Todos Iguais
10 Pedro e Gabriela
Notas iniciais

Terminamos de limpar o apartamento da Bianca por volta das duas da tarde daquele domingo. Todos nós ajudamos como pudemos, mas ela garantiu que assim que os empregados chegassem, ainda naquela tarde, eles finalizariam o nosso trabalho de maneira mais impecável para não levantar suspeitas para os seus pais. Apesar de ter chovido a madrugada inteirinha, o sol lá fora fazia o máximo de esforço possível para brilhar entre as nuvens.
— Desembucha agora. – pediu o Rafael de ressaca, sentando-se ao meu lado após beber a milésima xícara de café.
Éramos só nós dois na sala de estar após o término da interminável faxina. As garotas subiram até o quarto da Bianca, todas juntas, como uma gangue para se arrumarem para descermos para a piscina do prédio.
— Você sumiu a madrugada inteira com a Nati. O que vocês andaram aprontando seus espertinhos?
Ele sorria maliciosamente.
— Nada que seja da sua conta. – respondi, tentando conter o riso. — Nós estávamos aproveitando... Na sacada lá em cima. Nada de mais.
Ele me olhou ainda sorrindo, como se duvidasse. Mas também não insistiu no assunto, até porque ele sabia que eu não ia abrir o bico para falar das minhas intimidades com a Natália. Eu não sou assim. Nós, apesar de amigos, não conversamos sobre tais particularidades.
Meia hora depois as garotas desceram — exceto a Gabriela, a minha irmã, que estava com um mau humor daqueles– trajadas como se fossemos ir à praia: biquínis, tangas, shortinhos, bolsas, óculos de sol, chapéus. E olha que nem estava fazendo aquele super calor, imagine se estivesse.
Rafael me deu uma cotovela de leve na costela sorrindo ainda mais, avaliando os corpos das garotas descaradamente. Mesmo sendo todos amigos, eu tenho certeza de que ele ficaria com todas elas se fosse possível.
Rafael é um caso perdido.
Bom, apesar de serem todas bonitas sem exceção — cada qual com sua beleza própria — eu só tinha olhos para a Natália. A mais tímida entre as quatro. E para mim a mais graciosa, com a parte de cima do biquíni vermelho com seus cabelos, short jeans e chinelos Havaianas.
— Vamos descer? – a Bia sugeriu, a mais desinibida.
Lá em baixo, na área de lazer do condomínio há três tipos de piscinas: a grande e também a mais profunda, a média e a pequena para as crianças.
Como praticamente nenhum dos moradores do prédio aproveita à área de lazer, exceto as crianças e os adolescentes, as piscinas mesmo quando está calor ficam praticamente vazias.
A primeira a cair na água é a Luiza com um biquíni verde primavera, puxando a minha irmã com ela, com um biquíni preto. De longe ouço a minha irmã xingar alto, sem se importar com as crianças que estavam no playground não muito longe dali. Alguns pais ficam horrorizados.
Eu meio que já estou acostumado a esse comportamento da Gabi, então não é novidade nenhum pra mim ela falando palavrão sem parar.
Pego na mão da Nati, ao meu lado, e a conduzo até as espreguiçadeiras de metal onde a Bianca já está deitada, sem a ganga, de óculos escuros e o rosto voltado para o sol, mesmo ainda estando fraco. Ao lado dela o Rafael já tirou a camiseta, ficando só de bermuda e a imitando.
Não sei se é só impressão minha ou desde ontem esses dois estão mais próximos de alguma forma. Será que eu perdi alguma coisa? Não é novidade nenhum que eles ficam, quando querem, mas fico imaginando se aconteceu entre eles algo a além de uma troca de beijinhos inocentes.
***
Normalmente quando eu acordo depois de passar uma noite inteira fora, eu fico de mau humor, estressada, ignorante, fria. Não que eu faça de propósito, mas é que eu me sinto tão cansada, tão fraca e tão desorientada que tudo que eu mais queria era poder dormir por horas a fio.
A noite de ontem em comemoração ao aniversario da Bianca e do Rafael foi bem divertida. Eu conheci muita gente nova, especialmente garotos... Dancei, bebi, dei risada, comi um montão de besteira, acabei brigando com o Rafael – o que já se tornou algo bem comum – e por fim capotei no sofá do apartamento da patricinha, que por sinal é bem confortável, nem se compara ao que tem lá em casa.
Mas também... Com a quantidade de dinheiro que os pais dela têm podem comprar qualquer coisa do bom e do melhor, a qualquer hora, em qualquer lugar, sem restrições, sem choramingar.
Quem é que não queria ter uma vida boa dessas?
Garota sortuda! Além de descerebrada.
Nós nunca nós demos totalmente bem. Ficamos próximas apenas porque ela conheceu o meu irmão primeiro através do colégio e a gente foi se aproximando, assim meio sem querer, por causa das amizades em comum. Mas não que sejamos confidentes, parceiras, amiguinhas, que contam segredos, que passam horas juntas falando sobre garotos ou roupas, ou perdendo tempo no salão de beleza... Nada disso. Até porque ela já tem a Luiza pra isso e eu não suporto essas coisas.
Literalmente: somos de mundos bem diferentes.
Mas noite passada, quando acordei durante a madrugada após ter capotado no sofá, me dei conta de que temos algo em comum: o Rafael. Isso mesmo. Eu que não sou boba nem nada, assim que percebi que além do meu irmão e da minha “cunhada” – se é que já posso considerá-la assim – a patricinha e o Rafael também não estavam ali, na sala.
Então eu me perguntei onde eles estariam e o que estariam fazendo.
Movida pela curiosidade eu me levantei do sofá sem fazer barulho para não acordar os outros e me movi a pouca luz pela sala. Com a porta que dá pra sacada aberta, eu vi o meu irmão e a Natália, abraçadinhos, trocando beijinhos e carinhos. Esse tipo de coisas que deixa a gente enojado. Mas a Bianca e o Rafael não estavam com eles. O que me fez deduzir que eles estariam no andar de cima, fazendo sabe-se lá o que.
Eu subi, ainda me movimentado suavemente para não ser pega no flagra fuxicando a vida dos outros. Todas as portas estavam fechadas, mas eu sabia exatamente qual delas era do quarto da Bianca, afinal não era a minha primeira vez ali. Me coloquei atrás da porta com o ouvido bem encostado a madeira, tentando ouvir o que se passava lá dentro.
Consegui entender pouca coisa, já que eles pouco conversavam, mas estavam ali, eu sabia que sim, só poderia ser eles dois tramando alguma coisa e sussurrando um para o outro.
Eu precisava saber mais. Eu queria saber exatamente o que eles estavam fazendo ali, trancados, longe dos outros. Às escondidas.
É, eu sou sim muito curiosa. Mas quem não é pelo menos um pouquinho?
Coloquei a mão na maçaneta e consegui gira-la devagar, sem fazer qualquer barulho. Detalhe: eu estava abaixada, como se fosse uma verdadeira espiã. Abri a porta bem pouquinho, mas o suficiente para vê-los e distinguir o que eles estavam fazendo. Ou melhor: o que eles não fizeram.
Qualquer garota no lugar da patricinha teria aproveitado aquela oportunidade. Digo isso por mim mesma. Afinal, quem seria louca o suficiente para descartar Rafael Cardoso em sua cama, praticamente sem roupa, louco para arrancar um pedaço seu? Eu não conhecia nenhuma garota que daria um fora nele.... Até então.
Mas existia burra pra tudo.
Bianca Vasconcelos é o nome dela.
Naquele momento eu não só senti raiva por eles dois estarem mentindo pra todo mundo descaradamente, se aproveitando da situação, por se acharem mais espertos, mas também morri de ciúmes ao ver aquela cena que qualquer garota com um cérebro sonha e aquela patricinha ridícula desperdiçou por morrer de medo se entregar para um deus grego como o Rafael. Só Deus sabe o quanto eu gostaria de poder estrangulá-la.
Logo eu que não sinto nada, nem por mim mesma, me vi com ciúmes e com raiva de uma patricinha fútil e de um garoto que nem se quer posso chamar de meu. Mas naquele momento eu tive certeza de uma coisa: eu precisava fazer alguma coisa para reverter essa situação.
Eu queria, eu precisava, eu necessitava estar em vantagem.
Sempre.
***
— O que foi, Nati? – perguntei preocupado ao sairmos da piscina.
Já faz alguns dias em que eu tenho observado que ela e a Luiza não estão bem, logo elas que costumavam ser bem próximas. Elas mal se falam e mal se olham e parecem tentar se evitarem. No inicio eu achei que era uma fase, coisa boba, briga entre amigas e que logo elas se acertariam. Mas aí eu me dei conta de que a coisa era séria, quando eu senti que toda vez que a Luiza se aproximava de nós, eu sentia o corpo da Nati se retrair, na defensiva. Como se ela temesse alguma coisa.
Ela não estava bem, era evidente. Aquilo a perturbava mais do que ela gostaria de poder admitir. Todas às vezes em que toco no assunto, ela dá um jeito de contornar. Mas eu já estou farto desse buraco entre nós. Afinal, estamos tendo alguma coisa, não estamos? Ainda indefinida. Mas eu gostaria que pelo menos ela confiasse em mim, que fosse mais aberta.
— Não é nada, Pedro. Bobagem! – ela não me olhava, mas parecia bem desconfortável. — Eu só estou com fome.
Peguei uma toalha e coloquei sobre seus ombros cuidadosamente.
— Não é nada? – perguntei incrédulo. Minha paciência havia se esgotado. — Engraçado como você nunca tem nada. – soltei um riso, sem humor. Ela me olhou assustada. — Eu pensei que estivéssemos juntos. Você nem se quer confia em mim para conversar sobre tudo.
Ela continuou me olhando com espanto, como se não estendesse por eu estava surtado.
O problema é que eu sou extremamente paciente, em relação a tudo. Mas quando a minha paciência se esgota sai de baixo.
— Então quer dizer que estamos mesmo juntos?
— Ué, e você chegou a duvidar disso?
Ela sorriu mais aliviada.
— Não, é que... Eu pensei que... Eu não sei!
O sorriso dela me desconcerta inteiro.
Porque mesmo eu havia levantado a voz pra ela?
Ah é, lembrei.
— Só me responde: o que você tem? – peguei sua mão e juntos voltamos a nos sentar nas espreguiçadeiras, frente a frente.
— Eu não tenho nada, já disse. Eu só estou faminta! – ela fez uma careta, tentando me convencer. — Mas então quer dizer que nós estamos... hum... estamos... Como eu posso dizer? – ela levou o dedo indicador aos lábios, pensativa. — Estamos namorando?
— É, sim. Parece que sim. – sorri constrangido. Que tipo de babada que eu sou que não deixei isso bem claro desde o inicio?
Você ainda tem tempo de concertar as coisas, disse uma voz no meu subconsciente.
— Quero dizer: — ajoelhei-me diante dela, ainda segurando uma de suas mãos. Todos em volta começaram a olhar para nós. Natália sorria sem jeito, parecendo não acreditar no que eu estava prestes a dizer. — Natália Fagundes, você quer ser a minha namorada?
Ela não respondeu de imediato, corada. O hoje fez meu coração dar um giro dentro do peito por conta do nervosismo.
Eu nunca me vi fazendo algo assim, nem em sonhos. Não que eu não seja romântico, eu sou. Mas é que eu passo tanto tempo com o Rafael, meu melhor amigo, que eu meio que me esqueço de que eu realmente sou, ou o que eu quero. A maioria dos garotos da nossa idade, assim como eu, passa a maior parte do tempo admirando o jeitão desligado do Rafael que esquecemos de que somos diferentes, com objetivos diferentes, qualidades diferentes, atitudes diferentes e com formas de pensar diferentes.
O meu melhor amigo é o pior exemplo de como tratar uma garota como ela gosta, ou como sonha, ou imagina. Ou pelo menos é nisso que ele gosta que as pessoas acreditem. Para ele as garotas são só querem uma coisa e você sabe exatamente do que eu sou falando.
O que não é necessariamente verdade.
Eu gosto de enxergar o melhor que as pessoas podem oferecer.
— Sim Pedro, eu aceito. Eu quero ser a sua namorada.
***
Pra mim já deu por hoje.
Eu tenho que ir embora.
Por mais que eu tente me divertir, não consigo não olhar para o outro lado da piscina e ver a Bianca e o Rafael agindo como sempre. Como se ela não tivesse dado um fora nele noite passada. E o pior: ele não parece nenhum pouco abalado com isso. Agem normalmente, como velhos amigos.
O que ela tem além do dinheiro melhor que tantas outras?
No meu caso, quando eu o dispensei ele não aceitou com tanta facilidade e continuou me perseguido para todos os lados como se eu fosse uma cachorrinha de estimação, mesmo após ter brigado feio com o meu irmão e prometido não ficar se engraçando para o meu lado.
E por isso que eu estou furiosa.
Não me parece justo, não com uma das garotas que eu mais detesto.
Peguei minhas roupas, vesti-me em segundos e fui pra casa, porque eu precisava pensar em um bom plano de vingança.
Deixei o Pedro pra trás. É certo de que esse domingo ele não voltaria pra casa nem tão cedo. Já que agora é oficial: ele e a Nati estão namorando.
Garota sortuda essa Natália. Primeiro que eu gosto dela, até porque ela não vive grudada com a Bianca. E segundo que o meu irmão – não só por ser o meu irmão – é um dos melhores garotos que eu conheço. Tudo bem que eu não admita isso em voz alta e que às vezes o Pedro pega pesado no meu pé dando uma de irmão mais velho preocupado. Até aí normal, afinal somos irmãos e muito mais que isso: nós somos amigos.
Sei que posso contar com ele para praticamente tudo.
O mais admirável no Pedro é que quando ele gosta de algo, ele gosta pra valer. Com ele não tem isso de meio termo. E ele raramente não gosta de algo e se gosta não é do tipo que se manifesta contra. Ele tem o bom coração que eu não tenho. O Pedro é praticamente bom em tudo. No amor, no colégio, com os amigos, em casa, com a família, consigo mesmo.
Ele é tudo que eu não sou e que eu nunca serei.
— Filhinha, que bom que você chegou. Estava com saudade! – disse o meu pai todo exagerado, virando a cabeça na minha direção quando entrei em casa. — Como foi à festa da sua amiga?
Amiga? Quase cuspi no chão.
— Foi... legalzinha, pai. – tento sorrir, para convencê-lo.
Meu pai ou nenhum outro pai desse mundo — por serem ingênuos demais — poderia imaginar que na festa de ontem rolou de tudo: bebida, drogas, sexo e tudo que se pode encontrar por aí em uma festa de adolescentes irresponsáveis e inconsequentes como nós.
— Eu to morrendo de fome, pai. – faço uma careta, fazendo meu bom e velho drama. — Cadê a mamãe? – olho em volta, está tudo silencioso demais. Sinal de que ela não está em casa. E se ela não está em casa não tem comida nas panelas. — Vamos sair e comer algo?
— Claro! – ele levanta-se de prontidão. — Onde você quer ir?
— Não importa. – digo. — Em qualquer lugar que tenha comida pra mim está ótimo. – afinal, eu preciso estar bem alimentada para pensar em um bom plano. — Eu vou tomar um banho e me trocar, você espera?
***
Já é noite. E o ar está bem mais frio. É finalzinho de um domingo que pode ser considerado um dos mais especiais da minha vida. Já que foi nesse dia, em um domingo que tinha tudo para ser só mais um, que eu criei coragem de pedir a Natália em namoro finalmente. E o melhor de tudo foi ela ter aceitado e me dando ainda mais certeza de que esse sentimento é recíproco. Eu não suportaria ser rejeitada pela garota que amo.
Nesse momento estamos deitados em sua cama, em silêncio, um de frente para o outro, nos olhando e de mãos dadas. Agora, ainda mais que antes, sinto que o meu amor por ela só aumenta. Mas não é como se eu já tivesse coragem de dizer isso com todas as palavras. Parece-me precipitado e eu também não quero estragar as coisas por causa da pressa.
Somos jovens e tempos muito que viver ainda.
É a primeira vez que entro na casa dela e desde o momento em que pisei meus pés aqui me senti como se estivesse dentro da minha própria casa. É tudo simples e normal. É a primeira vez também em que conheço melhor a sua mãe, Dona Elisa, muito além dos cumprimentos. Não é novidade alguma que eu fiquei um tanto nervoso e intimidado, agora que sou bem mais que um simples amigo da sua filha. Fora isso, Elisa me tratou muito bem, chegou até fazer algumas piadas e comentários divertidos, diminuindo a tensão.
Antes de chegarmos a Nati fez questão de me avisar que sua mãe era um tanto extrovertida (até mais do que ela gostaria) e uma mãe... hum... Digamos assim que um tanto anormal e desajuizada. E pediu para que eu não a levasse tão a sério. Mas admito que apesar de estranhar a principio, gostei muito da Dona Elisa e sei que nos daremos muito bem futuramente.
Ajudei as duas com o jantar, coisa que nunca me imaginei fazendo, já que as coisas lá em casa funcionam bem diferentes. Mas sei que irei me acostumar facilmente com esse novo ritmo. Ajudei também a limpar a mesa e a lavar a louça após a refeição. E durante todo o tempo percebi o quanto a Nati é boa com essas coisas de casa. Não pude deixar de pensar o quanto ela será boa como mãe e esposa, algum dia, em um futuro distante.
Depois como não tínhamos nada melhor para fazer, já que sua mãe não parava de tagarelar ao telefone animadoramente com uma de suas amigas como se ainda fossem adolescentes do colégio, Natália me puxou pelo braço até o andar de cima, para mostrar-me seu quarto.
E cá estamos.
— Sei que eu não fui muito romântico – quebrei o silencio entre nós, aproximando-me mais. — não como toda garota espera de um garoto com um pedido de namoro, mas eu espero, sinceramente, que tenhamos muitos momentos pela frente para eu poder te mostrar o meu melhor.
Como resposta ela beijou-me docemente. E eu sorri, feliz.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ouvimos o berreiro de um bebê. Arregalei os olhos surpreso e a Nati soltou um longo suspiro.
— Droga! Ele acordou.
Ele? Ele quem?
Desesperada ela levantou-se da cama em um pulo e saiu correndo do quarto, voltando minutos depois com um bebê nos braços, agora mais calmo, sem choro e uma mamadeira em mãos.
— Pedro, esse é o Lucas. Meu irmãozinho.
Ela se aproximou, sentando-se ao meu lado para que eu pudesse dar uma boa olhada no bebê mais de perto. Ele tinha os olhos e o nariz dela.
— Segura ele pra mim, rapidinho? Eu já volto!
Não tive nem tempo de responder e ela colocou em meus braços o bebezinho. Eu nunca antes tinha segurado um bebê e admito que foi um tanto esquisito. Mas eu também nunca antes havia gostando tanto de uma garota, ou a pedido em namoro, ou ajudado na cozinha.
Acho que posso me acostumar com isso.
Senti um alívio invadir meu peito quando o bebê, o Lucas, sorriu pra mim enquanto eu brincava com seus dedinhos gorduchos.
— Você é bom nisso. – ela voltou, sorrindo. — Eu acho que ele gostou de você.
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