Todos Iguais
6 Gabriela
Notas iniciais

Com a chegada do outono no finalzinho de março, as noites passaram a ficar mais frias, por conta do ventinho noturno. Nesse momento, estou deitada no gramado do quintal dos fundos da minha casa onde praticamente não há luz e eu também nem faço questão. A lua minguante acompanhada do brilho das estrelas ilumina o antigo balanço, onde eu e meu irmão, o Pedro, brincamos bastante quando éramos menores.
Eu gosto do silencio, do vazio, do escuro.
Aqui nos fundos eu posso fumar tranquilamente o meu cigarro, observando a fumaça sair livremente da minha boca, perdendo-se na imensidão negra do céu daquela noite de terça-feira.
Uma calmaria que não dura muito até a minha mãe gritar da janela da cozinha, pedindo pra que eu entrasse antes que o jantar esfriasse. Muito rapidamente eu apaguei o cigarro para que ela não visse e voltei a esconder o resto deles na moita mais próxima do meu quintal.
Esconderijo secreto.
Eu só tenho quinze anos e ainda estou no primeiro ano do ensino médio, diferentemente da metade da galera que eu conheço por aí, nas noitadas de festas que rolam até a madrugada. Mas certamente eu já fiz tanta cagada quanto os meus amigos, ou ainda mais. Digamos assim que eu seja mais ousada, livre, divertida, espirituosa e perigosa.
Eu não tenho medo de nada.
Também não me orgulho de ter me envolvido com tanta coisa errada com tão pouca idade, mas também não ouso deixá-las de lado. Tudo que eu fiz me ensinaram alguma coisa, com elas eu adquiri muitas experiências. Meus pais, pobrezinhos, nem sonham que eu seja assim... Um espírito livre que é capaz de qualquer coisa para aproveitar esse momento na minha vida.
Sento-me a mesa, do lado direito, na lateral. O meu lugar de sempre. Enquanto a minha mãe enche o meu prato de salada. Ela sempre diz que eu sou magrinha demais e que eu deveria comer mais. O que parece ser impossível, porque se tem uma coisa que eu gosto nessa vida é me empanturrar de comida.
Essa noite eu estou bem... O dia foi tranqüilo e bem normal, por tanto, não tenho porque encher a paciência do meu adorável irmão, o Pedro. Hoje, nada de chutá-lo por de baixo da mesa ou provocá-lo com sorriso e olhares.
Essa noite darei uma trégua a ele.
Enquanto jantamos, nenhum de nós quatro abre a boca para falar absolutamente nada. O que é bom, afinal eu não estou a fim de conversar. Mas também um incômodo. Esse silêncio assustador significa uma coisa: meus pais não estão nada bem. O casamento deles está por um fio.
Eu sei que eles estão bastante infelizes com isso, mesmo que eles não digam e nem toquem no assunto, é visível na expressão perturbadora de seus rostos fechados. Eu não quero que eles se separem, esse é o problema. Eu não consigo nem imaginar vivendo uma vida longe de qualquer um dos dois, pois eu os amo muito, mesmo que eu nunca tenha dito algo assim.
Acredito que isso seja só uma fase. Afinal, eles estão juntos há tanto tempo que é inevitável não ficar de saco cheio de vez enquanto. Sei que isso logo passará, eles conversarão e se acertaram. E tudo voltará ao normal.
O Pedro ajuda a mamãe com a louça essa noite, sendo assim eu subo até o meu quarto e me tranco por lá pelo resto da noite.
São nove e meia.
Meu quarto é quase uma caverna. Sombrio, esquisito, muito bagunçado e repugnante para a maioria das pessoas. E é por isso que na porta, antes de entrar, existe várias planas, proibindo a entrada de mais velhos e pessoas não autorizadas. Parece brincadeira, mas não é.
Recentemente pintei uma das paredes de preto, deixando as restantes brancas mesmo. Nessa parede mais escura, onde a minha cama está encostada, eu coloquei fotos, pôsteres e adesivos. A mobília é de madeira escura. Pelo chão é possível se encontrar de tudo: roupa suja, restos de comidas, objetos quebrados, papel amassado e tudo que ali foi esquecido e eu nunca fiz questão de dar um jeito.
Eu nunca fiz o mínimo esforço para limpar o meu quarto ou dar no mínimo uma organizada. Eu gosto dele assim... Uma bagunça completa. Porque é assim exatamente como eu me sinto. Quando eu era menor e menos revoltada, a minha mãe entrava ali para dar uma arrumadinha uma vez e outra, mas com o tempo ela acabou desistindo.
Muito rapidamente tiro o meu jeans preto rasgado, minha regata branca larga e dois números maiores que o meu manequim, ficando apenas de sutiã e calcinha na cor preta e aproximo-me da minha cama, passando por cima de milhares de coisas espalhadas pelo chão.
Jogo a toalha molhada no chão, a minha mochila e algumas peças de roupa também. Para que haja espaço para eu me deitar. A luz está apagada e a única coisa que ilumina o ambiente são meus abajures.
Pego o meu celular sobre o criado-mudo, meus fones e não demora muito para que eu feche os olhos para ouvir AC/DC no ultimo volume.
E só assim poderei dormir em paz.
Acordo no outro dia faltando vinte minutos para as oito da manhã, eu sou uma negação com horários. Tomo um banho gelado bem rápido, volto a colocar o jeans preto de ontem, uma camiseta cinza bem larginha que me deixa bem mais a vontade e calço meu All Star verde de cano médio. Para destacar meus olhos azuis esverdeados passo uma sombra preta, uma camada grossa de rímel para alongar os cílios, lápis preto e isso é tudo.
Desço as escadas correndo, com a mochila no ombro e aproveito para passar a mão no meu cabelo castanho-avermelhado, o qual eu não faço a mínima questão de pentear. Eles são livres e soltos. E pouco hidratados. Não são lisos e nem cacheados, apenas revoltados. Digamos que eu não tenha muito cuidado com as minhas coisas.
Antes de sair para ir ao colégio com o meu irmão, devoro um pedaço de pão rapidamente, tomando um gole de leite quente. Pelo caminho nós encontramos o Rafael. O qual eu me limito a cumprimentar. Se tem algo que eu detesto é acordar cedo e ir para o colégio. Então, não é como se eu estivesse de bom humor. E logo depois nos encontramos com a Natália.
A ela eu dou um sorrisinho amigável.
Eu gosto dela. Mas quem é que não gosta? A garota é praticamente um anjo que caiu dos céus. Não é atoa que meu irmão baba por ela.
Eles formariam um casal bem bonitinho. Eu apoio totalmente.
A minha primeira aula é de Física. Não só detesto essa aula como todas as outras também. Nem de longe eu sou uma boa aula, pelo contrário. Sento-me no canto, próxima as janelas, na penúltima carteira. Durmo pelos próximos cinqüenta minutos, sem me importar se vou ser flagrada ou levar uma bronca ou se alguns dos meus colegas engraçadinhos de classe vão me filmar babando ou roncando e colocar o vídeo no Facebook.
Eu estou pouco me lixando pra tudo isso.
Na verdade eu me importo com poucas coisas nessa vida.
Eu sou sim um coração de pedra, um gelo em pessoa, sem-vergonha, descarada e um montão de outras coisas negativas. Já me acostumei com esse adjetivos. Eu realmente faço por merecer.
Tenho notas baixas, não tenho um bom comportamento, nada de postura ou seriedade, faço bagunça (sou uma bagunça), odeio a escola, detesto ficar parada, adoro meus cigarros, minha aparência não é nada agradável, não me esforço para agradar ninguém, sou a sinceridade e a ironia em pessoa, amo festas, não sou nenhum pouco sensível ou sentimental, adoro provocações... Basicamente eu gosto que as coisas aconteçam, com ou sem a minha ajuda.
Acordo somente com o sinal da segunda aula, que será de Português.
Agora já não estou mais sono, mas estou faminta, impaciente e inquieta, enquanto ouço a professora falar sem parar, incansavelmente, sobre Figuras de Linguagem. O que diabos é isso? Se eu pelo menos prestasse atenção na aula poderia descobrir.
Mas é que hoje... Eu não estou muito afim.
— Professora, estou indo no banheiro. Não tô muito legal. – faço uma careta, passando por ela em direção a porta.
Isso não é um pedido e sim uma afirmação.
Vou ao banheiro apenas para jogar um pouco de água no rosto, na tentativa de me livrar da cara amassada. Depois desço até o refeitório, onde eu fico de papo furado com as “tias” da cantina. Acabo convencendo uma delas, a melhor, Dona Amélia, a me dar pelo menos uma maçã.
Dona Amélia é um anjo de mulher. Desde que nos tornamos amigas, assim, meio sem querer, ela me trata muito bem, quase como uma filha. Ela trabalha no colégio, na cantina, muito antes de eu nascer. Ela é uma senhora simpática, amorosa e acolhedora. Eu geralmente não gosto muito de pessoas, digo, no geral. Mas aquela senhorita é um amor.
A terceira aula, uma antes do intervalo, é de Filosofia. E poxa, eu realmente gosto dessa aula. Meu professor, Alberto, é um gênio em pessoa. Ele me faz refletir sobre um montão de coisas que antes da sua aula eu não tinha parado bem pra pensar a respeito. A aula dele realmente mexe comigo e posso dizer que ela é uma das únicas que realmente vale a pena pra mim.
No intervalo pego meu bandejão e sento-me com o resto da turma, na nossa mesa de sempre, no meio do refeitório. Enquanto devoro o meu misto-quente e meu corpo de suco de maracujá geladinho, tento acompanhar o que eles estão conversando entre si. Mas acabo me perdendo pelo caminho, dando prioridade ao que estou terminando de comer.
As quatro aulas a seguir passam lentamente. O horário livre, após a uma da tarde, eu me dirijo a passos largos até o vestiário feminino. É minha aula de natação. Não preciso nem dizer que a única coisa que salva nesse colégio são as aulas complementares, onde a gente faz o que gosta.
Estou indo até as piscinas com o meu maiô, minha toalha e minha toquinha ridícula de natação quando sou surpreendida por uma mão grande e grossa, puxando-me para dentro do almoxarifado.
Ele tranca a porta com o pé, pressionando na parede mais próxima.
— Meu Deus, Rafael! Você quase me matou de susto, garoto.
— Não é você que não tem medo de nada?
Ele sorriu provocante. A boca muito perto da minha.
— É, eu não tenho. Mas... Esquece. Deixa pra lá.
Encaro-o por um momento, admirada com olhos dele que parecem sorrir também.
— Você não deveria estar no treino agora?
— É, eu devia. Mas eu precisava te ver.
Dito isso ele pressionou fortemente os lábios de encontro aos meus, pegando-me de surpresa. Ele é quente e irresistível. O garoto tem pegada, e eu gosto disso. Ele é ousado e atrevido, assim como eu.
Nós somos bem mais parecidos do que parece.
Enterro meu dedos nos cabelos escuros dele, puxando-o para mais perto. Rafael agarra forte um das minhas coxas, os dedos firmes cravados na minha pele. Solto um gemido baixo e ele sorri maliciosamente. Continuamos nos beijando com intensidade. Suas mãos percorrendo o meu corpo. Ele é alto, cheiroso e forte. A combinação perfeita da perdição.
Faz muito tempo que eu conheço o Rafael, desde que eu me lembro ele é o melhor amigo do meu irmão. E eu cresci com esse garoto enfiado dentro da minha casa, brincando, jogando, se divertindo com o meu irmão. Eu meio que sempre invejei a amizade deles, pois nunca tive nada igual. Os dois são diferentes, mas muito ligados. Eles brigam sim, mas é raro. Estão sempre por perto, ajudando um ao outro no que for preciso.
Não é que eu seja perdidamente apaixonada pelo melhor amigo do meu irmão. No inicio eu detestava com Rafael, quando ele ainda era um pirralho magricelo que implicava comigo e pegava no meu pé. Eu o odiava porque sentia que ele roubava o meu único irmão, além de os dois me rejeitarem sempre em suas brincadeiras. Logo eu que nunca fui muito fã de bonecas, preferia o vídeo-game, os carrinhos, bolas ou a bicicleta.
Eu nunca fui muito feminina, o que não afeta em nada a minha opção sexual. Sempre fui mais radical. Não gostava de vestidos ou saias (continuo não gostando), nada de salto alto, babados, lantejoulas, rendinha, florzinha e nem coraçãozinhos. Eu não sei exatamente porque isso, mas acredito que seja porque passei a minha infância toda observando os meninos, o jeitão duro e frio deles, a indiferença, as brincadeiras e os costumes.
Eu não os culpo, afinal. Sei que sou melhor assim. Sou mais forte, mais resistente, mais durona, cabeça-dura e pouco corro o risco de quebrar a cara. Ou melhor, eu quebro sim, mas não saio chorando como a maioria das garotas, porque pelo menos eu tentei e fiz o melhor que pude sem me importar com as conseqüências.
Mas de uns tempos pra cá, quando eu completei treze anos — o que na o faz tanto tempo assim — eu comecei a olhar para o Rafael com outros olhos. Nada de amor ou paixão, está mais pra uma forte atração. Ele sempre foi cafajeste, pegador, uma canalha, mas ainda assim, tem um lado bom, sensível, sentimental que poucas pessoas vêem ou conhecem.
E eu o admiro por isso.
Além de ele ser bem bonito, claro. Forte, alto e atlético. Têm as mãos grandes e grossas, uma pegada irresistível, um excelente bom-humor, é atrevido, dono de um sorriso largo fascinante e olhos hipnotizantes.
Mas não é nada além disso: uma forte atração pelo garoto que com o tempo também se tornou um amigo meu e uma grande referencia. Até porque eu detesto rótulos ou coisa do tipo. Sinto náuseas só de pensar em momentos românticos, mãos dadas, passeios pelo parque, jantares românticos, surpresas e trocar carinhos ao luar.
Meu irmão se soubesse mataria nós dois.
Rafael puxou os meus cabelos da nuca com força, aprofundando ainda mais o nosso beijo caloroso e unindo com forças nossos corpos em chamas.
Ele fez menção de colocar a mão sobre um dos meus seios até que...
— Podem me explicar agora o que está acontecendo aqui? – pergunta a inspetora ao abrir a porta e flagrar nós dois aos beijos.
Com o susto o Rafael dá um pulo pra trás, afastando-se de mim.
— Vocês dois: já para a diretoria. – ela ordenou, olhando feio para nós.
Na sala do diretor González ficamos por mais ou menos uma hora ouvindo seus sermões esfarrapados. Eram sempre os mesmos. Praticamente morri de tédio, saindo de lá com uma forte dor de cabeça e uma advertência. Apenas. Não era a minha primeira vez na direção e muito menos a do Rafael. Batíamos carteirinha ali. Tanto que o diretor já até sabia o nosso nome completo e os dos nossos pais também.
O diretor González se preocupada o bastante com a imagem de seu precioso colégio para ter coragem de nos expulsar ou agir de forma pior. Ele acredita que uma boa conversa é a melhor solução para os seus alunos. E de um ultimo caso, quando já não há mais nada para fazer a respeito, ou ele dá uma advertência ou ele chama os pais para uma conversinha mais séria. Fora isso ele é um senhorzinho cinquentão bem tranquilo.
Eu não o culpo. Ele só está fazendo o seu trabalho. Eu é que não sou uma boa garota. E com o Rafael ao lado sou ainda pior.
Ganhei uma advertência de um dia. Que maravilha. Ficaria a tarde toda dormindo, sozinha em casa. Tudo que eu precisava. Em casa a mamãe assinou a minha advertência calada, não havia mais nada que ela pudesse fazer comigo. Pobrezinha. A não ser que ela quisesse me amarrar. Já o meu pai me defendeu até o ultimo, como sempre. Quando eu precisei mentir do porque ter levado mais uma advertência para a minha coleção. Ele sempre acredita e confia muito em mim.
Meu pai faria qualquer coisa por mim, se eu pedisse.
Estou sozinha em casa aquela noite, deitada na minha cama, ouvindo musica no meu celular com os fones de ouvido. A mamãe foi fazer uma visitinha à irmã, minha tia. Ela mora no bairro vizinho, que nem é tão longe assim. Como não tem comida pronta, o papai foi comer fora. Ele até me convidou, mas eu recusei. Só queria... Descansar. O Pedro deve estar por aí, ou com o Rafael ou de pegação com a Nati.
Abro os olhos quando sinto uma movimentação no meu quarto, mais precisamente sobre a minha cama, bem ao meu lado. Solto um grito quando dou de cara com o Rafael, sorrindo. Deitado ao meu lado.
Como foi que ele chegou até aqui tão rápido?
— Rafael! O que você está fazendo aqui?
— Procurando o seu irmão... Ele não está?
— Tá vendo ele por aqui por acaso?
— Nossa! Grossa!
Tento não sorrir, sentando-me.
— Como foi que você entrou? A porta não está trancada?
— Eu sei que a chave extra fica naquele vasinho de planta da sua mãe.
O.K. Eu quase me esqueci que ele é praticamente de casa.
— Você ta sozinha?
— É o que parece.
Ele sorriu de lado, endireitando-se.
— Então vamos terminar o que começamos lá no colégio.
Muito rapidamente ele me puxa pra cima dele, abaixando as alças da minha regata enquanto tenta beijar o meu pescoço e o colo dos meus seios.
Eu não estava afim... Mas ele acabou me convencendo. Fechei os olhos e suspirei fundo, sentindo seus lábios úmidos na minha pele quente.
Com facilidade ele se livrou da minha regata, jogando-a no chão e logo em seguida tirou a dele, deixando a mostra seu abdômen definido. Rafael voltou a me puxar para baixo, para me beijar, com uma mão no meu cabelo solto e a outra nas minhas costas, firmes e precisas.
Afastei-me dele, dando uma pausa em nosso beijo para levar as minhas duas mãos até o zíper de sua calça jeans. Ele sorri, observando-me todo o tempo. Livro-me de sua calça rapidinho, o deixado apenas de cueca branca. Volto a beijá-lo com ferocidade, mordendo seu lábio inferior, depois mordo a sua orelha e toda a extensão do seu rosto.
Ele geme baixinho, já com a mão na minha calça de moletom.
— Você tem...?
Olho bem pra ele, esperando pela resposta.
— Ah sim, tenho. Estão na minha carteira. Espera um pouco aí...
Ele pega os preservativos. Isso certamente não poderia faltar.
Ainda estou em cima dele, esperando ele se livrar da embalagem dos preservativos quando a porta do meu quarto se abre com força.
— Pedro...?
Exatamente. O meu irmão. Não sei se fico com raiva por mais uma vez terem nos interrompido em um só dia. Ou se fico envergonhada por estar praticamente nua sobre o seu melhor amigo prestes a... Deixa pra lá.
— Ah não, cara. Isso não pode está acontecendo. – meu irmão vira-se de costas, contrariado. Passando os dedos pelos cabelos pretos nervosamente. — Porra Rafa! É a minha irmã seu filho da mãe!
Rafael se livra de mim, jogando-me praticamente no chão. Ele parece constrangido e envergonhado enquanto tenta colocar suas roupas de volta.
— Pedro, não. Espera aí. – ele segue meu irmão corredor a fora, que de tão nervoso não dá a mínima para o que ele está dizendo. — Vamos conversar, amigão. Não é nada disso que você está pensando... Pedro, eu...
Sorrio vitoriosa, indo em direção porta para trancá-la e assim abafar a voz alterada do meu irmão brigando com o meu melhor amigo. Parece sério e bem grave, mas sei que não durará muito tempo para essa briguinha boba entre eles por minha causa. Apago as luzes. São nove e quarenta da noite. Estou pronta para ir dormir e acordar amanhã ao meio dia.
Não vou para a escola mesmo.
Sinto-me uma garota de sorte.
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