Notas iniciais
Oi, gente, o capítulo está calmo, cheio de amor e interação Swan Queen, Ruby e Zelena (qual o ship certo?), espero que gostem. Boa leitura!

"All I am begins with you. Thoughts of hope understood half of me breathes in you. Thoughts of love remain true"

(Tudo que eu sou começou com você. Pensamentos de esperança me fizeram entender que parte de mim respira em você. Pensamentos de amor permanecem verdadeiros)

— The Nixons

Emma confiava que Regina voltaria, mas cada dia longe dela era uma batalha entre manter-se sã e longe dos problemas de Storybrooke e a vontade de correr até lá para ficar junto de sua rainha. Então, finalmente ouvir essas palavras deveria aquietar seu coração, mas acontece o contrário. Sente que há fogos de artifício em seu peito, seu corpo se enche de adrenalina e, não conseguindo mais conter a vontade, toma os lábios reais para si. Não fazem 48h que estiveram uma nos braços da outra, ainda assim o beijo é cheio de saudade e desejo. As línguas se exploram, as mãos de Emma percorrem o corpo moreno, enquanto Regina afunda as suas nos fios dourados. O beijo é quente e ambas podem jurar que é o mais longo de suas vidas.
— Acho que nunca fui tão bem recebida. — Regina tenta falar mantendo o lábios colados.
— Você ainda não viu nada
Emma puxa a rainha para o quarto e todo seu sono se esvai. Esquece-se que precisa voltar ao trabalho e passa o restante da tarde matando a saudade de cada centímetro do corpo da esposa, assim como Regina beija cada pedacinho de Emma. Já exaustas, deitam com os rostos colados, sentindo uma a respiração da outra, até que se acalmam.
— Você acredita em paraíso? — Emma pergunta unindo seus corpos.
— Acredito. — Regina encara a esposa em confusão.
— Com você acha que ele é?
— Não acho que seja um lugar, e sim um sentimento. — Recebe um olhar incentivador de Emma. — Não importa se o ambiente físico é lindo, calmo e com unicórnios voando em arco-íris, se você não está em paz, será o inferno.
— Faz sentido. — Emma a encara nos olhos. — Eu sempre imaginei como sendo um campo com grama muito verde, um lago límpido, pessoas de branco sentadas em volta dele...
— Entediante. — Regina interrompe.
— Realmente. — Emma sorri. — Ainda bem que eu mudei de ideia.
— Como você acha que é agora?
— Escuro.
— Escuro?
— Sim. — Emma mantém os olhos fixos nos da rainha. — Às vezes ele fica roxo, quando a magia está agindo, mas geralmente é escuro.
Regina esconde o rosto no travesseiro durante alguns segundos.
— Acho que conheço algo assim.
— Tenho certeza disso. — Selam os lábios.
Elas ficam mais alguns minutos em silêncio até que Emma o quebra.
— Está longe?
— Estou pensando em como as coisas ficaram em Storybrooke.
— Você ainda não contou o que aconteceu. Como quebrou a maldição? — Regina ainda não havia dito nada, mas Emma tem certeza que a esposa conseguiu, pois, conhecendo Regina, sabe que não arrastaria o pé de Storybrooke antes disso.
— Longa história. — Regina ajeita o travesseiro para elevar um pouco sua cabeça. — Eu não me lembrava, mas Wicked Witch e eu nos conhecemos quando eu tinha dez anos. Ela salvou minha vida.
— Como assim?
— Eu me feri com a magia de Cora e ela buscou Zelena para me curar. Descobrir que tinha uma irmã foi uma das maiores alegrias da minha vida, mas Cora me fez esquecer, pois, uma irmã "bastarda" — faz aspas com os dedos — poderia atrapalhar seu plano de me fazer rainha. Bobagem, Leopold se casaria comigo de qualquer jeito, até porque se casou mesmo sabendo quem Cora era. Enfim... quando me lembrei disso, beijei Zelena e a maldição foi quebrada. Um beijo de amor verdadeiro, mas um amor fraternal.
— O que Cora tem a ver com o rei? — Emma, que parou de prestar atenção quando Regina citou o avô, senta-se na cama enrolada ao lençol e cruza as pernas.
— Cora e Leopold foram noivos, mas a, ainda princesa, Eva contou a ele que Cora estava grávida e enganando-o. Ele terminou o noivado e se casou com Eva. — Regina imita a posição da esposa. — A intenção de minha mãe sempre foi que eu me casasse com Leopold, mesmo antes de eu nascer. Ela não queria simplesmente que eu fosse rainha, ela queria que eu tomasse o reino dele.
— Que história complicada.
— Eu que o diga. Rumple me contou isso ontem. Meu estômago chega a embrulhar só de imaginar meu marido apaixonado pela minha mãe. Não é bizarro?
— Não sei o que é mais, você chamando Cora de mãe ou meu avô de marido. — Emma faz uma careta e Regina a belisca.
— Você é uma debochada, Swan. — Regina fica séria. — Eu tive medo de morrer. Pela primeira vez na vida, eu tive medo de morrer. Não que tenha sido a primeira vez que estive próxima disso, mas antes eu nada tinha a perder, aliás, se alguém me matasse, seria um favor. Mas agora eu tenho você, Henry, tenho amigos e até uma irmã. — Segura as mãos da loira. — Eu tenho amor e nada me faz sentir mais vontade de viver do que isso.

***

Quando Ruby entra na cela, Zelena está sentada na cama abraçada aos joelhos. O verde já dissipou-se de sua pele e a expressão da ruiva é serena de uma forma que a loba ainda não havia presenciado.
— Hey!
— Oi. — Ruby pensa ver o rosto da bruxa ganhar um tom avermelhado.
— Eu trouxe um lanche. — Coloca um embrulho na cama. — Como você está?
— Bem. — Zelena responde sem muita certeza. Essa é uma pergunta complicada para ela. Sente-se entediada por estar ali, sente-se arrependida por tentar destruir a irmã quando tudo que precisava fazer era procurá-la e fazê-la lembrar-se dela. Tantos sentimentos conflitantes a rondam que essa simples pergunta se torna muito complexa. — Eu sinto muito por ter te enganado da outra vez.
— Tudo bem. O importante é que desistiu daquela loucura. — Recebe apenas um olhar cerrado da ruiva, que analisa o que tem dentro do embrulho. — Como foi sua conversa com Regina?
— Melhor do que eu imaginava. Ela tem o temperamento forte, mas isso eu também tenho, então nos entendemos bem. — Sacode os ombros.

Nas primeiras horas do dia Regina vai até a cela de Zelena. A rainha quer ir para NY o mais rápido possível, mas não pode simplesmente abandonar a recém descoberta irmã depois de tudo que aconteceu. Ainda não conversaram depois da quebra da maldição, depois do beijo de amor verdadeiro, sentiria-se como um cafajeste se fosse embora sem procurá-la.
— Zelena?! — Regina toca o ombro da irmã com leveza, quando ela não dá sinais de que vai acordar, sacode com mais força. — Acorda!
— Céus, sis, que horas são? — Tem dificuldade em abrir os olhos.
— Eu estou indo embora, mas gostaria de conversar com você antes. — Regina empurra as pernas de Zelena e senta-se na cama.
— Como assim indo embora? Para onde? — Senta-se de frente para a rainha.
— Eu moro em NY, vim apenas resolver esse problema. — Aponta para a mulher com um sorriso divertido. — Eu construí uma vida lá. Tenho um trabalho que eu amo, um filho que não suportaria a vida em uma cidade pequena, amigos, esposa...
— Filho e esposa? Você não me disse que seu filho fugiu de você?
— E você acreditou mesmo que eu te falaria a verdade durante uma discussão? — Regina arqueia a sobrancelha.
— Isso é uma despedida? — Zelena não quer demonstrar, mas deseja passar mais tempo com a irmã, conhecê-la melhor, quem sabe poderiam se tornar amigas.
— Eu virei te visitar com frequência e você pode ir até lá também. O que eu não posso é mudar toda a minha vida novamente. — Regina segura as mãos da irmã. — Eu encontrei felicidade.
— Você já sabe o que farão comigo? — Tenta mudar de assunto para não demonstrar fraqueza.
— Passei na casa do David antes de vir aqui. Ele estava decidido a te manter presa, mas pedi que reconsidere garantindo que, acertando-se comigo, você não fará mal a ninguém, e coloquei como sua responsável. Então, por favor, não apronte muito.
— Eu sou a irmã mais velha, eu é que deveria dizer isso. — Zelena finge estar emburrada. — Eu não quero fazer mal a ninguém, sis. Estive errada a minha vida toda, chegou a hora de acertar.
— Eu preciso ir, mas prometo que não sumirei da sua vida novamente nem permitirei que desapareça da minha. — Regina beija o rosto da irmã — Se precisar de alguma coisa, qualquer coisa, procura um homem chamado Robin Hood. Ele vai te ajudar. — Levanta-se e abre aporta. — Até mais, Zelena.
— Até, sis.

— Por que está me olhando desse jeito? — Zelena pergunta enquanto morde um sanduíche vegetariano.
— Você e Regina não se parecem nem um pouco. Fisicamente, é claro, porque a personalidade, o deboche e a implicância é igual.
— Vai ficar comparando nossa beleza? — Zelena irrita-se.
— Claro que não. Vocês duas são lindas, mas não posso ficar dizendo isso por aí ou vão pensar que quero furar o olho da minha amiga. — Senta-se ao lado da ruiva.
— Você é amiga da esposa dela?
— Você não sabe quem ela é?
— Não. Deveria? — Zelena toma o suco de maçã. — Da próxima vez traga de outra fruta, eu não sou a minha irmã.
— Claro que deveria. Nunca ouviu falar da savior?
— Só de uma, a tal da filha de Snow White... — Deixa o sanduíche cair com a constatação. — Não. Você está brincando. A Evil Queen e a savior?
— A reação de todo mundo é a mesma. — Ruby não consegue conter a risada.
— A gente morre e não vê tudo.
— Gosto mais de você assim. — A loba rouba o sanduíche. — Leve, divertida, sem ameaças, sem tentar me enganar...
— Eu já me desculpei por isso. — Interrompe rude.
— Você e Regina têm mania de falar por cima da gente. — Zelena se desculpa com um sorriso tímido. — E eu não estou te acusando. Precisa aprender a receber um elogio. — Bebe um gole do suco.
— E você precisa aprender a respeitar a fome das pessoas. — Toma o sanduíche e o suco das mãos da loba. — O Sheriff vai aceitar o conselho da rainha e me deixar sair?
— Acho que sim. Sabemos que se Regina confia que você não nos fará mal, então não fará, pois não há pessoa mais arisca do que a sua irmã.
— Sabe onde fica NY?
— Não é muito longe. — Observa a ruiva terminar seu lanche. — Você quer ir atrás de Regina?
— Talvez uma visita algum dia. Ela é a única pessoa que eu tenho na vida. — Abaixa a cabeça encarando os dedos. — Que eu acho que tenho. Ela se importaria?
O olhar tímido e inseguro que Zelena lança é, para a loba, a visão mais encantadora que já teve. Admira-se com sua beleza adulta, mas ao mesmo tempo o ar infantil quando permite-se ser vulnerável. Hipnotizada pelos lábios da mulher, Ruby aproxima-se sem nem mesmo perceber. Zelena entende o que está acontecendo, nota o clima que se forma entre elas e a atração que a loba sente, e abusou disso da última vez para escapar. Mas agora o seu estômago está agitado, suas mãos suando e seu coração adquire ritmo acelerado. Quando a loba está próxima o suficiente, Zelena fecha os olhos e entreabre a boca. Seus lábios se tocam e uma corrente elétrica percorrem seus corpos e as línguas formigam ao se encontrarem.
— Ela não é a única pessoa que você tem.

***

No fim da tarde, com o sol deixando aos poucos o céu de NY, Regina está sentada no sofá com o notebook no colo tentando digitar enquanto Sonic passeia pelo teclado.
— Hey, porquinho, eu preciso trabalhar e você não está deixando. — O pega com as duas mãos e o aproxima de seu rosto. — Eu sei que estava com saudade da mamãe, eu também estava. — Beija o topo de sua cabeça.
— Eu vivi para ver a Evil Queen chamar um rato de filho e o beijar. — Emma senta-se ao seu lado no sofá. — O que você está fazendo?
— Preenchendo o formulário online para publicar nossa história. — Entrega Sonic para Emma.
— "Nossa história"? — Emma faz aspas com os dedos.
— Eu sei que não é a nossa história real, mas é bonita e eu vou publicar como ficção e não autobiografia. — Regina deposita o notebook na mesa. — Eu quero conversar com você sobre uma coisa.
— Pode falar, meu amor. — Emma aproxima-se mais e abraça a esposa deixando Sonic no chão.
— Você não acha que já é hora de Henry saber toda a verdade?
— Como? — Emma não quer acreditar no que está ouvindo. Pensava que depois de tudo resolvido em Storybrooke e Regina de volta em casa, as coisas voltariam a ser como antes.
— Eu menti para ele durante anos, eu o fiz pensar que era louco e prometi nunca mais fazê-lo, mas é exatamente o que estou fazendo agora. Mentindo sobre sua vida, sua origem, sobre quem somos de verdade. A história está se repetindo.
— Mas e se ele quiser voltar para Storybrooke?
— Ele não viveria em uma cidade que não entrega pizza às duas da manhã. — Regina sorri para Emma e toca sua bochecha. — Eu quero fazer as coisas direito dessa vez.
— Faremos o que você achar melhor.
Emma não tem certeza de que isso é mesmo o melhor a ser feito, mas entende os motivos da morena. Ela já perdeu Henry uma vez por causa de mentiras e não quer perdê-lo novamente. Também quer ser ela mesma, mas enquanto o filho não souber a verdade, precisará fingir dentro de sua própria casa. No fundo Emma sempre soube que esse momento chegaria, o momento em que seu filho voltará a acreditar em conto de fadas e, principalmente, lembrará que foi abandonado, e isso é o que mais dói.
Estando cada uma perdida em seus próprios pensamentos, não ouvem a porta ser aberta e um Henry suado e um pouco sujo entrando em casa, apenas o notam quando ele pula em cima de Regina.
— Mãe!!! Finalmente você voltou.
Geralmente Regina o mandaria tomar um banho urgente antes de mais contatos, mas a saudade é tão sufocante que ela o envolve em seus braços e o puxa deitando-os no sofá.
— Eu senti tanta saudade, querido.
— Eu também, mamãe. Eu sabia que você chegaria a tempo do meu aniversário.
— Eu jamais passaria essa data longe de você.
— Alguém me deve um jogo novo. — Henry pisca para Emma com deboche.
— Vocês apostaram isso? — Regina finge indignação e recebe um pedido de desculpas apenas com o movimento dos lábios de Emma. — Querido, vá tomar banho que temos um assunto muito sério para falar com você.
Enquanto Henry se lava e Regina prepara a comida favorita de todos da casa, lasanha, Emma anda de um lado para o outro angustiada. Teme que Henry volte atrás e não a perdoe por tê-lo abandonado, teme que queira voltar para Storybrooke, teme que volte a ficar sozinha como esteve durante toda a vida.
— Querida, pare com isso, está me deixando nervosa. — Regina termina de arrumar a mesa e caminha até a esposa abraçando-a. — Sei o que está pensando e a resposta é "não". Nada disso vai acontecer. Henry é ótimo e te ama. Vai dar tudo certo. — A verdade é que Regina também tem medo de que, com as lembranças, o filho volte a odiá-la e rejeitá-la, mas sabe que não pode obrigar ninguém a lhe amar, pois prefere ser odiada com a verdade do que amada em uma mentira.
— Finalmente um jantar decente. — Henry entra na cozinha com o os cabelos molhados e dá um cotovelada em Emma para provocá-la.
— Estava deixando nosso filho comer bobagens, Swan? — Regina entra na brincadeira enquanto coloca a lasanha na mesa, mas a loira não sorri, apenas senta-se e observa a esposa servir o jantar.
— O que vocês querem conversar comigo? Não pretendem se divorciar, não é? Porque isso virou moda entre os pais dos meus amigos, mas vocês nasceram uma para a outra...
— Não vamos nos divorciar. — Regina o corta. — Nunca. — Segura a mão de Emma sobre a mesa. — Bom... — Busca apoio na esposa, mas só encontra um olhar distante. — Você acredita em magia?
— Claro que sim. — Henry responde com uma ponta de receio.
— E em contos de fadas? — Regina não sabe por onde começar.
— Eu acho que toda história é inspirada em algo ou alguém. Com os contos de fadas não é diferente, pode não ser exatamente como contam, mas há alguma verdade dentro deles. — Dessa vez ele é absolutamente sincero. Como uma criança que deseja ser escritor, Henry passa longe de ser cético. — É sobre isso que quer conversar? Algum livro novo?
— Não. O que eu quero falar com você é... — Suspira abandonando todo o medo e confiando no coração do verdadeiro crédulo. — Nem sempre nos lembramos de tudo que acontece em nossa vida. Há certas coisas que não fazem diferença e outras que mudam tudo. Existem algumas coisas sobre nossa família que você não sabe e eu gostaria de te devolver essas memórias. Você as quer? — Pega o frasco com a poção que está em cima da mesa e o estende ao filho.
Henry a encara confuso, mas sabe quando a mãe está falando sério e quando está brincando, quando está mentindo e quando está dizendo a verdade, e dessa vez sabe que se pudesse eleger um ranking, esse seria o momento em que enxergou mais honestidade nos olhos da mãe. Pega o frasco e o destampa. Emma abaixa a cabeça livrando-se da mão de Regina, a morena fixa seu olhar nas íris castanhas do filho e ele, esvaziando sua mente, bebe a poção.

Notas finais
Se o próximo capítulo não ficar muito grande, ele será o último. Se ficar grande demais, vou dividir em duas partes. Mas, em todo caso, está acabando. Obrigada por quem está me acompanhando até aqui. Críticas positivas são bem vindas ♥