Notas iniciais
Boa noite, queridinhos (alguém mais pegou essa terrível mania de Rumple?)! Eu senti que precisávamos de um respiro na fic, entre uma tragédia e outra, e esse capítulo é o respiro. Espero que gostem. Obrigada pelos comentários. Vi que dessa vez, além dos meus amores que sempre comentam e me deixam muito feliz, teve comentários de pessoas que ainda não haviam se manifestado e eu adorei. Continuem comentando, pois a minha inspiração vem todinha de vocês. Vou responder todo mundo assim que puder. Boa leitura!

"Eu preciso descobrir a emoção de estar contigo, ver o sol amanhecer e ver a vida acontecer como um dia de domingo"

— Tim Maia

Mais um domingo se ilumina em NY. O sol aquece os parques, as avenidas, os cafés, as almas de quem já acordou e encarou o lindo céu aberto em seu melhor tom celeste. Mas a manhã é preguiçosa no apartamento da família Swan Mills. Henry acorda e fica mais de uma hora apenas deitado conferindo as redes sociais e respondendo mensagens. Quando sente o estômago reclamar, levanta-se para pegar os brownies que fez no dia anterior e sorri ao encontrar as mães dormindo no sofá. Caminha na ponta dos pés até estar perto o suficiente para se jogar em cima delas e enchê-las de beijos:
— Hummm!!! Não sei se existe uma maneira melhor de acordar. — Regina fala com a voz sonolenta enquanto abraça o filho com todas as forças que tem no momento.
— Eu acho que tem. Você quer ver? — Henry pisca para Emma, que coça os olhos ainda se acostumando com a claridade. — Vamos mostrar a ela?
Emma rapidamente entende do que o filho está falando e sorri concordando. Henry está sugerindo algo que costumavam fazer quando ele era menor. Saber que aquilo era apenas parte de lembranças falsas a entristece por um segundo, mas pode sentir exatamente as emoções da época, então, ignora o fato e inicia a contagem:
— 3, 2, 1...
Emma e Henry atacam Regina com beijos por todo o rosto, um de cada lado. A rainha se contorce em meio a risadas e gritinhos de misericórdia. Um dos beijos de Emma acertam os lábios quentes de Regina e seus olhos se encontram. As mãos de Emma esfriam e, tomada por súbito nervosismo, hesita. Enquanto várias possibilidades de reação passam pela mente de Emma, Regina não pensa nada, apenas mergulha nos verdes límpidos e profundos a sua frente, como quem encara a transparência do mar e se encanta diante da imensidão e riqueza do mundo. Sorri, instintivamente. Um sorriso que se estica até os olhos.
— Acho que essa é minha deixa. — Henry nota o clima que se estabelece entre as mulheres. — Acho melhor irem para o quarto. — Levanta-se e caminha em direção a cozinha.
Sem a presença do garoto, o clima transforma-se em constrangimento, elas abandonam o olhar uma da outra e Emma volta para a posição inicial, mas seus braços permanecem enroscados na cintura da morena. Regina, por sua vez, vira-se de frente para a loira e enterra o rosto na curva de seu pescoço dando-lhe um único beijo. A pele de Emma se arrepia ao mesmo tempo em que um calor cresce dentro de seu peito e espalha pelo corpo. Não é uma reação de puro desejo, é a satisfação de finalmente sentir-se aceita no coração rubro-negro da rainha.
— Acho que alguém comeu tudo. — Henry reaparece na sala e nota o prato com farelos de brownie. — Quando terminarem de namorar, podemos sair para tomar café?
— Nós já vamos, garoto. Vá se vestir. — Emma responde ao filho com um sorriso no rosto e aperta o abraço em Regina, que permaneceu em seu pescoço o tempo todo, acrescentando um beijo no topo de sua cabeça.
— Eu vou tomar banho. — Regina sai relutante do abraço e segue para o quarto.
Emma permanece deitada pensando em como havia sido a noite anterior e estava sendo essa manhã. Parece que as coisas tinham mesmo voltado a ser como antes e, para que sua felicidade fique completa, deseja que os pais desapareçam.
Regina não tem o costume de tomar banhos demorados, mas considerando que esse é o dia em que decidiu tomar novamente a felicidade em suas mãos, permite-se divagar enquanto a água escorre pelo corpo. Fecha os olhos e se transporta para dentro de seu coração, onde sentimentos bons dançam dispostos. Pensa nos momentos bons ao lado da loira e consegue visualizar como o mundo parece desinteressante quando está diante das esmeraldas que carrega no olhar. O verde daqueles olhos, a bondade que mora ali, o amor demonstrado, a calor que emana. É tudo muito familiar. Tira sua atenção dos olhos para encarar o rosto que o sustenta e percebe que, o que antes era Emma, agora é um homem, cujo sorriso se abre lentamente até seus olhos quase fecharem. Ele parece tão feliz pela paz que encontrou no coração da morena, que Regina sente vontade de chorar. "Obrigada, Daniel. Te amo para sempre". Aos poucos as imagens desaparecem e ela abre os olhos marejados, permitindo que o choro escorra por seu rosto, mas um choro feliz, um choro de quem recebeu a bênção mais importante para seguir em frente.

***

No café, Emma e Regina sentam-se lado a lado e Henry de frente para as mães. Emma e Henry pedem chocolate quente com canela e panquecas. Regina fica incrédula ao se dar conta de que era o que sempre pediam em Storybrooke e, mesmo sem memórias, continuaram pedindo. Já a morena pede apenas um expresso e sonho com creme para acompanhar.
— Devia experimentar um dia. — Emma fala para Regina enquanto toma o primeiro gole do chocolate e recebe apenas uma careta como resposta. — Você não sabe o que está perdendo.
— Não estou perdendo nada, estou mantendo.
— O que?
— O peso e a saúde. — Regina abre meio sorriso e varre o corpo de Emma com os olhos.
— Está insinuando algo a respeito do meu físico, querida? — Emma tenta imitar a voz e o olhar aniquilador de Regina.
— Comam logo, mães. Precisamos ir ao pet. — Henry fala em tom autoritário que Emma pode jurar ser resultado da criação de Regina.
— As mães aqui somos nós, okay? — Regina devolve o tom, embora brincando, e Emma pode admirar a interação entre uma rainha Regina e um príncipe Regina, pois, nesse momento, se parecem em tudo.
— Vamos fazer o que em um pet? — Emma volta a si depois de minutos os venerando.
— Escolher meu presente de aniversário.
— Você quer um cachorro? — Emma se entusiasma recebendo um olhar reprovador de Regina.
— Claro que não. Cachorro faz muita bagunça e a mamãe seria capaz de me jogar com ele pela janela.
— Então o que você quer? — Regina pergunta com a expressão mais ofendida que consegue fazer.
— Terminem o café e vamos ao pet. Vocês vão descobrir quando chegarmos lá.

***

— Um rato mutante? Sério? — Emma olha com expressão enojada.
— Não é um rato, é um porco-espinho. — Henry explica pegando o animal com as duas mãos.
— Um porco? — É a vez de Regina esboçar que detesta a ideia.
— Espinho. — Henry completa claramente impaciente com a falta de tato das mães diante da atendente do pet.
— E quanto custa esse rato? — Emma pergunta diretamente para a senhora.
— Não vendemos animais, eles não são mercadoria. Estão todos disponíveis para adoção. — A senhora não disfarça a grosseria e Henry cora envergonhado.
— Aposto que ninguém quis comprar. — Regina cochicha para Emma que não segura o riso.
— Posso ou não ficar com ele? — Henry quer sair dali o mais rápido possível e nunca mais voltar, tamanha vergonha que sente.
— Mas ainda falta mais de uma semana para seu aniversário.
— Eu sei, Regina, mas não quero correr o risco de perdê-lo.
— Tudo bem. Vamos ficar com o porco. — Regina decide ceder assim que ouve o filho chamá-la pelo nome. Sempre que ele fica irritado, dirige-se às mães pelos nomes e o dia está agradável demais para a ex-prefeita permitir que um porco o estrague.
Henry escolhe o viveiro, ração, recipientes para alimentos e água, brinquedos e até cama com manta para o animal. No caminho de volta, com Regina dirigindo, Emma no carona e Henry no banco de trás, tentam decidir um nome para ele.
— Eu gosto de John.
— Mas, querido, John é nome de gente, porco tem que ter nome de porco.
— E qual seria um nome de porco? — Henry desiste de corrigir as mães. Sabe que a morena chamará de porco para sempre, assim como a loira chamará de rato.
— Gold. — Regina responde olhando para Emma com um sorriso travesso arrancando uma doce gargalhada da mulher. Deseja que Henry tivesse entendido, pois ele também acharia graça, mas sem as memórias a única coisa que o garoto faz é reprovar a ideia com uma careta.
— O nome dele vai ser Sonic, como o jogo.
— O Sonic não se parece com isso. — Emma observa, com a testa franzida, o filho acarinhar o animal e se pergunta qual o problema de escolher um cachorro.
— Não dê ouvidos à mamãe. Ela vai se acostumar com você. — O garoto finge um cochicho, mas seus olhos correm para a loira aguardando uma resposta que não vem, ao invés disso, ela cruza os braços com um bico indignado.
— Ô porquinha. — Regina ri incontrolável, tira uma mão do volante e aperta o queixo da ex-sheriff que não resiste e a acompanha.
— Olha como nossas mães são lindas e apaixonadas. Bem vindo à família Swan Mills. Você será muito feliz.

***

O dia segue agitado com os três tentando ensinar ao Sonic onde deve fazer as necessidade fisiológicas e a utilizar a roda de exercícios. Emma implica dizendo que ele é mesmo filho de Regina de tanta aversão que tem por uma caminhada básica. A morena retruca dizendo que compensa a falta de atividade física com alimentação saudável. E entre implicâncias e brincadeiras, os três nem percebem o sol se pôr dando lugar à linda lua crescente. Quando Henry vai tomar banho, as mães seguem para o quarto e se jogam esgotadas na cama.
— Eu não estava pensando em ter outro filho tão cedo. — Emma comenta enquanto afunda a cabeça no travesseiro.
— Eu gostei do porco. — Regina, que está encarando o teto, se vira para Emma.
— Sério? Pensei que fosse surtar.
— Eu gosto de animais, Swan. Bem mais do que de pessoas.
— Antes eu detestava quando me chamava assim. — Emma se vira para a morena.
— Não detesta mais?
— Não. Agora eu acho sexy.
Regina cora imediatamente, mas o sorriso é inevitável.
— Isso... Nós... — aponta para si e em seguida para Emma — é uma loucura.
— E qual é a graça da vida se não fossem as loucuras?
Emma se aproxima de Regina e corre os dedos por sua nuca e sente o arrepio descer por sua espinha. A rainha se aproxima mais, colando seus corpos, e umedece os lábios. Ao notar a secura dos de Emma, passa a língua, sensualmente, por eles também. Emma aperta mais a nuca da ex-prefeita e a puxa para si. O beijo é terno, as línguas se exploram delicadamente. Um beijo onde Regina deseja desesperadamente que Emma a ame com toda sua alma e coração. Um beijo onde Emma deposita toda a sua esperança de futuro feliz.
— Eu vou tomar um banho e fazer o jantar. O que você quer?
— Você faria qualquer coisa que eu queira comer? — Os olhos de Emma ganham um brilho que ela só tem quando pensa em comida gordurosa. Regina considera por alguns segundos, mas cede.
— Faria.
— Então eu quero aquela pizza que você faz com a borda de queijo. — A loira ganha ar e voz infantil enquanto lambe os lábios lembrando o sabor da pizza.
— Já me arrependi. — Regina revira os olhos, mas sorri, e cola seus lábios uma última vez antes de se levantar.
O banho dessa vez é rápido e, assim que sai, Emma toma seu lugar no chuveiro. A morena, com habilidade nata, prepara duas pizzas em menos de uma hora, quebrando o próprio recorde. Em comemoração, faz uma das coisas que a Regina nova-iorquina mais gostava: canta e dança.

I'm not afraid to take a stand
(Eu não tenho medo de tomar uma posição)

Everybody come take my hand
(Todos venham segurar a minha mão)

We'll walk this road together, through the storm
(Caminharemos juntos nessa estrada, pela tempestade)

Whatever weather, cold or warm
(Em qualquer tempo, frio ou quente)

Just let me know that, you're not alone
(Apenas saiba que você não está só)

Holla if you feel like you've been down the same road
(Grite se você sentir que tem estado para baixo também)

Emma flagra a rainha de costas para a porta, usando uma colher de pau como microfone e imitando trejeitos de rappers. Quando se vira, em mais um passo da dança, Regina percebe que foi pega e esconde a mão que segura a colher enquanto sente o rosto queimar. Mas Emma vai até o armário, pega outra colher e continua a música aos pulos:

And I just can't keep living this way
(E eu simplesmente não consigo continuar vivendo assim)

So starting today, I'm breaking out of this cage
(Por isso, a partir de hoje, eu estou saindo dessa jaula)

I'm standing up, Imma face my demons
(Eu estou firme, vou encarar os meus demônios)

I'm manning up, Imma hold my ground
(Estou sendo homem, vou marcar meu território)

I've had enough, now I'm so fed up
(Cansei, já estou de saco cheio)

Time to put my life back together right now
(Está na hora de recompor a minha vida)

— Eu esqueci de dizer que elas também são doidas. — Elas se viram e encontram Henry com Sonic agarrado em seu ombro e sorriem para a cena.
— Parece que a família Swan Mills finalmente está completa para terminar o show. — Emma entrega uma colher para o filho.
— Só se for depois da pizza. Impossível se concentrar em algo com esse cheiro.
— O porco vai comer com a gente? — Regina pergunta ao ver que o garoto coloca o animal na bancada com seu comedouro.
— Claro. Como eu pude ver, até a sua esposa já aceitou que agora ele é meu irmão.
Em poucos minutos uma das pizzas é devorada. Quando Regina se prepara para atacar a segunda, é interrompida por seu celular tocando no quarto.
— Emma?! — Chama pela esposa assim que encerra a ligação.
— Por que está demorando? — Emma entra no quarto sorrindo, mas ao notar a expressão séria de Regina, suas sobrancelhas se curvam em preocupação. — O que aconteceu?
— Storybrooke está sendo atacada por macacos voadores.

Notas finais
Eu preciso confessar, não sei se já perceberam, que sou completamente apaixonada por StableQueen. O amor de Regina e Daniel era muito lindo, eu fico muito encantada, e acho que a nossa rainha pensa nele todos os dias. E penso que o amor que ela sente por ele, a prendeu durante muito tempo, quando não se permitia se envolver com mais ninguém, então, sentir que ele a abençoa pode libertá-la disso. E foi o que eu tentei passar. É aquilo de sempre: críticas positivas, ideias, beijos e abraços são muito bem vindos!