Toque-me
1 Brinquedo Torto
Notas iniciais
Seus olhos amedrontados me seguiram novamente, para tentar, de algum modo, decifrar o meu próximo movimento. As pérolas de seus orbes já se encontravam marejadas pelas lágrimas que ameaçavam cair sobre a sua face pálida e sensível, que tola... Nunca descobrirá. Nunca deixarei que saiba, nunca deixarei que acabe. Nunca, pois... Essa é minha diversão.
Dei um passo em sua direção fazendo com que o barulho oco da passada ressoasse sobre as ondas sonoras rígidas do estabelecimento enquanto a mesma já se tinha tremendo em seu lugar, e, suspirando exalava o ar do cômodo com dificuldades evidentes, estúpida.
Cada respiração forçada que a mesma dava era, para mim, mais um sorriso idiota em meus lábios, pois aquilo me excitava, me dava vontade de continuar, de continuar usando-a, torturando-a, usurpando-a...
Direcionei o olhar a ela, só pra confirmar o que era claro... O medo. O medo estampado em sua face rosada, o medo que era instalado em seus atos... era revigorante. A duvida entre a razão e a loucura machucavam-na como navalhas afiadas, como as minhas garras pontudas, como o meu sombrio beijo... Eu amava aquilo, amava vê-la, como um gatinho assustado, se encolhendo no canto mais escuro do cômodo, amava como sua respiração de prendia na garganta quando direcionava seus olhos em pratos a minha grande satisfação em fazê-la sofrer, chorar, soluçar, hã, gozar... Eu gosto, querida idiota. Mas isso não é nada para mim. Ela é só um entretenimento. Um jogo. Um objeto... Uma criança tola.
Virei minha cabeça para o lado vendo como ela se encolhia, era possível ficar mais abraçada aos joelhos do que aquilo? Ela era pequena e sensível, era frágil e emotiva, era descartável e bastarda. Era como um pequeno animal, era ridícula.
Continuei a observá-la enquanto passava a língua no dentes, ela se mexeu e logo abaixou a cabeça escondendo-se de minha vista. Não... Gosto de ver sua miséria, gosto do seu desespero, gosto de tudo que te faz sofrer, pequena torpe. – Levante a cabeça. – Foi uma ordem direta, mas ela apenas estremeceu com o comando e logo ficou paralisada, humpf... Isso seria divertido... Sorri, pois eu a usaria novamente, a veria mendigar por misericórdia, vê-la-ia pedir por piedade, veria pedir por mais, eu a usaria... só para o meu próprio prazer macabro...
(...)
Ele estava lá novamente... O demônio dos meus pesadelos. Sua gigantesca sombra que se mantinha na parede me enviava calafrios pela espinha como uma tortura. Seu grande e muito musculoso corpo era como um paredão em minha frente, sua face rígida e fria me dava vontade de esconder-me em qualquer lugar escuro, seus olhos negros, como o seu sombrio coração, me vigiavam com diversão e ganância nunca vista em nenhum lugar, ele era sem sentimentos, não tinha piedade. Seu próprio prazer era o que importava. Por que eu não fazia nada? Por que não fugia dali? Eu sou uma idiota! Uma completa tola e sonhadora! Como pude acreditar em tais palavras medonhas? Como pude deixar me levar por algo tão insignificante? Algo como o... amor. O amor criado por mim mesma.
- Eu disse... – Suas palavras saíram uniformes, o som era rígido e autoritário, qualquer um que houvesse ouvido aquilo já se teria posto a correr com o medo que era mandado pela pronuncia, mas eu não, nem isso eu conseguia fazer, eu, novamente, congelei no lugar. Ele não era de falar. – Levante a cabeça. – Seu tom duro e grave me assustava, suas palavras eram sopradas com diversão sombria, seu humor não se alterava, ele era um monstro... um belo e maldito monstro. Abracei ainda mais os meus joelhos enquanto me afundava no meio dos mesmos. Eu tinha, sim, medo... Um terrível medo.
Senti algo solido e gelado colidir com a minha face, mãos grandes e firmes agarram minhas bochechas pelos lados enquanto levantava o meu rosto ao alcance de alguém, ao alcance dele... Sasuke.
- P-por fav-vor... – Sussurrei enquanto gaguejava sem ao menos me importar, meus olhos estavam fechados, eu não iria abri-los, pois, ele iria fazer novamente... E eu iria deixar. Seus dedos gélidos viajaram pela minha face ruborizada, bãh.. Eu era uma idiota. Senti suas mãos amaciarem os dois lados do meu rosto, o que ele queria? Abri os olhos lentamente enquanto eu me tinha com a visão turva, mas eu pude ver, pude ver seus olhos mortos e gelados, aqueles metálicos olhos ônix me olhavam com divertimento, com excitação. Ele desceu o seu dedo indicar aos meus lábios, minha respiração ficou mais pesada e meu coração deu socadas pesadas enquanto eu seguia seu dedo com o olhar alarmado, ele separou os meus lábios e logo deslizou o seu indicador para dentro pela pequena brecha que minha boca fazia. Ele sorriu, um sorriso brilhante e intrigante, mais seus olhos não mostravam emoção, eram mortos, eram como a noite... Fria e escura.
Senti seu dedo brincar com a minha língua enquanto minha face ardia com a vergonha daquilo, eu era ingênua e hipócrita, sim.. eu sou. Seu dedo frio e áspero deslizou pelo o meu músculo úmido e sensitivo da boca, ele gemeu e eu fechei os olhos. Deus... Por que eu continuava com aquilo? Por quê? Ele bombeou seu dedo em minha boca, pude sentir o gosto de ferro de mesclar com minha saliva, ele havia cortado minha língua com a sua unha. Abri os olhos com receio, pois eu estava com medo e vergonha daquilo. Mas ele estava em êxtase. Seus olhos estavam fechados enquanto nós dois nos encontrávamos agachados. Seu rosto era calmo, seus lábios finos estavam entreabertos com o prazer, sua face rígida agora estava suave enquanto sua cabeça se jogava para trás, Deus... Por que ele era tão perfeito? Por que ele era tão magnífico? Por que ele era tão macabro e demoníaco? Por que... Por que eu gostava daquilo...?
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