Tons

2 Capítulo 2 ¤


Notas iniciais
Boa leitura :3

Uma vez em um inverno no dia das crianças as meninas ganharam bonecas de pano. Foi logo no meu primeiro ano no orfanato, eu também ganhei uma fofinha tão linda que ao tocá-la tinha medo que se quebrasse em minhas pequeninas mãos, carinhosamente a chamei de Plin, porque esse era o som que a torneira fazia quando todos estavam dormindo, plin, plin, plin... e eu gostava, parecia música.

E aquela música era silenciosa, gotas simples que me traziam calma assim como minha boneca Plin. Me lembro quando as meninas desgrenhadas e briguentas rasgavam suas bonecas sem nenhum amor no coração, doía em mim vê-las ali destruídas. E no final a única boneca que restou foi a minha e a partir de então não a largava mais, porque tinha medo de a torturarem.

Naquela época só precisava me preocupar com a minha pequena boneca e isso foi há muito tempo atrás. Hoje tenho que me preocupar com a família que vai me receber, perguntas pulavam de um lado pro outro, como será? Será um casal ou uma pessoa só irá me adotar? Porque escolher uma menina de dezesseis anos? Onde eles moram? Possuem filhos?

Minha cabeça dói. Perguntas não ajudam em nada não é? Só que me sinto pequena, um destino me espera mas eu não sei o qual e isso me deixa ansiosa por algo a mais. Uma nova vida me espera.

Depois de duas horas de viajem minhas pernas já estavam formigando quando vi o aeroporto se aproximar cada vez mais pela janela. O sol já estava se pondo também, grandioso cheio de tons alaranjados. Um lindo por do sol, pensei.

Chegando no aeroporto o motorista me disse para embarcar no primeiro voo para Washington e esperar pelo outro motorista que estaria a minha espera, me entregou uma passagem de ida e se despediu.

Assim fácil? Iria sozinha? O medo tomou conta de mim, mas não queria voltar. Não voltaria nunca mais. Cheia de coragem fui até uma aeromoça que gentilmente me levou até o avião. Ele era confortável com poltronas macias e silencioso me senti a vontade logo que me sentei e aos poucos percebi que um pouco do nervosismo se esvaiu.

Acordei sobressaltada com a voz de alguém e demorei alguns segundos para notar que quem falava era a aeromoça dizendo que tínhamos chegado ao nosso destino. Me espreguicei na poltrona, que talvez tenha sido o lugar mais confortável que já dormi, no orfanato dormíamos em beliches de madeira que rangiam o tempo todo com o nosso peso. E olhando pela janela vi meu novo lar. Washington.

Notas finais
Obrigada por ler haha!!