Notas iniciais
Boa madrugada, queridinhxs. Eu gostaria de ter postado mais cedo, mas hoje me consultei com oftalmo (uso óculos desde a infância) e passei o dia com as vistas embaçadas. E agora a noite fui convidada para um esquenta com bastante cerveja. Espero que isso não tenha comprometido minha escrita. Preciso informar que estamos na reta final da fic!!! Boa leitura.

"E ela cantava o seu amor com a sua garganta branca. E ela jurava o seu amor com sua garganta santa (...) Mas elas se amavam tanto que já não cabia engano. Mas elas se desejavam tanto mesmo o futuro uma tela em branco

— Isabella Taviani

As esmeraldas de Emma mergulham nas profundezas das íris escuras da rainha, visitando cada centímetro das emoções que por elas são expressas. A loira sempre soube que Regina havia assolado vilas e vidas, destruído todo e qualquer resquício de felicidade de quem lhe cruzou o caminho. Ainda assim, não imaginava a dimensão de sua crueldade. E ouvir Regina assumir tudo que fez e que a escuridão ainda mora dentro dela, é aterrorizante. Pela primeira vez desde que haviam partido de Storybrooke, Emma enxerga a Evil Queen e sua soberania. Mergulhando um pouco mais fundo consegue sentir os batimentos cardíacos da morena. Estão acelerados, fortes e ecoantes. A imagem do órgão necrosado reafirma tudo que foi dito.
Dentre a escuridão, no entanto, Emma enxerga um ponto vermelho lutando para conquistar espaço. É a dualidade de Regina. A bondade que foi sufocada durante tantos anos, que foi esmagada por ela e por todos com quem conviveu e que nunca foi incentivada. É a parte que perdeu todas as batalhas até então, mas Emma sabe que isso é uma guerra e o quanto são imprevisíveis. Assim, apesar do comparativo ser, inicialmente, desanimador, seu brilho é lindo e irradia uma energia mais potente do que toda a escuridão.
Se dá conta de que esteve errada esse tempo todo. Regina tinha razão quando disse que não podiam continuar simplesmente porque não são as mesmas pessoas que eram antes de recuperarem as memórias. Porque agora há mais bagagem e todas são muito mais pesadas do que antes. Entende, finalmente, o que a morena tentou mostrar-lhe desde o início.
A intensidade que enxerga em Regina prova-lhe que a ideia de seguirem suas vidas como se nada tivesse acontecido é inconcebível. Emma sabe que, de sua parte, está inteira, mas desejando apenas metade de Regina, apenas o lado bom e divertido, e isso não é possível. Regina é profunda demais para um relacionamento raso como esse. Como o jogo Tetris, precisa do encaixe perfeito, onde todos os seus lados sejam aceitos. A detetive entende as palavras de Regina. Ela não apenas contou a sua história para chocar ou desabafar, ela contou por estar decidida a não renegar nenhuma parte de seu ser. Quem quiser Regina, terá que aceitar a Evil Queen e vice-versa, pois a própria aceita seu lado bom e seu lado evil como parte de um todo, como um átomo que não pode ser desmembrado sem que seja destruído.
Ciente de tudo que Regina é e sente, Emma tem em suas mãos o destino de ambas, e isso é o mais surpreendente. A morena não tem o costume de deixar que outras pessoas determinem o caminho a seguir, afinal, ela é a rainha, essa é sua função, no entanto, Emma ganhou esse direito, o que sustenta a disposição de Regina em lhes dar uma chance.
— Você está errada. — Emma fala após longos minutos em silêncio. — Você é incrível. — Avança contra os lábios da rainha invadindo-a com a língua de maneira urgente. — Apesar de tudo que sente e da superioridade mágica perante seus súditos, dessa vez você conteve os instintos para fazer a coisa certa, para fazer o bem, mesmo sem motivos e vontade, apenas por ser o certo. Isso te faz incrível. Eu não sei se conseguiria tamanha nobreza. — Interrompe uma lágrima que corre por seu rosto. — Eu quero a Regina e a Evil Queen. Cada partícula. Eu te quero inteira.
Regina não acredita no que ouve. Segura o rosto de Emma e tenta, novamente, lê-los. Dessa vez tudo está nítido. Todas as emoções da loira são alcançáveis. Há aceitação, euforia, medo, nervosismo, ansiedade, mas acima de tudo, há amor. Um amor que Regina nunca mais pensou que veria direcionado a ela. Um amor que não imaginava ser correspondido.
— Isso significa que?
— Que eu sou sua e você é minha para sempre.
A eternidade não é uma questão para Regina. Acostumada a ter felicidades momentâneas, acha que é ingenuidade de Emma considerar qualquer coisa como uma constante. Considera alertá-la sobre tal constatação, mas não é o momento. Ela está sendo aceita completamente, com seu histórico e seu temperamento complicado.
— Cometerei erros, iremos nos machucar, mas enquanto os momentos bons forem superiores aos ruins, não desistirei de nós.
É o coração de Regina que fala, ambas têm consciência disso, pois a rainha, racionalmente, jamais profanaria tais palavras e se mostraria tão vulnerável. Mas Emma sabe que se saiu da boca de Regina é porque a rainha compartilha o sentimento, e considera já ser a hora de parar de enxergar duas mulheres em um corpo. A morena a sua frente é única. Não é metade Regina e metade Evil Queen. É uma rainha chamada Regina e que ganhou fama de má, mas é apenas uma.
— Me tira daqui.
Sem ser preciso pedir mais uma vez, Regina leva Emma até o carro e dirige até o hotel. O quarto é espaçoso, com uma grande cama com lençóis e edredom de cor preta, uma banheiro com hidromassagem e um grande espelho na parede lateral direita. Entram abraçadas, com Regina tendo os braços em torno do pescoço da loira, quanto é agarrada pela cintura. Emma prende a morena contra a porta enquanto lhe beija a boca. Desce os beijos pelo pescoço e o percorre até alcançar o lóbulo da orelha, depositando uma leve mordida, que faz o corpo da rainha arrepiar. Enquanto uma mão encontra o seio direito de Regina, a outra abre o zíper do vestido permitindo que ele caia facilmente. Com lingerie preta de renda, Regina abandona o salto e troca de posição. Encontra o zíper da loira e também o abre exibindo uma lingerie do mesmo tom do vestido branco, que cai em seus pés. Em poucos passos encontram a cama e a loira é atirada nela enquanto uma morena, transbordando luxúria, lambe sua barriga. Com as mãos, retira o sutiã de Emma, e as próprias peças íntimas, e aperta os seios carinhosamente, ao passo que sua língua explora as coxas pálidas, vez ou outra dando mais atenção à virilha.
— Por favor. — Emma implora quando sente a língua de Regina próxima de seu sexo. Sem grande resistência, a morena retira-lhe a calcinha e percorre o caminho de sua entrada molhada até o clitóris inchado de desejo. Pressiona o local e passa a chupá-lo aumentando o ritmo de acordo com os gemidos da loira. Penetra um dedo calmamente, sem afastar seus lábios, com o suspiro de satisfação acrescenta mais um e passa a ritmá-los de acordo com os movimentos de língua no clitóris. Não demora para que Emma exploda em prazer. Sem perder tempo, a loira puxa Regina para um beijo.
— Seu gosto. — Regina fala entre um beijo e outro, até que Emma a deita e posiciona-se por cima, intercalando as pernas.
A inércia dos sexos encharcados de excitação arrancam-lhe gemidos incontroláveis. Emma, mais sensível pelo recém orgasmo, o atinge primeiro e, ao sentir o corpo da esposa tremer, posiciona-se entre suas pernas, prende seu clitóris entre os lábios e o chupa avidamente. Regina logo chega ao ápice arranhando os braços da loira.
Emma deita seu corpo suado ao lado do da morena e a envolve em um abraço. Ficam alguns minutos controlando a respiração e apreciando a eletricidade que ainda percorre seus corpos.
— Eu senti falta disso. — Emma é a primeira a falar.
— Eu senti a sua falta. — Regina deita a corpo por cima do da esposa. — E ainda não estou satisfeita.
Passam a noite amando-se com volúpia e vigor, encontrando descanso apenas quando os primeiros raios já invadem o céu de Boston.

***

David acorda com fortes batidas na porta. Ainda vestindo camiseta e short de pijama, a atende e encontra uma Ruby desesperada, com os olhos vermelhos e sua capa rasgada.
— David, eu preciso da sua ajuda. Deixei Zelena escapar.
O príncipe sente o sangue congelar em suas veias e a língua secar.
— Com ou sem os poderes.
— Com os poderes.

— Qual é o seu problema com a Regina? — Ruby senta-se em um banco de frente para a cama da bruxa tentando novamente estabelecer um diálogo.
— Você estava aqui quando conversamos. Eu quero tudo que é dela. — Zelena, que está deitada, responde seca, sem deixar de encarar o teto.
— Regina e eu não somos amigas e eu não compreendo nada do que ela fez na vida, não encontro justificativa para nada daquilo, mas em uma coisa ela tem razão, não pode ser só inveja.
— Você não se cansa? Ainda não percebeu que sua simples presença me incomoda?
— Se quiser, me peça para sair que eu saio. — Ruby abaixa o tom para o mais amigável possível. Quando não recebe resposta alguma, volta a insistir. — O que ela te fez?
— Não a ouviu dizer que não me conhece? Que não me fez nada? — A bruxa descruza as pernas, mas logo as cruza novamente.
— Regina sempre faz alguma coisa. — Ruby acredita que a rainha seja inocente, mas também acredita que a bruxa tenha suas razões para estar ali, pois é capaz de enxergar extrema mágoa em seus olhos claros, que não seria causada futilmente.
— Você está certa. — Suspira pesado. — Ela me abandonou.
— Como?
— Acho que Cora possa ter me apagado de suas memórias. — Ruby não tem certeza de que Zelena a ouve ou se está apenas conversando consigo mesma, então opta por manter o silêncio enquanto a bruxa desabafa hesitante. — Ela prometeu me encontrar, prometeu me amar.
— Regina costuma cumprir com suas promessas.

— Me explica novamente o que aconteceu. — O príncipe pede enquanto corre às cegas pela floresta.
— Ela estava me falando sobre a Regina e me pediu para tirar seu bracelete para que me mostrasse uma lembrança. Quando o fiz, ela desapareceu em sua fumaça verde. — O choro corre livre pelo rosto da loba, que mal consegue farejar tamanha angústia que sente.
— Você foi tola, Ruby.

***

Emma acorda e encara a morena adormecida com um lençol fino cobrindo o corpo e alguns raios solares iluminando seus fios negros. Sem conter-se, deposita rápidos beijos pelo ombro.
— Bom dia. — Regina murmura ainda de olhos fechados, puxando a loira para um abraço apertado.
— Não queria te acordar, mas não resisti. — Emma fala se aconchegando em uma conchinha.
— Você dormiu bem?
— Muito bem. E você?
— É a primeira noite que não tenho pesadelos desde que fui para Story... — Pausa a frase com receio do assunto desagradar a loira.
— Você pode me falar sobre isso. Aliás, eu estou bem curiosa.
— Mesmo? Porque eu tenho algumas novidades. — Regina gira o corpo de Emma para ficar diante do seu e abre o sorriso mais inocente que Emma já viu estampar o rosto da rainha.
— Fale-me sobre elas. — Automaticamente sorri diante da visão que pretende ter todas as manhãs pelo resto de sua vida.
Regina conta sobre Zelena, sobre os olhares que Ruby lançou para a bruxa, sobre a conversa com Snow e sobre Robin e o pó de fada.
— Alma gêmea? — Emma fecha a cara e desfaz o abraço.
— Sim. Foi o que o pó de fada mostrou.
— Não acredito que você está me dizendo isso depois da noite que tivemos. — Emma vira-se para encarar o teto.
— Emma, isso não muda em nada o que aconteceu. — Regina se deita por cima da mulher, colando o rosto na curva de seu pescoço. — Ele é meu amigo e você é minha esposa.
— Essa é uma expressão muito forte, Regina. Alma gêmea é a pessoa que te completa.
— E true love é a pessoa que te salva.
Emma gostaria de estender a discussão, mas a declaração a pega de surpresa. De todas as suas expectativas, ouvir Regina dizer que são true love é muito acima de qualquer uma, muito mais recompensador. Sabe que, no momento, é o máximo que a morena pode lhe oferecer. Por mais enciumada que esteja, e arrependida de toda a admiração que nutriu toda sua vida para com o arqueiro, sabe que Regina é a última pessoa que desvalorizaria o verdadeiro amor. Com essas palavras, deposita toda sua confiança e entrega sua vida nas mãos da morena.
— Ainda assim eu estou com ciúmes, pois o seu coração não dever ser entregue a ninguém além de mim. — Morde o lábio inferior da rainha. — Mas eu quero ele exatamente aonde está para que você possa sentir tudo que tenho a lhe oferecer.
Passam a tarde na cama compensando o tempo que estiveram afastadas e o desejo crescente até adormecerem exaustas. Quando a lua dá o ar da graça e a brisa esfria, Regina é despertada com o toque insistente de seu celular. Em poucos minutos está pronta para partir, mas o que já não se encontra inteiro é seu coração por precisar se despedir de Emma mais uma vez.
— Eu volto para casa o mais rápido que puder. Prometo.
Mesmo com o peito apertado, Emma não tenta fazer com que Regina desista da maldição, afinal, o quanto antes essa história se resolver, mais rápido ela estará em NY retomando seu emprego, suas vidas e seu lado na cama.

***

Assim que Regina passa pela fronteira da cidade, sente novamente a energia pesada da primeira vez. Dirige até o antiquário de Gold e o invade. Pega um mapa de Storybrooke e, com um furo no dedo, o encanta para que seu sangue o guie até a irmã. O que encontra é uma cabana com cerca de apenas 1/4 do telhado suspenso e paredes com madeiras rachadas. A magia fica mais forte a cada passo em sua direção. Empurra a porta lentamente, o local está vazio e mal iluminado pela noite que se aproxima. Sente uma presença atrás de si, com um forte poder desconcertante, sabe de quem se trata e quando se vira encara Zelena em um lenço preto cobrindo parte de seu rosto.
— Surpresa!

Notas finais
Sempre fico insegura com as cenas hot, mas espero que tenha agradado ao menos por ter rolado hahaha. Aguardo o feedback de vocês sobre essa nossa reta final. Beijos ♥