Notas iniciais
Resolvi postar logo esse capítulo, pois eu já tenho mais cinco adiantados. Apesar de ter poucos leitores e receber poucos comentários eu estou bastante animada e escrevendo sem parar enquanto ainda tenho tempo e criatividade. Também detesto enrolar nas postagens. Então aí vai.

Estava ficando cada vez mais doloroso pra eu ter que ver a Natália e o Pedro sempre juntos de mãos dadas, trocando olhares e sorrisos apaixonados, abraçados pelos corredores, pelo refeitório, pelo pátio, fazendo dupla na sala de aula para as atividades, dançando juntos nas festas. Como se agora fossem uma só pessoa. Felizes, completos e apaixonados. Todas as vezes que eu me deparava com eles — já que não tinha para onde correr, pois somos todos amigos — meus olhos se enchiam de lágrimas e eu ficava terrivelmente nervosa, de mau humor, morrendo de ciúmes e inveja daquela situação.

Eu a amo, sei disso agora muito mais que antes. Quem é que não sente o coração despedaçado quando ver a pessoa que você gosta nos braços de outro? E pior: felizes, muito felizes por sinal. Como se ali não houvesse mais espaço ou chances para você. Se é que algum dia teve.

Eu tinha três escolhas.

1ª) Dar o braço a torcer, seguir em frente com a minha vida e fingir que nada disso me afetava.

2ª) Arrancar as tripas do Pedro com as próprias mãos e tentar convencer a Natália de que serei o melhor para ela.

3ª) Por ultimo, as duas opções a cima.

Ainda não optei por nenhuma.

Não só dói em mim perder um grande amor, como também dói muito fingir sobre quem eu sou ou do que gosto. Cansei de me importar com tudo e todos e esquecer-me do mais importante: eu. Cansei de tentar agradar a todo mundo, só porque sou diferente. Só porque gosto de garotas. O que eu tenho não é uma doença. E também não é como se pudesse dizer que eu não tentei. Porque eu tentei sim me relacionar com garotos. Mas eu os acho todos uns babacas (claro que tem as exceções). Ainda sim eu me sinto fortemente traída por garotas e isso não vai mudar, por mais que os outros queiram.

Eu também não tenho porque ficar me explicando ou me justificando para os outros. Até porque eu mesma ainda estou tentando me entender. A vida é minha. Isso é tão difícil assim de aceitar? Tudo bem que eu ainda não sou responsável por mim mesma (não legalmente), mas sou responsável por meus sentimentos, escolhas e atitudes.

Não é justo comigo e nem com outros que eu continue mentindo e fingindo por quem eu sou. Por isso, depois de tanto pensar e martelar essas idéias na minha cabeça, eu cheguei a uma conclusão: chegou à hora de dizer a verdade, de agir corretamente, com o coração e com a coragem. Sem me importar com as consequências ou julgamentos. Eu sou muito mais forte que tudo isso. Mas primeiramente eu preciso e quero ser leal comigo mesmo e quem não gostar, que se danem, não estou aqui pra agradar a todos. Pelo menos não mais.

Chega. Cansei.

— Pai. Mãe. Eu tenho uma coisa pra falar. – decidi tocar no assunto quando todos estavam reunidos na mesa para o jantar.

Meus pais olharam para mim ao mesmo tempo, surpresos.

— Filha, por favor, não agora. – pediu a minha mãe pacientemente, enquanto passava o azeite para o meu pai. — Seja lá o que for, sei que pode esperar. Esse momento é sagrado. Devemos agradecer a Deus...

A mesma historinha de sempre.

Blá Blá Blá.

Não tenho nada contra Deus, longe disso. Mesmo não frequentando a igreja semanalmente com os meus pais, eu acredito Nele. Sou grata a Ele por tudo e sempre que possível, antes de dormir, aprendi que tenho um Amigo para conversar ou desabafar. Não sou religiosa, mas tenho fé.

O problema é que tenho tido dias difíceis ultimamente. Vou para o colégio todas as manhãs contra a minha vontade, porque sei que lá vou ser praticamente “obrigada” a ver o casal sensação do momento de melação para todos os lados, chamando a atenção de todos e fazendo as meninas suspirarem, sonhadoras e esperançosas por seus príncipes encantados.

Para piorar chego à casa todo fim de tarde sentindo-me ainda pior, vazia, incompleta, insatisfeita e muito incomoda com tudo isso. Mas não há nada que eu possa fazer a respeito. E também não tenho ninguém para conversar sobre, além de Deus, claro. Meus amigos, ou melhor, a minha melhor amiga, a Bianca, não entenderia pelo que estou passando.

Tenho tido dificuldades para dormir também e para me concentrar no que realmente importa. Meus pensamentos vivem conturbados, confusos e deprimentes. Eles pesam na cabeça. E ninguém percebe. Ninguém percebe que algo está me incomodando, ninguém pergunta como eu estou ou como me sinto, ninguém realmente se importa comigo. Eu não sei se sou muito bom em disfarçar ou as pessoas de fato não se importam com ninguém além de si mesmas. Mas quem sou eu pra julgar, não é mesmo?

Pode até parecer exagero da minha parte, mas esse namoro do Pedro e da Natália tem me afetado mais do que eu gostaria.

— Não. – bati fortes os punhos fechados sobre a mesa, causando um grande estrondo que assustou meus pais. — Não pode esperar.

Eles me encararam por um momento, como se não me reconhecessem.

— O.K. – meu pai soltou um longo suspiro, passando a mão pelos cabelos escuros e curtos. — O que foi, Luiza? O que você quer tanto dizer?

— Eu to cansada, é isso. Cansada de tudo. De toda essa farsa, de todas essas mentiras, dos julgamentos e de todos esses conceitos ridículos implantados pela sociedade. – eu estava ainda mais nervosa, mas também com uma tremedeira nas pernas fora do normal. — Estou farta dessas coisas!

— Hum... Entendi. – meu pai continuou, olhando para mim curioso. Ele e minha mãe tinham uma expressão de quem não estavam entendendo nada com nada. — Mas onde você quer chegar com isso, Luiza?

— Eu vou dizer de uma vez, até porque eu passei muito tempo me enganando com isso e eu já não aguento mais fingir. – continue alternando o olhar entre eles, tentando manter a calma dessa vez. — Não importa o que vocês digam ou pensem. Essa sou eu e confesso que está sendo muito difícil pra eu tocar em assunto tão delicado em um momento tão sagrado para nossa família. Mas não tive escolhas. É agora ou nunca.

— Luiza! – minha mãe me repreendeu impaciente. — Pelo amor de Deus, você está me deixando nervosa. Fala de uma vez o que tanto você tem pra nos dizer, antes que a comida esfrie querida.

Respirei fundo e fechei os olhos por um segundo.

— Pai, mãe, eu... eu... hum... Como dizer isso sem ser tão direta? – não era exatamente uma pergunta. Voltei a abrir os olhos e de cabeça baixa, fitando as unhas ruídas eu continuei: — Eu gosto de garotas. É isso.

Voltei a olhar para eles.

O queixo da minha mãe caiu, literalmente. De surpresa e espanto com a minha repentina revelação. Eu já sabia que não seria fácil. Mas eles são meus pais, precisavam saber disso. É importante pra mim. Já o meu pai engoliu em seco, com os olhos castanho-claros inexpressíveis.

— Não, não pode ser. – minha mãe resolveu se manifestar primeiro, balançando a cabeça de um lado para o outro negativamente. — Luiza, isso é algum tipo de brincadeira? – ela soltou um risinho, sem humor. — Só pode ser brincadeira. Você não fala sério.

— Não, mãe. É exatamente isso que você ouviu. – olhava para ela, tentando convencê-la. — Eu gosto de garotas. Não é como se eu tivesse acabado de dizer que vi um alienígena no meu quarto.

Meu pai continuou calado, sem me olhar diretamente. Aquilo estava começando a me perturbar. O que diabos ele estaria pensando?

Os pais conseguem ser muito mais assustadores que as mães em determinados momentos.

— Luiza... Filha. Isso é tão errado. – mamãe voltou a dizer, como se tivesse finalmente se convencido de que eu não estava para brincadeiras.

Apesar do tom de voz dela com certa irritação, seus olhos estavam cheios de lágrimas.

— Luiza, vai já para o seu quarto. – meu pai resolveu dizer, dando-me uma ordem com um tom rude e frio. Senti um leve tremor pelo corpo. — Você só pode estar maluca, falando coisa com coisa. – ele finalmente me olhou, o rosto vermelho de raiva. — Você está de castigo, mocinha!

Não. Só pode ser brincadeira. Não pode ser.

Levantei ainda mais irritada e triste que eles. Meus pais pensam que dizer isso é assim tão fácil? Claro que não é! Eu sofro. Sofro por dentro com essa rejeição vindo dos meus próprios pais. Eu não esperava tanto, mas também não esperava não ser levada a sério.

— Não! Eu não vou para o meu quarto ficar de castigo! – gritei, sentindo as lágrimas escorrem por minhas bochechas ardentes. — Isso é sério. É sobre o que eu sou. Eu não estou brincando! Eu gosto de garotas. Mas e daí? Eu ainda sou a mesma. Eu sou a filha de vocês!

O que me irritou ainda mais foi eles não me olharem nos olhos como se tivessem vergonha de mim. Como se estivessem me rejeitando sem dizer. E continuarem mudos, ainda sem aceitar a ideia de eu não sou como as outras garotas. Pelo menos não como a grande maioria.

— Quer saber? Dane-se. – trotei até o meu quarto, brava e chorando.

Peguei a minha mochila e enfiei dentro dela tudo que eu iria precisar para as próximas horas, dias, meses ou até mesmo por anos. Claro que uma mochila pequena não seria o suficiente. Mas eu daria um jeito. Só não ia continuar ali, naquele apartamento, sendo rejeitada pelos meus pais.

— Luiza! – meu pai gritou quando fui rumo à porta. Louca para sair dali logo, mesmo no meio da noite — Volta aqui, mocinha. Nós não terminamos essa conversa. Você está de castigo, esqueceu?

É, eles ainda me tratam como se eu fosse uma menininha.

Ao entrar no elevador do prédio, antes mesmo de apertar o botão para subir ou descer, pensei para onde eu iria naquele instante.

Subir. Isso. Eu iria subir até o apartamento da minha melhor amiga e pedir colo. Porque a Bianca pode até não ser boa em dar conselhos ou boa como ouvinte, mas ela é maravilhosa como companhia, em momentos bons e ainda mais em momentos difíceis. Eu não precisava que ela me dissesse nada, eu só queria um lugar pra ficar. Um abrigo. Um abraço. Uma amiga.

Lídia, a empregada, me atendeu de prontidão, deixando-me entrar, sem fazer perguntas do porque eu estava chorando ou o que eu estava fazendo ali mesmo sendo tão tarde e com uma mochila nas costas. Eu sei exatamente porque a Bianca gosta tanto dela.

Subi correndo até o quarto da Bia. Seus pais não estavam em casa, o que é bem normal. Eu até acho que é melhor assim, já ela não pensa o mesmo. Encontrei-a já de pijama cor-de-rosa e com suas pantufas de coelhinho, sentada em sua cama, pintando as unhas de verde-esmeralda, ouvindo e cantando Avril Lavigne em volume razoavelmente alto.

Não preciso nem dizer que ela é super fã da cantora canadense.

— Luiza? – ela estranhou ao me ver entrar em seu quarto e jogando a mochila no chão, em um canto qualquer. — O que aconteceu?

Não consegui responder, indo abraçá-la. Chorando ainda mais. E mesmo com as unhas recém pintadas ela me abraçou de volta.

— Ei, não chora. – ela afagava meus cabelos castanhos, enquanto eu ainda a apertava tentando em vão conter o choro. — Luiza...

— Não vamos falar sobre isso agora, ta? – eu pedi, quando enfim pude olhar para ela limpando as minhas lágrimas. — Posso dormir aqui essa noite?

— Claro amiga! Você pode dormir aqui quantas vezes precisar. – ela sorriu, mas ainda me olhava preocupada. — Não chore mais, por favor. Você vai ficar com rugas! – rugas? Ai Cristo! Só a Bianca pra me fazer rir em um momento como esse. — Já sei: vamos pintar as unhas!

Não era a melhor ideia que ela poderia ter, mas ao mesmo serviu para me distrair pelas próximas horas. Deixei de chorar e a ajudei a terminar de pintas as unhas de verde. Naquela noite consegui dormir no quarto de hospedes, após desligar o meu Smartphone e ignorar todas as chamadas dos meus pais. Tudo que eles precisavam saber agora é que eu estava bem, com a minha melhor amiga e que não pensava em voltar pra casa tão cedo.

E para não dizerem que sou uma filha má, eu mandei uma mensagem de texto para eles antes de desligar o meu celular e deixá-lo de lado.

Na manhã seguinte acordei me sentindo bem melhor, como se o Gênio da lâmpada tivesse realizado meu maior desejo. Tomei um banho quente, vesti um jeans preto rasgado nos joelhos, meu Vans azul bebê e uma blusinha branca de mangas cumpridas do Mickey Mouse.

Lídia me serviu com café e torradas com geleia de morango, enquanto a Bianca ainda estava se arrumando no andar de cima. Faltando dez minutos para a aula começar nós fomos para o colégio de carro, nos separamos no corredor após um abraço e seguimos para nossas respectivas aulas.

Agora que meus pais estavam cientes da minha opção sexual (aceitando ou não), achei que o resto do mundo já pudesse saber do meu grande segredo. Não que eu fosse desfilar pelo colégio um com grande cartaz colorido escrito “Eu gosto de garotas!” em letras pretas. Mas ao menos agora eu não tinha que fingir mais nada e estava finalmente livre para ser eu mesma sem temer a verdade.

— Eu soube da novidade. – comentou Thaís Macedo, durante a nossa aula de Educação Física. Não somos amigas nem nada, mas eu sei que ela é uma das melhores jogadoras femininas do colégio.

Pensei por um momento sobre o que ela disse, evidentemente confusa e aí eu me dei conta a que exatamente ela se referia.

Como ela soube eu não sei, até porque não conversei com ninguém sobre isso diretamente. Mas antes que eu pudesse fazer qualquer pergunta a respeito todos os olhos voltarem-se para a entrada da quadra, aonde uma Bianca muito furiosa vinha em minha direção batendo os pés no chão.

— É verdade? – ela gritou, com o rosto bem próximo ao meu. Como ela é bem branquinha, quase transpareceste, dava até para ver suas veias. — É verdade o que estão dizendo por aí?

— Calma aí. – eu pedi baixinho, já que estavam todos, literalmente todos, olhando para gente. Até mesmo os garotos que até pouco tempo estava distraindos, jogando seu bom e velho futebol. — Você não precisa gritar comigo desse jeito, Bia. Mas do que diabos você está falando?

— Ah, então é verdade. – ela colocou as duas mãos na cintura, bem autoritária. — Você é uma puta de uma mentirosa, Luiza. – ela não estava mais gritando tanto, mas ainda estava nervosa e me assustando muito. — Eu não acredito que você mentiu sobre isso pra mim todo esse tempo. Eu pensei que fossemos amigas e que confiássemos uma na outra.

Agora parecendo bem mais chateada do que brava, Bianca saiu depressa da quadra tão repentinamente quanto chegou.

Ainda assustada com aquela ceninha, ignorando todos os olhares dos meus colegas, na minha cabeça tudo começou a fazer sentido. As peças se encaixaram e eu soube exatamente do porque da Bianca estar furiosa.

Quem foi à vaca que contou isso a ela?

Ou melhor, quem além de mim e dos meus pais sabem disso?

Saí da aula antes mesmo que ela terminasse. Estava pouco me importando se levaria uma advertência por não ter pedido autorização. Mas mesmo que eu pedisse, eu sabia que a bruxa da professora jamais me deixaria sair para resolver uns “problemas”.

Percorri todo o colégio (mesmo ele sendo gigantesco) atrás da Bianca, para que pudéssemos ter uma conversa civilizada. Mas não é novidade nenhum que eu não a encontrei por nenhuma parte.

Pronto. Agora além de perder a amizade – a que mais importa pra mim – eu também perdi mais um teto sobre a minha cabeça.

— Ei, Luiza. – ouvi alguém me gritar quando eu estava prestes a desistir da minha “caçada”.

Virei à cabeça, observando a Natália se aproximar correndo.

— Eu soube sobre você... Soube sobre o pequeno o surto da Bia. – ela riu pelo nariz. Mas eu não estava achando graça nenhuma, então permaneci séria e carrancuda. — Tem alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?

— Não! Claro que não tem. – gritei, já sem paciência. De repente tudo começou a conspirar contra a mim. — Tudo isso é culpa sua. – eu a empurrei de leve, fazendo-a se afastar. — Agora some daqui.

Não esperei para ver a reação dela e saí correndo. Mas eu sabia que ela havia ficado surpresa com a minha atitude grotesca. E enquanto corria pelos corredores do colégio, chamando a atenção de todos, lembrei-me do único lugar que eu poderia encontrar a Bianca. Minha ultima esperança.

Corri até lá.

Lá estava ela, completamente sozinha, sentada em um dos bancos próximo a uma das piscinas. Piscinas que ficam na parte coberta. Em dias de sol como esse praticamente todas as aulas de natação pelo período da tarde são feitas na parte externa, onde bate sol, próximo os jardins.

Aproximei-me devagar, sentando-me ao seu lado.

— Sabia que te encontraria aqui. – digo, sorrindo de leve.

Ela não se move, ainda muito chateada, olhando para o nada enquanto a água reflete em seu rosto e nos olhos, deixando-a iluminada.

— Eu queria que você tivesse me contato a verdade. – ela começou, ainda sem me olhar diretamente. — Eu poderia ter te ajudado a passar por isso, mesmo que algumas coisas ainda não façam sentido para mim. – ela moveu-se enfim, voltando os olhos claros para mim. — Como eu não percebi antes? Então, era foi por isso que você apareceu ontem lá em casa, no meio da noite, chorando. Você contou aos seus pais, não contou?

Assenti receosa.

Não era assim que eu imaginava que teríamos essa conversa.

— Porque quando eu perguntei o que havia acontecido você não disse nada? Eu pensei que você confiasse em mim. Luiza, nós somos amigas há tanto tempo! – então ela enxugou uma lágrima dos olhos. Eu até então não havia percebido que ela chorava. Bianca foi sempre tão sensível. — Você não imagina o quanto eu fiquei chocada e ao mesmo tempo surpresa quando ouvi boatos ao seu respeito. Boatos nada agradáveis, por sinal.

— Pelo visto as noticias correm rápido. – eu sorri e ela sorriu também, para o meu total alivio. E eu ainda tinha duvidas disso? Esse povo adora fofocas sobre a vida dos outros. Dizendo coisas que eles nem sabem. — Olha, me desculpe. Eu queria me abrir com você. Eu queria que fosse diferente. Mas eu tinha tanto medo de desapontar as pessoas, eu tive tanto medo de ser julgada e descartada. – surpreendi-me quando ela pegou a minha mão para segurar, carinhosamente. — Não era fácil. Não foi fácil...

— Eu sei, eu sei. Desculpe-me também, Luiza. – ela apertou minha mão de leve. — Eu não deveria ter ficado tão brava e nem ter gritado com você na frente de todos. Eu só não sei o que deu em mim. Eu estava tão chocada que por um momento me esqueci de que todos nós temos nossos segredos e particulares. E se você escondeu isso de mim por tanto tempo, era porque você ainda não estava confortável consigo mesma.

— Na verdade – interrompi-a. — até algumas semanas atrás eu ainda não tinha certeza sobre mim. Eu estava com medo, confusa e me sentia perdida. Mas aí, aconteceram umas coisas e eu... Cansei. Em um dia, que tinha tudo para ser só mais um dia comum, eu acordei com a certeza de que não poderia mais continuar com essa farsa e de que eu precisava ser sincera comigo mesma e com as pessoas a minha volta.

— Eu fico muito orgulhosa de você. – ela sorriu novamente, olhando-me com compaixão. — De verdade. Você é uma das pessoas mais corajosas que eu conheço, Luiza. Eu queria ter a sua força para encarar as coisas. Você é admirável. Mesmo sabendo que não seria fácil, você foi lá e abriu seu coração e agora está aqui, dando à cara a tapa. – Bianca me deu um rápido abraço, empolgada. — Isso tudo ainda é muito estranho e novo para mim, eu não sei exatamente o que pensar. Mas sei que você ainda é a minha melhor amiga de sempre e isso não mudou e nem nunca vai mudar.

Emocionada com a força de suas palavras foi a minha vez de abraçá-la bem apertado.

— Não se preocupe, eu ainda também estou tentando entender essas mudanças em mim. – sorrio e suspiro, esperançosa.

— E quero que você saiba que pode continuar lá casa, pelo tempo que precisar. Juntas nós passaremos por isso, ta? Pode confiar em mim.

Notas finais
Foi difícil escrever esse capítulo. Eu não entendo nada dessas coisas. Me desculpem se eu fui um tanto equivocada. Não sei. Eu não sou uma especialista afinal haha Mas aí, o que acharam dessa amizade entre a Bia e a Luiza? E vocês, já têm um personagem preferido? Comentem!