*Tumdum tumdum tumdum* *O que é isso?* pus a mão em meu peito enquanto pensava. *Meu coração, ele está...estranho.*

Eu caminhava de volta para casa. Acabará de deixar Marina em casa, preferi descer do taxi e vir andando até em casa. Estava me sentindo meio estranho, desde que vi a Marina pegar naquele gatinho de pelúcia meu coração está... hum eu não sei descrever. O que será que está acontecendo comigo?

*Você é fofa!* Sinto vergonha de pensar no que falei a ela. Quando será que comecei a ter vergonha de elogiá-la? Álias, porque eu elogiei ela? Sinceramente que patético! Não consigo nem ao menos me enteder.

Entrei em casa, meu irmão me recebeu com um aperto de mão.

— Onde você estava? — Disse ele com um sorriso grande.

— No cinema com a Marina. — Respondi desanimado.

— O que foi? — Ele me perguntou preocupado. — Foi ruim ter ido com ela ao cinema?

— Foi legal. Só não estou me sentindo bem.

— Exeso de pipoca? — Ele me pergunto com ironia. — Ta parei! O que você esta sentindo?

— Meu coração ta estranho.

— C-como assim? — Ele se surpreendeu.

— Não sei explicar. — Eu coloquei a mão no peito novamente. — Hum, ele está batendo diferente.

— Quando isso começou?

— Não sei exatamente. Acho que quando estávamos em um kiosque de bichinhos de pelúcia. — Quando falei isso, ele fez uma expressão como se já tivesse entendido o que eu estava sentindo.

— Você está apaixonado!

— O-o queeee? — Eu falei um pouco alto demais, o que fez ecoar no comôdo inteiro. — C-como assim?

— É a única explicação! Você está apaixonado pela Marina! — Ele deu um sorriso. — Isso é tão bom!

— Você parece a mamãe! — Resmunguei.

— Por que estou na conversa de vocês meninos? — Uma mulher alta com cabelos loiros e cacheados e roupa de caçadora entrou no salão, a minha mãe.

— O Pedro está apaixonado mãe. — Antes que eu pudesse impedir, Paulo já havia falado.

— V-você tem certeza? — Ela se surpreendeu. — O Pedro?

Eu coloquei o cotuvelo sobre o joelho e a mão sobre minha bochecha

— Você quer para de falar como se alguma coisa impusivel tivesse acontecido? — Eu resmunguei. Mas não a culparia, até uma semana atrás eu não tinha nenhum amigo. — Qual o problema de eu ter me apaixonado?

— Quem é ela? Eu a conheço? Quantos anos ela tem? Qual a cor do cabelo dela? Ela é legal?...

— Mãe! — Ela estava me irritando com as perguntas. — O nome dela é Marina, e sim ela é legal.

— Não você não a conhece, ela tem a mesma idade que ele, o cabelo dela é preto. — Paulo respondeu tudo rapidamente.

— Ei! — Eu estava me irritando. — Era necessário responder?

— Era! — Paulo colocou as mãos sobre a cintura, me fazendo soltar um sorrisinho.

— Ah que bom meu filho! Mas desde quando você a conhece?

— Uma semana, eles se conheceram na sala de música, desde então não se desgrudam. — Paulo respondeu de novo.

— Eu sei responder sabia?

— De que adianta saber se você não ia responder? — Ele parecia tão bravo quanto eu. — Nossa mãe tem o diretito de saber!

— Não tem problema! Ela vai se matricular nas aulas de esgrima. — Respondi quase imediatamente.

— S-ério? — Minha mãe se surpreendeu novamente. — Ela gosta de esgrima? Ela é forte?

— Não sei se ela gosta ou não de esgrima, mas ela é forte sim! Acabou com dois meninos enormes no Museu de Artes Modernas enquanto defendia Pedro. — Paulo respondeu de novo. Aquilo estava me irritando cada vez mais.

— Já gostei dela! — Minha mãe deu um sorriso grande. — Quando ela se matricula?

— Talvez amanhã. — Dessa vez consegui responder.

Sabe, minha mãe não é do tipo toda delicadinha. Ela dá aulas de esgrima e sobrevivência na selva e adora garotas fortes. Eu até hoje acho que ela se decepicionou ao ter dois garotos como filhos, não que eu e Paulo sejamos fracos, muito pelo contrário, mas ela acha que meninas que são fortes são raras e cada uma é uma pérola que ela tem que conseguir. Não entendo muito bem mais ta aí, ela preferia ter uma filha forte.

— Ah tenho que ir! — Ela olhou no relógio de pulso. — Boa sorte com ela filho! — Ela me beijou na testa e saiu.

— Viu? você é o preferidinho dela! — Meu irmão resmungou por não ter ganho beijinho também. — Báh que seja! Eu tenho que sair. Vanessa me chamou para ir até a casa dela ajudar com a lição de casa. Eu já fiz a minha. Se está fácil pra mim vai estar fácil pra você. Tchau.

— Está bem! — Eu ri. Ele saiu deixando-me sozinho no salão.

Me levantei e me arrastei até o quarto. Me deitei e comecei a pensar sobre o meu irmão falou.

*É a única explicação! Você está apaixonado pela Marina!* Será que era verdade? Eu, apaixonado pela Marina?