Notas iniciais
Obrigada por ainda acompanharem a história. Os "veteranos" e os novatos ♥ Boa leitura!

"Quando se despediu e precisou partir, desde aquele dia eu vivo a lhe esperar. É porque, embora eu vá chorar sempre ao te ver partindo, é bom que vá. E vá sorrindo pra que possa desbravar o que há pra descobrir, monstros que tem que enfrentar, as portas que deseja abrir. Pouco importa se eu vou sofrer sem saber aonde foi"

— Tiago Iorc e Dani Black

Emma consegue enxergar, na profundidade dos olhos castanhos chocolate, resquícios de Evil Queen, o que significa que Regina está pronta para a guerra. Sabe que não tem chance alguma contra a determinação que eles transmitem. Corre o olhar pelo quarto e nota uma mala aberta no closet.
— Você está voltando para Storybrooke?! — Sua voz soa triste, o que faz a respiração da rainha falhar.
— Estou. Você pode ir comigo ou ficar, mas eu preciso ir. É a minha cidade. — Regina tenta o tom mais explicativo que consegue, como se estivesse conversando com uma criança, pois precisa que Emma a entenda mesmo que não queira acompanhá-la.
Emma sente que toda a evolução que elas tiveram nos últimos dias descer ralo abaixo.
— No fundo é isso que importa para você, não é? Estar no poder!
— Não me confunda com Rumpelstiltskin. — A acusação surpreende a morena. Não se trata de poder, mas de reaver o que é seu e tentar fazer a coisa certa dessa vez.
— Mas é exatamente o que você está fazendo agora. Trocando harmonia, paz e amor pelo poder. — O nariz de Emma ganha tons avermelhados, como acontece quando está prestes a chorar, mas ela puxa o ar com força e controla as emoções.
— Tente entender, Swan. Eu sou a rainha.
— E?
— E vou destruir quem estiver cobiçando a minha coroa. — Regina sabe, no momento em que aquelas palavras saem de sua boca, que será mal interpretada.
— Aí está a Regina que eu conheci.
Emma fica cega de raiva e frustração e não consegue manter o olhar em Regina, porém, se conseguisse, saberia o quanto essa decisão é difícil para ela também.
— Não. A Regina que você conheceu não pensaria duas vezes quando se lembrasse de tudo, no entanto, ainda estou aqui, não estou?
As palavras fazem Emma sentir como se uma fresta de uma janela fosse aberta e a luz adentrasse o cômodo, trazendo a esperança de um novo dia totalmente em branco onde as coisas pudessem ser moldadas da maneira que deseja. Então, apega-se a esse vislumbre e tenta entender o lado de Regina.
— Por que?
— Porque eu amo isso. — Movimenta as mãos formando círculos no ar indicando o todo. — Amo a vida que tenho, o emprego, os amigos, a cidade, o cinema e todos os shows. — Tenta brincar e deixar o ar mais leve, mas Emma não colabora. A loira está decepcionada por não ser citada, por não ser um dos motivos que fazem Regina hesitar.
— E nossa família? — A vontade é perguntar sobre elas, se a chance que estão se dando não merece ser considerada também, mas o orgulho a faz incluir Henry como disfarce.
Regina consegue ler Emma como ninguém e entende onde ela quer chegar. De fato, a loira e o filho são os únicos que podem mantê-la ali. Claro que tudo que disse a encanta em NY e não gostaria de abrir mão, mas viveria bem sem eles, talvez não tão bem sem os amigos, mas viveria. No entanto, sem Emma e Henry ela sequer sobreviveria, mas isso não é algo que permitirá que Emma saiba no momento.
— A segurança de Henry é uma questão. Aqui ele não corre os riscos sempre tão eminentes em Storybrooke. Mas... Esse não é o meu mundo, Swan. Entenda!
— Esse é o seu mundo há 30 anos.
— Eu vou voltar, Swan. Não há nada que você diga que me faça mudar de ideia. Eu devo isso a eles.
— Eles não dão a mínima para você. Lembra quando disse que em uma possível batalha, torceriam contra? Pois é exatamente o que vão fazer. Eles nunca te amarão.
A intenção de Emma é magoá-la tanto quanto se sente magoada e rejeitada. Sabe que se arrependerá disso, mas, agora, é o único mecanismo de defesa e ataque que encontra. Tenta convencer-se de que quando Regina se lembrar o que todas aquelas pessoas sentem e desejam para a Evil Queen, assim como o mal que já fizeram a ela, desista de ajudá-los. Percebe o egoísmo, mas não o controla. Ele é mais forte do que ela quando se trata de Regina. O que Emma não sabe é que essas palavras têm efeito mais devastador do que pode imaginar seu vã conhecimento sobre a vida da morena. Imediatamente a imagem dos súditos atirando fechas, frutas podres e outros objetos em um boneco que a representava, quando se disfarçou para encontrar Snow White, invadem a rainha. E o diálogo com Rumpelstiltskin é tão suficientemente audível e claro que pode jurar que está acontecendo nesse momento:

— Eles nunca me amarão.
— Tão triste, e, ainda assim, tão verdadeiro.

— Não é de amor que se trata. — Nessa hora sequer acredita que alguém seja capaz de amá-la.
— Claro que não. É de poder. — Emma fala amargurada, sem nem mesmo pensar, apenas quer atingi-la
— Por que está me tratando dessa maneira? Por que está me acusando assim? Eu estou tentando pensar no bem estar de outros, tentando não ser egoísta, talvez, pela primeira vez na minha vida. — Os olhos de Regina ficam marejados e Emma recua.
— Tudo bem, Regina. O Estado concede o seu direito de ir e vir e o livre arbítrio, use-o. — A loira é seca caminha para fora do quarto.
— Você vai voltar comigo? — Regina consegue fazê-la parar e virar-se por um segundo.
— Não.
— Um herói voltaria.
Isso faz Emma vacilar, mas não o suficiente e ela sai deixando Regina sozinha com o coração sentindo as primeiras fincadas que aquele relacionamento com a loira, se é que pode ser chamado assim, pode lhe custar.

***

— Então você vai nos ajudar? — David encara Regina desconfiado.
— Não estou fazendo isso por vocês, que fique claro. Mas nem todos naquela cidade me atingiram diretamente para merecerem a maldição, então, pretendo recompensá-los livrando-os dessa.
— Você acha que isso conserta tudo?
— O que eu acho não é da sua conta. Vamos partir amanhã e vim apenas avisá-los. — Levanta-se para ir embora, mas é impedida por Snow que segura seu braço, mantendo-a no sofá.
— Você tem um plano? — A princesa teme a impulsividade de Regina e também suas reais intenções. Para ela, é difícil acreditar que fará isso por puro altruísmo.
— Sim. Vou arrancar o coração de quem fez isso e transformar em pó. O corpo ficará pendurado na torre do relógio para servir de exemplo a quem tentar roubar meus brinquedinhos mais uma vez.
— É isso que somos para você?
— Isso é um plano?
Snow e Charming perguntam ao mesmo tempo, cada um focando no que lhe espanta mais. Snow no fato de Regina não nutrir qualquer tipo de sentimento por ninguém, exceto Henry; e Charming por considerar a ideia da rainha mal calculada e nojenta.
— É maneira de dizer. — Responde apenas Snow, pois só de pensar no príncipe a vontade de ajudar começa a desaparecer. — E seremos só nós três.
— Como assim? E Emma e Henry? — Snow desespera-se.
— Emma não se importa com nada disso. Aliás, ela não gostou nem de saber que eu vou. Parece que a savior cansou de salvar a plebe. — Provoca. — E Henry nem mesmo se lembra. Não lhe demos a poção ainda e não faremos tão cedo. Quero que ele fique o mais longe possível de Storybrooke enquanto eu não pegar quem os amaldiçoou.
Após longos segundos em silêncio observando a decepção estampada do casal, Regina volta para o seu apartamento sem se despedir.

***

Emma está deitada na cama, com o corpo encolhido, repassando a conversa que teve com Regina. Só então percebe o quanto foi cruel em suas palavras e injusta em seus julgamentos. Mesmo magoada e decepcionada, sabe que não tinha o direito de tratar a rainha da forma que tratou. Enquanto divaga, Regina entra no quarto em silêncio, pega um travesseiro e uma manta, quando está prestes a sair, Emma a chama:
— Regina, não precisamos passar por isso. Pode dormir aqui. — Senta-se com as pernas cruzadas.
— Pensei que estivesse com raiva. — Regina se apoia na soleira da porta.
— Não estou. Na verdade estou arrependida. Não foi certo falar daquela maneira com você, eu fui baixa, mas eu fiquei chateada, pois pensei que, assim como eu, você estivesse satisfeita e completa com o que temos aqui e agora eu vejo que não, porque... — Para quando percebe que seu pedido de desculpas se transformou em acusações novamente. — Você pode me perdoar?
— Eu entendo você. — Regina senta-se de frente para Emma. — Se fosse ao contrário, provavelmente, eu iria te amarrar na cama. — Emma esboça um sorriso tão pequeno, mas tão bonito que o estômago de Regina se agita em festa. Lembra-se das vezes em que já foi o motivo dos sorrisos da loira e se acha incrível, mas cora ao perceber tamanha prepotência. — Eu gostaria que você me entendesse também.
— Eu entendo. Eu pensei muito e agora eu entendo. Você não é mais aquela pessoa individualista e má... Na verdade eu nunca te achei realmente má. Tudo que você fez foi o resultado de uma vida inteira sendo rejeitada e não compreendida. E eu sei porque nisso somos parecidas. E nos entendemos como ninguém por esse motivo. Se você acha que precisa ir para Storybrooke salvar todas aquelas pessoas e a sua coroa — frisa com ironia e humor — então vá. E se quando cumprir com a sua missão ainda estiver interessada no que temos aqui, volte. Henry e eu estaremos te esperando.
— Você promete?
— Prometo.
Regina se deita levando Emma junto, fazendo com que a loira repouse a cabeça em seu ombro. Brinca com os fios dourados enrolando-os nos dedos.
— Antes de ir, preciso passar na editora e remarcar as reuniões com os autores dessa semana e as que perdi na semana passada também.
— Remarcar?
— Sim. Algumas sinopses são bem interessantes, eu estou realmente ansiosa por conhecer duas especialmente... — Regina não consegue terminar, pois é interrompida por Emma.
— Isso quer dizer que você pretende voltar? — Pergunta levantando a cabeça e apoiando-se nos braços, buscando os olhos da esposa.
— Se você ainda quiser um recomeço. — Regina cora e vira o rosto para esconder-se.
— Eu quero.
Emma avança sobre os lábios da rainha. O beijo, que começa agitado, vai se acalmando e as línguas passam a se acariciar ritmicamente, uma sobrepondo a outra. Regina aperta a cintura de Emma levando a para si, e percorre a coluna da loira com a ponta dos dedos de ambas as mãos por cima da regata royal. Emma apalpa os seios da rainha e desce as mãos por sua barriga até uma coxa e a move para que consiga se encaixar entre as pernas da morena. Com os corpos unidos, a loira deposita beijos no pescoço da esposa enquanto inicia um rebolado lento. Regina sente um arrepio percorrer o corpo inteiro e a sua intimidade pulsar.
— Swan... — Regina geme entre uma mordida e outra no ombro da esposa.
— Fala, amor. — Emma sussurra excitada.
— Acho que devemos parar antes que seja tarde. — Regina se esforça para que a voz saia firme, mas falha. — Quero resolver tudo antes de...
— Se entregar para mim? — Emma fita a rainha perdendo-se nas pupilas dilatadas.
— Sim. — A resposta vem em um sussurro.
— Não precisamos avançar, podemos apenas continuar assim.
Emma morde o maxilar de Regina arrancando-lhe um gemido e cobre-o com beijos enquanto a morena passa a rebolar também, aumentando o ritmo. A pressão das pernas sobre os sexos e o roçar dos seios, mesmo sob a roupa, é o suficiente para que seus corpos tremam em prazer, deixando escapar gemidos de satisfação em ambas. Emma deita-se ao lado do corpo de Regina e a oferece seu peito como descanso, o que é aceito imediatamente.
— O que vamos dizer ao Henry?
— Não gosto da ideia de voltar a mentir para ele, mas também não posso dizer a verdade, então, direi que é uma viagem de trabalho.
— Ele nos considera os melhores exemplos de honestidade. — Emma ri do absurdo.
— Como você acha que seria a reação dele se lembrasse de tudo? — Regina sente o corpo de Emma enrijecer sob o dela. — Não estou planejando dar-lhe a poção, só gostaria de saber se ele continuaria gostando de mim.
— Claro que sim. Ele te ama. Você é uma mãe incrível.
— Mas quando saímos de Storybrooke ele ainda tinha ressentimentos e não confiava plenamente em mim. Aliás, nessa época eu ainda desejava, ao menos, o seu desaparecimento e, provavelmente, você o meu, se isso não afetasse Henry, é claro. — A lembrança as faz rir. — Isso me lembra algo que Rumple me disse uma vez: quando se pode ver o futuro, tudo é irônico.
— Você gostaria de ver o futuro?
— Sim, mas acho que não seria saudável porque se eu não gostasse, seria capaz de amaldiçoar outro reino para tentar mudá-lo.
— Você não seria capaz de amaldiçoar mais nada. — Emma desdenha em brincadeira.
— Não subestime a intolerância da Evil Queen.
Permanecem abraçadas em silêncio, refletindo sobre passado e sofrendo antecipadamente com as várias possibilidades de futuro onde tudo pode dar errado, até que o cansaço se torna mais forte do que qualquer preocupação e pegam no sono.

***

Com tudo combinado na editora, recomendações dadas ao filho antes que saísse para o colégio, muito carinho destinado ao Sonic e um beijo demorado em Emma, Regina desce para encontrar os Charmings. Já na estrada, enquanto David dirige e Snow a encara sem discrição, Regina esforça-se para lembrar as histórias de todos as habitantes em busca de alguém que possa ter dado motivos para ser alvo de uma maldição, mas a única pessoa que vem em sua mente é Snow White, a imprudência personificada, que não mede as consequências de sua fajuta bondade infinita. Mas seria coincidência demais, então deixa Snow como segunda opção e volta a estaca zero.
— Henry não está aqui e vocês não irão se encontrar durante um tempo, você já pode tirá-la.
— O que? — Regina pensa se perdeu parte da conversa ou distraiu-se em algum discurso de Snow para não fazer ideia do está falando.
— A aliança.
Só então Regina se dá conta de que o que Mary reparou esse tempo todo é na aliança dourada em sua mão esquerda. Revira os olhos ignorando, mas a ideia de irritar a princesa é atraente demais e, mesmo correndo o risco de ser deixada sozinha na estrada, responde em tom grave:
— Minha esposa não gostaria disso. Ela é muito ciumenta. — Os músculos faciais de Snow enrijecem e a boca se curva para a esquerda, os olhos arregalam-se. Regina sorri debochada para a mulher e depois para o príncipe, que a observa, com expressão semelhante, pelo retrovisor interno. — Tente prestar atenção na estrada, Charming, não queremos deixar Emma viúva e órfã novamente.

Notas finais
Críticas construtivas, ideias, conselhos, carinho e qualquer outra coisa que desejam compartilhar, sou toda ouvidos! Beijo, queridinhos!!!