Too Much To Ask
34 Capítulo XXXIII - Brigas com papai
Notas iniciais
Estava sentada no anfiteatro. Passaram alguns minutos, que para mim pareceram horas, até que a mortalha foi trazida.
Aquilo não podia ser real, tinha que ser uma pegadinha...
– Luisa? — falou Calista, me abraçando — Foi uma morte honrada... Ele morreu para salvar a sua vida...
– Mas...
Quíron foi até a frente.
– A batalha de hoje foi exaustiva. — começou ele — Muitos de vocês estão mais fracos do que deveriam nesse momento. E tivemos uma baixa. Uma morte honrada, sem sombra de dúvidas.
Mais lágrimas invadiram os meus olhos.
– Este corajoso semideus é Carl Lewis Morgan. — anunciou — Alguém gostaria de fazer as honras?
– E... eu... — me pronunciei.
– Dê um passo a frente, senhorita Kirsten — Quiron pediu.
Me levantei e caminhei até a frente da mortalha.
– E ... ele... ele morreu p... Por minha culpa... — desabei em lágrimas.
– Acalme-se, Luisa. — sussurrou Quíron, se aproximando de mim.
– Ele foi um herói, e eu sempre terei uma dívida com ele. — falei. — Acho que todos sentiremos a falta dele.
Eu devia muito a ele, mais do que ninguém jamais conseguiria imaginar, e agora, eu nunca mais poderia lhe dizer nada, e agora, na ultima hora que eu podia lhe fazer uma homenagem, minha voz não saia. Carl, meu querido Carl. Eu havia falhado com ele.
– Pode se sentar, Luisa... — disse Quíron, baixinho. — Evan, gostaria de dizer alguma coisa?
Percebi que Evan estava tentando esconder as lágrimas, coisa que eu considerava inútil. Ele tinha acabado de perder o irmão, estranho seria se ele não chorasse...
Ele passou a mão nos olhos e foi até a frente.
– E...eu...
Nesse momento uma luz cortou o céu, e uma "tela", apareceu em sua frente. Uma mensagem de Iris.
A garota na tela estava chorando descontroladamente, era ela, Isabella.
– Me.. me desculpem.. eu.. eu não posso estar ai agora... mas.. Carl, ele não podia... ele não... — ela limpou a garganta, e vi que alguém afagava seu ombro, Apolo, com toda certeza.
Ele se aproximou da tela.
– Um segundo para ela se acalmar.
Em pouco tempo ela estava de volta. Ainda bem, pois Apolo tinha começado a tocar uma marcha fúnebre, e cá entre nos, não estava ajudando em nada.
– Bom — ela respirou — Evan, eu realmente sinto muito, mesmo, você, mais do que todos, sabe o que o Carl significava pra mim. O que vocês dois significam na verdade. Eu amo vocês demais. — Leo começou a ficar roxo do lado do Connor. — E, eu queria, mesmo, estar aqui. Mas eu vou passar umas semanas na casa do meu pai.
– Semanas? — Evan perguntou.
– Sim, e em breve nos falaremos novamente Evan. Por favor, me desculpe de verdade, eu espero que o Carl esteja muito bem no elísio, e vou ver se consigo falar com o Nico. Obrigado, verdade. Amo você, um beijo enorme.
E a ligação se desfez.
Mais lágrimas escorreram do meu rosto, e eu fui me sentar ao lado de Connor, que me envolveu em seus braços.
– Vai ficar tudo bem... — sussurrou ele. Eu sabia que ele não estava gostando do fato de eu estar chorando por outro garoto, mas tentou ser compreensivo.
Evan suspirou lá na frente.
– Bom, eu não vou conseguir colocar em palavras o quanto eu vou sentir falta do meu irmão... — ele começou a chorar, e agora sem se importar com o fato de mais de 200 pessoas estarem olhando diretamente para ele. — E ele vai fazer falta para muitos outros. Eu nem... Nem sei como vou conseguir contar para a minha mãe o que aconteceu... Descanse em paz, meu irmão. Quem sabe nos veremos em uma próxima vida?
Sorri para ele e ele sorriu de volta.
– Podemos queimar a mortalha. Alguém?
– Eu... Eu vou. — disse Leo, indo até a frente.
Ele apontou sua mão para a mortalha, que instantaneamente se incinerou. O que mais me surpreendeu foi o fato do que ele fez a seguir. Se aproximou mais e, entre lágrimas murmurou:
– Esteja com os deuses.
Ele se sentou ao meu lado, e eu o olhei perplexa.
– Que foi — ele perguntou — ela gostaria que eu fizesse isso.
Assenti.
– Voltem para os seus chalés ou continuem com suas atividades. — falou Quíron. — Torçamos para que não sejamos atacados tão cedo.
Todos assentiram. Eu fechei os olhos, ainda com o rosto molhado de lágrimas. Quando voltei a abri-los, estava no meu chalé, com Connor, Abnara e Alawara sentados na beirada da cama.
– O que houve? — perguntei.
– Você pegou no sono... — disse Connor. — As arai sugaram toda a sua energia possível, e o fato de você ter chorado acabou com o que restava... Está melhor agora?
– Não exatamente — murmurei.
– Sinto muito — Abnara me abraçou, e senti nela uma presença materna.
– Não pudemos fazer nada para impedir... — disse Alawara. — Era ele ou você... E ele não te deixaria morrer.
Me sentei na cama. Tentava evitar que mais lágrimas rolassem de meu rosto. Eu já estava fraca o suficiente sem chorar.
– Se acalme, Lui... — disse Connor. — Ele está no Elíseo agora.
– Eu... Eu... Preciso...
– Precisa o que? — disse ele, como se estivesse se perguntando se não podia ter uma namorada menos dramática.
Dormi, dormi igual ao Jason, dormi nos braços do meu amado, sentindo a dor de uma perda, a dor da perda de um amor.
Connor acariciava meus longos cabelos castanhos, e cantarolava alguma música, em cuja letra só comecei a prestar atenção depois de um tempo.
– Aqui é seguro, aqui é um abrigo, aqui as margaridas te protegem de todo perigo... Aqui seus sonhos são doces, e amanhã serão lei, aqui é o local onde eu sempre te amarei... — ele terminou a música e senti seus lábios mornos na minha testa.
E assim eu adormeci novamente.
POV Leo
Depois de deitar, adormeci, mal eu sabia, que os sonhos a seguir seriam bons.
Isabella estava conversando com Apolo, sentados ao redor de uma mesa que a própria parecia ser feita de sol.
– Ele está aqui — Ela disse para o pai. — funcionou.
– Como você sabe? — ele perguntou — Não vejo nada.
– Eu sinto — ela sorriu — Oi Leo — se dirigiu a mim.
Tentei dizer, mas as palavras não saiam, droga!
– Ah, legal, não é — ela riu — Eu te convoquei em sonho. Farei isso mais vezes, mas enfim direto ao assunto. Independente do que eu fizer, por favor, não venha atrás de mim. Eu dei ordem para ninguém te deixar passar do portão, por favor, confie em mim, nos vemos em breve. Te amo magricela.
E acordei.
POV Luisa
Quando acordei, ainda estava deitada no colo de Connor, que me olhava de forma carinhosa.
– Olá, Bela Adormecida... — falou ele.
– Eu dormi por muito tempo? — perguntei.
– Só algumas horas... — disse ele, e riu um pouco. — Vamos levantar? Minhas pernas já estão doendo por ficar na mesma posição.
– Tudo bem... — falei, e senti uma pontada nas costas quando fui tentar levantar. — Ai!
– Cuidado, você ainda está fraca... — murmurou.
– Você também está — murmurei. — Por que não se deita?
– Estou bem aqui — ele sorriu.
Dei de ombros e levantei.
– Vamos jantar? — perguntou ele. — Você deve estar com fome.
Assenti, e andamos lentamente até o refeitório.
POV Isa
É eu sair do acampamento e o Carl morre? Sério isso? Isso não esta nada certo, mas eu não tinha o que fazer.
– Pai? — chamei — Acho que devemos conversar agora.
– Seu amigo, Evan, acaba de perder o irmão, acho que você deveria ir consolá-lo — ele sorriu.
– Pai... — murmurei. — Se você realmente acha que eu vou ficar com o Evan, pode esquecer...
– Como você... Ah, aquele filho das forjas miserável... — praguejou.
– Ele não queria dizer nada. — falei, firme. — Eu o ameacei. Por que você quer que eu fique com o Evan? Não consegue entender que eu amo o Leo, e não ele?
– E você, não consegue entender, que, como seu pai, e deus das profecias, eu sei o que é melhor para você? — ele começou.
– Mas a...
– E também, veja só — continuou — Você ameaça ele e ele já solta uma coisa dessas. Ele não é do tipo confiável...
– JÁ CHEGA PAI — gritei — VOU FICAR AQUI POR UNS TEMPOS, E A GENTE SE RESOLVE.
– Nenhum filho meu jamais....
– É? EU ACHO QUE SOU A PRIMEIRA EM MUITOS QUESITOS.
– Única — ele murmurou.
– A PRIMEIRA A VIR AQUI PASSAR UM TEMPO, A PRIMEIRA A GRITAR COM UM DEUS E A PRIMEIRA A DESAFIAR UM IMORTAL — berrei. — EU VOU PARA MEU QUARTO.
– Mas você não... ah, agora eu entendo porque o faz-tudo te contou, você é impossível — ele sorriu — Que orgulho, tá, ok, Fentey, leve a garota...
– A garota?
– Fentey, leve a minha filha até uma suíte, de lá ela se vira.
Nós saímos em direção a escadaria.
– Fentey, né? Nome legal — disse.
Ele me lançou um olhar de raiva.
– Er... ok...
Chegamos até a frente de uma porta dourada (eu ainda ficaria cega naquele lugar) e Fentey abriu-a.
– Aqui é o seu quarto. — falou, e saiu. Quanta grosseria...
Me joguei na cama. Então quer dizer que além de Afrodite, meu pai também estava querendo arruinar a minha vida amorosa? Será que ele ainda não tinha percebido que não era Eros, e era só o deus da beleza, e não do amor? AI MEUS SANTOS DEUSES!!!
Tá bom, o Evan era legal, mas para mim ele era mais como um irmão. Eu nunca nem tinha ficado com ele... Mas o Leo era diferente e... AH, PARA COM ISSO, ISABELLA!!! VOCÊ NÃO PRECISA SE EXPLICAR PARA SI MESMA.
Estava cansada e resolvi dormir, como se isso fosse me trazer sonhos bons.
Eu estava... WOW! eu estava no Olimpo. Mas como? Alguns deuses estavam reunidos, então não, isso não era recente. Hefesto, Apolo, Zeus, Poseidon e Afrodite conversavam. Isso ia dar merda.
– Mas Afrodite, você não pode mesmo fazer algo a esse respeito? — perguntou Apolo.
– Eu não posso mudar o destino, Apolo. Eu posso ajudar, mas não consigo mudar nada. — disse a deusa, mais firme do que eu já tinha visto.
– Qual é o problema com o meu filho, Apolo? — perguntou Hefesto.
– Seu filho não é bom o suficiente para a minha filha. — retrucou Apolo. Mas como ele ousava se meter na minha vida assim?
– Deuses, Apolo. — disse Afrodite — Deixe a garota em paz.
– Como se você não quisesse isso... — murmurou papai.
– Eu gosto de colocar um pouco de emoção na vida das pessoas, mas não dessa forma. Você não está fazendo o melhor para ela. Sem contar que toda a culpa vai cair sobre mim e eu não vou poder me defender.
– Foda-se Afrodite — Apolo retrucou — Eu não quero minha filha com um faz tudo.
– E o que eu estou fazendo aqui? — Poseidon poseidou — Porque eu não estou entendendo nada.
Zeus revirou os olhos.
– E quando você entende?
– Infelizmente, devo dizer que até mesmo prefiro o seu filho do que o faz-tudo. — disse Apolo. AH, EU E MEU PAI TERÍAMOS UMA CONVERSINHA MAIS TARDE.
– O George é um bom rapaz, mas eu acho que a escolha é dela, não é? — falou Poseidon, entediado. — Nem mesmo Atena consegue se meter nos assuntos amorosos dos filhos, por que você conseguiria?
– Porque eu sou Apolo, e não Atena. — comentou papai, convencido.
Poseidon revirou os olhos.
– Vou voltar para Atlântida, cuidar do meu reino é mais produtivo do que discutir com um deus convencido. — disse, e desapareceu.
– E o que você vai fazer? — Zeus perguntou — Trancá-la em casa e obrigá-la a sair com meu filho?
– Seria uma boa ideia — um sorriso malicioso surgiu nos lábios do papai — Eu poderia trancar os dois juntos, e sei lá, vai que rola alguma coisa.
– Isso é tão antiquado Apolo — Afrodite revirou os olhos — Você deveria conversar com Eros, e ver o que ele faz. Eu não vou ajudá-lo. Deixa que me divirto sozinha — Ela saiu.
– Não vou continuar aqui enquanto você diz que meu filho não é nada além de um faz-tudo. — disse Hefesto, se transformando em chamas, que logo desapareceram.
– Nós estamos no século XXI, Apolo, caso você não tenha percebido ainda. Casamentos arranjados não funcionam mais. Namoros arranjados também não. Você pode ser o deus das profecias, mas ainda não sabe o que é o amor de verdade.
E então eu acordei.
– PAPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI — gritei.
Fentey entrou no quarto.
– Ele foi até o Olimpo assim que você saiu — ele começou — Acho que tinha uma reunião ou algo assim.
– MAS QUE MERDA — gritei. — PAAAAI, APAREÇA AQUI AGORA MESMO.
Nada.
– FEBO APOLO, APAREÇA ANTES QUE EU VÁ ATÉ O OLIMPO SÓ PARA ARRANCAR SUA GARGANTA DE SER IMORTAL FORA!!!!!!!!!
Apolo apareceu na minha frente.
– Não acredito que eu estou recebendo ameaças da minha própria filha. — reclamou ele. — O que você quer?
– Precisamos ter uma conversinha.
– Fentey, se retire — O deus pediu.
– Espera — o garoto se virou para mim — Mande uma mensagem de Iris ao olimpo, e chame Afrodite, Zeus, Poseidon e Hefesto por favor.
– Que raios você pensa que está fazendo? — Apolo perguntou.
– O QUE RAIOS VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO??? — gritei apontando para ele — VOCÊ NÃO PODE CUIDAR DA MINHA VIDA DESSE JEITO, PRECISO ARRUMAR UMAS COISAS.
– EU SOU SEU PAI! — gritou ele. — VOCÊ NÃO PODE ME DESAFIAR ASSIM!!!
– TOMEI ESSE DIREITO A PARTIR DO MOMENTO EM QUE VOCÊ TOMOU O DIREITO DE CUIDAR DA MINHA VIDA AMOROSA, PAI. — gritei. — POR QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO ISSO???
– VOCÊ NÃO ENTENDE NADA, EU ESTOU NESSE MUNDO A UM TEMPO ENORME, JÁ VI E VIVI COISAS QUE VOCÊ NEM IMAGINA — gritou.
– E AINDA NÃO CONHECE AS FORÇAS DE UM AMOR VERDADEIRO — gritei — VOCÊ NÃO PODE CUIDAR DA MINHA VIDA ASSIM, EU SEI DE TUDO O QUE VOCÊ FEZ, TUDO O QUE CONVERSOU, VOCÊ NÃO TEM A MINIMA NOÇÃO DO QUE ESTÁ FAZENDO.
– ACREDITE, EU TENHO. — gritou ele — VOCÊ QUE ESTÁ SENDO EQUIVOCADA!!!
– NÃO ESTOU!!! PARE DE CUIDAR DA POHA DA MINHA VIDA??? POR QUE, DE TODOS OS SEUS, SEI LÁ, DUZENTOS FILHOS, VOCÊ RESOLVE ESTRAGAR JUSTAMENTE A MINHA VIDA???
– VOCÊ NÃO TA ENTENDENDO NADA — ele gritou, e tentou se acalmar, então sua voz tremeu um pouco, nada que mudasse sua carranca — Olha filha, eu não faria isso se não me importasse com você. Duzentos? Só tenho 199, que exagero. Mas é você que teve a audácia de vir até aqui me enfrentar — ele sorriu — Você não tem ideia do orgulho que sinto por você, e é por isso que me intrometo em sua vida. Só quero o melhor para você.
Então eu fiz algo que o surpreendeu, e acima de tudo, surpreendeu a mim mesma. Eu o abracei, apertado, como eu jamais havia feito.
– Eu admiro sua consideração papai, mas, por favor, você tem que entender que...
– NÃO VOU ENTENDER NADA — ele gritou de novo, e a porta se abriu.
De lá saíram os deuses que eu mandei chamar. Entraram assim, sem se apresentar. E sem olhar na cara do meu pai.
– O que houve agora, Apolo? — perguntou Afrodite. — Eu estava no salão fazendo hidratação no cabelo.
– Hã... Desculpe. — falei. — Fui eu que pedi para chamá-los.
Hefesto me olhou com um sorriso do tipo: Então quer dizer que ela está sabendo de tudo?
– Vamos logo com isso. — falou Poseidon. — Tive que deixar Atlântida com Anfítrite por pura frescura de vocês, e acreditem, eu não acho uma boa ideia deixá-la cuidando de um reino. Mas como Abnara está fora, não tinha outra opção e...
– Poseidon, não queremos saber da sua vida particular. — disse Zeus. — Podemos terminar logo com isso?
Fiquei de pé na cama e fiz uma reverencia a cada deus e comecei a falar.
– Sinto muito ter lhes tirado de seus... er... afazeres. Mas o assunto é importante. — me sentei na cama, cruzando as pernas — Tem um certo deus... também conhecido como meu pai, que resolveu se entrometer na minha vida, tentando decidir com quem eu devo ou não ficar. O que eu acho que é decisão MINHA.
Eles assentiram, papai estava ficando roxo.
– Então, eu também gostaria de deixar algumas coisas claras, do tipo: O G, digo, desculpe Poseidon, o George, é um cara esplêndido, do tipo que qualquer garota daria a vida. Mas já tivemos nosso tempo junto... e não... não rolou.
Poseidon apenas assentiu.
– O Evan também é uma pessoa maravilhosa, que não pensaria duas vezes antes de dar a própria vida para salvar a quem ama, assim como... Como Carl fez. — falei, e abaixei a cabeça — Mas eu não o mereço. Para mim ele é como um irmão, ou qualquer coisa do gênero. Ele ainda vai conseguir uma garota que o mereça.
Apolo estava prestes a explodir. Percebi que Afrodite possuía um sorriso estampado na cara.
– E por fim... Tem o Leo. É ele quem eu amo. Dane-se se ele parece um palito de dentes, de tão magricela. Dane-se se ele é um faz-tudo... — Hefesto sorriu para mim — Poxa, pra mim nada disso importa, apenas o fato de que eu me sinto completa junto dele. É tão difícil entender isso, pai?
– É, ELE NÃO É BOM PARA VOCÊ. — Ele gritou.
– MAS QUE DROGA APOLO, NÃO VE QUE A GAROTA ESTÁ CERTA — Hefesto retrucou.
– PAREM CARAMBA. — gritei — Afrodite, e você... bem... me desculpe, dessa vez a culpa não é sua... até que você não é tão... er... ruim?
Ela sorriu.
– Obrigada princesa do sol.
Sorri.
– Mas então, essa é a minha decisão, Hefesto, você vai ser um sogro esplêndido — Sorri.
Apolo estava prestes a me matar, eu estava sentindo.
– SOGRO? — é, agora ele explodiu de vez — MAS NUNCA.
– Sim papai — disse com calma — eu amo o Valdez, o magricela, o faz tudo e qualquer outro apelido que você conseguir arrumar — ri — Magricela é o novo gostoso pra dedéu, e Valdez, é seu novo genro.
– VOCÊ SÓ PODE ESTAR TIRANDO UMA COM A MINHA CARA!!!!!!! — gritou, tão alto que os mortais deviam estar se perguntando se o mundo ia acabar.
– Não, não estou. — falei.
– Deuses, Apolo, quer agir como um deus normal? Antes que eu te lance uma maldição? — falou Afrodite — Quem sabe com uma maquiagem permanente de palhaço você não se sentisse tão fodão...
– Você não ousaria...
– OUSE fazer algo contra o meu filho e verá as consequências. — disse Hefesto, de uma forma que até eu fiquei com medo.
– Hã... vocês são imortais mas eu não sou ok? — murmurei — Se vocês lançarem esse lugar pelos ares, quem se fode sou eu.
– A garota está certa — Hefesto sorriu — de novo.
– Você não vai fazer isso comigo — Apolo alertou — Você que não ouse.
– Ah, não papai, você vai se acostumar, mas antes eu preciso ter uma conversinha com Hefesto se fosse possível.
– NÃO — Apolo gritou.
– SIM — desafiei — Venha, por favor, vamos ao jardim, acho que lá será um lugar melhor.
Saímos da sala.
– O que houve, Isabella? — perguntou Hefesto, tentando parecer sério. Mas eu via um sorriso escondido naquela expressão.
– Eu... Gostaria de trazer o Leo para passar uns dias aqui no palácio. — falei.
– Mas... Assim... Isabella, ele vai estar correndo risco de vida!
– Eu tenho meus planos... — murmurei. — E tenho certeza que ele não vai ter problema com o calor...
– Tudo bem. Eu o trarei. Mas tomem muito cuidado. VOcê conhece o seu pai tão bem quanto eu.
– Sim — sorri — e creio que ambos me conhecem.
– Se você é tudo o que dizem... acho que isso será divertido.
– Divertido? Cara, poderia passar na tv Hefesto, tipo um reality show, o garoto, a pirralha e o sogro: uma família da pesada. Muito melhor que BBB.
– Qualquer coisa é melhor que BBB — ele revirou os olhos.
Rimos.
– Você gosta mesmo dele não é? — Hefesto perguntou.
– Muito. — falei. — Mas... Meu pai ganharia o Oscar de pior sogro do mundo...
Hefesto riu.
– É, seu pai pode ser um adolescente de uns 3000 anos, mas vira um velho rabugento quando quer... Milhões de vezes pior do que qualquer pai mortal preocupado com a filha.
– É... Queria que essa implicância toda não fosse só comigo... — murmurei.
– Ele só está preocupado — Hefesto sorriu.
– Mas porque justo comigo? — perguntei.
– Sinceramente? Não sei. Ele deve achar você diferente de todos os outros. — falou o deus.
– É nessas horas que eu preferiria poder viver sem a intervenção de meu pai ou minha mãe, como todos os outros...
– Não se preocupa, você faz 18 anos em alguns meses e já pode dizer pro seu pai que é adulta e não depende mais das opiniões dele. — disse Hefesto. — Quer começar o Casos de Família Olimpiano agora? Ou esperar a poeira baixar um pouco.
– Prevejo até a legenda: Minha princesa solar quer namorar um faz-tudo que e não aprovo, e todos ficam do lado dela. O que eu posso fazer?
Ele riu.
– Que dupla irônica vocês fazem.
– Porque? — perguntei.
– Vocês são tão teimosos... — disse ele — E tão opostos ao mesmo tempo... Claro que nada no estilo Abnara e Ronnoc ou Alawara e Heitor, mas... você entendeu.
Eu ri.
– Bom, calor e fogo não são tão diferentes assim... Mas um dá pra ver e o outro não... — murmurei. — Mas ambos são tipos de energia.
– Você está bem? — ele franziu as sobrancelhas.
Dei de ombros.
– Convivência com a Luisa, filhos de Atena são contagiosas.
– Ah, filhos de Atena são boas pessoas, na grande maioria das vezes. Eles só são muito...
– Nerds? — completei.
– É, isso aí. — falou ele. — Então, vamos começar isso logo?
– Pode crer, mas antes, vamos avisar o Leo, ou ele vai ter um ataque ou coisa parecida.
Joguei um dracma no ar.
~ Oh Iris, deusa do arco-íris, aceite minha oferenda.~
– Mostre-me Leo Valdez — pedi.
Leo apareceu na tela, estava no bunker, com os olhos inchados. Ele tinha chorado?
– ISA!!!!! — ele exclamou, sorrindo.
– Oi, Leo. — falei, e Hefesto apareceu do meu lado.
– Pai? Mas o que...?
– É uma longa história. — falei — Só ligamos pra avisar que nós vamos te trazer aqui pro palácio em alguns minutos. Tem problema pra você?
– Você... mas... Não tinha uma maneira menos dolorosa de me matar? — ele disse incrédulo.
Sorri.
– A menos que... eu conheço esse sorriso... VOCÊ TEM UM PLANO GENIAL. PAI, POR FAVOR, NÃO FAZ ISSO COMIGO, OS PLANOS DELA SEMPRE ACABAM EM TRAGÉDIA, POR FAVOR PAI, PAAI.
Hefesto sorriu.
– Acho que ela tem tudo sobre controle.
– VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO — ele pediu — Ela vai me matar — choramingou.
– Bom, isso vai se um ótimo Reality Show pra TV Hefesto, e eu acho que ela vai conseguir controlar Apolo enquanto isso... — falou Hefesto.
– Se eu disser que estou com medo...
– Você é a pessoa mais sensata aqui. — falei. — Agora... Hefesto, pode trazê-lo.
Ele sorriu.
– Estaremos juntos em breve gatinho — sorri e a ligação se desfez.
Me virei para Hefesto.
– Que os jogos comecem — gargalhei.
Fale com o autor