Notas iniciais
Aqui vocês vão finalmente saber o que a Gabi aprontou. Eu bem que tentei evitar, mas alguém tinha que dar uma agitada na história e a escolhida da vez foi a Gabi. Às vezes parece que os personagens tem vida própria, não é mesmo? Bom, espero que curtam bastante.

Em alguns dias, depois do colégio, quando sei que irei encontrar meus pais em casa e que novamente eles irão me massacrar com suas palavras duras e frias, passo algumas horas em uma praça perto do condomínio, só para não ter que encará-los sem poder dizer nada a respeito.

É uma praça pequena e bem parada. Tem algumas arvores que precisam de alguns cuidados, alguns bancos quebrados de madeira, uma caixa de areia para as crianças brincarem e um canteiro de flores.

Sempre que estou ali, divagando sobre a minha vida, lendo um livro ou uma revista em quadrinhos, tentando passar o tempo de alguma forma, vejo que poucas pessoas realmente têm interesse naquele lugar que parece ter sido esquecido, parece não ter valor. Exceto por um grupo de velhinhos fazendo caminhada e alimentando os pombos, ou algumas crianças que vêm aqui para correr uma atrás da outra ou os cachorros de rua, que zanzam por todos os lados a procura de um abrigo ou comida.

Olho as horas no celular e vejo que ainda são sete da noite. O céu já está completamente escuro, não há sinal das estrelas ou da lua e o ar está frio, mas quase nada sinto graças ao meu moletom. Que nada verdade era do meu irmão e minha mãe não suporta a ideia de que agora ele é meu.

Afinal, quem mais poderia usá-lo?

Ando com ele pra cima e pra baixo.

Além de mim há um grupo de adolescentes, aparentemente mais novos que eu, sentados no banco da frente, falando bobagens enquanto tomam energético. Parecem despreocupados e a vontade.

Meu estômago ronca pela milésima vez, queixando-se. Decido-me de que é hora de ir para casa. Não há mais nada que eu possa fazer para evitar os meus pais, então respiro fundo. É hora de encarar essa situação. Não é como se nunca acontecesse. Talvez esse seja o problema: acontece sempre. Eles fazem questão me colocar pra baixo e mostrar a minha insignificância para essa família, como se eu fosse apenas um “encosto”.

Já no meu apartamento, passo direto pela sala, onde meus pais estão assistindo a novela, tomando café. Eles nem olhar para trás, para dizer um “que bom que você chegou filho!” ou um “porque chegou tão tarde?”.

Não faria diferença nenhuma se eu voltasse aparecer somente daqui a trinta anos, viúvo e com sete filhos.

Tomo um banho. Não tive um dia fácil. Coloco meu pijama de flanela, apagando as luzes, tranco a porta (vai que eles resolvem me matar), pego um livro na minha prateleira e deito-me na parte de baixo do beliche.

Tento me concentrar na minha leitura, mas meu estomago continua roncando, cada vez mais alto. Relutante me levanto, deixo o livro de lado, abro a porta e sigo até a cozinha, onde preparo dois sanduíches para mim, encho o copo com leite frio, pego uma maçã e volto para o meu quarto.

Com a barriga cheia foi fácil pegar no sono.

Na manhã seguinte, já no colégio, senti uma atmosfera diferente, sobrecarregada, assim que ultrapassei os portões. Mesmo estando atrasado, o que não é novidade para ninguém, encontrei quase todo o pessoal (digo, meus amigos, a minha turma) no corredor, em frente a suas respectivas salas, conversando em um meio círculo.

Aproximei-me cautelosamente.

Não era só a minha turma que estava do lado de fora da sala, mesmo já passando das oito e quinze da manhã. Todo o resto do colégio também, zanzando animadoramente pelos corredores. Pelo pouco que ouvi parecia que os professores estavam em uma reuniãozinho particular.

— Galera! – alguém gritou no final do corredor. Uma garota alta do terceiro ano, balanço os braços para cima para chamar a atenção.

Todos voltaram-se para ela, curiosos.

Inclusive eu.

— Vem cá ver isso! – ela continuou, com um sorriso largo.

Era impressão minha ou ela queria que todos entrassem no banheiro feminino só para poder ver algo que era extremamente hilário?

O que poderia ser de tão engraçado assim?

Como se todos tivessem se perguntado a mesma coisa, entraram no banheiro feminino antes que os outros tivessem a mesma ideia. Eu estava logo atrás dos meus amigos, andando o mais depressa possível.

Aos poucos o banheiro começou a ficar pequeno demais para tantos curiosos, por sorte agimos rápido e estávamos logo na frente.

Algumas garotas ali se debruçavam de rir de alguma coisa.

Só quando eu olhei na mesma direção que elas e metade do colégio estavam olhando foi que me dei conta da gravidade.

Colados em todas as portas do banheiro haviam cartazes que diziam “A virgenzinha de todos os tempos” com a foto da... Bianca Vasconcelos?

Por pouco meu queixo não caiu. Horrorizado com a brincadeira de muito mal gosto eu olhei para os meus amigos, no exato momento em que a Bianca, a mesma Bianca dos cartazes, abriu caminho pela multidão, adentrando o banheiro e se deparou com o que todos estavam vendo.

Alguns riam, outros estavam tão surpresos quanto eu e outros cochichavam piadinhas em si. Nada que a Bianca não pudesse ouvir ou enxergar. Ela estava vermelha... vermelha de vergonha. Ou raiva?

Eu nunca antes a vi naquele estado. Ou melhor, eu nunca vi antes alguém que tivessem coragem de lhe fazer tanto mal. Ela estava ainda mais branca, com os olhos verdes-claros cheios de lágrimas.

A turma toda (a nossa turma) estava imóvel. Ninguém esperava por aquilo em plena sexta-feira de manhã. Exceto pela Gabriela. Eu olhei diretamente para ela e vi que diferentemente dos outros, ela sorria de lado, um sorriso quase discreto, porém diabólico.

E naquele momento eu soube de uma coisa: foi ela.

— Eu não acredito que você fez isso comigo! – gritou a Bianca, virando-se de frente para o Rafael, que arregalou os olhos para ela. — Rafael, como você pôde? – lágrimas desesperadas escorriam de seus olhos.

Do que diabos ela estava se referindo?

— Seu covarde! – ela partiu pra cima dele, batendo os punhos fechados em seu peito. — Cretino! Desgraçado! Eu te odeio! – ela gritava já descabelada, tentando bater no Rafael. — Eu te mato! Eu te mato!

Ela estava mesmo batendo nele, pra valer.

Quem diria que a Bianca poderia ser tão forte?

Rafael não se movia, ainda sem entender e todos olhavam atônitos para aquela cena. Ninguém dava um pio. Os gritos de raivam da Bianca ecoavam pelo ambiente. Alguns sorriam, parecendo gostar do que viam. Outros pareciam estar com dó do Rafael ou da Bianca.

O Pedro foi o primeiro que resolveu agir, tentando acabar com a briga quando a Bianca acertou um soco no nariz do Rafael e ele caiu no chão se contorcendo de dor. Ainda assim ela resolveu partir pra cima dele, sentando sobre sua barriga, puxando-lhe seus cabelos, arranhando-lhe o rosto. E ele apenas pedia para ela parar, chamava-a de maluca ou pedia para alguém fazer alguma coisa. O problema é que poucas vezes tivemos brigas tão serias assim dentro do colégio.

Luiza chegou milagrosamente minutos depois, tentando conter a amiga, que ainda chorava de raiva e de vergonha. Foi difícil conter a garota, mas ela conseguiu, colocando-a de pé. Bianca passou a mão pelos cabelos, frustrada por não ter conseguido matar o Rafael, tentou limpar as lágrimas e saiu correndo, empurrando todo mundo.

O Pedro e a Natália tentaram ajudar o Rafael.

A Gabriela resolveu sumir.

E a Luiza — ainda surpresa com tudo — pela primeira vez viu do que se tratava aquele espetáculo, olhando para as portas, vendo os cartazes. Ela levou a mão até a boca, chocada. E logo em seguida, correu atrás da Bianca.

— O que está havendo aqui? – finalmente, mesmo já sendo tarde pra isso, uma das inspetoras gorduchas resolveu aparecer. — Acabou a palhaçada! – ela arrancou todos os cartazes, esmagando-os com as próprias mãos. — Vão todos para suas salas! Agora. – ela gritou.

Eu, de jeito nenhum, poderia simplesmente voltar para a minha sala e estudar normalmente, como se nada tivesse acontecido. Entre todos ali, eu sou o mais próximo dos protagonistas daquele espetáculo terrível no banheiro. Eu não me importaria em ganhar a minha primeira advertência na vida, mas eu precisava saber o que estava de fato acontecendo.

Não achei que seria necessária ir a procura da Bianca, até porque a Luiza já deveria estar cuidando disso. Nós também não somos chegados a esse ponto. Mas confesso que nunca senti tanta pena da garota. Não foi justo com ela, seja verdade ou não o que dizia os cartazes. Era algo particular dela, o colégio inteiro não precisava saber justamente disso.

Eu torcia, mentalmente, para que o Pedro tivesse levado o Rafael até a enfermaria. O garoto levou uma surra feia, merecendo ou não.

Isso eu ainda precisava entender.

O que eu sabia é que ele não foi o culpado por aquilo, não inteiramente, acredito eu. A culpada, sem duvidas alguma, foi a Gabriela. E eu me pergunto: Porque tanta crueldade? Tudo bem que ela e a Bianca não sejam melhores amigas, até aí tudo bem, eu nem sou grande amigo da Bianca também. Mas... Caramba! Nós somos um grupo, não somos?

Eu gosto da Gabriela, sempre a admirei, mesmo ela não sendo a garotinha perfeita. Eu, todos nós, sempre soubemos do que ela é capaz e nunca duvidamos de sua capacidade. Não é que eu vá dedurá-la, mesmo sendo o único que provavelmente suspeita dela. Eu gosto dela! Mas eu preciso saber o porquê de tudo isso. Porque ir tão longe? Porque ser tão cruel? Eu não sou muito próximo da Bianca, mas sei que ela ou ninguém mereceria passar por algo assim. Foi cruel. Foi pesado.

Não encontrei a Gabriela de imediato, digamos que eu não sou a melhor pessoa pra saber onde ela costuma ficar para matar aula. Aquela garota é uma incógnita. Deve ser por isso que eu gosto tanto dela. Ela é misteriosa, corajosa, envolvente... Mas sei que tudo tem um limite.

Não encontrei a Gabriela, mas vi a Bianca e a Luiza, no pátio, abraçadas. De longe percebi que a loirinha chorava compulsivamente, apertando a Luiza, que a todo custo tentava acalmá-la.

Senti um aperto no peito. Uma sensação estranha e incomum.

Será que eu deveria ir até lá? Oferecer a minha ajuda ou qualquer outra coisa que eu pudesse fazer por ela? Ou dizer alguma coisa? Qualquer coisa para fazê-la se sentir melhor? Mas o quê?

Não. Balancei a cabeça, espantando tais pensamentos. Não, de jeito nenhum. Não posso. Não é uma boa idéia. Eu não sou muito bom com essas coisas de intimidades e companheirismo. Eu mal gosto de falar. Eu só iria estragar ainda mais as coisas, dificultar e deixá-la desconfortável.

Eu não sou a melhor pessoa para isso.

— Tá com dózinha, tá? – levei um susto ao ouvir aquela voz.

A última pessoa que eu esperava ouvir naquele momento.

— Gabriela! Ficou doida?

Ela fez uma careta, dando de ombros.

— Ela vai ficar bem... Você vai ver.

— Como você pode ter tanta cer... Eu sei que foi você!

— O quê? Não. – ela riu. — Não fui eu.

— Sim, foi. Eu vi a forma como você sorriu quando tudo aconteceu.

Ela riu ainda mais alto.

— Você nunca fala e quando resolve falar é pra me acusar?

Agora, pela sua expressão, ela fingia estar magoada.

Surpreendi-me quando ela me puxou pelo braço, para um canto longe dali, onde ninguém pudesse nos ver ou nos ouvir.

— O que você quer, Felipe? – ela disparou, nervosa. — Um beijo? Não... Melhor... Uma rapidinha? Porque se é isso que você quer eu pos...

— Cala a boca, Gabriela! – a interrompi, furioso. — Eu não quero nada disso. – digo, com uma careta de nojo. Que garota audaciosa! — Quem você pensa que eu sou? Esses caras que você conhece em uma festa e já vai logo dando pra eles na primeira oportunidade?

Como resposta levei um tapa no lado direito do rosto.

— Quer sabe? Foda-se. Se quiser saindo correndo por aí, pelo colégio inteiro, com essa sua grande boca que não serve pra nada além de fazer fofoca e falar bobagens, fique a vontade. – ela deu um passo para trás, afastando-se. — Eu não ligo pra você, Felipe. Eu não ligo pra porra nenhuma.

E ela se foi, batendo forte os pés no chão.

Meu rosto ainda ardia pelo tapa, parecia queimar. Suas palavras ecoavam alto dentro da minha mente. Ainda assim eu não teria coragem de dedurá-la. Porque eu sou fraco. Porque apesar de tudo eu gosto dela.

Gosto mesmo.

E quando a gente gosta muito de uma pessoa, mesmo com todos seus defeitos, nos tornamos reféns desse sentimento que parece consumir cada pedacinho do nosso corpo.

Voltei ao pátio a tempo de ver a mesma inspetora gorducha de mais cedo chamando a Bianca, somente a Bianca (foi o que ela fez questão de enfatizar) até a direção, para uma conversinha com o diretor.

Voltei para a aula, antes que sobrasse pra mim, e tentei, me esforcei para tentar prestar atenção nas aulas, mas cada esforço foi em vão.

Eu pensava na Gabriela e na Bianca. E naquela confusão grandiosa.

No intervalo sentei-me com meus amigos, ou quase todos. A mesa estava bem vazia aquela manhã. Bianca não estava entre nós, com motivos. Acho até que ela foi pra casa depois de tudo que passou. A Luiza também não estava, muito menos a Gabriela. Mas o Rafael sim estava.

— Eu juro que não fiz nada. – ele tinha alguns curativos espalhados pelo rosto. — Eu não fiz aquilo com ela. Não fui eu! Eu juro.

— Tudo bem, Rafa. Nós sabemos. – o Pedro disse, segurando a mão da namorada, a Nati, e olhando para o melhor amigo com compaixão. — Você pode ser tudo, mas sei que você na teria capacidade de acordar mais cedo só para colar aqueles cartazes no banheiro feminino para humilhar a Bia.

Apesar de tudo, todos riram. Exceto eu.

— Oi, gente. – a Luiza se aproximou com seu bandejão, forçando um sorriso. Ela sentou-se conosco. Ela parecia bem... Triste.

— Ela ta bem, não ta? – perguntou o Rafael, meio desesperado. — Diz que ela ta bem! Onde é que ela está? Eu quero ir falar com ela...

— Ela vai ficar bem, Rafa. – garantiu a Luiza. — Mas você não pode falar com ela agora, nem a mim ela quer por perto!

— E ela foi pra casa? – perguntou o Pedro, preocupado. Eu apenas observava tudo, calado e quieto.

— Que nada. Ela ainda está na direção. Morrendo de vergonha de sair de lá. – Luiza torceu os lábios. — Estão tentando encontrar os culpados, ou o culpado. Ela vai ficar lá, provavelmente até o final do dia vendo as gravações das câmeras de segurança até que encontrem o culpado.

Pelo visto a Gabriela iria acabar se dando mal, com ou sem a minha colaboração pra isso. O que já era de se esperar. Afinal, não passou nem por um momento pela cabecinha dela de quem tem câmeras em alguns pontos mais importantes desse colégio imenso?

À tarde eu fiquei na piscina, tentando pensar em outras coisas. Mas admito que não foi uma tarefa fácil. Eu sentia muito pela Bianca, mas também estava preocupado com a Gabriela e a forma como ela seria punida quando descoberta. Tem como o amor nos deixar mais idiotas?

Tudo bem que eu tenha sido um pouco grosseiro com ela, dizendo coisas indelicadas a seu respeito. Eu estava nervoso com o calor do momento, com tudo que aconteceu essa manhã. Mas cara, ela me deu um tapa e me disse coisas piores. Precisava tanto?

Continuei nadando, nadando e nadando até não aguentar mais.

Na saída, invés de ir para casa sozinho como na maioria das vezes, decidi esperar por meus amigos ou boa parte deles.

Os primeiros a se aproximarem de mim além dos portões foram o Pedro e a Natália. Em seguida o Rafael. E todos os três, assim como eu, pareciam estar desanimados, chateados... Para baixo. A Gabriela foi a próxima, parecia com pressa, passou por nós sem nem olhar. Coisa que o Pedro e o Rafael estranharam, vendo ela se afastar.

O que veio a seguir aconteceu muito rápido.

Bianca surgiu do nada, com Luiza correndo atrás dela. A loirinha foi bem mais rápida, passando por todos, dando cotoveladas, soltando palavrões. De alguma forma ela parecia bem... Melhor. De longe eu vi o quanto ela estava brava, o que fez o Rafael ao meu lado ficar tenso.

Estaria ele com medo dela?

Depois do que ela fez mais cedo não duvido nada.

— olha, Bia eu juro que não fiz na...

Ele não pôde continuar, porque ela já tinha passado por nós, com os punhos cerrados, a boca fina em uma linha reta e os olhos trovejantes.

— Ei, você. – ela gritou mais além, chamando a atenção de geral. — Não se mova, porque eu vou acabar com a sua raça sua vaca.

Com o grito Gabriela parou onde estava, ficando imóvel. Ela melhor que ninguém sabia com quem a Bianca estava falando. E foi a minha vez de ficar totalmente tenso, observando aquela cena.

Antes que a Gabi tivesse qualquer atitude a Bianca avançou em sua direção, derrubando-a sobre a calçada de concreto. Rapidamente uma multidão inteira se formou em volta delas. Bianca estava por cima, batendo na Gabriela da mesma forma (ou pior) do que ela bateu no Rafael.

— Eu sei que foi você. Achou que iria escapar, não foi? – gritava Bianca, puxando os cabelos da morena. Conseguindo arrancar alguns tufos.

Em seguida a loirinha cuspiu no rosto da outra.

— Meu Deus, o que é que... — ele não conseguiu terminar a frase. Pedro parecia bem preocupado com o que via, até meio nervoso e desesperado.

Rafael não deixou o Pedro fazer nada para impedi-las.

Elas iriam se matar! Bianca até que batia bem, batia mais forte e mais vezes, mas a Gabriela também tentava dar um jeito de reagir.

— Não! Você não vai se meter dessa vez. – pediu o mais alto, com um sorriso travesso. — Ela começou isso. – Rafael referia-se a Gabriela. — Ela deixou que a Bia acabasse comigo naquele banheiro! Ela deixou que eu me passasse por um mau caráter e um mentiroso na frente de todos! – ela virou-se para o melhor amigo como se lamentasse. — Eu sei que ela é sua irmã, cara. Mas olha só que o ela fez! Ela precisa pagar por isso.

Pedro assentiu, apesar de parecer bem preocupado com a irmã, o que é perfeitamente normal, mas não havia nada que ele pudesse fazer. Porque nem o Rafael e nem metade do colégio deixaria que ele acabasse com aquele espetáculo. Mais um em menos de doze horas!

Eu, particularmente, não poderia continuar vendo aquilo. Meu coração estava aflito! Eu também não teria forças para impedi-las. Mas desejei mentalmente que alguém, alguém com juízo, chegasse naquele instante e acabasse com aquela palhaçada.

Chega por um dia.

Afastei-me sem ninguém perceber e peguei o caminho oposto, o caminho mais vazio, o caminho mais longo para casa.

Notas finais
Esse capítulo foi bem intenso, não foi? E vocês, o que acharam dessa confusão? Quem diria que a patricinha poderia ser tão forte. Comentem! Digam o que mais gostaram no capítulo!