Too Much To Ask

56 Capítulo LIV - Rest In Peace, darling


Notas iniciais
R.I.P ;-; Preparem os lencinhos.

POV Connor

Luisa resolvera ir até o chalé de Calista e ainda não tinha me explicado o motivo. Talvez ela quisesse pedir uma poção para controlar a raiva de Leo por George, ou talvez ela quisesse fazer fondue... Conhecendo-a bem, eu sabia que ela podia me surpreender a qualquer momento, então fui com ela até lá, ver o que ela queria fazer.

Mas, quando abriu a pesada porta de ferro negro do chalé, nós dois entramos em estado de choque, mais ela do que eu. O corpo de Calista jazia no chão, totalmente sem vida, e uma poça de sangue, vinda do pescoço dela, inundava o chão. Quem teria sido capaz de tamanha atrocidade, eu não tinha ideia.

Calista não era a pessoa mais boazinha do mundo, mas também não era má, e eu não conhecia motivos para alguém ter feito aquilo com ela. Abracei Luisa, que ainda estava estagnada no lugar, se segurando na beirada de uma mesa, e então e levei para fora, na verdade, até o chalé dela. Sentei-a na cama e a observei, ainda em choque. Aos poucos seus ombros voltaram a se mexer, mais do que o normal, e olhei em seus olhos. Seus olhos brilhavam. Não por felicidade, que era o brilho mais conhecido e amado por mim, mas, sim, aquele brilho ocasionado pelas lágrimas que se formavam ao descobrir da morte de uma amiga próxima. Eu também estava em choque, e imaginava o quão ruim devia estar sendo a sensação para ela.

Me toquei de um detalhe, um detalhe que havia passado despercebido.

– Travis — sussurrei chocado.

Meu irmão e Calista namoraram um tempo, bom, pelo o que parecia, eles estavam completamente apaixonados, e ele não deveria saber do ocorrido. E não era eu quem iria lhe dar a notícia.

– O Travis vai ficar muito triste... — Luisa murmurou, enquanto uma cachoeira de lágrimas ainda escorria pelos seus olhos.

Luisa escondeu o rosto em meu peito e continuou derramando lágrimas, deixando marcas úmidas na minha camiseta.

– Quem será que fez isso? — perguntei. Minha voz falhava um pouco, mas tentei disfarçar.

– Quem fez isso... Eu não consigo pensar em alguém que tivesse motivos suficientes para fazer isso com ela... — gaguejou.

Percebi que ela queria um tempo para suas lágrimas, pois a tristeza lhe impedia de pensar no que poderia ter ocorrido.

Coloquei meus braços em sua volta, e a abracei. Não um simples abraço, mas coloquei todas minhas energias e pensamentos positivos ali. Estávamos em tempos difíceis, e uma era de caos estava se aproximando.

Não posso dizer muita coisa, até porque meus amigos já mataram muitas pessoas, e eu participei. Mas, matar Calista tinha sido o tiro de guerra. Se eles já haviam matado alguém antes, agora o verdadeiro massacre iria começar. Quem havia feito aquilo, tinha pagado para morrer, e ele iria, da pior maneira possível.

...

– Luisa, você já sou... — Isabella entrou no chalé, no mesmo estado que Luisa estava. Não chegou a terminar a frase, pois viu a amiga soluçando em meus braços.

– Sim, nós sabemos, Isa... — murmurei.

– Quem... quem teve coragem...? — ela fez a mesma pergunta que Luisa tinha feito antes, mas em outras palavras.

– Não faço ideia... Vamos ter que investigar. — Isabella sentou-se na cama, perto de nós. Luisa se separou de mim e foi abraçar a amiga.

Teria como ficar pior? Sim, teria.

Julie chegou pulando no chalé, com um sorriso estampado no rosto, e de mãos dadas com Malcolm. Teria rido da cena, se não tivesse acontecido nas circunstancias atuais.

Seu sorriso se desfez no momento em que nos viu naquele estado lamentável. Bom, eu já não tinha conseguido conter minhas lágrimas.

– O... o que houve aqui?

Ninguém conseguia falar, então comecei.

– Bom, as notícias mais quentes — tentei começar com uma piadinha, mas não estava funcionando — Seja forte Ju.

Ela se sentou ao meu lado.

– Porque eu teria que ser forte? — perguntou.

– Calista, bom... Caly se foi.

Uma lágrima começou a escorrer pelo rosto de Julie, mas não terminou, pois congelou ali mesmo. Isso significava que ela estava realmente nervosa.

– Como... Como assim? — Julie perguntou — Por favor... Me diga que ela... Apenas voltou pra França...

Neguei com a cabeça. Infelizmente, não era isso que tinha acontecido... Algumas lágrimas, que eu não tinha conseguido conter, escorriam pelo meu rosto. Calista tinha sido uma boa amiga durante todos esses anos, não podia acreditar que ela tinha partido.

Mas, de forma ou de outra, eu queria parecer forte, para poder confortar meus amigos, então tentava ao máximo evitar que o choro se tornasse visível.

– Desculpe, Ju... — murmurei. — Nós a encontramos sem vida ao lado de uma poça de sangue no chalé de Circe. Não temos ideia de quem fez isso...

E assim, um por um foram chegando ao chalé de Atena, uns já sabiam, outros não. Foi complicado ter que explicar novamente, várias e várias vezes o ocorrido. Mais complicado ainda, ver todos ali, com exceção de Calista.

Annabelly chegou no chalé e estranhou o fato de ele estar cheio. Heitor e Alawara estavam sentados na parte de cima de uma das beliches, eu estava ao lado de Luisa e Isabella, Leo estava sentado com Julie e Malcolm em uma outra cama... Enfim, todos os amigos mais próximos estavam por ali. Travis ainda não tinha chegado, e eu não sabia se ele tinha ciência do ocorrido.

– O que vocês... — começou a filha de Atena, mas se calou quando eu lhe lancei um olhar mortal, e então saiu do chalé.

– Temos que contar a Travis... — murmurei, subitamente.

– Ele vai ficar devastado... — Julie comentou, limpando alguns resquícios de gelo que ainda estavam em seu rosto.

POV Leo

Por alguns motivos que vocês sabem muito bem, se eu ficasse mais um minuto no chalé eu iria pirar. Resolvi então ir até o chalé de Hermes, procurar por Travis. Sair de uma fria para entrar em outra? Quando não?

O garoto estava deitado na parte de baixo de uma beliche, o que provavelmente era sua cama. Supus que ele não sabia de nada, pois estava na maior tranquilidade.

Um nó se formou em minha garganta.

Se... se eu perdesse para sempre, a garota que eu amava (não que isso já não tenha acontecido) eu não manteria a calma desse jeito.

Sentei-me próximo a seus pés.

– Podemos conversar? — perguntei.

– Você parece preocupado... — murmurou ele, sentando-se ereto.

– Bom, é... — suspirei — Travis, eu realmente não sei como dizer isso pra você.

– Isso o que? — Travis riu, nervosamente. — Está me deixando com medo falando assim...

– Bom, desculpe. Mas o assunto é meio... hum... Delicado.

– Diga logo, Valdez.

– Travis, a Cas... Bom, Connor e Luisa foram ao chalé de Circe mais cedo e a encontraram caída no chão, coberta de sangue... — Engoli em seco, enquanto ele me encarava, em choque. — Travis... Calista está morta.

O garoto me encarou por mais alguns segundos e se jogou sobre o travesseiro, provavelmente para tentar esconder o choro. Ele soluçava, e achei melhor deixá-lo sozinho com a própria tristeza. Quando se está triste, o que menos quer é que outras pessoas tentem consolá-lo.

Saí do chalé e fui para o Bunker 9. Precisava espairecer um pouco, e nada melhor para isso do que mexendo em alguma coisa.

POV Connor

– Precisamos avisar o Quíron... Temos que fazer o velório... — murmurei, com tristeza.

– Eu vou lá... — Heitor comentou, saindo do chalé.

Engoli em seco. Os soluços eram bem audíveis, e eu não sabia mais como consolar as meninas.

Luisa tinha virado para mim e continuava chorando. Isa chorava jogada no travesseiro de Luisa... A situação estava complicada para todos.

Esperamos alguns minutos, até Heitor voltar.

– O corpo dela já está na mortalha, e está sendo levado para o anfiteatro. — falou, e então ouvimos a voz de Quíron no megafone, avisando a todos para comparecer ao anfiteatro.

– Já? — Isabella soluçou.

Julie colocou o braço em volta de seus ombros, e juntas se conduziram ao anfiteatro, com Malcolm a suas costas. Fiquei sozinho com Luisa, uma coisa que tanto gostava, mas não estava nem um pouco afim de fazê-la. Em uma hora dessas não tinha o que fazer, muito menos o que dizer, então apenas beijei sua testa e a conduzi ao local, onde dariamos o ultimo adeus aquela que tanto amávamos, aquela garota que aos poucos conquistou nossos corações.

POV Luisa.

Eu não estava emocionalmente preparada para dar adeus a uma das minhas melhores amigas. Memórias de nós duas passavam em minha mente. Seu rosto sorridente, seus olhos brilhantes. Aquela que ficava feliz por pouco, e nós amávamos muito.

Não tinha nada que não fosse clichê para se dizer nesse momento, mas eu gostava de coisas clichês. Ventava, muito, e acredito que os deuses estavam tão feliz quanto nós. Sua franja dentro da mortalha, esvoaçava com o vento. Olhei para o céu, e escorreu mais uma lágrima, de várias essa noite, a Lua, não brilhava no céu essa noite, supondo que apenas a sua parte escura estivesse virada para a Terra. Lua nova.

– Connor — puxei a barra de sua camisa e apontei o céu. Ele sabia exatamente o que eu queria dizer.

Circe, é a deusa da Lua nova, ela estava presente.

– Bom, acho que não preciso perguntar se vai ter alguma homenagem, não é? — Quiron perguntou, com a voz falhando.

Isabella, Chace, e outros do chalé de Apolo, cantaram uma musica em sua homenagem. Evan trouxe umas flores, lindas como o luar, e colocou a seus pés. Connor e Travis, colocaram sobre ela um manto dourado, com as palavras amor e amizade bordadas em grego. Julie, fez uma pequena tempestade de neve, e creio que não tenha sido propositalmente. Malcolm, recitou um poema, e chegou a minha vez de pronunciar algo. Embora eu não conseguisse fazer nada que não fosse chorar, Calista merecia, e então me dirigi a frente.

– Não se tem o que falar em uma hora dessas — comecei — Essa é a frase mais clichê em velórios, mas, assim como eu, Calista gosta de coisas clichês. Não vou usar as palavras no passado, pois ela ainda está viva, dentro de cada um de nós. Os momentos mais felizes deixam marcas em cada um de nós, e quem disse, que para estarmos juntos a ela, precisamos estar perto? Cada sorriso, cada vez que vimos seu olhar brilhar, cada vez que ela deixou escapar uma risada, por alguma idiotice, são marcas que não sairão de nós. É o tipo de coisa que fica gravada na alma. Não se muda, não se esquece, simplesmente está lá, e vamos guardar para todo o sempre. Calista foi a melhor amiga que alguém poderia ter, e simplesmente não sei como alguém pode ter cometido uma atrocidade dessas. Mas no final, tudo dará certo. O tempo muda, mas as coisas não, com Caly, aprendemos várias lições, mas a mais importante delas — solucei — é que devemos confiar nos outros, e procurar conhecê-los o melhor possível, as pessoas vem e vão com a mesma facilidade, o que podemos fazer é colocá-las em nossas vidas, e fazê-las importantes para nós, elas vão nos fazer sentir completos, e dar mais valor as coisas a nossa volta. Vamos sentir sua falta docinho.

Me sentei soluçando novamente, enquanto as coisas acabavam.

Heitor colocou fogo na mortalha, com as inscrições: Calista, nossa guerreira.

E no final, Leo, e o chalé de Hefesto soltaram fogos de artifício, de modo que formavam seu rosto.

E o sorriso de Calista coloriu o céu, noite adentro.

Notas finais
Quem vocês acham que foi o assassino? Reviews?