Todos Iguais
60 Pedro, Gabriela e Eduarda
Notas iniciais

Eu e a Duda estávamos muito felizes.
O nosso relacionamento estava de fato dando certo. Nós mal brigávamos apesar de algumas implicações bobinhas comum de todos os casais que convivem juntos por boa parte do tempo e ela não estava mais se metendo em tanta encrenca com os meus amigos. O que só poderia significar que ela realmente me amava ao ponto deixar tudo por mim e sacrificar-se. O que me fazia sentir-me muito confiante, porque eu queria muito que esse namoro durasse por muito tempo.
Desde que entramos de férias senti que estávamos muito grudados, sem espaço até pra respirar. Foi quando achei melhor termos uma conversinha séria e dividirmos os horários, antes que isso resultado em algo muito ruim para os dois.
Foi resolvido que em alguns dias ficaríamos totalmente juntos, sem mais ninguém pra atrapalhar. E em outros ficaríamos com nossos amigos, mesmo que eles não fossem os mesmos. E muito devagar iríamos tentar juntar nossos mundos. Quem sabe até poder compartilhar o mesmo grupo de amigos. Admito que esse era meu maior desejo no momento.
— Quer saber? – tive uma ideia, antes de desligar. — Porque você não vem aqui em casa hoje à noite? Quero que você conheça o meu pai.
— Tá falando sério? – ela perguntou, impressionada. Do outro lado da linha. — Acho que não seja uma boa ideia.
— E porque não? – eu quis saber, assustado. Ela soltou um risinho, parecendo acanhada. — Não se preocupe. Não tem como ele não gostar de você. E em outro dia eu te apresento a mamãe.
— Tudo bem. – ela suspirou, depois pareceu sorrir. — Já que você quer tanto que isso aconteça... Eu vou sim.
— Fica calma. Eu estarei o tempo todo por perto. Agora com a volta da Gabi as coisas aqui em casa estão ótimas. Você vai ver só.
Combinamos às sete da noite.
Meu pai havia tirado algumas folgas no trabalho para ficar mais tempo com a Gabriela. Ele queria aproveitar o tempinho que poderia ter com ela, agora que ela enfim estava de volta, em casa, junto de nós.
Os dois estavam ainda mais unidos. Saiam, iam ao cinema, passavam horas na sala assistindo algo muito engraçado, comiam besteira e riam sem parar. Em outros tempos eu poderia ter ficado com ciúmes, já que eles nem faziam tanta questão assim da minha presença. Mas como eu estava ocupado com a Duda e feliz por ela estar de volta, eu nem dei tanta importância assim a isso. Sabia melhor do que ninguém que eles precisavam desse tempo.
A mamãe também era outra que vinha aqui em casa mais que o normal, pelo menos umas quatro vezes por semana. Passava horas com a Gabi, enquanto o papai tinha que resolver uns probleminhas. Mamãe trazia filmes, presentinhos e muitos doces pra gente. E ela fazia questão de passar o máximo de tempo com os dois filhos, nos mimando. Além de cuidar da casa, preparar as refeições, colocar a roupa pra lavar como se essa casa ainda fosse dela. E sim, ainda era e sempre seria.
Desci e fui até a cozinha, onde encontrei o papai coberto de farinha de trigo, enquanto a Gabi mexia em uma panelinha sobre o fogão com uma colher de madeira, que tinha um cheirinho ótimo de chocolate.
Aposto que eles estão fazendo bolo.
Minha irmã estava muita caseira ultimamente. Não sei se por medo de enfrentar o mundo lá fora agora que ela o tinha de volta. Ou se ela finalmente tinha aprendido a valorizar as pequenas e verdadeiras coisas.
— Pai – chamei-o, fazendo com que ele se voltasse para mim. — Vou trazer minha namorada aqui hoje a noite, tudo bem? Eu quero que você a conheça.
Vi pelo canto do olho quando a minha irmã revirou os olhos e balançou a cabeça de um lado para o outro, indignada.
Ignorei-a.
— Nossa, vai ser ótimo! – papai respondeu, limpando as mãos sujas com um paninho. — Vamos pedir pizza?
Eu concordei.
As seis e meia eu fui tomar banho, após ter ajudado meu pai e minha irmã a limpar a cozinha que eles sujaram. Vesti um jeans mais velho, porém ainda em um bom estado e optei por uma camiseta preta, gola V. Calcei minhas Havaianas mesmo e passei a mão nos cabelos que caiam sobre a testa.
Pensando bem, eu estava precisando cortar o cabelo logo.
As sete e ponto a campainha tocou e eu fui correndo atender.
Era ela, sorrindo maravilhosamente. Maria Eduarda vestia um jeans mais justo, sapatilhas e uma blusinha branca mais solta por conta do calor e que deixava um pedaço de sua barriga a mostra. Ela viera de bolsa, pendurada no ombro. E estava com os cabelos soltos e ondulados.
Senti de longe o cheirinho do seu perfume de rosas.
— Entra. – peguei sua mão, puxando-a. — Fica a vontade.
Sentamos na sala e meu pai apareceu naquele instante, cumprimentou-a gentilmente e eu os deixei sozinhos para conversarem e se conhecerem melhor, enquanto fui buscar um copo d’ água pra ela.
Quando voltei, minutinhos depois, eles já estava entrosados, sorrindo um para o outro e falando sobre mim. Fiquei envergonhadíssimo! Estendi o copo em sua direção e ela agradeceu com um meio sorriso.
— E a Gabi? – Duda perguntou, depois que terminou de beber toda a água e eu já estava levantando para deixar o copo na pia.
— Ela deu uma saidinha. – respondeu meu pai, antes que eu pudesse dizer alguma coisa. — Você deve imaginar o quanto ela é difícil...
Duda assentiu e não disse nada, mas tanto eu quanto ela sabíamos porque a minha irmã havia saído ao invés de ficar conosco e comer pizza.
Papai resolveu mostrar as fotos de quando eu era menorzinho, ao lado do Rafael e da Gabi, brincando na rua ou no quintal. Mostrou até mesmo fotos antigas de algumas viagens que fizemos em família. E eu aproveitei a deixa para fazer o pedido, na pizzaria mais próxima de casa.
Quando voltei à sala e me sentei ao lado da Duda, vi que ela estava se divertindo horrores com as histórias que meu pai contava. De todas minhas travessuras ao lado do Rafael.
A pizza chegou às nove e meia. Duda fez questão de me ajudar a por a mesa e nos três sentamos e nos servimos.
Para a nossa surpresa, a mamãe chegou naquele instante. Pareceu surpresa com a visita e desculpou-se pelo incomodo. Naquele momento a visita dela era muito mais que bem-vinda. Coloquei um lugar para ela a mesa e apresentei a Duda a ela. Instantaneamente elas se simpatizaram e começaram a conversar. Coisa de mulher. Deixado eu e o papai avulso.
Nunca pensei que me pudesse sentir tão completo. Tudo que faltava mesmo era a chata da minha irmã. Sei que seria difícil algum dia convencê-la de que a Duda era uma pessoa melhor ao meu lado. Mas eu não desistia tão facilmente. Eu queria que todas as pessoas que eu amava estivessem reunidas.
***
Saí de casa ao anoitecer porque não queria encarar a Duda.
Eu só saí, sem muitas explicações. E quando cheguei à rua perguntei-me mentalmente para onde eu iria. Não fazia ideia. Não queria sair pra beber, dançar ou fumar. Não queria ter em volta muitas pessoas. Eu só queria ir para um lugar calmo e tranquilo, onde eu pudesse passar um tempo sem muitos incômodos.
Andei sem direção por pelo menos dez minutos, até criar coragem de fazer uma visitinha ao Rafael. Seria muito difícil que ele estivesse em casa de bobeira àquela hora, mas não custava nada tentar.
Bati a porta e ele rapidamente me atendeu, usando apenas um short de dormir cheio de desenhos. O que era ridículo para ele, então não pude evitar de cair na risada. Mas logo me desculpei-me.
— Cadê seus pais? – perguntei curiosa, ao entrar e perceber que ali dentro estava tudo tão vazio e calmo. Fora o som que ele tinha ligado em um rádio qualquer que tocava Rap vinte quatro horas por dia.
Ele o desligou.
— Minha mãe foi a igreja. – respondeu ele, subindo as escadas. Mesmo que ele não tivesse me convidado, fui atrás. — E meu pai, sem novidades alguma, foi para o bar beber todas.
Não achei que houvesse algo bom a dizer sobre aquilo.
Entramos em seu quarto, onde ele se jogou em sua cama e voltou a fazer o que já estava fazendo antes de eu interrompe-lo.
Rafael estava jogando videogame.
Fazia tanto tempo que eu não jogava ou que eu entrava ali em seu quarto, mas ao mesmo tempo não parecia que tinha se passado tanto tempo assim. Por isso eu me sentia tão em casa, tão à vontade e confortável. Exatamente o tipo de lugar que eu gostaria de estar antes mesmo de vir até aqui.
Joguei-me ao seu lado, no espaço vazio de sua cama. Ele sorriu, como já esperasse por aquilo. Peguei o outro controle do videogame.
— Coloca de dois aí. – pedi, ou... Ordenei.
Ele fez exatamente o que pedi.
Começar a lutar um contra o outro.
Foi divertido. No inicio eu apanhei pra caramba, pela falta de pratica. Mas depois fui pegando o jeito e dando a volta por cima. Nós rimos e algumas vezes ele chegou a protestar do meu desempenho, alegando que eu estava roubando. Só não sei como.
As dez a mãe dele chegou da igreja, me viu ali e me cumprimentou rapidamente e perguntou como eu estava. Sônia disse que estava com saudade. Ela agiu naturalmente, como se eu visse ali jogando no quarto de seu filho sempre. Depois ela se foi, dizendo que já iria dormir, pois acordaria cedo no dia seguinte para ir trabalhar.
Rafa e eu voltamos a jogar, xingando um ao outro. Como estávamos rindo alto demais, ele resolveu fechar a porta. Depois apertou o play em seu controle. Houve um momento em que senti que jogava sozinha, porque ele não parecia mais tão empenhado. Dei pausa e quando olhei para o lado para saber o que tinha acontecido, peguei-o olhando pra mim.
Sorri sem graça.
— Não quer mias jogar? – perguntei assim, como quem não quer nada. Ele balançou a cabeça, dizendo que não. Então eu desliguei o videogame e voltei-me para perto dele. — Pronto.
— Porque você veio? – perguntou ele baixinho, endireitando-se para poder olhar-me melhor. Não pude deixar de olhar para sua barriga, sarada e totalmente descoberta. Quase um crime!
Contei a ele sobre a visitinha da Maria Eduarda.
— E se nós sabotássemos esse namoro, hein? – Rafael sugeriu, abrindo um largo sorriso diabólico.
— Não. Vamos deixar as coisas assim, do jeito que estão. Eu quero que o meu irmão quebre a cara sozinho e depois venha me dizer que eu tinha toda razão.
Rafael riu. Depois voltou a ficar sério, me olhando com seus olhos castanho-esverdeados repletos de amor.
Ele não precisava dizer o que queria, porque só de olhar para ele assim, eu já sabia. E eu também nem precisei dizer nada, porque as palavras nunca seriam o bastante. Eu apenas agi, colocando-me sobre ele e tocando seus lábios com certa urgência.
Eu não precisava que ele me correspondesse a altura ou que me amasse de volta da mesma forma que eu o amava. Eu queria que ele estivesse por perto quando eu precisasse, nem que fosse só como amigo ou um ficante nas melhores horas. Para mim todo o pouco que viesse dele já era o bastante, o suficiente. Não que eu quisesse viver de migalhas e sim porque eu estava vivendo um momento da minha vida bastante complicado e já não saberia dizer o que exatamente eu queria para mim.
Eu ainda precisava pensar.
Enquanto isso poderíamos nos divertir quando tivéssemos vontade, sem precisar que necessariamente tivéssemos algo fixo e oficial. No fundo de alguma forma eu sabia que ele gostava de mim mesmo ele achando não ser o bastante por medo de se envolver e, bom, eu também gostava muito dele e por isso nem sempre poderia me conter. E suspeitava que fosse pra sempre assim. Eu sempre seria refém desse amor.
Ou era isso que me parecia nesse momento.
Na verdade, eu não queria pensar muito. Apenas sentir.
Arranquei minha camiseta do Nirvana pela cabeça e deixei que ele beijasse próximo aos meus seios. Mas não por muito tempo. Até eu agarrar suas mãos e prenda-las com o máximo de força que podia. Porque era a minha vez de tortura-lo um pouquinho.
Brinquei com a barra de sua cueca branca, fazendo-o sorrir e protestar.
A parte sã de mim dizia que eu estava indo longe demais e que não poderíamos fazer aquilo ali só porque tínhamos vontade. Pois deveríamos respeito a sua mãe, no outro quarto em frente. Mas a parte malvada de mim queria muito ir cada vez mais a fundo, queria senti-lo de todas as formas, me encher de prazer e proporcionar o mesmo a ele.
Como eu poderia resistir a aquele corpo, aquele sorriso, aquele rostinho, ou aqueles olhos e cabelo? Rafael era uma combinação real e perfeita de um deus grego cheio de safadeza e que naquele momento me queria tanto quanto eu queria. Mesmo que isso, mais tarde – não sei – pudesse significar um milhão de coisas.
Voltei beija-lo com vontade, permitindo que ele me colocasse as mãos grandes e másculas em minhas costas e me puxasse para mais perto.
Foi muito rápido e apressado, logo eu já estava sem meu jeans e meu sutiã. E ele sem o shortinho ridículo de dormir que eu suspeitava que ele tivesse desde os onze anos. Eu também suei bastante, gemi baixinho e fiz tudo que queria e que senti tanta falta.
Tudo que não conseguimos fazer quando a enfermeira nos flagrou na clínica há pouco tempo atrás.
Por fim deitei-me ao seu lado, próxima ao seu peito, e tentei controlar a respiração e os saltos que me coração dava no peito.
Rafael beijou meus cabelos, acariciando a minha barriga com a ponta do dedo e me causando mais arrepios.
— É bom ter você de volta, pirralha.
Dei um beliscão em sua costela, ele urrou de dor.
Eu ri.
— Não brinque com a sorte, espertinho.
Inclinei-me toda e o beijei carinhosamente.
Poderíamos ter recomeçado tudo de novo, se não fosse pelo barulhão que ouvimos vindo do andar de baixo. Como se alguém tivesse desabado com tudo no chão.
— Meu pai chegou. – Rafael disse, assustado. Depois ele se vestiu rapidamente, em questão de segundos, e saiu para ajudar o pai.
Provavelmente muito bêbado, chegando à casa um pouco mais das onze da noite.
***
Quando Pedro e eu saímos de casa hoje mais cedo estava muito sol e abafado. À tarde rapidamente o tempo mudou e o céu claro foi coberto por nuvens escuras e densas. Bastou eu e ele colocarmos o pé dentro do shopping para cair um grande pé d’ água. Com direito a raios e trovões.
Primeiro fomos a uma loja de CD’S, onde passamos um tempinho namorando enquanto ouvíamos diversos tipos de musica, tentando em meio a tantas opções encontrar uma letra que combinasse com nós.
Depois fomos até a grande e movimentada praça de alimentação, onde pedimos açaí já tigela. E nos sentamos no canto, após uma grande dificuldade de encontrar um lugar vazio.
— Eu ainda me admiro com você todos os dias – comentou ele, olhando para mim com paixão. — Você está tão mudada.
— Quer saber o segredo? – perguntei, sorrindo um tanto abobalhada. Eu me senti nas nuvens com lado do Pedro. — Eu resolvi ignorar a parte de mim que queria machucar as pessoas pelos motivos errados e estou fazendo o meu melhor para você.
Pela carinha dele, Pedro simplesmente adorou o que eu acabei de dizer. Nem sei da onde tirei tanta expiração. Ou melhor: sei sim. E ele está aqui ao meu lado, vindo em minha direção, louco para me beijar.
E eu permito.
Meia hora depois resolvemos ir embora, pois a chuva tinha diminuído e não tínhamos levado guarda-chuva e muito menos tínhamos um carro. Perto da saída, Pedro me comprou um ursinho branco, que segurava um coração que dizia “eu amo você”. Um ursinho muito brega e clichê, porém extremamente fofo e romântico. Especialmente vindo dele.
Eu nunca tinha recebido nada parecido de um garoto. Só cantadas de muito mal gosto e beijos muito sem graça. Mas com o Pedro era tudo muito diferente. E também, era a primeira vez que eu amava tanto uma pessoa mesmo tão diferente de mim e que ela me amava de volta, da forma mais pura e singela possível. Era a primeira vez que depositavam tanta confiança em mim, por isso eu estava me esforçando tanto para não quebrar isso e acabar com tudo. Eu jamais me perdoaria por isso.
Não agora que estou tão feliz e realizada.
Com tudo que eu sempre quis desde a primeira vez em que bati meus olhos nele.
Assim que chegamos em casa, um pouquinho úmidos por causa da garoa, senti meu celular vibrar dentro da bolsa. Era o meu pai e parecia ser urgente.
— Papai, aconteceu alguma coisa? – perguntei, sem nem ao menos cumprimenta-lo primeiro.
Pedro foi buscar uma toalha para nós no lavabo.
— Não, querida. Fica tranquila. Eu só queria mesmo falar com você. – disse ele, calmamente.
— Nossa, pai. Você me deu um susto! – realmente, porque meu coração estava batendo depressa. — Mas então, o que é?
— Sei que falta um pouco mais de uma semana, mas você sabe como eu sou – ele riu e eu continuei sem entender nada. — Eu só queria saber se você vem passar o natal aqui esse ano. Ainda não estou preparado para passar um data tão significativa sem você por perto. E pode chamar seu namorado também. Seria muito bom tê-lo conosco.
Eu ainda não tinha pensando a respeito, mas agora que meu pai tocou no assunto... Pareceu ótimo ir para o interior no natal e ficar lá por uns dias. O único problema é que eu ainda não tinha conversado com o Pedro sobre isso e não sabia quais eram os planos dele. E agora não era só eu, Maria Eduarda Vasconcelos, Pedro e eu éramos praticamente um só.
— Quem é? – perguntou ele, apenas mexendo a boca ao se aproximar segurando uma toalha pra mim.
— Meu pai. – respondi depressa, me dando conta que tinha deixado o papai esperando por uma resposta. — Pai, só um instantinho.
Tirei o celular de perto da orelha.
— Quer passar o natal comigo? Lá no interior, na casa do papai? – quis saber, olhando diretamente para ele. — Será nosso primeiro natal juntos e...
— Claro! Claro. – respondeu ele, sem nem esperar que eu terminasse de falar. — Seria muito bom.
Eu tinha o melhor namorado de todos os tempos.
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