Too Much To Ask
20 Capítulo XIX - Ciúmes?
Notas iniciais
POV Luisa
– Vamos logo — alguém gritou.
– Sim! Vamos — Leo e Heitor falaram em uníssono.
E saímos todos correndo até a ala dos chalés. E lá estava ele, o garoto rosa, com a bermuda perfeita.
– Acho que podemos começar... — falou Heitor. Ele e Leo exibiram um sorriso malicioso.
– Com certeza. — falou Leo. E lançou a primeira bola de fogo.
E começou aquele festival. Ai, esperava que eles não botassem fogo no Acampamento inteiro, apenas isso.
Bolas de fogo vinham de todos os lados, nós não conseguíamos parar de rir, da cara do novato, correndo em círculos, e gritando, enquanto as meninas saíram pulando e dançando:
– THIS BOY IS ON FIREEEEEEEEEEEEEEEEE.
Até que uma bola de fogo finalmente o atingiu. Sua bermuda começou a pegar fogo gradativamente.
– Socorro — gritou, e todos riram.
– THIS BOY IS ON FIREEEEEEEEEEEEEEE — gritaram mais alto.
O acampamento todo tinha parado para rir agora, e Thiago saiu correndo e pulou no lago de canoagem, mas bem, o fogo não apagou.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH — gritava.
Heitor e Leo pegaram Calista nos ombros.
– Ótimo trabalho Cas — parabenizei.
O Acampamento inteiro estava rindo agora.
– THIS BOY IS ON FIRE!!! — todos começaram.
Caramba, o povo era malvado, ninguém foi ajudá-lo. Mas dane-se, era uma diversão enorme comparado à monotonia do Acampamento.
– Acho que se eu rir mais um pouco meu pâncreas vai estourar — comentei rindo com Isabella.
– O meu já estourou faz tempo — Ela disse, caindo no chão e rolando de tanto rir.
– E o que vamos fazer agora? — perguntei.
– Esperar terminar, é claro!!!
Três horas se passaram até o fogo se extinguir de vez e ele ficar só de cueca na frente de todo o acampamento, o que foi motivo de várias risadas novamente.
– Oh! Droga, acabou — disse triste.
– Sim, realmente acabou — Heitor admitiu.
– É, foi legal, poderíamos fazer isso novamente um dia desses — Leo riu.
– Sim — Julie sorriu — estamos todos juntos novamente, o Camp será interessante de novo.
– Hora dos agradecimentos — Isa pulou.
– Como assim? — perguntei confusa.
– Assim — ela sorriu e me arrastou com todos os outros.
– Hey novato! — Ela sorriu se aproximando dele — Bom, desde que chegou, você foi motivo de várias piadas e risadas entre nossa turma — ela apontou cada um de nós — Obrigada! Espero que se enturme agora — desejou.
– O efeito vai passar amanhã durante o almoço — Calista piscou — Boa sorte!
E todos agradeceram e saíram, inclusive eu. Estavam quietos, enquanto caminhávamos na direção do chalé de Heitor, o que eu achei estranho, eles não eram quietos. Mas quando pisaram no chalé, explodiram em gargalhadas.
– A cara deles quando a gente agradece é o máximo — alguém comentou.
– Ele estava com uma cara tipo "Mas o que?" — acrescentaram.
– Quanta maldade... — comentei. — O que vamos fazer agora?
– Por enquanto vamos deixar a poeira baixar um pouco — Connor disse — Não queremos encrenca com Quiron, ou Dionísio, ou Zeus... Como da ultima vez.
– Última vez? — perguntei, com um sorriso travesso. — O que aconteceu da última vez?
– Deixa que eu conto — Malcolm se ofereceu, eu havia esquecido que ele estava lá — Nós éramos, bem, er... um pouco, descontrolados. Fizemos algumas pegadinhas e causamos um caos no acampamento, bons tempos aqueles, até termos uma encrenca com Quiron, bem, não adiantou de nada, e o problema passou para o Senhor D., bem, digamos que também não resolveu, e ai a coisa ficou feia, ele passou o problema para Zeus. Quase fomos expulsos, e só com muita intercessão de nossos pais...
– E umas rimas do meu paizinho lindo — Isabella interrompeu rindo — Qual é, vocês conhecem as rimas de Apolo.
– Enfim — Malcolm continuou — E só com muita intercessão de nossos pais, e umas rimas de Apolo — ele fez uma careta — que estamos vivos até agora. Ai nós ficamos mais calmos, não aprontamos muitas vezes seguidas e a gente se separou por um tempo, contra a vontade, mas foi.
Todos aplaudiram.
Percebi uma movimentação lá fora. Parecia que todos estavam indo em direção à Colina.
– O que será que aconteceu? — perguntei.
– Novatos? — perguntou Leo.
– Mais novatos? — perguntou Connor, maliciosamente.
– Pelo jeito... — disse Isabella. — Vamos lá ver?
Corremos para fora em direção ao grande pinheiro. Vimos uma multidão por lá e dois garotos com camisetas diferentes das demais (o que nos fez reconhecer que eram mesmo novatos).
– Toda essa multidão pra dois novatos? — perguntou Alawara.
– Poderosos, pelo jeito... — comentou Heitor.
– Mas não teve essa multidão nem quando nós chegamos. — falou ela.
– Acho que nossos pais interferiram nisso... Venham!
– Ai meus deuses — Isabella gritou — Evan, Carl — saiu correndo para abraçá-los.
– Mas quem... — Leo fez uma careta — Quem eles pensam que...
Os garotos, que pareciam já conhecer Isabella, se revezavam para abraçá-la, e vieram em nossa direção.
– Gente, esses são Evan e Carl — ela apresentou.
– De onde você os conhece? — questionei. Um dos garotos, que aparentemente se chamava Carl, me encarou. Os garotos eram loiros de olhos azuis. Tinham o cabelo bagunçado e pele clara. Eram bonitos, isso eu tinha que admitir.
– Então, Isabella... — falou Leo, depois de um tempo. — De onde você os conhece?
– Férias escolares, estávamos em uma praia, e passamos uma semana juntos, embora eu estranhasse que eles não entrassem no mar... Mas o que isso te importa senhor Valdez? — ela interrogou.
– Hã... Nada, nada... — falou ele, tentando disfarçar suas bochechas vermelhas.
– Já sabem de quem são filhos? — perguntei, para cortar o clima ruim. — Para não entrarem no mar... Eu diria Hades ou Zeus. E pelos olhos azuis... Zeus. — meu rosto começou a queimar... Sequer entendi o porquê.
– Exatamente — Um deles riu, Carl pelo jeito, fiquei ainda mais vermelha.
– Ah, vamos descer — Isabella sugeriu — Vem, vou apresentar o acampamento a vocês.
– Vou com você — não consegui controlar minha voz.
– Eu também — Connor e Leo gritaram juntos, Leo pegando a mão de Isabella e Connor a minha mão. Com a mão livre, Isabella pegou a mão de Evan, que recebeu um olhar furioso de Leo, e Carl pegou minha outra mão, que correspondi com todo o sangue do meu corpo, subindo para o meu rosto.
Connor apertou ainda mais a minha mão, em sinal de advertência. Não achava que ele era a melhor pessoa para me dizer o que fazer... Carl olhou para ele e Connor lançou-lhe um olhar mortal.
– O chalé de vocês é aquele ali. — falaram Leo e Connor, como se tivessem lido a mente um do outro. — Vamos, garotas.
– Caramba, quanto ciúme. — sussurrei no ouvido de Connor.
– Eu só cuido do que é meu. — comentou ele. — Não vai ser um filho de Zeus babaca que vai te tirar de mim.
– O que você tem? — Isabella sussurrou para Leo.
– Quando foi que você ficou assim? — perguntou ele. Aparentemente, Carl e Evan não estavam prestando atenção no que dizíamos.
– Assim? — ela perguntou perplexa — Por favor né?
– Por favor digo eu. — falou ele.
– Você não é nem meu namorado. Não tem porque falar nada. — falou Isabella, revirando os olhos.
Leo bufou e murmurou algo incompreensível.
– Pois devia. — falou ele, e bufou novamente. Evan soltou a mão dela e se virou para o irmão, murmurando algo que eu não entendi. Os dois correram para o chalé 1.
– Satisfeitos? — as duas falaram ao mesmo tempo — Agora eles se assustaram com vocês.
– Estamos — eles sorriram — Vamos Lu, vamos fazer alguma coisa — Connor chamou. — E nós saímos deixando os dois sozinhos.
– Isso é jeito de tratar um novato? — perguntei, indignada.
– Que eu me lembre, você não estava muito preocupada com a nossa maneira de tratar os novatos até 15 minutos atrás. — falou ele.
– Isso tudo é ciúmes??? — falei. — Já imaginou se eu tivesse sido ciumenta assim quando você ainda estava com a asiática vadia?
– Isso já é outra história. Não meta o nosso passado no meio disso. Você ficou parecendo um tomate quando o tal garoto segurou a sua mão, não adianta negar.
Revirei os olhos.
– Dá pra parar de implicar com isso??? Caramba! Nem meu pai era tão ciumento assim quando eu tinha 14 anos. E olha que ele era ciumento.
– Era diferente.
– Ah, dane-se. — falei, e o calei com um beijo.
– Porque você faz isso comigo? — ele murmurou- você me deixa louco de ciúmes.
– Não tem ninguém tão ciumento em todo o acampamento. Ainda mais por um novato.
– Você viu o Leo? — ele perguntou.
– O que tem o Leo? — perguntei.
Connor revirou os olhos.
– Não sou o único ciumento por aqui. — murmurou ele. — E não é ciúmes. É medo de te perder.
– Você nunca vai me perder bobinho — o beijei.
– Já tive mais concorrência do que queria — ele murmurou — primeiro aquele tal de Chace, e aquele dia meu irmão não parou de falar o quanto você era legal e entendia ele. E agora esse tal de Carl. Desse jeito eu não aguento.
– O Chace você não precisa temer. — falei, abraçando-o. — O Travis é seu irmão, ainda tenho esperanças de que ele vai se entender com a Katie... E o Carl... Connor, eu nem conheço ele ainda... Muitos me criticaram por voltar a ficar com você, e eu só suportei isso porque eu te amo. Eu não teria perdoado uma traição se não fosse esse o caso. Não precisa se preocupar.
Ele ficou vermelho, e foi passando para roxo e verde. Teria dito alguma coisa, se não tivesse visto um exército de monstros tentando ultrapassar a fronteira.
– Ah, mas será que não podemos ter um minuto de paz nesse Acampamento? — falei, estressada, pegando a minha espada. Connor sacou a dele e corremos para a fronteira.
– Filhos de Zeus... — comentou Connor, revirando os olhos. — Não há uma vez em que isso não acontece quando chegam filhos de Zeus no Acampamento...
Corremos o máximo que podíamos, mas não seriamos o suficiente, por sorte encontramos com Isabella e Leo na divisa.
– E ai Luísa, tudo bem? — ela gritou.
– Sim e ai? — respondi.
– Sim, novidades?
– Ah, o de sempre, só um exército querendo meu sangue. E ai?
– Ah, estamos na mesma. — mas apesar das brincadeiras as coisas estavam feias de ambos os lados.
Isabella começou a atirar flechas contra os monstros, e eu comecei a atacar um ser parecido com uma fúria. Cortei seu pescoço e fui atingida por uma dor excruciante. Uma arai. Droga, de onde ela tinha aparecido?
Um monstro ia me atacar, mas eu não conseguia mais me mexer. Todos os outros estavam defendendo suas próprias vidas. Eu não podia correr e nem mesmo movimentar o braço que segurava a espada. É agora, pensei.
Mas nesse momento, um raio caiu na minha frente e o monstro de desfez em pó na minha frente. Olhei para o lado e vi um dos gêmeos. Percebi que o outro ajudava Isabella.
– O... Obrigada... — falei.
– Não há tempo para agradecer, gata. — falou ele. — Temos monstros para matar.
Não conseguia me levantar — muito conveniente- pensei.
– Er... da para chamar Isabella pra mim?
– Ah, me desculpe. — ele sorriu — Tinha me esquecido da arai.
Isabella veio com Evan a seu lado te dando cobertura. Não era para ser o Leo? Mas ok.
Ainda não conseguia me levantar. No fim da batalha, Isabella me deu um pedaço de ambrósia e Connor me levou até o meu chalé.
– Você está melhor? — perguntou ele.
– Sim... Regra número um em uma batalha contra monstros: Não mate uma arai.
Ele deu uma risadinha.
– Acho que podemos conviver com isso. — falou ele. — Ainda está cedo, podemos ficar aqui mais um pouco. — ele beijou minha testa.
Estava melhor, e a batalha estava terminada.
Malcolm chegou pulando — estranho demais.
– Er... acho que atrapalhei alguma coisa não é? — Ele corou.
– O de sempre — respondi — Aonde vai com tanta pressa?
– Ah, vai ter tipo uma luta lá na arena, me mandaram chamar o Connor, o que é estranho. Vão ser os novatos filhos de Zeus, Carl e Evan, contra o Leo e o Connor. Não entendi muito bem o propósito disso, mas você vai? — Ele se dirigiu a Connor.
– Desde quando eu perco uma luta? — um sorriso malicioso surgiu em seu rosto — Aqueles filhinhos de Zeus precisam de uma lição, chegaram com marra demais aqui.
– Mas... Eles são... legais — Malcolm afirmou, mas me pareceu mais como uma pergunta.
Connor lhe lançou um olhar zangado — Não, eles não são legais. Venha Luisa, vamos.
E embarcamos novamente em busca de encrenca.
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