Tomodachi No Kiochi
3 Sentimento: Defesa
Eu via mais não podia acretitar, meu irmão estava com uma garota! Não qualquer garota mais ela era a Marina, uma menina que, assim como ele, já havia sofrido por causa de amizades e também vivia isolada. Eu me senti fliz por ele ter achado alguém para ter como amigo.
Durante a viagem, em toda hora que podia, olhava para trás e via os dois. Eles quase não conversavam, mais estavam escutando música juntos e, em uma hora ela perguntou para ele se ela podia se recostar nele, ele disse que não tinha problemas, então ela se recostou sobre ele.
Quando éramos pequenos Pedro tinha dois amiguinhos que ele amava muito, porém um dia ele escutou uma conversa dos dois dizendo que eles só iam a nossa caa para ganhar presentes. Depois disso pedro ficou traumatizado e se isolou do resto do mundo. Quando era pra fazer trabalho em equipe ele entrava no meu grupo mas não conversava com ninguém além de mim. Ele diz que sou seu único amigo, de certa forma ele também é meu único amigo. Eu nunca tive um amigo que podia contar segredos e que sabia que ele não iria contar além de pedro. Eu sou sempre muito popular, mas é porque sou bom em desportos e tiro a terceira melhor nota da classe, e também porque eu não sou frio com as pessoas.
A Marina e meu irmão são melhores que eu em desportos e atividade, mas não suportam as pessoas a sua volta.
Eu estava sentado com uma menina chamada Vanessa, eu só me sentei junto a ela por três razões. A primeira era porque minha companhia de sempre, meu irmão, já estava acompanhado. A segunda era porque o irmão mais velho de Vanessa estava no mesmo time de basquete que eu e me pediu para ficar de olho nela na excursão da classe. E a terceira era porque ela estava no mesmo ônibus que eu. Vanessa era uma menina extrovertida, ela era muito alegre mais era bem pensativa. Quando ela estava no meu grupo para fazer os trabalhos ela e meu irmão davam ótimas idéias, se meu irmão permitisse, eles poderiam ser ótimos amigos.
A Vanessa não era como as outras meninas que eu conhecia. Ela não ficava comigo só por causa da cor do meu olho ou do meu cabelo. Ela se sentava a minha frente, e sempre conversávamos descontraidamente. Se olhar repentinamente, ela se parece um pouco com a Marina. Como a Marina, Vanessa também tinha cabelos grandes e negros, mais os cabelos da Marina eram um pouco ondulados, já os da Vanessa eram escorridos, e a franja da Marina era com corte de lado e a da Vanessa era reta, ambas possuíam olhos castanhos mais o da Marina eram claros e os da Vanessa eram mais escuros. Mais aviam muitas semelhanças entre elas.
Eu olhei para meu lado e vi que Vanessa estava dormindo, então olhei para trás para ver como meu irmão estava se saindo com sua nova amiga. Quando olhei me surpreendi, Marina estava dormindo no ombro do meu irmão, enquanto ele escrevia músicas. Meu irmão raramente escrevia músicas, somente quando algo que ele tenha gostado ou odiado muito acontecia. Pelo jeito Marina causou um grande impacto na vida dele.
Finalmente chegamos ao Museu de Artes Modernas do estado de Kaiewer. Olhei para trás e vi meu irmão acordando a Marina, ele a chamou baixo para não assustá-la, mais dava para ver como ele era desajeitado de longe. Ela acordou e os dois passaram por mim, novamente estavam de mãos dadas e ele na frente, ela, que estava atrás, estava bocejando.
Olhei para o lado e vi que Vanessa acordara e vira os dois passando, ela olhou para mim e disse enquanto se espreguiçava:
— Seu irmão finalmente encontrou uma amiga? Que bom! Ela não é a Marina do nosso ônibus? — Eu pensei que ela, assim como os outros, iria reclamar do fato do meu irmão estar sempre sozinho e iria criticá-lo, mas ao invés disso ela estava contente por ele. Eu me impressionei com o gesto dela, sinceramente eu sabia que ela não era como os outros, mas também não sabia que ela era tão diferente assim.
— É ela é a Marina sim! — Eu respondi dando um sorriso
— Ah eles ficam fofos juntos! Eu queria poder ir falar com eles, eles parecem ser pessoas tão legais, mas o problema é que ambos não gostam de falar com as pessoas, que pena — Ela falou enquanto fazia cara de quem estava realmente chateada por não poder falar com eles.
— Meu irmão não tem problemas em falar comigo, então que tal se formos juntos falar com eles? Ele talvez a apresente. — Eu falei com um pouco de esperança de que meu irmão falasse com a Vanessa.
— Claro! Se eu não for te incomodar eu ficaria muito feliz em ir! — Ela estava mais animada que o normal.
— Combinado! Vamos falar com eles na hora do almoço, ambos se importam com as notas da escola, não queremos incomodá-los não é? — Mesmo que tenha dito isso, minha principal razão para ir falar com eles só na hora do almoço era porque eu queria dar um espaço para o meu irmão.
— Ah claro! Vamos indo? — Ela apontou para a porta do ônibus, fiz que sim com a cabeça. Quando chegamos ao lado de fora, Vanessa sugeriu para que fossemos ver algumas estátuas pintadas com mão que tinha em um campo ali perto, eu disse que tudo bem por mim.
A hora do almoço chegou mais rápido do que pudíamos imaginar. Quando entramos no refeitório vimos três fileiras com sete mesas cada uma. Eu pude avistar meu irmão e a Marina, eles estavam na última mesa da segunda fileira, como sempre estavam sentados sozinhos.
— Vamos pegar nossos almoços e ir lá! — Vanessa puxou meu braço e me levou a fila para pegar a comida, pude perceber que era Strogonoff de Frango. Eu deixei a Vanessa pegar antes de mim, ela pegou bem pouco, eu também não pretendia pegar muito porque estava sem fome.
Nos dirigimos a mesa em que meu irmão e a Marina estavam sentados. Eles pareciam estar se divertindo, pois a Marina não parava de rir de alguma coisa que meu irmão dizia. Quando chegamos a Marina parou de rir e abaixou a cabeça, assim eu não conseguia ver o rosto dela porque a touca e a franja cobriam.
— Oi! — Eu disse ao meu irmão que olhou diretamente para o rosto da Vanessa.
— Oi! — Ele estava sem graça, eu percebi isso porque ele estava corado e com a voz tremula
— Essa é a Vanessa, ela também está na nossa classe e no nosso ônibus, ela queria te conhecer! — Eu falei tentando animar um pouco o momento
— Oi! — Vanessa falou e acenou para meu irmão com um sorriso um pouco nervoso.
— Ah o-oi! — Ele desviou o olhar para a Marina que tirava lascas do seu esmalte preto com letras vermelhas com a mão.
— Ah você também gosta de The Buttefly? Eu simplesmente amo essa banda! — Vanessa falou animada se referindo a Marina
— S-sim! Tenho todas as músicas no meu celular. — Marina parecia estar surpresa. De repente eu percebi porque a Vanessa sabia que ela gostava da banda, as letras vermelhas em seu esmalte formavam o nome da banda.
— Ah que legal! Eu tenho dois ingressos para o próximo show deles, quer ir comigo? — Vanessa colocou os dois ingressos nos dedos e mostrou para Marina.
— E-eu não sei! — Marina corou.
— Ah pode pensar um pouco! Enquanto isso você pode me passar as músicas? Eu não acho para baixar em lugar nenhum!
— Claro! — Marina deu um sorriso pequeno. Vanessa se sentou ao seu lado e começou a escolher que música queria que a Marina passasse para ela.
Eu queria conversar com meu irmão então o chamei para irmos conversar lá fora.
— Quando que vocês ficaram amigos? — Eu perguntei tentando não parecer curioso ou intrometido, afinal a vida era dele.
— Hoje de manhã, na sala de música. — Ele estava ficando corado novamente.
— Ah! — Eu queria saber mais, mas também não podia forçá-lo a falar. — Ela parece gostar de você!
— É, acho que sim! — Ele olhou para ela e deu um sorriso bobo. — Eu também gosto dela! — Eu fiquei perplexo. Nunca tinha visto ele falando que gostava de alguém com um sorriso bobo no rosto.
— Que bom que encontrou uma amiga! — Eu tentei não parecer tão surpreso quanto estava. — Eu te vi compondo no ônibus.
— Ah! — Ele ficou mais corado ainda. Ele se virou e pegou alguns papéis na mochila que ele estava carregando — Olha como ficou!
Ele me entregou as folhas, elas eram a música que ele estava compondo. Percebi que com os acordes, ela deveria ser tocada com violão. A letra não estava terminada ainda, mas o pouco que tinha era lindo. Pedro sempre escrevera ótimas músicas.
— Está ficando lindo Pedro! Até agora é a melhor que você já fez! — Eu não estava mentindo, estava realmente bom. Pelo jeito a Marina mexeu mesmo com a vida do meu irmão, eu estava feliz por ele.
— Obrigado! — Ele pegou as folhas novamente e as colocou dentro da mochila.
A hora do almoço terminara. Quando estávamos voltando percebi que estava acontecendo uma briga na mesa que Vanessa e Marina estavam sentadas. Pedro fez uma cara de preocupado.
— Vamos! — Ele mal tinha acabado de dizer e saiu correndo até a mesa, eu o segui. Quando chegamos perto, vimos que eram três garotos que estavam implicando com a Vanessa.
— Ora bonitinha vamos! Porque você não quer que nós a acompanhemos? — O maior dos meninos falou.
— Não quero! Já estou acompanhada, e muito bem acompanhada! O Paulo está comigo! — Eu não deixei de ficar feliz com o comentário dela, mas no momento precisávamos nos esquivar dentre os alunos para conseguir chegar perto da mesa.
— Ah você diz aquele pamonha? Eu não o vejo por aqui! Será que você é muita areia para o caminhãozinho dele? — Um dos meninos falou. Com aquele comentário eu fiquei com mais vontade ainda de bater neles.
— Ele não é pamonha! E ele só está conversando com o irmão! Já deve estar voltando!
— Ah ele está bancando a babá do irmão de novo? O irmão dele é só um bebezinho chorão que não tem amigos e fica por ai atormentando o irmão! — Dessa vez eles não iam ficar impunes, eu agora estava realmente bravo, e percebi que o Pedro também estava.
— Já chega! — Marina se levantou e deu um soco na mesa. Todos ficaram surpresos com sua atitude. Principalmente Pedro. — Eu não estava nem aí enquanto você estava falando mal do outro, mas não vou aturar você falar mal do Pedro! — Pedro parou de se esquivar e ficou ali olhando sua nova amiga defende-lo.
— Ora ora! A princesinha do gelo vai defender o bebezinho? — Na mesma hora que o maior dos meninos disse aquilo, Marina foi para cima dele e deu-lhe um soco no rosto.
— Eu já disse para você não ofendê-lo! — Todos ficaram de queixo caído com a ação dela.
Os outros dois meninos partiram para cima dela, mas Marina conseguiu facilmente colocar os dois no chão, dando um soco na barriga de um e o jogando contra o outro. Olhei para minha frente e percebi que Pedro já não estava mais lá.
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