Too Much To Ask
42 Capítulo XLI - O mistério
Notas iniciais
POV Luisa
– Todos os escolhidos para a linha da frente estão convocados para treinamento em 15 minutos. — a voz de Brissy ecoou pelo Acampamento, me acordando. Percebi meus irmãos reclamando ali perto. Pelo menos a maioria deles poderia continuar dormindo. Apenas eu e Malcolm estávamos nessa furada. Levantei-me, coloquei um shorts jeans, a camiseta do Acampamento e um All Star. É, eu raramente usava algo diferente disso... Mas esperava o quê? Eu sou filha de Atena, não de Afrodite. Prefiro usar uma roupa confortável e prática do que algo que me dê problemas com os movimentos. E além do mais, eu estava indo lutar...
Malcolm levantou parecendo um zumbi. Levou cerca de 10 minutos até que ele conseguisse abrir os olhos e reparar que (olha que novidade!) ele tinha esquecido de colocar as calças. Fato que o levou a correr de volta para seu baú e escolher um shorts qualquer.
Saímos juntos, em direção à arena. Não tínhamos tomado café da manhã, mas provavelmente Brissy resolveria isso.
Quando cheguei, me deparei com fatos estranhos: Aghata estava lá. Me surpreendi, não só pelo fato de ela estar lá, sendo que sequer tinha realizado os testes, como porque Brissy a encarava. Seus olhos com chamas olhavam diretamente para os olhos de Aghata. Alawara estava em um canto, sentada. Parecia tentar entender o que acontecia ali. Heitor ainda não tinha chegado, assim como Julie e Calista, mas não me importei muito com isso.
– Aghata Johann... — Brissy balbuciou. — O que posso ver em seus olhos, senão uma essência totalmente conhecida por mim?
Aghata se assustou. Sim, apenas nesse momento. Enquanto Brissy a encarava, ela parecia não temer a deusa. Mas se assustou com o comentário, o qual eu ainda não tinha conseguido entender.
Sentei-me ao lado de Alawara. Ela não parecia triste ou com raiva. Apenas estava mais fria que o normal. Era o que acontecia quando se tentava esconder os sentimentos. Pelo menos, era o que eu entendia sobre isso. Alawara não gostava de parecer estar sofrendo por causa de um homem. Até onde eu sabia, ela tinha herdado certo feminismo da mãe.
– Você sabe o que está acontecendo? — perguntei, da forma mais delicada que consegui.
– Não... A Brissy não é nenhuma inimiga de Macária para estar acontecendo algo assim... Digo... Pelo menos até onde eu sei.
– Di immortales! — exclamou Brissy. Então virou-se para mim e Alawara. — Vocês duas... Subam até a Colina Meio-Sangue. Uma novata acaba de chegar e está sendo perseguida por monstros.
Saquei minha espada. Não perguntei como ela sabia disso, afinal, era uma deusa. Alawara pegou seu arco e corremos colina acima. Chegando lá, vi que uma menina corria de um ciclope e um cão infernal.
– A Julie seria muito útil nesse momento. — resmunguei e ataquei o ciclope no momento em que Alawara acertou uma saraivada de flechas no cão infernal e este se desfez em pó. O ciclope tentou me atacar, mas eu fui mais rápida, desviando do golpe. Parei por trás. Ele ia se virar, mas cortei seu pescoço a tempo. Outro monstro que virou pó.
Ajudei a menina a chegar no Acampamento, onde caiu sentada logo na entrada, ofegante. Reparei que ela estava cheia de arranhões pelo corpo, provavelmente tinha sido perseguida por mais monstros no caminho. Ela usava uma saia xadrez até o joelho e uma blusa branca longa. Provavelmente era seu uniforme escolar. Seus longos cabelos cor de mel estavam presos pela metade, deviam ter se soltado enquanto ela corria, e estavam empapados de suor. Devia ter uns 13 anos, embora parecesse alta para a idade.
– Está tudo bem? — perguntei, sentando-me ao seu lado.
– Nã... Não... Mas vai ficar. — murmurou, ainda ofegante.
– Qual é o seu nome? — Alawara questionou, se aproximando de nós.
– Manuella... Mas podem me chamar de Manu. — falou, cravando seus olhos azul-acinzentados em mim.
– Bem, Manu... Eu sou Luisa, e aquela é a Alawara. Quer nos contar o que aconteceu?
– Bom, eu estava na escola... E minha professora de geografia me chamou... Pensei que era algo sobre minha nota na prova, embora eu tivesse indo bem na matéria... Bom, nós fomos até o corredor e garras apareceram em suas mãos, e ela me arranhou... Uma voz na minha mente gritou "FUJA"... Vocês devem estar me achando louca, mas... — apenas neguei com a cabeça. Na verdade, eu estava achando aquilo extremamente normal. — Eu saí da escola correndo, desviando das outras pessoas, que provavelmente pensavam que eu estava atrasada para uma aula... Então eu continuei correndo e percebi que a professora ainda estava correndo atrás de mim... Não sei se era a adrenalina ou o que, mas corri o mais rápido que pude, sem uma direção específica... Encontrei esses seres pelo caminho e... Bom, tirando o fato de que tropecei algumas vezes, consegui chegar aqui... Não sei como...
– Er... Manu... — começou Alawara — Sinto lhe dizer, mas... Sua vida ali fora vai ficar bem perigosa a partir de agora. Mas aqui você estará segura.
– E vocês...
– Nós estamos aqui há um bom tempo... Mas já temos treinamento suficiente para voltar para casa durante o ano letivo... Espere! São férias de verão... Como é que você estava na escola? — estranhei.
– Colégio interno... — murmurou — Meu pai precisa viajar muito o ano todo, e como eu não posso ir com ele... Bom, tive que ficar no colégio interno o ano inteiro. E quando isso acontece... Bom, eles adoram nos fazer ter mais aulas que o necessário.
– Mas e sua mãe? — perguntei. Provavelmente sua mãe era uma deusa, afinal de contas, ela estava aqui no Acampamento, depois de ser perseguida por monstros.
– Minha mãe abandonou meu pai quando eu ainda era pequena... Não cheguei a conhecê-la.
Assenti.
– Venha, você precisa comer alguma coisa e descansar... — falei, levantando e oferecendo a mão para ajudá-la. Então fomos para o refeitório. Eu teria que explicar muitas coisas para ela ainda, mas o melhor era deixar que estivesse melhor. O refeitório estava vazio, então apenas sentei na mesa de Atena e pedi para que ela sentasse ao meu lado. Mamãe provavelmente não se importaria, afinal. — O que você quer comer?
– Hm... Tem panquecas? Faz tempo que não como panquecas. — eu ri. Sua expressão logo mudou para surpresa quando as tais panquecas apareceram magicamente em seu prato.
– Depois eu te explico... — murmurei.
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Deixei Manu com Travis no chalé 11. Ela provavelmente seria reclamada logo, mas não tinha como levá-la junto nos treinamentos com a Brissy.
Brissy lutava contra Aghata. Poderia parecer uma luta completamente injusta, mas a novata estava se saindo muitíssimo bem. Brissy avançava contra ela e ela se transformava em sombras, aparecendo em outro lugar e investindo contra a deusa.
Isso me deixou abismada.
E por algum motivo, a deusa parecia ter raiva da menina.
Talvez fosse o motivo para ela estar encarando-a mais cedo. Ou talvez a menina tenha apenas pisado no calo da deusa. Eu não saberia definir com certeza.
– Ooi — Isa chegou pulando ao meu lado — Devo ter perdido alguma coisa, certo?
– Nada demais — murmurei — Apenas uma campista nova.
– Ah, mas foi exatamente por isso que eu me atrasei, ela foi reclamada sabia?
– E...? — Perguntei impaciente.
– E? — Ela interrogou confusa. Bufei.
– Ela é filha de quem criatura?
– Ah sim — Ela sorriu — A novata é sua irmã.
Sorri largamente. Se eu tinha certeza de alguma coisa, era do potencial da novata.
– É, mãe, obrigada dessa vez! — falei, olhando para o céu. Isabella riu.
– Enfim... Você sabe o que aconteceu? — perguntou, se referindo à luta.
– Não, Brissy apenas se referiu a ela com uma história sobre os olhos dela... Depois eu saí e quando cheguei elas estavam lutando...
– Então...
– A situação é a seguinte: — Heitor apareceu ao nosso lado. — O marido da Brissy está tendo uma vida de mortal... E a menina é filha dele.
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