Too Much To Ask

58 Capítulo LVI - It's Not The End


Notas iniciais
Preparem os lencinhos.

— Diga logo, Isabella. — Travis levantou sua voz em meio à multidão. — Diga logo que fui eu!

Nesse momento, todos arregalaram os olhos.

— Minha amada morreu pelas minhas mãos, e eu morrerei pelas mãos dela, por mais que ela não esteja mais aqui. — Travis se levantou e ergueu um frasco de vidro transparente, que continha um líquido transparente, mas que eu tinha certeza de que não era água. — Suas últimas palavras poderiam morrer comigo, mas tenho em mente de que são dignas para serem ditas em voz alta. Enquanto sangrava, ela disse "Partir é uma dor tão doce que ficaria dizendo boa noite até amanhã". Agora é minha vez de sentir essa dor tão doce. Porque esta foi uma alegria violenta que teve um fim violento, falecendo no triunfo. Ela era a pólvora, e eu era o fogo. Ela foi consumida e, logo depois, eu acabaria por sê-lo também. Eu senti a dor de sua morte quando percebi que seu corpo jazia no chão. O motivo para eu tê-la matado? Morrerá comigo. Mas devo dizer que só zomba da dor aquele que nunca foi ferido. Mas, agora, aquela luz que vem do leste, é a minha doce Calista, que me levará embora junto com ela. — Travis abriu a garrafa e eu senti a tensão de Connor. Abracei-o, escondendo meu rosto em seu pescoço, sabendo que nenhum de nós dois gostaria de presenciar essa cena.

E assim foi. Em poucos segundos, o corpo do meu cunhado jazia no chão, totalmente sem vida, pego por uma arritmia cardíaca, que o levou a sufocar. Mas eu não tive coragem de abrir os olhos para vê-lo. Pela primeira vez na vida, vi que Connor realmente estava chorando. Quando se perde alguém que se ama, segurar as lágrimas é algo imprudente. Engolir o sofrimento só faz com que as coisas piorem. E, então, eu dormi, pensando nisso e nas belas últimas palavras que Travis tinha deixado ao mundo.

E pensando que a morte também podia ser muito cruel, mas apenas porque o amor existia.

POV Isabella

Não era para ter sido assim, não podia ser assim. Lágrimas começaram a rolar por minha face, aumentando cada vez mais sua frequência e logo se transformaram em soluços, soluços estes que eu era incapaz de conter. Perdê-los, ambos, de uma só vez, era o pior para todos, e a culpa de certa maneira era minha. Sentei-me no chão e deixei que os soluços me dominassem por completo, depois de um tempo senti que alguém me abraçava. Não, não podia ser ele, mas apenas não tinha mais forças para levantar a cabeça e tirar minhas dúvidas.

— Isa, acredite... Estou tão triste quanto você... — ouvi a voz de Leo, confirmando minhas suspeitas. — Eu poderia estar com raiva de você, isso é verdade, mas... Eu não consigo. Eu te amo, e isso me obriga a te perdoar, mesmo que você não queira ficar comigo, eu vou entender... Quer ir até o seu chalé ou quer que eu fique aqui com você?

— Você... Pode... Ficar aqui... Comigo? — senti minha voz tremer, por conta da minha falta de forças. Eu não conseguiria levantar e caminhar até o chalé 7. Na verdade, quase não tinha forças para ficar ali, sentada.

— Ficarei com você para sempre, enquanto você permitir. Agora durma, pequena... Eu ainda estarei aqui quando acordar. — ele se aproximou de mim e me deu um beijo na testa.

POV Leo

Vê-la fragilizada era demais para mim, ela podia ter me machucado, muito, podia ter pisado em cima de mim — não que ela tenha feito isso — que eu não conseguiria não amá-la. Me aproximei dela e ajoelhei ao seu lado. Ela começou a soluçar, mais ainda, não sabia o que fazer, ela não olhava para mim, só me restou quebrar o silêncio.

— Isa, acredite... Estou tão triste quanto você... — Não sabia por onde começar, resolvi simplesmente desabafar com ela — — Eu poderia estar com raiva de você, isso é verdade, mas... Eu não consigo. Eu te amo, e isso me obriga a te perdoar, mesmo que você não queira ficar comigo, eu vou entender... Quer ir até o seu chalé ou quer que eu fique aqui com você? — Não, por favor, peça que eu fique, por favor.

— Você... Pode... Ficar aqui... Comigo? — SIM.

Sua voz estava tremendo. Eu não conseguiria aguentar por muito mais tempo.

— Ficarei com você para sempre, enquanto você permitir. Agora durma, pequena... Eu ainda estarei aqui quando acordar. — Me aproximei e dei um beijo em sua testa, olhar para ela, e não beijá-la era uma tortura, eu teria que ser forte, muito, se quisesse reconquistá-la novamente.

POV Connor

Eu não podia acreditar que isso tivesse acontecido. Que ele tivesse feito isso comigo. Que ele tivesse feito isso consigo mesmo. Não queria pensar em como minha mãe ficaria arrasada ao saber disso...

Sentia os braços de Luisa ao meu redor, tentando me confortar. Sua camiseta preta já estava ensopada com as minhas lágrimas. Homem não chora? Experimente perder um irmão que sempre foi seu companheiro para ver se não chora.

Estava rezando para que ninguém viesse com um "Tudo bem?". Não, não estava nada bem. É impossível ficar bem nessa situação.

— Teremos que lidar com isso juntos. — Luisa sussurrou. — Eu sinto muito... Eu poderia ter tentado impedir...

— Não, você não conseguiria impedir... — falei, entre soluços. — Travis era teimoso... E sinto que ele já estivesse pensando em fazer isso antes...

— Mas a culpa foi toda minha...

— A culpa não foi sua, não foi minha, nem de ninguém. Seja o que for, eles estão juntos no Elísio.

Mas ele não foi para o Elísio, e nem ela.

Aquela não era a primeira encarnação deles, nem a segunda. Eles iriam enfim para a Ilha dos Abençoados.

Notas finais
Espero que gostem.