Todos Iguais
31 Luiza
Notas iniciais

Até quando ela fugiria de mim? Até quando ela se enganaria tanto? Até quando ela iria esconder seus sentimentos por mim? Até quando ela teria medo disso que existe entre nós? Quantas vezes mais eu teria que presencia-la fugir? Quantas vezes mais eu teria que dizer verdades a ela que ela não queria ouvir? Meu Deus! Porque ela tem que dificultar tanto?
Tudo bem que eu ainda esteja namorando a Aline e ela não tenha terminado definitivamente com o Pedro, mas e se tudo isso não fosse um sinal, de que deveríamos estar juntas, pois só assim seriamos inteiramente felizes? Eu particularmente não tenho duvidas quantos aos meus sentimentos por ela, apesar de ter engatado em outro relacionamento. Só que a Natália ainda não se decidiu quanto a isso. Na verdade ela é realmente muito confusa e parece estar fugindo de ter que tomar decisões difíceis na maior parte do tempo, como se temesse arriscar tudo.
Eu sei que bem lá no fundo ela sabe exatamente o que quer ou o que sente, mas existe algo que a impede de olhar para dentro de si mesma e reconhecer que seus sentimentos por sim são bem mais profundos e intensos do que ela imagina. E que não tem nada a ver com amizade.
Se ela realmente amasse o Pedro de verdade, assim como ele parece ama-la, eles nunca teriam permitido chegar a esse ponto. Ela nunca teria precisado me beijar ou fugir de mim quando o papo fica sério entre nós duas. Se ela o amasse teria feito mais do que o possível para mantê-los unidos, como um casal deve ser. Se ela o amasse não precisaria me evitar, por não saber o que sentir ou como agir quando estar perto de mim. Se ela o amasse nunca estaria confusa, transtornada e ele sempre seria o primeiro que ela procuraria quando precisasse de alguém.
O que me leva a crer que o que eu sinto pela Aline não tenha nada a ver com o amor. Pode ser que seja uma paixão passageira, mas amor não é ou eu já teria deixado de gostar – assim mesmo, bem facilmente – da Natália há muito tempo e não ficaria pensando nela todo o tempo em que tento estar somente com a Aline.
Pode ser que a Natália tenha medo de gostar de uma garota, pode ser que ela tenha medo de desapontar os outros, podem ser que ela tenha medo de reconhecer a verdade, pode ser que ela não queria magoar a mãe ou o irmão, pode ser que ela tenha medo de sentir tanto por alguém, pode ser que ela medo do que irão dizer ou pensar quando nos verem juntas.
Eu sei disso, porque também já senti todos esses medos antes.
O que ela precisa colocar dentro daquela cabecinha dura, é que eu estou aqui pra isso, para ajuda-la a lidar com essa fase de rejeição de si mesma. De um jeito que nunca ninguém esteve lá por mim e eu tive que aprender a me virar sozinha. Ela precisa entender de uma vez por todas que o que sente por mim não é errado, é amor, e o amor é valido de todas as formas. O que ela precisa ver é que a verdade está ali, sempre esteve, bem debaixo do seu nariz, ela só precisar abrir os olhos e encara-la.
Era sexta-feira, estava chovendo, mas a festa onde nós estávamos estava bombando. Todos nós acabamos bebendo mais do que deveríamos e apesar de a ressaca ser garantida para o dia seguinte, naquele momento isso não importava, afinal estávamos de ferias.
Eu tentava não ficar pensando que eu tinha enganado a Aline aquela noite para ter uma noite só entre amigos. O problema é que ela não entenderia meus motivos e foi por isso que eu resolvi inventar uma mentirinha. Quando ela sugeriu que passássemos aquela noite juntas assistindo um filme e namorando como há tempos não fazíamos, eu já tinha planos em mente e disse a ela que isso não seria possível, pois meus pais tinham me deixado de castigo justamente aquela noite.
Ela acreditou, claro.
Meus pais eu também havia enganado, dizendo que iria dormir aquela noite na casa da Bianca, quando na verdade, íamos a uma festa. Meus pais até que estavam aceitando minha opção sexual com facilidade, mas na maior parte do tempo eles pareciam evitar conversar comigo sobre essas coisas em particular. E eu os entendia muito bem. Eu também não me sentia nada confortável de conversas sobre determinadas coisas com todo mundo.
Já na festa as coisas foram ficando agitadas, eu bebia muito, estava me divertindo horrores, dando muita risada da Bianca puxando o Felipe pra dançar todo o tempo e saboreando cada instante daquela noite que há muito tempo não acontecia entre nós, amigos.
Houve um momento, depois que eu saí do banheiro, em que eu vi a Natália conversando com o Pedro em um canto mais afastado da grande multidão. Eles há muito tempo já não pareciam mais um casal e mesmo de longe, naquele momento eu percebi, que eles estavam tentando se entender... Como amigos. Apesar de ela parecer bem pra baixo.
Eu aproveitei que ela não estava muito bem e aproximei quando ela já se encontrava sozinha e tentei anima-la. Não gostava nenhum pouco de vê-la assim, nem por nada e nem por ninguém. Eu até consegui fazê-la rir com umas piadas e comentários bobos, ofereci mais bebida a ela e em pouco tempo a minha única missão daquela noite foi diverti-la.
Quando ela parecia mais animada e levemente bêbada eu criei coragem para convida-la a dançar, sabendo que com o efeito do álcool – mesmo que pouco – ela não teria vergonha de se mostrar ao meu lado diante de todos. Ela aceitou ao meu convite e eu fiquei extremamente feliz. Dançamos por muito tempo, como duas boas e grandes amigas.
Estava tudo muito perfeito. Naquela noite eu não precisava de mais nada, tudo que eu queria era a confiança, era a companhia, a amizade e a segurança da Natália. Mas então a Aline surgiu do nada e eu não fazia ideia de que ela também havia sido convidada para a festa.
Não tive tempo nem de me esconder ou me desculpar pelas mentiras, ela me pegou no flagra e ficou nem chateada com o que viu.
Aline saiu da festa cuspindo fogo pela boca e eu corri atrás dela antes que fosse tarde demais.
— Aline, ei, por favor. – eu gritava, chamando a atenção do pessoal que estava ali do lado de fora. — Espera. Deixa-me explicar, por favor.
Ela não escutava ou fingia que não escutava.
Isso me deixou muito irritada.
Então eu corri em sua direção, tentando me desvencilhar do pessoal que estava no meio do caminho e acabei sendo mais rápida do que ela, impedindo a de entrar no táxi, segurando-a pelo braço.
— Porque você mentiu pra mim? – ela quis saber, com um tom de voz duro, que me fez tremer por dentro.
— Aline, olha, me desculpa. – eu não conseguia olhar dentro dos olhos dela. Era uma noite em que eu só queria diversão e não uma DR. — Vamos conversar em outro lugar? Por favor.
Ela pensou por um momento e acabou cedendo.
Caminhamos até uma praça em uma esquina não muito longe dali, uma praça que por sinal estava depredada por vândalos.
— Você tem se afastado de mim ultimamente, Luiza. – ela disse, ao sentar-se no único banco que encontramos em perfeito estado. — Você acha que eu não percebi? E eu só queria saber porque.
Eu tinha muitos motivos, mas nenhum que eu teria coragem de dizer a ela.
Bom, a verdade é que desde que o Pedro e a Natália deram um tempo, uma chama de esperança se acendeu novamente dentro de mim. Eu queria ficar com ela e nada mais. Eu já não conseguia mais parar de pensar nela, ainda mais que antes. A todo tempo eu ficava pensando se ela não estaria pensando em mim também da mesma forma que eu pensava nela.
Não foi como se eu tivesse premeditado essa situação. Até então eu não tinha me dado conta de que eu tinha me afastado da minha própria namorada. Não foi intencional. Se ela não tivesse dito, eu teria continuado a agir assim: por fora aparentando estar tudo bem e por dentro um caos total.
— Você gosta dela, não gosta? – ela continuou e eu nem tive tempo de pensar numa boa resposta para sua pergunta anterior. — Você gosta da Natália, é claro! Como eu não percebi isso antes?
Isso não foi bem uma pergunta.
— Aline, não é nada disso... – tentei dizer, porém ela não deixou.
Aline resmungava baixinho coisas incoerentes e balançava a cabeça negativamente, isso me deixou absurdamente aflita.
— Sempre que eu paro pra olhar pra você, você está distante, como se estivesse pensando nela. Sempre que eu quero a sua atenção, você está ocupada demais conversando com ela por mensagens. Sempre que flagro você distraída com seja lá o que eu esteja dizendo, você está relendo as mensagens que vocês duas trocam todo o tempo ou olhando para a foto dela descaradamente. Sempre que eu quero um pouquinho do seu tempo, você resolve mentir para mim para estar ao lado dela. – Aline voltou a me olhar com seus olhos amendoados transbordando fúria e desapontamento.
Não há nada pior do que saber que você é motivo de desgosto para uma pessoa.
— Luiza, você precisa se decidir: ou ela ou eu. E aí?
Essa pergunta foi com um soco no estomago.
— Aline – suspirei fundo, evitando o contato de seus olhos. Certa do que estava prestes a falar mudaria tudo. — eu sinto muito...
Ela se levantou, interrompendo-me.
— Nem precisar continuar. Eu já sei. Você fez sua escolha.
Dito isso ela saiu chorando e batendo firme os pés no chão. Eu sentia muito por ela, por tudo. Não esperava que as coisas terminassem daquela forma. Mas não é como se eu tivesse controle sobre os meus sentimentos.
Estava tarde, eu sabia disso. Mas eu já não tinha mais com o que me preocupar: tínhamos terminado ali. Ela iria para o seu canto e eu para o meu. E o mais assustador: eu não estava nenhum pouco triste por isso.
Eu nunca fui muito a favor dessa de “Ah, vamos dar um tempo.”, sabe porque? Porque isso não funciona. Pelo menos não na maioria dos casos. Quando um casal chega a esse ponto é porque definitivamente eles não estão bem. Dar um tempo para reavaliar a situação pode até ser ideal, mas não é garantia nenhuma que as coisas voltem a ser como antes.
Eu não conseguiria conviver com essa incerteza. E foi exatamente por isso que eu resolvi me decidir. Não era como se depois de terminar com a Aline eu fosse sair correndo para ficar com a Natália. Até porque ela e o Pedro continuavam em cima do murro. Mas também não havia mais nada que pudesse me atrapalhar para tentar reconquista-la.
Logo depois fui para casa. Eu não estava triste nem nada, mas já não estava mais com clima de voltar para a festa e fingir que nada me afetava. Eu só queria uma boa noite de descanso. E foi exatamente o que dispus a fazer. Capotando na minha cama assim que possível.
Acordei no outro dia mais cedo do que gostaria, com a minha mãe passando o aspirador de pó no sofá. Tomei o meu café bem forte e comi algumas panquecas que estavam no forno. Depois tomei um banho e saí dizendo a minha mãe que iria passar na Bianca, para pegar as minhas coisas que eu tinha deixado por lá noite passada.
Eu só queria alguém para conversar. E a minha melhor amiga continuava sendo a Bianca, apesar de termos nos afastado muito. Só que o nosso tipo de amizade era daquele tipo que não se abalava com pequenas coisas e era forte o bastante para retomar de onde tínhamos parado.
Pelo menos assim eu esperava.
Subi o elevador e toquei a campainha do prédio dela.
— Ah, oi Lídia. – eu sorri para a empregada que veio abrir a porta para mim. Ela sempre sorria para mim de um jeito afetuoso. — A Bia ta aí?
— Não, Luiza. Ela acabou de sair, mais uma vez. – a empregada suspirou e logo depois sorriu achando graça naquilo.
Nem ousei a perguntar se ela sabia onde a Bianca se encontrava, Bianca não era do tipo que dava muitas satisfações.
Voltei para casa e passei o sábado inteirinho tentando me distrair com O Teorema Katherine enquanto a chuva caia do lado de fora.
E só no domingo de manhã, quando eu estava prestes a finalizar meu livro, foi quando a minha mãe resolveu bater na porta do meu quarto.
— Tudo bem aí? – ela perguntou, colocando a cabeça pra dentro do cômodo. Eu assenti, meio sem entender o porquê da pergunta e da visita inesperada. — Tem uma pessoa aqui fora querendo falar com você.
Pelo o olhar dela logo fiquei curiosa. Deixei meu livro de lado, sem esquecer de marcar a página onde parei e levantei-me da cama. Parada do lado de fora do meu quarto, bem em frente a minha porta, estava nada mais nada mesmo que a Natália.
Ela estava um jeans preto, All Star, um moletom do tipo canguru vermelho, as mãos enfiadas nos bolsos, uma toquinha cinza cobrindo boa parte dos cabelos curtos cor de cereja e o rosto levemente corado.
— Entra. Fica a vontade. – pedi, fechando a porta do quarto logo depois.
Ela sentou-se sobre a minha cama ainda sem me olhar diretamente nos olhos, e eu sentei-me bem em frente a ela, na expectativa. Eu não fazia ideia do porque ela estar ali, eu nem mesmo estava esperando, ela não me ligou ou avisou, apenas apareceu e eu ainda estava de pijama.
— Ontem depois que você saiu correndo da festa atrás da sua namorada e não voltou mais eu cheguei a algumas conclusões. – ela foi dizendo, sem eu nem precisar perguntar nada. — A primeira delas: eu gosto de você, mais do que eu gostaria de poder admitir. Segunda coisa: eu queria que você tivesse ficado, sua companhia estava sendo ótima para mim. Terceira coisa e ultima e mais assustadora: eu fiquei morrendo de ciúmes de vocês duas.
Confesso ter ficado um tanto chocada com essas confissões, especialmente vindo diretamente dela. Mas por outro lado eu gostei de ter ouvido cada palavra. Era exatamente o que eu precisava ouvir em meio a um domingo chuvoso e completamente tedioso.
Por impulso eu a abracei, também pegando a de surpresa.
— Só isso? – acabei soltando, depois de me afastar dela. Eu sorria de lado e perguntei na brincadeira, mas ela pareceu não ter percebido isso.
— Como assim... Só isso? – ela perguntou com uma sobrancelha arqueada. — Você sabia que eu não preguei os olhos durante toda a noite até enfim chegar a essas conclusões? Você acha que isso aqui é fácil pra mim? Você acha que eu iria ter a coragem de simplesmente sair falando qualquer bobagem só pra te agradar se eu não estivesse me sentindo perdida e estúpida?
Pelo visto ela não estava para brincadeiras.
Eu entendia o lado dela.
— Nati, desculpa. Foi brincadeira, tá legal? – toquei seu braço cuidadosamente, com todo carinho possível. — Fica calma.
— Eu to calma! – ela disse isso um pouco mais alto do que o normal, olhando-me bem a fundo. — Não! Na verdade eu to uma pilha de nervos.
Não consegui não rir.
— Deixa eu te ajudar. – avancei em sua direção, pegando-a totalmente desprevenida e dei um selinho rápido nela. — Melhor assim?
— É. – ela desviou o olhar, mas pelo menos sorriu um pouco. — Acho que sim.
— Então, fica calma e me fala o que exatamente você gostaria de me dizer? Porque você veio aqui? Porque tudo isso agora?
— Eu gosto de você. Não, eu amo você. – ela se corrigiu. A aquela altura meu coração já estava disparado, todo ansioso. — Mesmo um pouco bêbada ontem eu acabei me dando conta disso e só espero que não seja tarde demais.
— Não, não é. – toquei seu rosto, tentando manter o olhar dela no meu. — Para você nunca será tarde demais. – sorri um pouco. — Eu terminei ontem com a Aline.
— E eu e o Pedro não terminamos. Não exatamente. Ainda estamos dando um tempo. Mas depois que eu for sincera com ele já não tenho mais esperanças de que a gente volte. E também nem sei se é isso que quero.
— Você vai contar tudo a ele? Digo, sobre nós?
— É o que pretendo. Por quê? Algum problema?
— Não, é que eu só acho que... – as palavras morrem em minha boca. — Deixa pra lá. Faz o que for melhor pra você.
— Mas e quanto a isso? – ela quis saber, também tocando meu rosto nesse momento. — E quanto a nós duas?
— Tudo que eu sei é que quero ficar com você, apenas com você. E bom, se você me quiser também, eu acho que tá tudo certo.
Não foi minha intenção, mas acabei a fazendo rir e quebrando um pouco do clima tenso entre nós.
— Eu quero, eu quero muito, Luiza. Mas eu tenho medo. – ela se afastou e meu coração se apertou. Eu não queria que aquilo acontecesse. Eu só queria que ela estivesse cada vez mais próxima.
— Medo? Você não precisa ter medo, Nati. Eu estou aqui, não estou? Eu sempre estive. E você ainda tem duvida do quanto eu gosto de você?
— Não é isso. Eu só quero muito que isso dê certo. Eu preciso que isso dê certo. Mas eu ainda temo tantas coisas.
— Não pense tanto. – sentei-me mais próxima a ela, agora segurando seu rosto com as duas mãos. — Vamos apenas ficar juntas, finalmente.
Novamente beijei seus lábios com os meus. Dessa vez um beijo mais durador. Um beijo que me preenchia de paz e tranquilidade. Um beijo sereno, adocicado e repleto de amor e desejo.
— Podemos manter isso só entre a gente? Pelo menos por enquanto, até eu ter coragem de enfrentar o que está por vir. – ela sugeriu.
— Para mim tudo bem. – eu a puxei para um abraço, beijando o topo de sua cabeça. — Vai ser do jeito que você achar melhor.
Eu estava eufórica, porque aquilo tudo só poderia significar que estávamos finalmente juntas. Digo, de verdade. Se manda para poder estragar isso, sem nenhum empecilho, sem nenhum obstáculo. Apenas juntas, do jeito que eu sempre sonhei e esperei.
Eu queria passar os meus próximos dias com ela, apenas nós duas, desfrutando desse novo começo. Mas ali no meu quarto não teríamos a privacidade que desejávamos. Sendo assim, aquele mesmo instante eu sugeri que fossemos ao shopping, comer, ver um filme, não sei. Qualquer coisa.
Ela concordou e eu fui logo tomar um banho e me trocar. Pedi ao papai que estava sem nada para fazer que nos levasse ao shopping mais próximo de casa. Ainda chovia e estava um pouco frio lá fora, mas nada disso importava, não agora que eu finalmente poderia chama-la de minha.
Optamos por apenas passar um tempo na praça de alimentação do shopping, por mais que estivesse cheia. Com sorte encontramos um lugar mais ao fundo, um lugar mais reservado, onde não precisaríamos temer absolutamente nada.
— Eu estou tão feliz! – admiti, sorrindo de orelha a orelha. — Acho que nem vou conseguir dormir direito essa noite.
— Não seja boba! – ela riu e eu apenas contemplei seu sorriso por um instante, até ela perceber e ficar sem jeito.
Pousei minha mão sobre a dela, como quem quer dizer que está tudo bem ou que ela precisa a se acostumar a isso, já que ela é linda e agora estamos juntas, terei tempo de sobra para admirar cada detalhe seu. Mas aí ela me impediu de entrelaçar nossos dedos um no outro.
— Não. – ela sussurrou na minha direção. — Por enquanto nada de carinhos afetivos em público. Eu não estou pronta, Luiza!
Apenas assenti, tentando não transparecer minha chateação.
— Eu sabia que não iria demorar muito para presenciar isso. – ouvi uma voz muito familiar dizer e quando ergui meus olhos vi quem estava ali. A última pessoa que eu queria ver agora: Aline. Minha ex-namorada. Maravilha! — Sabe, vocês até que combinam. Mas nunca serão felizes completamente.
Até ontem eu pensei que tínhamos terminado numa boa, que ela entendia, que ela era aquela garota compreensível e meiga que conheci. Mas pelo visto eu me enganei, pois o que eu via com os meus próprios olhos não era em nada parecida com a Aline que eu namorava há... Um dia atrás. Bem ali, na minha frente, estava uma garota rancorosa e cheias de magoas e veneno.
— E porque não, em? – levantei-me cerrando os punhos, nervosa com a atitude dela. Ela não poderia simplesmente aparecer do nada e dizer o que quisesse. Não se isso assustasse a Natália ainda mais e atrapalhe a nós duas.
Ela não respondeu, apenas saiu da li, rindo alto.
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