Together
1 Goodbye and Hello
Notas iniciais
Estava caminhando de volta pra minha pequena casa na África, onde minha mãe, uma historiadora, me aguardava para dar notícias – boas ou ruins, sinceramente, eu não sabia. Eu entrei na sala e ela estava no sofá, cheio de livros na volta, como de costume.
– Sasha. – ela começou – Eu sei que você gosta muito da África, mas eu recebi uma proposta de emprego. – Dei um passo para trás, antes que ela continuasse.
– Para onde? – perguntei. Eu seria louca de pensar que meus amigos, também conhecidos como crianças famintas e animais, não iriam sentir falta de mim, ou eu deles.
– Estados Unidos. – ela soltou, e enterrou a cabeça nas mãos, temendo minha reação.
– O tal do poluente universal? Com meninas vendendo o corpo em cada esquina? – perguntei, e ela assentiu. – Ótimo. Não vou discutir. Quando?
– Vamos nos mudar em mais ou menos dois dias, filha. Eu sei que seria um choque enorme pra você, na verdade, é um choque enorme pra você, mas a proposta foi irrecusável. E você já tem idade, se quiser, pode morar sozinha.
– Dois dias? Certo. – África é um lugar onde você aprende a não teimar, não discutir com ninguém. Mas é o suficiente pra arrumar minhas malas e me despedir dos meus amigos e de Bonnie, minha melhor amiga. Uma girafa. Minha melhor amiga é uma girafa.
Você deve estar se perguntando se eu não me sinto solitária, bem, claro que sim. Vivo rodeada de livros e animais, estudo em casa, mas eu aprendi a me virar e ver o lado bom das coisas. O lado bom de viver nos Estados Unidos? Eu iria conhecer gente nova, estudar numa escola.
Dois dias depois, já tinha dado adeus à Bonnie e à todas as crianças que eu ajudava, foi difícil ver a dor nos olhos deles, por que eu sustentava eles, dava comida, brincava. Coisas que os pais deles não conseguiam. Partimos em um avião em direção aos Estados Unidos da América. Eu já tinha vivido lá, mas mal me lembro, por que eu tinha dois anos. Eu fechei os olhos, apaguei e quando meus pais tornaram a me acordar, eu já estava no aeroporto LAX.
Tudo parecia extremamente novo, moderno e as tecnologias estavam à todo lado. Não me surpreende que a maioria da população é obesa, você pode estar num carro e pegar comida numa janelinha! Acho que o nome disso é alguma coisa thru. Minha mãe está me ensinando às coisas, e estou me adaptando bem. O apartamento em que vivemos é enorme e bem iluminado. A minha escola começaria só em três meses. Três meses livres para conhecer a imensa Califórnia. Começaria por Malibu, ou pelas ruas mais movimentadas. Mas principalmente, praias. Me lembrava a África, o ambiente coberto de areia.
Saí e comprei um biquini, nunca imaginei que minha mãe teria tanto dinheiro fora da África. Pude comprar roupas que nunca tinha visto na vida, e principalmente, num tamanho que nunca tinha visto na minha vida. Voltei para casa, me troquei e remexi o meu cabelo. Moreno e simples, como meus olhos, meio esverdeados. Coloquei um vestidinho e saí, meus pais ficariam ali na volta e não tinham problema em me buscar na volta, por que ainda não conseguia atravessar a rua sem quase ser atropelada. Vi uma cadeira vaga na praia, ao lado de um menino com cabelos semelhantes aos meus. Ele estava dormindo, então comprei uma revista e comecei a ler.
– Se atualizando? – ele perguntou. Para minha surpresa, ele estava acordado. – Vai uma ajudinha aí?
– Ah, sim. Vários anos na África, é nisso que dá. – E voltei à revista. Na África, também aprendi à nunca depositar confiança em alguém que você não conhece. O garoto tirou os óculos. Olhos lindos, azuis, como o mar. Eu os fitei por um minuto.
– Ah, vamos lá! Não seja tímida, qual seu nome? Já conheceu a cidade? Está gostando? – ele tentou ajudar, e ele de certa forma, me fez sentir melhor.
– Então tá. – disse num sussurro – Meu nome é Sasha, conheci, bem, não conheci ela toda, ainda. Mas já gostei. É... diferente. E seu nome qual é?
– Você não sabe meu nome? – ele perguntou. Dei de ombros.
– Eu deveria?
– Bem, não. Mas meu nome é Logan. Logan Lerman. E seria um prazer te mostrar a cidade de Los Angeles! – ele anunciou e colocou os óculos.
– Como eu sei que você não é um estuprador? – eu perguntei e ele deu uma risada. Que risada linda.
– Eu não sou. Você confia em mim? – olhei para os olhos dele, eles demonstravam um homem bonito, educado e cavalheiro. Honesto e sincero. Eu dei de ombros.
– Confio, tá. Vamos lá. – ele levantou, me estendeu a mão e me ajudou a levantar. Algo estranho aconteceu quando segurei sua mão. Seria o garoto, ou seria Los Angeles?
– Bem vinda à cidade dos sonhos, Sasha. – ele disse, e sorriu.
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