Tomodachi No Kiochi

13 Sentimento: Paixão


*Ahnn? O-o que?* *P-porque eu disse isso?* *E-eu acabei de me declarar para a Marina?*

– Pedro? — Marina se virou rapidamente me liberando do meu transe. Ela estava surpresa, e a menina que estava brigando com ela estava quase tão surpresa quanto ela.

Não sei explicar por que eu tinha dito aquilo, mas quando aquela menina disse que ninguém poderia amar a Marina pelos seus defeitos, eu não aguentei. Agora ali estava eu, em frente a menina que eu tinha acabo de confessar o meu amor, e, querendo ou não, eu já tinha dito aquilo, então era melhor perder a vergonha e me xingar depois.

– I-isso é verdade Pedro? — Ta bom, toda a minha coragem tinha ido. Depois do que ela disse eu simplesmente não conseguia falar.

– A-acho que é! — Eu falei olhando para o chão.

– Haha! O único menino que acha que gosta de você é um fracassado sem amigos! — A menina que antes estava brigando com a Marina ria.

– Não sou fracassado. E eu tenho amigos, podem não ser muitos mais acho que são bem melhores que suas amigas que estão com nojo de você só porque você usa roupa velha. — Assim que disse isso a menina bateu os pés em minha direção.

– Escuta aqui loirinho, eu NÃO uso roupa velha e minhas amigas NÃO estão com nojo de mim! — Ele chegou perto do meu rosto, perto demais.

Quando a viu perto de mim, Marina saiu do seu transe e veio marchando até a menina. Ela estava com uma expressão furiosa, o que me fez pensar que, depois da menina, eu seria o próximo a ser socado. De repente ela fez o que eu menos esperava, puxou a menina para trás e me deu um beijo.

Quando o beijo acabou eu fiquei tentando lembrar qual era o meu nome e o que eu estava fazendo ali. Eu poderia ter ficado ali, parado, olhando para o nada o dia inteiro. Mas Marina me tirou do meu transe, aliás, de novo.

– Só eu posso chegar tão perto assim dele! — Marina se virou para a menina que agora estava caída por causa da força de Marina. Então me vi fazendo a coisa mais embaraçosa que já fizera, peguei a mão de Marina e corri com ela até a sala de música. Não sabia muito bem o que iria fazer depois, mais eu queria sair do alcance de visão daquelas pessoas.

– Desculpa! — Ela olhou para mim e depois para o chão. — Eu te beijei sem pensar.

– Você quer parar de se desculpar sempre que faz algo bom para mim? — Eu a segurei pelos ombros. — Eu... — abaixei a voz. — adorei o beijo.

Não sei se ela tentou disfarçar, mas dava para ver nitidamente que ela estava com vergonha.

– Era verdade? — Ela disse ainda olhando para o chão. — O que você disse antes? Que adoraria namorar comigo? — Me senti um pouco desconfortável com a pergunta.

– Era. — Olhei para o chão.

– Eu também. — Ela olhou para mim. Pude sentir o olhar dela em mim. — Eu também adoraria namorar com você! — Me surpreendi com o que ela disse. — Aquele foi meu primeiro beijo.

Me surpreendi mais ainda com a última frase. Finalmente consegui olhar para ela. Uma garota tinha me dado seu primeiro beijo? Alias, uma garota tinha me roubado meu primeiro beijo?

– É, também foi meu primeiro beijo! — Eu falei com mais naturalidade do que queria.

– S-sério? — Nossos olhos se encontraram. Por alguns segundos ficamos encarando um ao outro. Por um tempo assustador eu não sabia o que falar.

– Vou cantar. — Ela desviou os olhos. — Tenho que pensar um pouco. — Ela se virou e colocou sua mochila em cima de um banco. Eu ainda estava parado, pensando no que fazer ou dizer, me joguei em uma poltrona que estava perto de mim e escutei Marina cantando. A voz dela parecia a de uma sereia, qualquer um poderia se hipnotizar com ela.

Quando ela acabou, veio em minha direção.

– Eu pensei um pouco. — Ela estava com uma expressão muito séria. — Não sei se eu deveria dizer isso mas... — a voz dela falhou um pouco. — Quer namorar comigo?

– Ei, espera! — Eu me levantei com um pulo. — Eu estava planejando dizer isso a você!

– Então você aceita?

– Não! Quer dizer eu quero namorar com você! Mas eu queria te fazer o pedido!

– Então faça! — Ela cruzou os braços e fez a expressão de brava.

– Tá, calma. — Eu respirei fundo e me ajoelhei. — Marina, quer namorar comigo?

– Não precisava fazer como se estivesse me pedindo em casamento! — Ela descruzou os braços e sua expressão era de felicidade. — Sim, eu quero namorar com você!

Eu confesso que essa foi a pior declaração que já existira, de ambas as partes. Mas enquanto eu me levantava e resmungava por ela estar reclamando ela me deu outro beijo, dessa vez mais curto.

– Não precisa resmungar. — Ela me olhou enquanto ainda segurava minha cabeça e deu uma risadinha. Instantaneamente eu sorri, um dos sorrisos mais sinceros que dera em toda a minha vida.

– Vamos! Precisamos encontrar seu irmão não é? — Ela me puxou para a saída.

– E a Vanessa! — Coloquei meu braço sobre os ombros dela e ela se ajeitou. Esse era um dos dias mais felizes da minha vida.