Todos amam spideypool

2 Tiro 03 - Um passo para o próximo passo


Notas iniciais
AE! Terminei essa bagaça! ٩(๑`^´๑)۶ Obrigada a todos os comentários, favoritos e acompanhamentos no primeiro cap. Cês são uns amores, ouviram? Sintam-se beijados. (っ˘з(˘⌣˘ ) ♡ Se demorei? Um pouco talvez... -q Ah, o capítulo ainda não foi revisado. Só pra avisar. Leiam, leiam! Nos vemos nas notas finais~

Um passo para o próximo passo

O dia estava passando sem que Peter nem sequer percebesse. Nos últimos dias, na verdade, ele andava aéreo e pensativo o suficiente para ignorar tudo ao seu redor. Um bom exemplo, por acaso, seria Gwen agitando o braço na frente dele a um bom tempo para chamar sua atenção e nada dele sair de sua viagem mental.

— PETER! – a loira gritou e acertou-lhe um soco no rosto, irritada, finalmente tirando-o do transe.

O Parker piscou os olhos assustados, levando a mão na bochecha dolorida. Depois mirou a loira com uma clara confusão no olhar.

— Por que fez isso, Gwen? – murmurou um "ai" quando percebeu um corte no lado interno da bochecha. – Ainda estamos em aula... – e então olhou ao redor, vendo todas as mesas vazias e o projetor desligado. Até o quadro já havia sido limpo. Como ele não vira nada daquilo? – Ou não.

Gwen botou as mãos na cintura e o olhou como se o censurasse.

— A aula acabou faz mais de meia hora e você continuou aí estático como uma escultura, olhando para o nada. E isso não é de hoje. Faz uns três dias que você está assim... – aproximou-se dele, estreitando os olhos azuis perigosamente. – Você vai me contar o que está acontecendo ou vou ter que descobrir no modo difícil?

Ele engoliu em seco.

— Não há nada de errado, sério mesmo. – tentou soar convincente, mas a loira o ignorou por completo.

— Ok. Se é assim, você vai passar a noite lá em casa. Pode ligar pra sua tia para avisar que não volta hoje. – Peter ainda abriu a boca tentando pensar em algo pra falar, mas apenas a fechou de novo quando nada lhe veio a mente. – O que esta esperando? Venha logo! – demandou Gwen já na porta da sala.

Peter bufou. Sabia que quando a amiga encucava com alguma coisa era bem difícil faze-la esquecer, então aceitando o que ela havia lhe imposto, retirou o celular do bolso para ligar pra tia. Pelo visto a noite iria ser bem longa...

Fez uma ligação rápida, surpreendendo-se com a facilidade que sua tia aceitou sua saída, e correu para seguir o passo apressado da loira em direção a uma das saídas da universidade. Logo viu que um táxi já os esperava na rua e que Gwen acenava para que ele acelerasse. O caminho foi tranquilo e silencioso com Peter novamente perdido em pensamentos, algo que estava começando a irritar sua amiga. Alguns minutos de trânsito depois já chegavam em frente ao enorme prédio no qual os Stacy moravam. Com o ótimo salário que o pai de Gwen ganhava como capitão da polícia, conseguiam morar num prédio bem sofisticado em um bairro da classe média-alta.

Não que Peter reclamasse, longe disso, mas ele se sentia um pouco desconfortável naquele meio. Principalmente quando sua realidade era deveras humilde. Cumprimentaram o recepcionista idoso e subiram no elevador até o décimo quinto andar ao som de um rock pesado que eles nunca ouviram antes. Que tipo de elevador tocava rock no lugar de uma música ambiente?

Quando chegaram na porta de número 1502, Gwen vasculhou a bolsa por uns bons minutos até que encontrou as chaves com o chaveiro do Keroppi e alguns patinhos pendurados e finalmente abriu a porta. Mal passaram pela entrada e Peter avistou o pai de Gwen, George Stacy, sentado na poltrona da sala assistindo o jornal local com uma xícara de café na mão.

— Boa noite, Sr. Stacy. – cumprimentou educadamente com um sorriso medido no rosto.

George virou o rosto para os recém-chegados depois de tomar um gole de seu café expresso.

— Você trouxe aquele seu ex-namorado gay. – o senhor de cabelos grisalhos riu ao ver o moreno arregalar os olhos e corar facilmente. – Boa noite, Peter. Não precisa ficar tão rígido na minha presença, relaxe garoto.

Gwen revirou os olhos.

— Menos, pai, por favor. E ele vai dormir aqui hoje, só pra avisar.

O homem riu outra vez, estava de bom humor.

— Tudo bem, pelo menos você ainda avisa, mas vai precisar pedir algo pra comer. Vou sair daqui a pouco pra ficar de plantão.

A garota assentiu e puxou pela mão o Parker chocado até seu quarto. Botou ele sentado em sua cama, estava parecendo um boneco em tamanho real sem movimentos automáticos, e trocou sua roupa por uma mais confortável no banheiro. Quando voltou o encontrou jogado na cama com um dos braços sobre os olhos como se estivesse deveras cansado.

— Então... Pode me contar o que esta acontecendo?

— Não há nada acontecendo, Gwen. – o garoto resmungou em resposta, deitando de costas para ela.

Gwen bufou, botando as mãos na cintura como havia feito mais cedo.

— Ah, claro que não tem. Você só esta parecendo um vegetal ambulante que nem percebe quando tem alguém falando com você. E não sei se percebeu, mas você deixou de entregar uma atividade avaliativa da semana passada. – isso atraiu a atenção de Peter que virou-se pra ela, espantado. – Foi da aula do professor Connors, ele pareceu um pouco frustrado com você por sinal...

Peter se sentou e bateu na própria testa fazendo um som estalado ecoar pelo quarto.

— Não acredito nisso! Ele estava me avaliando para ser escolhido pra um estágio remunerado. Argh, vou ter que voltar a vender fotos pro Clarim Diário de novo. – suspirou, desanimado.

— Olha, Peter. Dá pra perceber que tem algo te preocupando até demais... Quer falar sobre isso? – sentou-se ao lado dele, esperando uma resposta. Mas passados alguns segundos de silêncio, ela percebeu que nenhuma manifestação natural viria tão cedo dele. Mesmo assim Gwen decidiu continuar tentando, afinal um traço forte em sua personalidade era ser insistente naquilo que a interessava. – Se é assim vou começar a dar palpites até que consiga uma reação digna de você. Primeiro palpite: talvez tenha algo haver com o sumiço de Deadpool...?

A atenção de Peter fora atraída instantaneamente e ele a encarou perplexo, esquecendo-se até de que pretendia parecer imparcial durante toda a conversa forçada.

Primeiro seu rosto avermelhou.

Em seguida ele embolou algumas palavras antes de conseguir, por fim, falar algo concreto.

— Claro que não tem nada haver com is— Espera aí! Como você sabe que ele sumiu? – encarou-a com o olhar estreito.

A loira deu de ombros, desviando o olhar para parede distraidamente.

— Bem... Ele me avisou que iria sair para um trabalho que ia demorar um pouco há um mês. – falou mexendo no cabelo enquanto se forçava a voltar a encara-lo. – Mas ele também tem um twitter e não teve nenhuma atualização por lá recentemente.

— Ele te avisou? Como assim? Por que ele te avisaria? E que twitter? – lançava pergunta atrás de pergunta completamente abismado, pois por mais que pensasse naquilo não fazia sentido algum para si. Ele mesmo não sabia nada sobre o paradeiro de Deadpool, então, por que Gwen saberia algo? Arqueou a sobrancelha.

Gwen respirou fundo se preparando mentalmente para aquela conversa que sabia que viria um dia. Não havia o porquê de esconder dele. Além de que nem era nada demais em sua opinião.

— Ele me fez várias visitas, aí acabamos criando algum tipo de amizade. E o twitter dele é @Deadpoolparty porque aparentemente já existia alguém usando o @Deadpool... – e antes que ele começasse a indagar novamente ela gesticulou para que ficasse calado e apenas ouvisse. – Antes que pense besteira eu gostaria de dizer que ele só me visita para pedir conselhos sobre você, Peter.

Um momento de silêncio se fez.

— Sobre... mim? – e embora não quisesse, ele sentiu suas bochechas tornarem-se um pouco quentes outra vez.

A loira assentiu tentando conter o sorriso que teimava em surgir em seus lábios ao ver seu amigo tão lindamente corado.

— Sim. Várias vezes Deadpool veio me fazer perguntas sobre coisas que você gostava ou às vezes só pra contar os progressos que fazia...

E então com um clique imaginário tudo fez sentido na cabeça do Parker, se encaixando como peças de um quebra-cabeça a muito perdidas. Levantou-se e parou em frente a garota, segurando-a pelos ombros com os olhos arregalados.

— Então foi você que avisou a ele sobre a reunião daquela vez! – a garota assentiu novamente com um sorriso culpado nos lábios. – E também deve ter sido assim que ele descobria as coisas que eu gostava. Como da vez que ele trouxe uma estátua em tamanho real de Thrall só por que eu jogo um pouco de World of Warcraft. No dia seguinte tinha um alerta da central da Blizzard nos jornais a procura da estátua! Acredite, foi muito difícil convence-lo a devolver.

— Bem, dessa aí eu não sabia, mas, sim, creio que comentei algo sobre você jogar WoW... Ok, ok. Admito minha culpa. – a garota deu de ombros e depois de desvencilhar-se das mãos dele, foi em busca do telefone para pedir uma pizza para o jantar. A fome estava começando a incomoda-la. – Depois continuamos essa conversa, antes vou pedir uma pizza pra gente. Tem alguma preferência? – perguntou já segurando o telefone e discando o número de sua pizzaria preferida.

Peter inclinou a cabeça, pensando por alguns segundos.

— Não, como qualquer uma mesmo, pode escolher a que quiser. Quanto vai ser essas pizzas para eu te dar metade do valor? – mergulhou a mão dentro da mochila a procura tu carteira que acreditava estar ali.

— Ah, não se preocupe com o valor. Hoje é por conta do meu pai já que esse seria o meu jantar também. – a garota fez um gesto de desdém com a mão e saiu do quarto com o telefone no ouvido quando percebeu que haviam atendido a chamada.

Depois do pedido feito, George apareceu para se despedir dos dois e após soltar a frase "a criminalidade nunca dorme" saiu cantarolando para ir ao trabalho.

— Seu pai anda bem feliz, não é? – comentou Peter quando o homem mais velho fechou a porta.

— Até demais. Tô começando a achar que ele arranjou uma namorada...

As pizzas – no total eram três – chegaram em exata meia hora. Nesse meio tempo enquanto esperavam, eles ficaram discutindo qual seria o filme escolhido da noite e depois de muito debate escolheram assistir pela milésima vez o primeiro filme do Piratas do Caribe – que era o predileto da loira presente, por sinal. Espalharam as caixas das pizzas na mesinha de centro e pegaram dois copos de refrigerante antes de dar o play no dvd. Mal a cena inicial havia começado quando Gwen – mesmo que sem tirar os olhos da tela – recomeçou o assunto que o garoto esperava que ela tivesse esquecido.

— Então... Estava mesmo preocupado com o desaparecimento prolongado de Deadpool?

Peter suspirou, mastigando demoradamente a mordida que dera na fatia de pizza de chocolate querendo prolongar o máximo que podia para não ter que responde-la. Mas não podia ficar naquilo para sempre, afinal não era nenhum ruminante, e quando a loira virou-se para ele, acabou engolindo sem querer o que estava em sua boca.

— Talvez um pouco... M-mas não é como se eu gostasse dele. – emendou rapidamente, sentindo as bochechas esquentarem de leve. Já havia corado tantas vezes naquele dia que estava começando a suspeitar que pegara alguma doença nova.

Gwen sorriu maliciosamente.

— Ah, é? E por que você cora toda vez que fala nele? Sabe, eu nunca achei que você seria um livro tão aberto, Peter. – tomou um gole do seu copo de refrigerante. – Nem quando você namorava comigo tinha tantas reações assim.

Peter franziu o cenho.

— Como assim?

— Bem, mesmo que você falasse que gostava de mim nunca teve sequer a iniciativa de, sei lá... De me beijar de verdade, por exemplo. Você era imparcial demais, talvez seja porque na verdade precisava que outra pessoa fosse a que tomasse o primeiro passo... – ela supôs, sorrindo sugestivamente. – Alguém como o Deadpool...

Agora sim Peter estava vermelho como um tomate maduro e boquiaberto. Em outras palavras ela estava o chamando de passivo? Se bem que Wade realmente não parecia ser do tipo que "recebia" por assim dizer. Era maior que o moreno uns bons centímetros e possuía toda aquela pose de dominância natural... Peter botou a mão no rosto sentindo-se constrangido demais pelo rumo dos próprios pensamentos.

Enquanto isso a loira observava as reações do garoto com bastante atenção, percebendo o quanto ele era adorável quando estava envergonhado. Agora entendia o porque de Deadpool falar que adorava deixa-lo daquele modo.

— Peter, vou te dar um conselho de amiga. Dá pra perceber que está em contradição com os seus sentimentos por que você é certinho demais. Não há problema em ser um pouco louco às vezes ou se entregar sem se preocupar demais com o depois de amanhã. Viva o agora, Peter. Se permita ser levado pelos seus impulsos. – sorriu amigável. – Além de que aquele lá deve gostar muito de você pelo tanto que meus ouvidos já ouviram ele falando sobre seu querido "Spidey". Sério, ele conversa praticamente sozinho.

Peter sorriu, mirando os próprios dedos sujos de chocolate pensando no que a garota falara. Talvez ela tivesse um pouco de razão, afinal. Desde que passara a morar com sua tia que tentara ser uma pessoa que não a trouxesse problemas, mesmo que sua própria tia o estimulasse a ser mais "rebelde", por assim dizer.

— Hm, vou pensar no assunto.

— É bom que pense mesmo, mas agora vamos prestar atenção no filme. Quero admirar meu querido Capitão Jack Sparrow.

Uma risada escapou do moreno e logo ele estendia a mão em busca de mais um pedaço de pizza.

oOo

Mais uma semana se passou e nada de Deadpool aparecer. Peter já estava começando a achar que nunca mais o veria de novo quando – voltando de uma ronda pela cidade – o avistou sobre o teto do prédio vizinho usando um binóculo para, aparentemente, espionar seu quarto. Um sorriso surgiu em seus lábios cobertos pela máscara sem que percebesse.

— O que pensa que está fazendo? – questionou quando estava bem atrás dele, causando-o um pequeno sobressalto pela surpresa.

Deadpool se levantou batendo nas calças como que pra tirar uma poeira imaginária que havia se alojado ali e depois coçou a nuca num gesto comum de alguém que fora pego no flagra.

— Err... Oi, Spidey. Olha, sei que pareço suspeito, mas não é nada do que está pensando.

O Spider arqueou a sobrancelha ainda com o sorriso oculto e cruzou os braços se divertindo com aquilo.

— Ah, é? E qual seria a sua explicação?

— Com certeza eu não estava esperando você chegar e tirar as roupas despreocupadamente, isso eu posso garantir. Palavra de escoteiro. – respondeu tão resoluto que quase, bem pouquinho mesmo, convenceu o aranha de que estava sendo sincero. Mas, bem, era Deadpool quem estava falando e dele sempre se podia esperar o pior.

E embora jamais fosse admitir isso em voz alta, até que ele sentira falta daquele cafajeste tagarela e suas loucuras.

— Você parece tão inocente quanto um ladrão flagrado com as joias que roubou na mão.

Deadpool deu de ombros, enquanto se aproximava do aranha e o examinava naqueles trajes justos. Oh, como ele adorava roupas justas, principalmente se fosse Peter quem as usasse. Porém antes que tivesse a chance de agarra-lo nem que fosse um pouquinho, Peter estendeu um braço indicando que ele mantivesse distância.

— Já falei que essa roupa deixa sua bunda linda? – claro que o garoto corou por baixo da máscara e mesmo que Deadpool não conseguisse ver, ele tinha certeza disso.

O Spider fez um meneio negativo com a cabeça, desaprovando aquela espécie de comentário audacioso. Sabia que o outro dizia essas coisas para provoca-lo e dessa vez conteve sua vontade de envolvê-lo com teia, resolvendo só ignora-lo.

— Onde estava esse tempo todo? – ele pretendia perguntar o porquê de não ter sido avisado como Gwen havia sido, mas achando que seria muito vergonhoso e que podia passar a ideia errada acabou vacilando e alterando a pergunta.

Wade inclinou a cabeça, pensativo, e depois começou a tagarelar sobre o que havia acontecido com ele. Uma história louca sobre ele ter vendido acidentalmente a alma para um demônio menor e outras coisas tão ou mais bisonhas que isso surgiram no meio da narração interminável.

— ...Deu um trabalhinho pra recuperar minha alma, pois é descobri que tenho uma, mas aí Mephisto me deu uma mãozinha e tudo deu certo do final. Depois precisei procurar um dos meus companheiros de laboratório por que a minha habilidade de regeneração começou a dar tilt e... – ele parou de falar quando percebeu que Peter havia chegado mais perto e agora botava as mãos na lateral do seu rosto.

A cabeça do aranha estava uma confusão só, pois começara a relembrar as palavras de Gwen daquela noite de filmes e estava começando a realmente ficar tentado a seguir o conselho dela de se deixar levar pelos impulsos. Apesar de Deadpool ser daquele jeito tão inconstante, não podia negar que de fato sentia atração por ele.

E então sua mente mandou um "dane-se" bem alto e ele suspirou pesadamente antes de falar.

— Não acredito que vou falar isso, mas... – levantou um pouco a própria máscara, fazendo que toda a atenção do maior se voltasse para aquela parte descoberta. – Cala essa maldita boca e me beija agora.

Deadpool ficou estático por um segundo. Piscou os olhos uma, duas vezes tentando entender o que se passava. As vozes em sua mente tão confusas quanto ele próprio. Botou a mão na testa do aranha, como se pra sentir algum estado febril que justificasse aquela ação, e também procurou por câmeras de pegadinhas ao redor. E quando não encontrou nada de errado sentiu-se animado como há muito tempo não se sentia.

— Olha, não sei o que aconteceu, mas é você quem manda. – sorriu, levantando também a própria máscara e rapidamente o puxando para mais perto, selando os lábios.

As línguas logo se encontraram afoitas e Peter passou os braços pelo pescoço alheio, enquanto sentia o maior deslizar uma mão para a sua nuca e a outra ir direto para sua bunda. Aparentemente ele possuía alguma fixação suspeita por ela desde sempre. Logo a mão que estava na nuca também desceu para a sua bunda e Wade o puxou para que o moreno o enlaçasse com as pernas. Um gemido baixo escapou do garoto quando os membros roçaram sobre os tecidos da calça, fazendo com que o outro sorrisse em meio ao beijo sôfrego que mantinham a todo custo.

Não sabia o que havia acontecido enquanto estivera ocupado, mas estava imensamente satisfeito com o desenrolar dos eventos. Quem iria imaginar que após passar por umas poucas e boas no seu recém trabalho terminado, iria receber uma incrível gratificação como aquela? Se isso era uma recompensa por ter sido bonzinho e ter salvado algumas cabeças, ele começaria a se empenhar a ser um herói prendado, tal como... Não, na verdade era impossível ele ser tão babão quanto o Capitão América e todas as vozes em sua cabeça concordaram enfaticamente com isso.

Voltando sua atenção para o garoto com vestes justas, percebeu que este o encarava em silêncio e quase podia ver as sobrancelhas franzidas através do tecido da máscara. Sorriu quando o outro cerrou os lábios, aparentemente insatisfeito por ter sido deixado do vácuo. Devia ter se distraído com as vozes em sua cabeça por mais tempo do que imaginara.

— Ops, foi mal. – desculpou-se com um sorriso malicioso, aproveitando o clima para aperta-lhe os glúteos redondos. – Pode deixar que vou te dar a devida atenção por toda a noite, nem se preocupe.

No entanto, quando começou a rumar em direção à casa que antes observava pelo binóculo, dando a entender que pretendia usar o quarto dele, Peter chamou-o a atenção outra vez.

— No meu quarto não, minha tia está em casa. – murmurou tão baixo, mais tão baixo que Deadpool quase não ouvira o que ele dissera. Além de ele estar com o rosto virado para a lateral evidenciando ainda mais o seu constrangimento.

— Oh! Tudo bem. – deu de ombros e apertou o botão em seu cinto, resultando na teletransportação dos dois para o seu quarto na casa em San Francisco. Não era como se aquela pequena exigência fosse estragar sua noite com seu apetecível baby boy. – Seja bem vindo ao meu humilde cafofo aconchegante, darling. – gracejou depois que o pôs sobre o colchão de lençóis revirados. Deadpool não era muito dado a organização da casa, salvo exceção a sala de armas e apetrechos. Ai de quem bagunçasse suas preciosas armas.

O quarto estava coberto por penumbras visto que a única iluminação provinha de algum poste na rua e essa luz não era lá muito considerável. Se bem que... Deadpool preferia assim. Não queria traumatizar o garoto com sua aparência logo na primeira noite. Seu maior receio era o de ser rejeitado de forma definitiva pelo Spider. Um calafrio percorreu sua espinha. Definitivamente ele não queria isso.

Peter retirou a máscara e estreitou os olhos tentando focalizar melhor a figura de Deadpool, mas a luz do poste era deveras fraca.

— Wade? – arriscou chamar-lhe quando se passou alguns minutos e nada dele vir em sua direção. Já estava começando a pensar que ele não estava tão interessado assim quando sentiu mãos firmes segurarem a barra de sua calça de spandex. Prendeu a respiração inconscientemente.

— Desculpe a demora, Darling. Estava tirando o meu lindo equipamento. Não seria nada legal se no meio do rala e rola algo te machucasse...

Peter corou, mas isso não era nenhuma novidade. E diferente do que o garoto esperava, ao invés das mãos puxarem sua calça, ele sentiu os dedos alheios tocarem sua pele por debaixo da parte superior da roupa de aracnídeo. Aquilo poderia se chamar camisa?

Pelo calor que o contato deixava, percebeu que Wade havia tirado as luvas para tocar-lhe diretamente a pele e isso meio que o deixou feliz. Em algum momento dessa nota mental sua camisa havia sido tirada e jogada longe sem que percebesse. Logo os lábios quentes trilharam um caminho subindo a partir umbigo e apossaram-se dos mamilos desprotegidos, realizando lambidas e sucções intercaladas a fim de poder exercer o mesmo serviço aos dois. Peter apenas arfava, embrenhando os dedos nos lençóis abaixo de si. Para ele era uma surpresa se sentir sensível naquela região já que nunca havia encontrado motivo para estimular eles.

Depois de alguns segundos naquele processo de provocação leve, segundo a opinião do aclamado assassino tagarela é claro, ele avançou um pouco mais sobre o corpo esguio e assim que alcançou o rosto do Spider, roubou-lhe os lábios em um beijo fugazmente necessitado. Óbvio que Peter, não querendo ficar pra trás, correspondeu o beijo dignamente a altura. Não era por ser inexperiente com homens que deixaria o outro agir como bem entendesse e ficaria apenas observando como uma das tantas meninas recatadas e virgens que havia em filmes. Afinal, Peter também era um homem de ação, então agiria como tal.

Ou pelo menos era assim que ele procurava se enxergar.

Desconhecendo as linhas de pensamento do rapaz, Wade aproveitou aquele beijo intenso para descer as mãos e após ultrapassar a barreira da calça, apertou ousadamente as nádegas redondas que tanto desejava. O beijo foi interrompido bem no momento em que um gemido baixo emergiu do moreno.

— Você gosta mesmo da minha bunda, não é? – indagou com um certo riso no tom.

Wade sorriu, apertando outra vez a carne macia.

— Você nem imagina o tamanho da minha tara por ela. – respondeu malicioso.

Rapidamente, como num passe de mágica, as calças e a cueca do aracnídeo desapareceram na escuridão do quarto e pela primeira vez Peter estava de fato completamente pelado na frente do outro. E por vontade própria! A pele de seu rosto queimava, sorte que não estavam com uma boa iluminação e isso o deixou um pouco aliviado. Teve que controlar o impulso de puxar algo para cobrir sua nudez, já que fora ele mesmo que pedira por isso. Não adiantava continuar se constrangendo se o objetivo era ir até mais longe naquela noite.

E sem o menor pudor Wade agarrou o pênis semi-ereto alheio que estava exposto e passou o dedo libidinosamente pela fenda sensível que havia ali. Peter precisou levar uma mão a boca para abafar o som do gemido que veio um tanto mais alto.

— Não, não baby boy. Não faça isso... – falou Wade retirando a mão relutante que o outro usara pra tapar sua boca. – Quero ouvir todos os sons que você tem a oferecer.

— Ahm... – o gemido foi a única resposta que Peter conseguiu dar, visto que em nenhum momento a mão em seu membro parara de se mover.

Ah. Aquele som era música para os ouvidos do Wilson. Nem precisara se tocar e uma ereção dura como rocha erguia-se dentro de sua calça. Talvez fosse por finalmente estar realizando algo que sonhara e desejara por tantas incontáveis noites. Achava inclusive que nunca conseguiria, visto a teimosa resistência do garoto aranha em relação a sua pessoa. Teve vontade de dizer "é pra glorificar de pé, igreja", mas teve a impressão de que o outro não ficaria nada feliz com essa frase.

Mas quem diria, não é. O homem-aranha completamente pelado em sua cama. Uma versão pequena de Deadpool dava saltinhos de alegria em sua mente, igual uma criança que ficava feliz por ter recebido um doce muito bom.

— Wade, tenha foco no que está acontecendo aqui, ok? Foco! – reclamou Peter depois de perceber que o outro havia parado, aparentemente distraído. Bufou chateado. – Se for pra ficar me ignorando eu vou embora. – avisou dando a entender que se levantaria, mas nesse momento Wade sorriu e segurou-lhe a cintura.

— Você que pediu, baby boy. Agora vou te dar toooda a minha atenção. – era perceptível a malícia em sua voz. – Só espere um segundinho.

E dito isso ele levantou e começou a vasculhar alguma coisa na gaveta do criado-mudo. Se fosse um desenho haveria uma enorme interrogação flutuando acima da cabeça de Peter.

— Prontinho! – exclamou contente e voltou para a posição que estava antes. Nas mãos uma bisnaga de tampinha vermelha. – Agora podemos começar a diversão de verdade. – falou enquanto abria a tampa e despejava uma grande quantidade de um fluido incolor na mão.

Entretanto, quando Peter iria questionar sobre isso, Wade abocanhou de uma vez só o membro dele sem a menor cerimônia. Óbvio que seja lá o que ele pretendia dizer foi esquecido no instante seguinte, dando lugar ao longo e lânguido gemido dado pelo moreno. Wade sorriria caso não estivesse com a boca ocupada.

E então um processo de sublime sucção foi iniciado fazendo Peter embrenhar as mãos nos lençóis com mais vigor ainda. A língua experiente que deslizava pela extensão do seu pênis estava o levando a novos níveis de prazer. E percebendo pelos gemidos que ecoavam pelo quarto que o outro estava imerso naquelas sensações, Wade aproveitou para – depois de espalhar bem abundantemente o fluido nos dedos – arriscar penetrar um dedo na cavidade anal. Não demorou muito para um protesto sonoro de incômodo vir de Peter, mas este o ignorou e se empenhou simultaneamente no magnífico oral que dava e no vai e vem que seu dedo fazia lentamente no canal apertado.

Peter estava achando estranha a invasão, mas não tinha como evitar esse efeito visto que nunca antes pensara em usar aquela região para outros fins. Um grunhido foi solto quando sentiu outro dedo se juntando ao primeiro dentro de si. Os dedos deslizavam com certa facilidade devido ao lubrificante usado e movimentavam-se de modo que facilitasse o que estava por vir, embora ainda fosse meio dolorido o processo de alargamento imposto. E então, pouco depois, o terceiro dedo veio. Estava prestes a reclamar pela dor quando sentiu os dedos pressionarem algum lugarzinho mágico dentro de si que o fez ver estrelas.

— Ah! – Peter ofegou um tom mais alto ao sentir que estava prestes a gozar. Nesse momento Wade largou o pênis lambuzado de saliva, dando um sorriso pretensioso que não foi visto pelo outro, pois o Parker fechara os olhos tentando recuperar um pouco de sua respiração alterada.

— Acho que já chega de preliminares, não é Spidey? Quero que você sinta logo o nível da minha animação. – anunciou, retirando os dedos. Seu membro negligenciado estava começando a ficar dolorido pela carência de atenção.

Entretanto aquela frase fez Peter lembrar-se da vez que o masturbara em sua cama. O atributo do assassino era enorme, como pudera esquecer esse detalhe importante? Engoliu em seco subitamente preocupado em como ficaria ao fim daquele ato. Estaria inteirou? Suspeitava que não.

— Err... Sabe, Wade. Talvez devêssemos deixar lance de penetração pra um outro dia, não acha? Está ficando meio tarde mesmo... – começou a inventar justificativas enquanto sentia o corpo do outro pesar sobre o seu. Conteve um gemido quando sentiu mãos apertando-lhes sugestivamente as coxas.

Deadpool riu.

— Está com medo, Spidey? Você pareceu tão corajoso hoje cedo... – sussurrou com a boca próxima a seu ouvido. Depois roubou-lhe os lábios num beijo lento, aproveitando a deixa para afastar discretamente as nádegas do rapaz e aproximar o próprio membro da pequena entrada. – Relaxe, baby boy, nem dói tanto assim. Tenho certeza que você já deve ter sofrido “n” ferimentos piores em suas lutas.

Peter parou pra pensar um pouco. É, talvez ele tivesse razão. Já havia se ferido de tantas maneiras diferentes e algumas mais terríveis do que outras. Ele como herói estava praticamente destinado a sentir dor, então o que seria acrescentar mais uma a sua lista, não é? Não poderia ser tão terrível... Sem falar que também estava um pouco curioso pela situação, não que fosse admitir isso em voz alta. Mas será que podia acreditar, mesmo que um pouco, nas palavras daquele tagarela?

Meio relutante ele anuiu. Não seria medroso a essa altura do campeonato.

— Tudo bem. – respirou fundo e procurou relaxar o máximo que pôde. – Siga em frente.

Wade sorriu abertamente.

— Você quem manda, Spidey!

E então mais uma vez os lábios se encontraram impetuosos. As línguas serpentearam até que se encontrassem para a festa e começaram a se esfregar libidinosamente uma na outra. As mãos de Peter foram automaticamente enlaçando o pescoço alheio a medida que o beijo era aprofundado. Antes ele podia até estar receoso, mas depois de ligar o botão novamente o “dane-se” na sua cabeça decidiu aproveitar até o último segundo.

Entretanto quando a penetração começou, um alarme soou alto e claro em sua mente. O beijo foi cortado de forma brusca e em resposta a dor intensa, Peter desferiu uma forte mordida no ombro próximo. O sofrimento só diminuiu um pouco quando Wade por fim conseguiu botar tudo dentro da cavidade e parou, ofegando pesado no pescoço esguio.

A vontade de Peter era de cortar o atributo fora e depois jogar o responsável por aquele suplício onde o mundo desse a curva para nunca mais ter que ver a criatura. Em sua mente jogava milhões de maldições no assassino. Havia também muitas palavras impróprias que ele geralmente não costumava usar, mas que ali naquele momento eram as únicas que podiam expressar bem o que sentia. Aquele maldito mentira desavergonhadamente quando dissera que nem doía tanto. O aracnídeo sentia como se fosse ser partido ao meio por aquela estaca.

Somente largou o ombro quando a dor diminuíra consideravelmente.

— Melhorou? Se quiser chorar eu não ligo. Sei que sou um pouco avantajado, se é que me entende.

Peter revirou os olhos com aquele cinismo descarado.

— Cala a boca, Wade.

O outro deu de ombros e procurou os lábios dele para um novo beijo. Pode sentir o gosto do próprio sangue visto a força que o Parker usara na mordida, se bem que isso não o incomodou. Ainda permaneceram mais algum tempo imóveis, permitindo que o corpo de Peter se acostumasse o máximo possível com o volume. E quando o Wilson já estava prestes a reclamar impaciente, sentiu o outro mover minimamente o quadril como que testando para ver se aguentava o tranco. Um gemido rouco escapou do maior e Peter gostou de ser o responsável por esse efeito.

Remexeu outra vez o quadril e Wade não precisou de outro convite para começar a investir, mesmo que inicialmente devagar, contra o corpo delgado do outro. Peter arqueou as costas ao ser novamente pressionado com precisão no tal ponto mágico dentro de si. Depois disso palavras não foram mais necessárias, se é que em algum momento foram. Os corpos suados se embrenharam em meio a beijos e mordidas ocasionais. Chupões que faziam o Spider se arrepiar por completo e que acabariam por acarretar em várias marcas arroxeadas no dia seguinte, embora ele não pensasse isso no momento. Mãos despidas de pudores tocavam o máximo que podiam, hora arranhando, hora apalpando. E o fruto de tudo isso eram os ofegos e gemidos que repercutiam pelo cômodo sem a menor das preocupações.

A noite longa foi repleta de prazer e deleite para ambos. Ao término de tudo aquilo praticamente desmaiaram de tão exaustos que estavam.

Ao menos a saciedade fora, sem sombra de dúvidas, completa.

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Deadpool alongou os braços preguiçosamente, sentindo alguns ossos estalarem no processo. A manhã não poderia ser mais bonita, principalmente quando havia um jovem pelado dormindo tranquilamente em sua cama. Peter estava esparramado com a barriga virada para o colchão, tendo a ponta de um cobertor cobrindo parcamente sua bunda coberta de chupões.

— Hm... Talvez eu tenha exagerado um pouco ontem a noite... – considerou ao ver as tantas marcas no corpo do mais jovem. Se bem que por outro lado estava adorando ver seu registro das maravilhosas atividades que fizeram.

Wade já estava devidamente vestido, pois iria precisar sair para um trabalho. Já devia fazer bem uns vinte minutos que procurava decidir em sair sem avisar Peter ou acorda-lo para evitar uma futura discussão que isso causaria. No entanto, sua atenção foi desviada para o som de algum traje voador juntamente com as vozes levemente familiares que pareciam vir do lado de fora.

Cruzou os braços e inclinou a cabeça, curioso. Logo as figuras de Capitão América e o Homem de Ferro apareceram discutindo em sua janela. Detalhe: aquele era o primeiro andar. Aparentemente, o capitão estava sobre seu telhado, enquanto que o outro permanecia voando.

— Tem certeza que o sinal vem daqui? – perguntou o homem que trajava a roupa com as cores da bandeira norte-americana.

O Homem de ferro o encarou com descrença.

— Está duvidando da precisão do meu material? Sério mesmo? Talvez você prefira usar seu incrível sexto sentido. Ou talvez aquele método arcaico que usa um galho ou algo assim. – resmungou impaciente.

— Oi, gente! – Deadpool acenou para a dupla que virou-se para ele, surpresos. – O que fazem na minha casa?

Ambos se aproximaram da janela de modo que pudessem ver o interior do quarto.

— Essa é sua casa...? – o capitão arqueou a sobrancelha.

— Estamos procurando o Homem-aranha. O sinal do localizador que coloquei nele diz que ele estava por esses lados e... – a parte da frente do capacete do Homem de ferro se ergueu de súbito, revelando a expressão confusa de Tony Stark. – Peraí! Aquele ali na cama é quem estou pensando? – indagou, completamente perplexo.

Steve seguiu seu olhar e encarou o jovem seminu na cama.

— Quem... – e então ele percebeu as partes das roupas do dito Homem aranha jogadas pelo chão. Seus azuis se arregalaram.

No meio desse falatório todo, claro que Peter acabou sendo despertado contra sua vontade. Quem conseguiria continuar dormindo com tantas vozes o perturbando? Sentou-se na cama, coçando os olhos. Os piscou um pouco ainda contagiado pelo sono, quando percebeu que havia olhos demais sobre sua pessoa.

Seu grito sobrepôs as outras vozes e ele puxou o cobertor mais do que rápido, formando uma espécie de casulo protetor sobre si. O rosto tingido em um incrível tom escarlate.

Steve e Tony não podiam estar mais surpresos.

— Então... Não estava sabendo que vocês estavam tão... Íntimos. – comentou o milionário com um sorrisinho divertido no rosto.

Deadpool deu de ombros.

— Quando o amor nos pega, não tem como evitar, não é? Mas sabe que até já pensei num nome de casal pra gente! Vai ser Spideypool. Lindo, né?

De repente Peter retirou a cabeça de entre os lençóis e mirou o ser de vermelho e preto com irritação/vergonha e sabe mais lá o que.

— CALA A BOCA, WADE!

Notas finais
Como vão? :D Espero que o capítulo tenha ficado no mínimo interessante... Tentei deixar com o jeitinho deles, mas não sei se ficou lá essas coisas. De qualquer modo, obrigado pelo carinho gente. ♡(。-ω-) Vou até adiantar que o próximo vai ser narrado por Deadpool, então né... Vai ser bem louco. E é isso aí. Té mais~