Todos Iguais

29 Natália e Rafael


Notas iniciais
Esse capítulo não ficou muito bom. Eu não fiquei nada satisfeita com ele. Demorou um bom tempo para eu conseguir conclui-lo e eu bem que pensei em reescreve-lo. Mas sempre que eu tentava fazer algo melhorzinho, acabava sempre saindo a mesma coisa. Então, me perdoem.

Eu chorei não só porque ele estava certo em tudo que disse. Até porque eu concordava com ele em cada palavra. Eu até admirei a sua coragem em dizer tudo aquilo, em decidir por nós o que eu não tinha coragem de dizer ou fazer. Eu chorei porque mais do que nunca eu me sentia um lixo de pessoal, totalmente culpada. Não por estarmos dando um tempo — isso era realmente necessário — mas sim porque o Pedro foi todo bonitinho em dizer a verdade, em vir até a minha casa e se abrir e eu, por outro lado, menti por todo esse tempo para ele e o trai de uma maneira horrível.

Eu não fiquei com raiva dele por ter ido e me deixado ali aos prantos, eu até achei melhor, pois nunca teria coragem de assim com ele, ser sincera em relação a tudo. Inclusive a mim e a Luiza. Depois que voltei para dentro de casa tranquei-me em meu quarto pelo resto da noite e chorei litros por horas a fio, odiando a mim mesma por tudo. E nem consegui dormir ao pensar se eu deveria ter a mesma coragem que ele e na primeira oportunidade dizer o que exatamente se passava dentro de mim.

O Pedro precisava saber, por mais doloroso que fosse, ele precisava saber o que acontecia entre mim e a Luiza. Se tem auma coisa que eu aprendi com ele nesses quase dois meses de namoro, foi que a sinceridade em uma relacionamento vem acima de qualquer coisa. E quem sabe até depois que ele soubesse disso já pudesse se decidir quanto a nós: se continuaríamos ou se realmente terminaríamos definitivamente. E só assim ele poderia ser feliz com ela, a tal garota que tem o atraído.

Quem será que é ela?

Naquela noite tive um pesadelo terrível e até um tanto ridículo. Sonhei que eu e o Pedro conversávamos e eu contava a ele sobre a Luiza e os meus sentimentos um tanto confusos por ela. Aquele Pedro do sonho, não era o Pedro que eu conhecia. Pois ele não aceitou bem a ideia de ter sido traído com uma garota e me amarrou em poste de madeira, depois jogou álcool ao meu redor e colocou fogo em tudo. Enquanto as chamas iam subindo até me alcançarem, ele assistia tudo do lado de fora e ria sem parar.

Acordei no sábado de manhã suando frio e tentando não pensar nesse maldito sonho. Isso nunca aconteceria. O meu Pedro não é assim. Antes mesmo de me levantar me dei conta de que o meu irmão, o Lucas, estava aos berros no quarto ao lado, enquanto a minha mãe lá em baixo tagarelava alto com algumas vizinhas que também eram amigas dela.

Levantei-me no mesmo instante, corri até o meu irmão, tirei-o do berço e tentei acalma-lo. Só então pude ir ao banheiro, fiz toda minha higiene matinal muito depressa, desci com o Lucas, cumprimentei a mulherada espalhada pela sala sem muito humor e na cozinha fiz a mamadeira pra ele enquanto também preparava o meu café da manhã.

Pelo visto eu teria um longo dia.

E para piorar a minha situação eu estava bem triste. Porque eu sabia que esse tempo que o Pedro decretou para nós iria acabar mal quando ele soubesse da verdade. E isso me partia ao meio cada vez mais. Pois eu não queria que fosse assim. Eu não queria que ele me odiasse pra sempre. Eu não queria que tivéssemos que terminar dessa maneira. Parecia tão errado. E a culpa era toda minha.

***

Eu não conseguia mais ficar perto dos meus amigos, sabendo que uma hora ou outra, quando a Maria Eduarda quisesse, eu teria que ajuda-la a destruí-los. Caso contrário, ela me destruiria.

Então, eu optei por me afastar.

Nessa ultima semana de aula eu parei de sentar-me com eles durante o intervalo ou durante as aulas, inventando sempre uma desculpinha qualquer de que estava cansado ou que queria ficar um tempo com a minha adorável namorada. Quando por acaso eu os via pelos corredores fingia não ver e passava direto, só para eles não me pararem e perguntarem o que eu tinha afinal. Tentava também ignorar todos os tipos de mensagens vindo dele.

Eu me sentia um impostor entre eles.

Eu não conseguia simplesmente ficar entre eles sabendo que a qualquer momento eu teria que agir contra eles, correndo o risco de perder a nossa amizade. Eu estava literalmente sozinho nessa, apenas com o peso da minha própria consciência. Eu não podia me abrir com ninguém, falar do quanto eu me sentia mal por tudo isso ou até admitir o porquê de eu estar agindo assim, como um canalha que eu sempre fui. Agora até pior que antes. Não podia conversar nem mesmo com o meu melhor amigo.

E tudo isso graças a Maria Eduarda. Que é uma maluca vingativa e cruel. Ainda tento entender o que de fato se passa na cabeça dela pensar que algum dia conseguirá conquistar o Pedro. Nem mesmo com a minha ajuda ela irá conseguir. Ela é completamente doida. E o que a Bianca pode ter feito a ela para ela querer acabar com a reputação da garota? Sabe, são coisas que eu realmente não consigo entender.

E o pior de tudo é ela estar me usando e me manipulando – como nenhuma garota fez antes – só para conseguir tudo que quer, feito uma garotinha mal amada que acha que pode ter tudo na palma da mão. Eu só não a odeio como também sinto nojo da garota que ela é. Que apesar de linda exteriormente, é um lixo por dentro capaz de qualquer coisa.

Para minha sorte já estou de férias e não preciso ter que acordar todas as manhãs para ir ao colégio e me afastar cada vez mais dos meus amigos contra a minha própria vontade. Agora eu posso simplesmente passar o dia todo trancada em casa e não ter que mentir na maior cara de pau para aqueles que eu tanto gosto, a não ser que a Maria Eduarda resolva me ligar e pedir que eu vá me encontrar com ela para fingirmos aos outros que somos um casal devidamente feliz.

Eu não gostava de ficar em casa, sem ter nada pra fazer, sendo que eu podia estar por aí, em qualquer lugar, com os meus amigos. Mas agora com a Maria Eduarda em minha vida muita coisa mudou. Estar em casa agora parece mais seguro e mais suportável também. Meus pais trabalham praticamente o dia todo e só chegam à noite em casa. Sendo assim tenho a casa só para mim por um longo tempo.

Acordei na segunda-feira ao meio-dia feliz da vida, mas bastou eu me lembrar de que a minha vida já não é a mesma e eu vinha sendo constantemente ameaçado por uma garota diabólica só para não ter meus segredos revelados que o meu sorriso rapidamente desapareceu.

Fiquei um bom tempo deitado na minha cama, com os olhos voltados para o teto do meu quarto, pensando no que exatamente eu poderia fazer para me livrar das maldades da Duda. E se mesmo correndo o risco de todos saberem sobre as minhas particularidades valeria o meu esforço.

Pensando em tais coisas me dei conta de que eu ainda não estava preparado para arriscar, não enquanto não tivesse as minhas próprias cartas nas mãos. Mesmo contra a minha própria vontade eu me levantei, fiz toda minha higiene pessoal e desci para preparar algo para comer. Em seguida joguei-me no sofá da sala e procurei um canal qualquer de desenho animado para poder passar o tempo.

Lá pelas duas e meia da tarde, quando meu estomagado já não aguentava mais reclamar de fome, ouvi alguém na porta. Não importava se eu estava só de samba-canção, o cabelo um emaranhado só e descalço. Fui até a porta mesmo assim, abri-a e dei de cara com o Pedro.

— Pedro? – se eu tivesse bebendo ou comendo, na certa esse seria um bom momento para engasgar tamanha surpresa. Eu não esperava pela visita dele e nem mesmo queria que ele estivesse ali. — O que tá fazendo aqui?

Ele não me respondeu de imediato e passou por mim com algumas sacolas nas mãos. Pedro jogou-se no sofá, mas antes retirou das sacolas que trouxera duas latinhas de Coca-Cola e alguns salgados fresquinhos.

— Imaginei que você precisasse de mim. – ele abriu seu refrigerante e entendeu o outro na minha direção. Eu continuei parado em pé, próximo da porta, chocado com tudo aquilo. — Porque eu sim to precisando de você.

Fechei a porta cuidadosamente e me juntei a ele no sofá. Eu estava mesmo faminto e não poderia recusar a preocupação que ele teve comigo, em antes de vir até aqui, ter passado em uma lanchonete e ter comprado tanta coisa para comer. O Pedro era um cara que sabia das coisas.

Dei um gole grande no meu refrigerante e depois, assim como ele, enfiei com tudo uma coxinha dentro da boca.

— Cara, você tá tão esquisito. – ele comentou, após terminar de mastigar seu bolinho de queijo.

— Como assim? – olhei pra ele por um momento, falando com a boca cheia. — Você com certeza já me viu comendo assim feito um animal diversas vezes. Eu pensei que você tivesse se acostumado.

Ele deu risada.

— Não é isso, seu otário. Você sempre foi um animal, eu sempre soube disso. O que to querendo dizer é que você tá esquisitão ultimamente.

Parei para pensar sobre aquilo por um momento e então a ficha caiu e eu soube exatamente o que ele queria dizer com aquilo: o meu afastamento do grupo. Coisa que nunca, por nada, tinha acontecido antes.

— Mas então, eu agradeço por ter se lembrado de mim e ter trazido tanta coisa pra gente comer. Só que eu pensei ter ouvido você dizer que estava precisando de mim. Então qual é a da vez? Desembucha Pedro.

Pelo visto ele não se incomodou por eu ter mudado repentinamente de assunto. Talvez ele nem tenha percebido. Mas logo fez um cara de que precisava falar sobre algo, mas não era como se necessariamente quisesse.

— Não é nada de mais. Eu só queria mesmo colocar algumas coisas pra fora, por mais desagradáveis que fossem. Você nunca foi muito bom como amigo, você sabe exatamente do que to falando. Tipo, você é um bom ouvinte, mas não o melhor dos conselheiros. E eu só precisava mesmo de alguém que pudesse me ouvir, sem essa cosias de sermões. Entende?

Assenti, devorando meu quinto salgado.

Olhei para ele de relance, incentivando-o a continuar, apesar de no fundo me sentir muito mal, por não ter estado ao lado dele nos últimos dias, porque só agora me dei conta de que talvez ele precisasse de mim.

— Eu e a Nati demos um tempo. Na verdade, foi minha a ideia. No começou pareceu a melhor solução, mas só agora, dois dias depois, eu não sei bem se foi uma boa ideia. Eu sinto falta dela. Eu penso muito nela. E quero que as coisas fiquem bem entre a gente. Mas todo mundo sabe que quando um casal chega a esse ponto só tem uma solução: terminar de vez.

***

Até alguns dias atrás eu esperava mais dessas férias. Imaginava que estaria por aí me divertindo com os meus amigos, mas pelo visto todos resolveram dar um tempo e coloca-la a vida em ordem. Ou imaginava que passariam boa parte do meu tempo com o Pedro, acertando as coisas entre nós e aproveitando todos os minutos juntinhos. Mas na realidade tudo isso parecia bem distante de acontecer e em parte a culpa era todo minha.

Eu ainda estava muito triste e abalada com o novo rumo do meu relacionamento com o Pedro. Desde sexta-feira nós não nos víamos. Eu ainda estava muito envergonhada por tudo e sem um pingo de coragem de olhar nos olhos dele e ser sincera de uma vez por todas, antes que ele acabasse descobrindo meus segredinhos sórdidos por outra pessoa.

O Pedro tem um coração enorme, é o tipo de garoto que toda garota adorariam em ter como namorado. Lindo por dentro e por fora. E tudo bem que estamos dando apenas um tempo, como ele mesmo disse. Mas eu sei que esse tempo só nos levará há um lugar: ao termino. Sinto que ainda não estou preparada para isso e nem sei se algum dia estarei, mas sei também que essa é a melhor opção para nós dois. Afinal, o Pedro, mais que qualquer outro, merece uma pessoa melhor do que eu. Uma pessoa que o ame incondicionalmente, que lhe proporcione dias melhores, esteja sempre lá por ele e que seja seu porto seguro de um jeito que eu nunca fui.

Apesar de muito triste e de me sentir muito culpada por deixar que as minhas mentiras tenha nos levado a esse ponto, eu ainda tento continuar normalmente com a minha vida, a minha rotina. Agora de férias com mais tempo para cuidar do meu irmãozinho e organizar a casa de um jeito que minha mãe nunca soube enquanto ela trabalha ou sai com as amigas.

Vez em outro me surpreendo com mensagens de texto enviadas pelo Pedro perguntando se eu estou bem, o que eu estou fazendo de bom e se eu gostaria de poder me encontrar com ele para gente fazer alguma coisa apenas como amigos mesmo. Mensagens que eu nunca respondi e acabava sempre chorando por não conseguir me perdoar por engana-lo tanto e por não ter sido uma boa namorada e muito menos uma amiga.

Eu percebi nitidamente que ele estava fazendo com que as coisas entre nós continuassem bem e normais. Só que eu ainda não tinha aprendido a lidar com tudo isso, então de jeito nenhum poderia corresponder à altura, ignorando todas as suas tentativas de sermos amigos.

Na terça-feira à noite o Pedro me mandou a seguinte mensagem:

“Você não está chateada comigo, está?”

É claro que ele pensaria algo assim, já que eu não o respondia nenhuma vez. Na certa ele estava pensando que eu era uma mal amada muito mal agradecida daqueles que guardam rancores e nutrem um ódio mortal pelos ex-namorados. O Pedro deveria pensar que eu estava morrendo de raiva dele, que estava o evitando e que queria distancia dele. Ou que eu nunca fosse olhar na cara dele outra vez. Mas não era nada disso, eu só não conseguiria me explicar. Eu só precisava de um tempo.

Eu sempre gostaria dele, sempre o admiraria, iria sempre querê-lo por perto mesmo que apenas como um amigo, eu sempre o respeitaria, eu sempre me lembraria dele como uma das melhores experiências que já tive na vida e seria sempre agradecida por tudo que ele me proporcionou.

Na quarta-feira eu resolvi sair de casa, aproveitando meu tempo livre, já que o meu irmão estava na creche e minha mãe ainda não tinha chegado do trabalho. Fiquei por aí, andando sem rumo pelas ruas. Até que em certo momento eu tive uma vontade incontrolável de procurar por ela. Fazia um bom tempo em que não conversávamos e eu estava mesmo precisando de um ombro amigo para colocar tudo para fora de uma vez por todas.

— Nati? – Luiza ainda estava de pijama, mesmo sendo às três da tarde e parecia bem à vontade em seu apartamento. — Entra.

E eu entrei, meio sem jeito. Antes de eu chegar ela estava assistindo um vídeo ao Youtube de como se preparava uma lasanha de frango. Pelo visto ela estava sozinha, não só pelo silencio, mas como também pela bagunça que estava àquela cozinha. Luiza voltou a ver seu vídeo, ao sentar-se no banco mais alto do bancada da cozinha que separava da sala de estar.

Dispus-me a ajuda-la com a receita, já que levava o maior jeito para essas coisas de casa. Foi bem divertindo e descontraído. Por um momento esqueci-me de toda aquela tristeza que eu estava sentindo até alguns minutos atrás. Depois, enquanto a lasanha estava no forno e terminamos de lavar a louça, ela me chamou para sentar no sofá.

— Você não está com uma carinha muito boa. – ela observou. — Aconteceu alguma coisa? Você quer conversar?

Foi bom ela ter percebido. Eu não queria dar um de chata e sair por aí falando sem parar sobre mês problemas emocionais. Mas como ela mesma insistiu na pergunta eu acabei contando tudo a ela. Tudo a respeito de mim e do Pedro. Por fim, acabei me sentindo bem melhor com aquele desabafo.

***

Aquele dia Maria Eduarda havia insistindo que eu fosse a casa dela – que na verdade não era bem dela e sim da Bianca – para que tivéssemos um momento só nosso, sendo que nem éramos namorados de verdade.

Eu já não tinha mais duvidas de que ela era maluca, mas às vezes eu realmente não conseguia entende-la. Um dia ela me odiava, me ameaçava, me chantageava e fazia com que eu me sentisse um brinquedinho que ela poderia manipular a qualquer momento. Em outros dias ela parecia mais sensível, até mais boazinha e me tratava bem, como se realmente me quisesse por perto sem toda aquelas mentirinhas, só para fazer bonito na frente de todos e continuar fingindo esse namoro de mentira.

Parece que naquela quarta-feira em especial ela tinha acordada com muito bom humor. E lá estava eu, em seu quarto, esperando ela procurar o filme que tinha escolhido para vermos juntos. Eu nunca gostei muitas dessas coisas de ficar parado, perdendo meu tempo com filminhos e todas essas coisas inúteis. Eu preferia mesmo uma festa, bagunça, algo mais animado como talvez, jogar videogame.

Após ter escolhido X-Men: Dias de um futuro esquecido ela se deitou ao meu lado sobre a cama e encostou a cabeça no meu peito como se aquilo fosse bem natural entre nós dois. Eu estraguei essa atitude vinda logo dela – afinal, estamos falando da Maria Eduarda — mas também não disse nada. Ela tinha um perfume agradável e por um momento eu até gostei de me ter sentido útil pelo menos para alguma coisa, mesmo que fosse para ser uma espécie almofada.

O filme até que era bem interessante e por um momento esqueci que era ela ali e quando me dei conta estava fazendo carinho em seus cabelos. Até então estava indo tudo muito bem e tranquilo. Parecíamos até um casal de verdade e olha que estávamos sozinhos, ali em seu quarto, ela não precisava provar nada para ninguém. Mas aí ela resolveu dar pausa no filme e dar ordens como se tivesse se lembrado de algo importante.

— A pipoca! Eu me esqueci desse detalhe. – ela olhava para mim, falando com um tom de voz bem autoritário. Típico dela. — Vai lá em baixo e pede para a Lídia preparar algo pra gente. E anda logo! Porque eu não tenho o dia todo para ficar esperando não.

Revirei os olhos, sem muita paciência e lá fui eu, com toda preguiça do mundo. Encontrei a tal Lídia limpando a enorme sala de estar e disse exatamente o que a Duda me pedira. Pela cara da empregada ela também não gostava nenhum pouco da Maria Eduarda. Lídia desapareceu pela cozinha e eu resolvi esperar ali mesmo, no sofá.

— Como é que você aguenta, em? – de repente a Bianca apareceu. Eu nem sabia que ela estava em casa. — Digo, namorar aquela ali.

Eu apenas ri da sua careta engraçada, mas me limitei a responder.

Eu também ainda me perguntava, todo santo dia, porque é que eu estava aguentando os desaforos daquela garota. Ah, então me lembrei. Ela me tinha nas mãos e eu não tinha muito que fazer além de aceitar e conviver com seus acordos ou estaria ferrado.

Dez minutos depois subi de volta para o quarto da Caipira e estendi para ela a bandeja que a Lídia preparou com tudo que ela pedira. Mas pelo visto todo meu sacrifício foi em vão, já que ela deixou a bandeja de lado, sobre o criado-mudo e avançou pra cima de mim, como se tivesse acabado de mudar de ideia quanto a nossa programação para aquela tarde.

— Eu quero testar uma coisa. – ela sussurrou, ofegante. Enquanto eu permanecia paralisado no meio de seu quarto e ela arrancava minha camiseta e se abaixava para beijar o meu abdômen e o meu peitoral.

E só quando ela tirou a própria blusa, ficando apenas com um sutiã branco de renda e sorriu de um jeito provocante foi que eu me dei conta do que ela estava prestes a fazer. Eu na certa não esperava nada daquilo. Eu até pensei que ela nunca iria querer... Vocês sabem o que. Não comigo, já que ela parece me detestar e eu sou apenas uma fraude em sua vida.

Bom, apesar de em parte odiá-la com todas as minhas forças, ela ainda era uma garota e muito... Gostosa por sinal. Eu não iria simplesmente descartar aquela hipótese e deixar aquela oportunidade passar despercebida só porque ela me trata como um monte de lixo na maior parte do tempo.

Não mesmo. Eu ainda sou aquele Rafael que todos dizem que eu não presto. Eu ainda gosto de garota e especialmente as mais bonitas e que sabem mexer comigo. Sendo assim, resolvi me apressar antes que ela mudasse de ideia. Tirei primeiro seu sutiã, deixando a parte de cima de seu troco completamente nu e tomei um de seus seios na boca.

Ela gemeu baixinho e depois sorrio de olhos fechados. Eu adorei observar suas reações a cada toque e beijo meu por seu corpo. Minha vontade era de joga-la naquela cama e estapeá-la de um jeito bem safado, até que ela implorasse pra eu parar.

Continuamos nos beijando e nos explorando com as mãos o corpo um do outro até estarmos completamente sem roupa. Ela assim, nua, era do jeitinho que eu imaginava e até melhor. Claro que inúmeras vezes eu pensei nela assim, afinal, não sou de ferro. Não demorou muito para começarmos a nos movimentar, um em cima do outro,sobre aquela cama grande e espaçosa onde o perfume doce dela estava por toda parte.

Tudo aconteceu de um jeito bem natural, como se já tivéssemos feito aquilo inúmeras vezes. Foi selvagem e rápido. Com certeza uma das minhas melhores relações amorosas. Além de ser uma megera, pelo menos ela era boa naquilo também. Então, se continuássemos com aquele namoro falso ainda por muito tempo, pelo menos eu poderia me desfrutar dessa parte.

***

O dia já estava escurecendo e ter passado a tarde ali, com a Luiza, foi realmente bom pra mim. Depois que conversamos, eu e ela devoramos a lasanha e eu até pude conhecer melhor os seus pais, assim que eles chegaram do trabalho. Eu sabia que estava ficando cada vez mais tarde e que eu precisava ir embora, mas eu queria poder ficar um pouquinho mais e por isso mandei uma mensagem de texto pra mamãe pedindo que ela fosse pegar o Lucas na creche e que eu não me demoraria muito.

Para ficarmos mais a vontade, Luiza me convidou para ir até o seu quarto. Ela foi tomar um banho e eu fiquei ali, sentada em sua cama, esperando por ela. Quinze minutos depois ela voltou a aparecer, com os cabelos molhados e se juntou a mim.

— Posso te dizer uma coisa?

Ela perguntou e eu assenti. Fiquei curiosa.

— Não se sinta tão culpada quanto a essa fase difícil do seu relacionamento com o Pedro. – disse ela olhando diretamente para mim. — Eu sei que em parte eu também sou culpada por ter agido diversas vezes feito uma idiota obcecada com você ou por ter retribuído seu beijo aquela noite na festa do Felipe mesmo sabendo que tínhamos ingerido mais álcool do que deveríamos, mas talvez as coisas tenham que ser assim mesmo.

— Não entendo. O que você quer dizer com isso?

— O que eu quero dizer Nati, é que você prefere fingir não ver ou não sentir, mas que no fundo, você sabe que gosta de mim, assim como eu gosto de você. É que deveríamos estar juntas se não fosse pelo Pedro ou pela Aline. E que finalmente seriamos felizes e completas. Porque nos amamos pra valer e é isso que vale. Então eu acredito que isso finalmente tenha acontecido pra fazer você ver que o seu lugar é aqui, comigo, onde você sabe que vai encontrar tudo que precisa. E que por algum motivo você fingir não perceber isso, fingi não sentir, por medo, o mesmo medo que eu senti no início. Medo de isso ser errado. Mas não é. Porque nós nos amamos e quando se é amor de verdade não tem pra onde fugir ou correr...

Eu saí de lá correndo, feito uma maluca. Nem se quer me despedi dos pais da Luiza, que estavam sentados na sala de estar e me viram passar por eles feito um furação descontrolado.

Estava indo tudo tão bem, eu estava começando a me sentir melhor, apreciando a amizade e a companhia da Luiza. Aí ela resolveu falar um montão de bobagens que não fazem um pingo de sentindo na minha cabeça. Ela realmente não sabe o que diz, ela não sabe como me sinto ou o que quero. Ela acha que sabe. Mas não sabe e por isso se equivoca tanto.

Eu não estou fugindo de nada, nem me enganando. É, eu gosto dela, mas não é assim, do jeito que ela acha que é. Não tem nada a ver. Isso que aconteceu entre mim e o Pedro não tinha que acontecer só para gente ficar juntas. Aconteceu porque ao contrario dele eu não sou boa em tudo. Na verdade eu sou a confusão em pessoa. Eu já não sei mais o que quero, o que sinto, o que espero, o que desejo.

Eu estou definitivamente perdida.

Notas finais
O que vocês acham dessa confusão de sentimentos da Nati pela Luiza? Será que ela não quer aceitar o que ela sente pela Luiza ou ela realmente ama o Pedro e não quer deixa-lo? E quanto ao namoro de mentirinha da Duda e do Rafael... Parece que eles foram mais a fundo dessa vez. Gostaram? Ou... Vocês prefeririam que... Não sei haha Comentem!