um alto falante no alto da tenda – Venham para cá!

Assim que correm para debaixo da tenda, encontram uma grande mesa repleta de dezenas de pratos escondidos sob cloches.

— Já sei que tem gororoba debaixo disso... – preocupo-se André.

— Sejam bem vindos, ao Espigão, um dos points mais badalados da região – recepcionou o apresentador através de uma televisão.

— “Point badalado” – riu Paulo – Valeu tiozão.

— O Maranhão possui uma culinária muito rica oriunda dos indígenas, de partes da Europa, como os holandeses, franceses, portugueses, além, claro da África. Hoje vocês irão fazer um tour culinário, com os seguintes pratos: Sururu, caranguejo, sarapatel, sarrabulho, panelada e peixada maranhense, acompanhado de farinha d'água e arroz de cuxá. Frutas regionais, como bacuri e abricó, e como sobremesa, não-me-toques e cavaca. E claro para ajudar a descer, nada como um bom guaraná Jesus ou um copo de chibé.

— Prefiro comer pedra – respondeu Angélica com cara de nojo.

— Pode escolher – retruca Olávio apontando para o quebra-mar repleto de pedregulhos.

— Deve ser por isso que essa garota tem dentes tortos... – riu Paulo.

— Vou quebrar a tua perna! – Angélica gritou já saltando no pescoço do rapaz que por pouco escapa das garras da jovem.

— Posso continuar? – pergunta Olávio pela TV – Ótimo. Relembrando. Cada dupla terá que comer TUDO dos dois pratos de cada opção. Os baldinhos do vômito estão debaixo da mesa, mas aquele que usar, terá que repetir o prato como punição.

— Já separa um pra mim – riu André.

Enquanto eles se preparavam para a refeição, o helicóptero preto finalmente chega ao destino final, causando euforia aos Melhores Amigos ao verem onde pousariam.

— MEOO DELLS!!! – gritou Mateus causando dores nos ouvidos na tripulação – VAMO PRO ESPAÇO!!!

— Quem dera! – respondeu Olávio sarcasticamente sendo filmado de algum outro local – Sejam bem vindos ao Centro de Lançamento de Alcântara! – recepciona animadamente enquanto imagens do local são transmitidas para os telespectadores – Construída nos anos 80, o local tem tudo para que futuramente seja considerada uma das maiores bases de lançamentos espaciais já construídas, já que sua localização próxima à Linha do Equador faz com o combustível seja economizado, além de não ter que se preocupar com o clima, pois está situado numa das áreas com as melhores condições climáticas para lançamentos perfeitos. Mas nem tudo são flores; além ter sofrido uma grande explosão com vítimas fatais em 2003, e de não ter lançado nenhum satélite ou foguete de grandes proporções desde sua fundação, o local é cercado de conspirações, que vão desde o contrato ilegal de terras indígenas, até o fato de que os Estados Unidos estariam manipulando o envio de tecnologia para o Brasil, impedindo que seja criado um programa de produção de foguetes espaciais brasileiros, e assim tirando-o da concorrência. Mas enfim, o desafio é o seguinte: As equipes terão que montar seus próprios foguetes usando o manual feito por engenheiros. Cada dupla terá alguém para auxiliá-los na montagem e também no manuseio do combustível necessário para ultrapassar a altura de 100 metros, lembrando que há material necessário para apenas três tentativas, se não conseguirem, pagarão as consequências.

— Combustível de foguete? – estranhou Lucio – Onde conseguiram?

— Nós que estamos fabricando – responde o assistente orgulhoso estendendo a mão para apertar a do competidor.

— Isso não vai dar certo – contraria Lilith cética.

Enquanto isso, do outro lado da baía, a comilança já havia começado e o grupo havia aumentado com a chegada do helicóptero azul:

— Gente, mas que cheiro de buc... – e antes que Tony completasse a frase teve que se desviar da sandália que Vera arremessou.

— Olha a boca viado! Ui discurpa!

— Eu ia falar de “bucho de bode”, cacete – respondeu Tony se sentando do lado oposto da mesa – Favelada!

Em meio a risos e vontade de vomitar, não podiam faltar as caras e bocas que os competidores fazem a cada prato novo que recebiam.

— Quê isso? – pergunta Lana com a mão tampando o nariz — Lesma?

— É sururu – responde Aruanã pondo uma colher cheia na boca.

— Que nojo!

Para disfarçar a vontade de pôr tudo pra fora e aliviar o calor, os competidores se deliciam com o famoso guaraná Jesus, ou no caso dos índios, chibé.

— Que diabos é isso? – pergunta Paulo olhando dentro da cuia do índio um líquido grosso parecido com um mingau empelotado – Parece até cola.

— Que nada isso é uma delícia! – respondeu Quaraçá bebendo tudo.

" – É uma bebida muito comum na nossa tribo – explica Quaraçá bebericando a bebida.

— Também existe uma versão alcoólica que é uma delícia – lembra Aruanã – Só tem tomar cuidado se não fica com barriga de pajé, né irmão.

— Você sabe que o povo não entende nossas piadas, né..."

Enquanto os caranguejos e a peixada foram comidos com satisfação junto com farinha d’agua e arroz de cuxá, a situação mudou quando Os Índios pediram o próximo prato, e o garçom abriu a tampa da panela, um aroma que ninguém nunca havia sentido escapou.

— Tchau gente! – disse Angélica se levantando da mesa – Nem quero saber que droga é essa!

— Isso é dobradinha? – Pergunta Vera puxando a filha pela camisa.

— Isso tem cheiro de outra coisa... – insistiu Tony.

Enquanto Lana e Brianna se engasgam com os refrigerantes em meio a gargalhadas, e Soldado Mello tenta entender, longe de lá, já sentindo a barriga doer de fome, os passageiros do helicóptero branco, após ouvirem as instruções gravadas de Olávio, partem para o galpão onde encontram Os Esquisitos e Os Melhores Amigos quase terminando seus foguetes.

"- Isso é uma das maiores falácias! – quase grita Raimunda levantando a bíblia para o céu – Deus criou o mundo! E os tolos acreditam que ela é redonda!

— Ê mistério! Oh Glória! – concorda Zebedeu"

— Jura? 2018 e vocês ainda com esse papo? – respira fundo Luis com a mão no rosto.

— Mas é verdade! – insiste Zebedeu pegando o manual de peças para montar o foguete – É tudo uma mentira feita pelos Estados Unidos! A Terra é plana, ninguém nunca foi pra Lua e tudo isso que existe no céu é holográfico!

— QUÊ!? – se assusta Jéssica – Isso é verdade tio Lu?

— Mas que intimidade é essa? – pergunta o rapaz arrastando seu foguete para o ponto de lançamento – Não acredita nesses dois não, se não vocês vão ficar doidos igual a eles.

— Mas como você sabe? – insiste Mateus arrastando seu foguete junto com a parceira.

— Vocês estão em qual série, hein? Faça uma pergunta pra eles e depois pede uma explicação para um desses caras que estão nos ajudando.

— Ô Seu Belzebu, quer dizer, Zebedeu – corrige Mateus – Como você sabe que a Terra é plana?

— É simples! Quando estiver perto do mar, você coloca uma régua no horizonte e vai ver que não tem curva! – responde o pastor orgulhoso de sua explicação

— Ah tá – respondeu o garoto arrependido de ter feito a pergunta.

Afastados do galpão, Os Esquisitos e seu ajudante, uma rapaz de óculos fundo de garrafa que parecia ainda estar no ensino médio, põem o foguete no suporte apontado para céu e anunciam o lançamento. Ao apertar o botão no controle, uma faísca igniza o artefato que mal sai do lugar, e envolve todos em meio a uma espessa nuvem de fumaça. Irritados com o fracasso, a dupla voltava ao manual para ver o que havia dado de errado, quando por pouco não viram pó quando o foguete dos Melhores Amigos é lançado sem nenhum aviso. O objeto levanta voo rapidamente deixando um rastro de poeira e fumaça, chamando atenção de todos que acompanhavam a competição. Pela televisão, todos podiam acompanhar a altura alcançada graças a um sensor acoplado dentro do objeto que já alcançava mais de 100 metros de altura, e não dava sinais de parar. Enquanto os Melhores Amigos comemoravam e corriam para fugir dos pedaços de metal que começavam a se desprender do foguete, os cientistas tentavam não se mostrar surpresos com os quase 200 metros de altitude que o foguete alcançou antes de explodir em uma bola de fogo.

— Quem é o Kim Jong-um ou Osama Bin Laden na fila do foguete quando temos os Melhores Amigos construindo essas bombas atômicas? – riu Luis se escondendo dos pedaços de metal que caiam pelo local.

De volta à comilança, Os Índios lideram e chamam o último prato do buffet:

— Sarrabulho – diz o garçom abrindo a tampa da panela — Guisado com miúdos de porco e cabrito com sangue coagulado.

E foi o suficiente para que as primeiras vítimas recorrerem ao baldinho.

" – Que diabos era aquilo! – pergunta Lana bebendo água com uma rodela de antiácido.

— O que a gente não faz por dinheiro... – responde Guilherme levantando a camisa propositalmente para secar o suposto suor na testa.

Quer que aumente o ar condicionado— pergunta um staff por detrás das câmeras.

YAAASSS!!!— gritou alguém que todos já sabiam que era – Para de fazer o barro acontecer!"

— Parabéns Mãe e Filha, LGBTs e Youtubers! – anunciou Olávio pela tela da televisão – Vocês irão receber uma rodada extra desse prato!

— Vô nem falar nada – irritou-se Vera olhando para a filha.

— Sobremesa! – anuncia o garçom trazendo quatro coifas para os Índios escolherem, interrompendo Vera no meio do desabafo – As da direita são frutas e da esquerda é algum tipo de doce.

Sem perdem tempo cada um escolhe uma e se deparam com uma fruta amarelo-esverdeada e um saco de biscoitos amanteigados.

— Bacuri e Não-Me-Toques – apresenta o garçom retirando os pratos vazios de sarrabulho – Bon appétit!

— Se eu soubesse tinha vomitado nessa etapa... – lamenta Lana ainda sem coragem de comer o sarrabulho.

Rapidamente, Os Índios são os primeiros a terminar e mal conseguem andar direito em direção à Caixa do Olávio que havia sido colocado no começo do píer, a 550 metros do local.

— Até chegar lá, a gente já perdeu todas as calorias – riu Quaraçá confiante de estarem liderando a competição.

Enquanto Os Melhores Amigos voavam em direção a São Luís, Os Esquisitos passam no teste, e deixam As Testemunhas de Jeová, Os Sertanejos e Os Desempregados para trás. Dando seus últimos retoques na geringonça, com a ajuda do especialista, Os Sertanejos põem o foguete para decolar e se surpreendem quando conseguem a altura necessária para seguirem em frente. Porém assim como os outros foguetes, o mesmo cai e explode em uma bola de fogo.

— Cadê o Olávio numa hora dessas? – pergunta Alice escondida atrás de tonéis d’água – Só acho que deveria ter uma punição para quem causasse tanta destruição.

Empenhados a darem uma boa impressão, e quem sabe uma vaga de emprego, Os Desempregados lançam seu foguete, e mesmo caindo algumas peças e soltando muita fumaça, consegue seguir em direção aos 100 metros. No meio do trajeto, por um segundo, os motores pararam, mas logo voltam ao normal e consegue alcançar a altura necessária. Aos gritos de comemoração da dupla, o objeto começar a cair em direção ao solo, mas Luis revela seu truque.

— Não se preocupem! – disse mostrando outro controle – O nosso é seguro! – e ao apertar o botão revela-se que o foguete tinha um paraquedas, que auxilia o pouso sem causar destruição.

— As aulas no SENAC deram certo! – riu Olávio comentando sobre a cena.

De volta à comida, em busca da liderança, Os Militares devoram o sarrabulho e as sobremesas ás pressas e terminam o desafio.

— Nós somos acostumados a chupar sangue de pescoço de galinha – ri Soldado Mello.

— Ugh – vira os olhos Lana – Senta que lá vem história...

Ignorando as dores na barriga, Aruanã acelera o passo e quase derruba a Caixa do Olávio que estava próximo ao letreiro escrito “Ilha do Amor” na entrada do píer. Longe de lá, quase ao mesmo tempo, Os Melhores Amigos pousam na Grande Praça Dom Pedro II e encontram a mesma Caixa no gramado exterior do prédio.

— “Tudo em Um: Lenda da Ssserpente” – Jéssica sibilou os esses.

— “Eu quero ver. Eu quero ver a serpente acordar” – lê Aruanã sendo interrompido por Olávio aparecendo de repente num telão montado nos dois locais, trajando um bonezinho de aba curta e óculos de lentes vermelhas e continuando a recitar o que revelou ser uma música

“pra nunca mais a cidade dormir...”. Para o povo pobre de cultura, esse é um trecho da música “A Serpente (Outra Lenda)” do nosso querido Zeca Baleiro que conta um pouco da misteriosa lenda maranhense da serpente. Diz à lenda que uma serpente adormecida cresce lentamente ao redor da ilha de São Luís, e no dia em que suas presas abocanharem sua cauda, o monstro irá acordar e destruirá toda a cidade, fazendo com que ela seja tragada para sempre para o fundo do mar junto com seus habitantes. Afirma-se também que a gigantesca serpente habita as galerias subterrâneas que percorrem o centro de São Luís, e que partes de seu corpo gigante marcam locais importantes da cidade; Na Fonte do Ribeirão, está a cabeça cujos olhos medonhos podem ser vistos brilhando na escuridão através das grades. Na Igreja do Carmo encontra-se a barriga, e por fim sua cauda está nas profundezas da Igreja de São Pantaleão. Mas voltando a realidade – continuou tirando seu visual Zeca Baleiro – O nosso último desafio será sobre a Lenda da Serpente: Vocês deverão montar um quebra cabeças de azulejo português que está dividido em três locais diferentes; seis estão na Fonte Ribeirão, doze na Igreja Carmo, e outros cinco na Igreja São Pantaleão. As peças estarão espalhadas em meio a dezenas de outras muito parecidas, porém com detalhes que não vão combinar com as outras peças. Todas deverão ser montadas na Igreja São Pantaleão onde o nosso convidado especial, o padre da igreja, irá entregar um mapa indicando a Zona de Relaxamento. Mas se na montagem alguma peça estiver errada, ou se acontecer alguma coisa com os azulejos durante o trajeto, vocês terão que voltar ao local onde as pegaram. Desejo-lhes, boa sorte, e cuidado pra cobra não pegarem vocês! – disse antes de sair do telão que voltou a mostrar o logo do programa.

— Odeio essas brincadeiras de monstro! – resmunga Jéssica já fazendo sinal para um taxi, mas é impedida quando Olávio reaparece no telão.

— EI! Pra onde vocês acham que vão? Não acham que isso está muito fácil pra vocês? Helicópteros, taxis... Acabou a mordomia. Outra lenda muito famosa aqui no Maranhão é a da Carruagem de Ana Jansen, uma mulher terrível que viveu nessas terras a mais de 160 anos e chegou a ser denominada a Rainha do Maranhão. Mas com o poder subindo a cabeça, Jansen humilhava muito seus escravos com diversos tipos de tortura. Até que aos 76 anos, a Rainha do Maranhão morreu e seu espirito foi condenado a pagar por suas maldades percorrendo as ruas escuras da cidade dentro de sua carruagem preta, puxada por cavalos sem cabeça que representavam seus escravos mutilados. Em seu interior a mulher vestida de preto grita de dor e desespero se arrependendo de seus pecados, e entregando aos que cruzam seu caminho, velas que se transformam em ossos humanos assim que ela some na escuridão. Enfim, todos os que vierem de helicóptero pousarão a cerca de 10 minutos do próximo desafio, então adivinha como vocês irão para o próximo desafio?

— De Uber! – responde Mateus sorridente.

— Jura pirralho? Nem se esforçou pra pensar? – perguntou Olávio.

— É por que você disse “toda de preto”, “carruagem preta”, aí chutei essa...

— E chutou errado! Bem, a carona está surgindo na frente de vocês... – riu o apresentador malevolamente.

E literalmente surgiu. Como se subisse das profundezas do inferno, quando na verdade subia de uma rua mais abaixo do nível da rua principal. O som de cascos e relinchos de cavalo, ecoaram pelo local e de repente uma carroça preta guiada por um cocheiro maltrapilho e puxada por dois cavalos negros apareceu envolta duma névoa branca. Aterrorizados, Os Melhores Amigos quase desmaiam ao ver a porta se abrir furiosamente e por ela viram uma mulher toda vestida de preto sair e gritar na direção deles:

— ENTREEEM!

...continua na parte 2...

(^_^)/

by Hikari Ouji

Notas finais
Curioso para saber por ondes nossos corajosos participantes andaram passando? O mapa para a competição Maranhense estará disponível no próximo capítulo com fotos dos locais onde estiveram, dos desafios e das comidas que foram obrigados a engolir. Acessem também meu perfil, e confira o "Diário de Bordo Total Drama" para mais informações sobre os capítulos. Aproveitem!!!