Todos Iguais

58 Eduarda e Gabriela


Notas iniciais
Eu não estava muito inspirada quando escrevi esse capítulo. Não consegui descrever tudo que eu gostaria de transmitir. Pelo menos consegui termina-lo e acabou que ficou bom. Só não tanto quanto eu gostaria. Mas... Fazer o quê não é mesmo?

É uma pena que o papai já tenha ido embora. O tempo passou tão depressa! Em um dia ele ainda estava aqui, enchendo nós de alegria. Já no outro não estava mais. Em um dia eu estava toda tensa, tentando conciliares os estudos das provas no colégio com os vestibulares a qual eu tinha me inscrito. No outro eu queria jogar tudo para o ar e me esquecer de tudo.

Não que eu seja muito inteligente e estudiosa, mas sim, eu prestei alguns vestibulares porque também me preocupo com o futuro. E também não custava nada tentar, certo?

Hoje, estou mais apavorado no que nunca. Só queria que meu pai – a única família que tenho – estivesse aqui hoje. Hoje é o dia da minha formatura! Sim, mal posso acreditar que esse último ano no colégio enfim terminou. Estou definitivamente de férias, só não sei por quanto tempo. Mas também isso não me importa.

Só quero saber se esse vestido azul celeste combinou mesmo comigo, quanto à vendedora disse.

— Você acha que tá legal? – perguntei, virando-me para Tatiana. Que também estava ali comigo, no meu apartamento, se arrumando para a nossa formatura. — Não acha que é um pouco longo demais?

— De jeito nenhum! – ela fez uma careta, depois sorriu. E me analisou de baixo pra cima, atenciosamente. — Você está divina! O Pedro vai cair de quatro aos seus pés quando te ver assim.

Sorri com essa ideia. Não que eu quisesse que ele caísse de quatro por mim. Mas eu queria sim que ele ficasse ainda mais encantado, por eu estar maravilhosamente bonita essa noite tão especial.

Diferentemente de mim, Tatiana optou por um vestido preto cheio de brilho e um tanto curto demais. Mas que era a cara dela. Os cabelos longos, lisos e castanhos ela deixou soltos, em grandes ondas que encobriam as costas decotadas. As sandálias amarela tinha um salto enorme. Ela estava muito perfumada e eu ainda precisava maquia-la.

Para não nos atrasarmos, ela me ajudou com a minha sandália prata não muito alta, até porque o vestido longo encobriria. Eu já tinha me maquiado a séculos. E meus cabelos loiros tinham dado o maior trabalhão para prender em um coque clássico, com uns fios soltos na lateral da cabeça. E só então eu pude maquia-la.

Às sete horas nós descemos, onde um táxi já estava esperando por nós.

Fiquei de me encontrar com o Pedro em frente à porta do ginásio onde aconteceria a cerimônia de conclusão. Ajudei a Tatiana a descer do carro e juntas, de braços dados, entramos no colégio, onde já estava tudo perfeitamente bem decorado, do jeitinho que tínhamos discutido em todas nossas reuniões com o comitê de organização.

Nada muito extravagante. Azul marinho com dourado. Simples e bonito.

Ficaram todos olhando para nós, porque, claro, éramos as mais bonitas da noite, com nossos vestidos elegantíssimos.

Sussurrei no ouvido da minha melhor e única amiga que ficaria ali mesmo, do lado de fora, esperando pelo Pedro. Ela disse que tudo bem, que iria procurar pelo resto das meninas, porque estava louca para esfregar seu vestido na cara das outras. Eu acabei rindo disso.

Fiquei ali de lado, esperando pelo meu namorado. Pronta para arrasar ainda mais. O pessoal que ia passando e entrando, ficaram olhando para mim, se perguntando que diabos que ainda fazia ali do lado de fora.

Senti quando suas mãos cobriram meus olhos. Claro, com mãos suaves e másculas como aquelas só poderiam ser do Pedro.

— Pedro, para. – eu brinquei, sorrindo.

Para confirmar minhas suspeitas ele se revelou, se projetando em minha frente, com um sorrisinho encantador. Ele vestia um jeans novo, uma camiseta branca e um blazer preto, além dos sapatênis. Ele estava ainda mais bonito, com aquela franjinha preta e lisa cobrindo os olhos verdes.

— Uau! – ele me analisou de corpo inteiro. Deixando-me um pouco ruborizada. — Você está incrível!

— Obrigada. – digo, um tanto sem graça. — Você também não está nada mal, meu amor.

Enlacei-o pelo pescoço e nós nos beijamos carinhosamente.

Depois ele pegou a minha mão e nós entramos no ginásio, onde a Tatiana já estava com o celular em mãos, pronta para tirar fotos nossas. E o pessoal olhava para nós, babando de tão deslumbrados.

Fora a parte das fotos, de estar com quem a gente gostar, rodeada de atenções, a formatura é um saco, toda aquela ladainha, aquela enrolação e falsidade dos professores enchendo a gente de elogios, como se fôssemos seus anjinhos preferidos.

Parece que demorou um século até eu ser chamada para pegar meu diploma e tirar mais um milhão de fotos, sorrindo para todos os lados. Sentindo-me me orgulhosa por ter sobrevivido até aqui. Voltei para o meu lugar com elegância, tentando não cair e pagar um mico. Todos bateram palmas por um momento e quando foi pedido silencio para chamar o próximo aluno, foi que ouvir gritar entre a multidão de convidados nas arquibancadas:

— Filha, eu amo você!

Meu pai! Ele veio! Meu Deus!

Tentei procura-lo por toda parte, mas não encontrei. Eram muitas pessoas. O lugar era enorme. Eu só conseguia ver o Pedro, em um canto, de olho em mim, sorrindo bastante. Acenei para ele.

Só no fim, quando chamaram todos, em torno de duzentos alunos, foi quando fui pega de surpresa. O papai me puxou pelo braço e me deu um abraço apertado, tirando-me do chão e me espremendo.

— Estou tão orgulhoso de você! – ele sussurrou no meu ouvido, beijando meus cabelos em seguida.

Vi que mais atrás dele estava o Pedro, a quem abracei logo depois.

— Eu te amo. – disse ele, ao pegar minhas mãos e entrelaçar nossos dedos.

Era a primeira vez que ele me dizia aquilo tão abertamente, tão explicitamente.

— Eu também te amo. – digo, sentindo-me vitoriosa e sortuda por ter ao meu lado os dois homens mais incríveis do mundo.

***

Nenhum dos colegas que eu tinha feito aqui estão falando comigo, não depois de eu ter surtado e xingado todos de fracassados. Sim, eu peguei pesado. Mas poxa, eu ainda sou a Gabriela. Lembram? Aquela que não pensava muito antes de agir. Mas por outro lado, não fiquei muito chateada com isso. Eu não precisava mais de nenhum deles. Eu estava contanto os dias para sair logo daqui e ir para minha casa. Lá sim eu tinha amigos de verdade que me protegia e cuidavam de mim e não que queriam me ferrar.

Falta tão pouco pra sair daqui, que mentalmente eu vou riscando dia por dia, até os meus pais virem me buscar e eu nunca mais ter que voltar aqui. Mas acho que isso vai ser um pouquinho difícil, já que vou precisar de um psicólogo por um tempo indeterminado. Mas isso é o de menos.

Aproveito que estou sozinha no quarto e não tem mais nada de melhor pra fazer para ligar o aparelho de som que ganhei de aniversário da Bianca em um volume razoável. Começa tocar minha playlist de rock clássico favorita. E com essas musicas de fundo, aproveito para começar a arrumar as minhas poucas malas e guardar minhas coisas. Nunca se sabe se esse ano o Papai Noel chegará mais cedo pra mim.

Minha esperança está mais forte do que nunca.

Já faço mil e um planos para a minha liberdade.

***

A festa sem sombra de duvidas é a melhor parte da formatura.

Às nove e meia fomos todos – os interessados, claro – para o salão que alunos não muito longe do colégio, para facilitar o acesso para todos, onde acontecerá a nossa festa. A qual ficará para sempre marcada em nossas memórias. Afinal, será a partir daqui que iniciaremos um novo ciclo de nossas vidas. Pelo menos para a maioria de nós sim. Mas enquanto isso não acontece, a gente só quer se divertir.

Diferentemente de alguns colegas meus, nem precisei convencer meu pai de ir pra casa mais cedo. Ele só tinha vindo mesmo para me ver me formar e dizer que estava bastante orgulhoso. Mas ele tinha coisas mais interessantes para fazer em casa do que participar de uma festa cheia de adolescentes onde de cara ele se sentiria um peixe fora d’ água.

Pedro, eu e a Tatiana fomos andando até o salão.

Já no inicio da rua podíamos ouvir as batidas da musica eletrônica tocando no salão. Só poderíamos deixar o som alto até às onze e meia, então iríamos aproveitar até o tempo se esgotar. Conforme fomos nos aproximando da festa meu coração foi batendo mais forte, cheio de expectativas para aquela noite épica.

Parecia que eu nunca tinha ido a uma festa assim antes.

Mas a verdade é que era sim primeira vez... Pelo menos sim o Pedro como meu acompanhante.

Subimos os quinze degraus até o salão, que ficava no pavimento superior, logo acima de uma lojinha de bijuteria que já estava fechada há muito tempo. Já lá em cima foi que eu vi pela primeira vez o resultado de várias reuniões do comitê de organização.

O salão é amplo, o que facilitou bastante na hora da decoração. As paredes sem cor estava cobertas por panos escuros em formas geométricas, onde estavam espalhadas fotos de todos da turma por toda parte. As luzes estavam apagadas e alguns refletores em formato de estrelas iluminam o teto do lugar.

Algumas mesas estavam espalhadas pelos cantos, com vasinhos pequenos cheios de flores. Nos fundo estava à pequena cozinha e a copa. Nós fizemos questão de contratar o serviço de bufê. Garçons circulavam de um lado para o outro, servindo bebidas e alguns agrados, como salgados e doces.

Do outro lado estavam os sanitários e mais a frente o DJ com todo seu equipamento.

Tatiana entrou mais a frente e foi logo se juntar ao um grupinho de garotas que eram mais próximas de nós no colégio. Pedro e eu entramos de mãos dadas, assim que começou a tocar Shake It Of, uma das minhas músicas favoritas da Taylor Swift.

De repente tive a leve impressão que estavam todos olhando pra gente, nos admirando, porque com certeza éramos o casal mais bonito de toda a festa e também o mais feliz e mais improvável. Só que nada disso me importava. Eu estava incandescida, feliz demais por me deixar abater por todos esses pequenos detalhes.

Como ele não conhecia muito o pessoal — não tanto quanto eu — Pedro foi pegar um bebida e eu fui cumprimentar uma galera que eu não tive tempo de falar na cerimônia de colocação de grau. Mas não demorei muito para voltar a ficar com ele, mesmo que fosse só nós dois pelo resto da noite.

O simplesmente fato de enfim tê-lo só para mim já era o bastante.

Como não tínhamos muito tempo para festejar — porque o salão era alugado e não era propriedade nossa- tivemos que aproveitar ao máximo. No começou eu e o Pedro ficamos sentados, apenas trocando beijinhos e algumas palavrinhas de amor, como se nada mundo tivesse mais tanta importância ou se não fizéssemos isso todo o tempo.

Conforme o tempo foi passando e fomos bebendo – a grande maioria já era maior de idade e se não fossem davam lá seu jeito – senti que ele foi se soltando e quando dei por mim estávamos na pista de dança, animados, pulando muito e suando, em meio a tantos outros, que a essa altura da festa já estava razoavelmente bêbados e fora de si.

Foi uma noite incrivelmente maravilhosa!

A uma da manhã tivemos que entregar o salão, mesmo sujo e bagunçado, e nós também não estávamos muito diferentes. Os penteados, a chapinha, o babyliss e as maquiagens que foram feitos com tanto cuidado foram por água a baixo. Nem se fala na situação dos vestidos! Inclusive o meu que era longo e arrastava um pouco no chão.

Depois de tomar sei lá quantas doses de tequila – coisa eu já tinha perdido a conta – eu nem me importei tanto assim com a minha aparência, já que o meu namorado deixava muito claro todo o tempo que gostava de mim de qualquer jeito. O que mais eu poderia querer? Nada!

Mesmo depois do final da festa, o pessoal além de satisfeito por terem conseguido consumir toda a bebida e os petiscos que compramos, por terem dançado tanto, tirado fotos, gravado vídeos que guardaríamos como lembrança daquele nosso ultimo momento; ainda insistiram que todos nós fossem virar a madrugada em um barzinho ali perto, o qual tinha um karaokê que eles disseram ser imperdível.

O pessoal era incansável.

Mas eu, claro, não fiquei de fora.

— Não pude deixar de perceber que seus amigos não vieram para a festa essa noite. – observei, enquanto seguimos o pessoal. Todos que passavam pela rua e via aquele mutirão de adolescentes ainda acordados e bêbados na rua, como se fizessem uma passeata, ficavam assustados. — E eu convidei todos eles. Você sabe porque ninguém veio?

— Vai ver que é porque eles nos odeiam. – Pedro disse, sorrindo. O que foi bastante surpreendente para mim. Eu pensei que isso o deixasse chateado, mas pelo visto... Não mais. — Ninguém falou nada pra mim.

— E você não se incomoda com isso? – resolvi arriscar. Porque em parte sabia que no fundo ele se entristecida com toda essa cena que seus amigos estavam fazendo por não nos aceitarem.

— Não mais. – ele admite, dando de ombros. — Pelo menos não tanto quanto antes.

Resolvi cortar logo aquele clima pesado que ficou entre nós por eu ter tocado no assunto e deixar essas bobagens de lado.

Entramos no tal barzinho, pedi duas cervejas e anunciei ao pessoal que seríamos os primeiros a cantar um dueto.

***

Mamãe, papai e o meu irmão chegaram cedo.

Um pouco depois do meu café da manhã eles resolveram aparecer de surpresa. E saber pra que? Sim! Exatamente. Enfim eu iria voltar pra casa. Os médicos me deram alta e eu fui liberada dessa prisão.

Não pude deixar de me despedir das enfermeiras que cuidaram do meu caso de pertinho e foram extremamente legais e pacientes comigo. Ou devo dizer que... Nem sempre? Afinal, nem todo mundo é de ferro. E me despedi e agradeci aos médicos também.

Meus pais e meu irmão ficaram todo o tempo me perguntando como eu me sentia, enquanto pisava meus pés fora dali finalmente. Eu não saberia dizer, era tudo tão novo e... Estranho. A sensação que eu tinha enquanto os acompanhava até o carro parado no estacionamento foi que passei metade da minha vida trancada em uma sala escura e só agora eu enfim estou tendo uma segunda chance para respirar ar puro novamente, olhar para o céu e sentir o concreto esburacado de baixo dos meus pés.

Eu estava tão impressionada e admirada com tudo, ainda sem acreditar que aquilo não era só um sonho que não consegui responder a nenhuma das perguntas que eles me fizeram. Eu fiquei calada, sorrindo muito, observando tudo com atenção e sentindo o gostinho bom da minha liberdade.

Durante todo o caminho de volta pra casa fiquei ouvindo uma rádio aleatória que meu pai tinha ligado como música de fundo e olhei pela janela, observando minimamente tudo a minha volta. Como uma cena de filme. Onde o personagem se perde em pensamentos, enquanto tem uns daqueles flashbacks dramáticos.

Chegar a casa nunca foi tão bom.

Antes de qualquer coisa — ainda parada na entrada, enquanto o Pedro e meu pai se viraram com a minha bagagem — olhei em volta, percebendo que as coisas continuavam no mesmo lugar e aspirei o ar profundamente. Fiquei maravilhada com aquele típico cheiro familiar de casa limpa.

Subi correndo para o meu quarto e foi lá que eu me joguei em minha cama, como se estivesse abraçando a neve. Fechei meus olhos por um momento – muito emocionada – e agradeci aos Céus por poder ter a minha vida de volta. Quando voltei a abri-lo, vi que a minha mãe tinha dado uma boa organizada ali. Tirou todo o lixo, guardou ou lavou as roupas sujas e jogadas, colocou meus pertences pessoas em seus devidos lugares, jogou fora o que não servia mais e trocou o lençol de cama e as cortinas.

E olha que ela nem morava mais aqui. Mas eu tinha certeza que havia sido ela a responsável por aquilo, não que eu achasse ruim. Em outros tempos sim, teria ficado uma fera por ela ter invadido a minha privacidade. Mas agora... isso não me importava mais.

Como eu sei que foi ela?

Primeiro que, a mamãe sempre foi louca para limpar meu quarto apesar de todos meus protestos, como toda mãe que adora tudo organizadinho.

Segundo que, meu pai de jeito nenhum seria capaz daquilo. Muito menos o boboca do meu irmão. Afinal, eles são homens. E mais que metade deles não sabe nem lavar uma louça direito. Não que eu seja craque no assunto, mas acho que vocês entenderam o que eu quis chegar.

— Ei, folgada. – chamou meu irmão ao entrar no meu quarto, tendo dificuldade com as minhas coisas. Eram duas grandes bolsas pesadas. — Me ajuda aqui!

Eu ri da carinha fofa de desespero dele e depois fui socorrê-lo.

Com a ajuda do Pedro e até mesmo da minha mãe – que ainda não tinha ido embora – eu guardei rapidamente minhas coisas. Tivemos todo o resto do tempo livre. Papai sugeriu que fossemos almoçar fora, aproveitando que estávamos todos famintos e eu estava de volta.

Eu adorei a ideia.

Estava louca para ver os lugares, as pessoas, comer o que eu mais gostava, sentir de novo aqueles pequenos prazeres da vida.

Depois fomos tomar um sorvete como sobremesa não muito longe de casa e foi nesse momento que a mamãe se despediu, abraçou eu e meu irmão, disse que nos amava e se foi, prometendo voltar assim que pudesse, mas que agora ela precisava trabalhar.

Eu quis muito voltar logo pra casa, ficar em meio as minhas coisas e descansar pelos próximos cem anos. Mas fui surpreendida por meus amigos que... Estavam por lá esperando por mim. Eles tinham preparado uma pequena festinha surpresa pra mim. E eu adorei!

Ficamos no quintal dos fundos, para o meu pai poder assistir tranquilamente o Jornal Nacional e ficamos conversando. Precisávamos colocar o papo em dia. Eu queria saber de tudo! Queria novamente ser inclusa em tudo. Queria voltar a minha vida de antes, só que agora de um jeito muito melhor, mais responsável e sensato. Até mesmo mais saudável, pensar mais no meu futuro e nos meus desejos.

Ficamos até tarde ali fora, de baixo daquele manto escuro todo estrelado.

Estavam todos de férias. Tão crescidos e evoluídos em parte. Risonhos, divertidos, engraçados, cheios de assunto e de animo. E só para tudo ficar ainda melhor, tiveram a ideia de comprar refrigerante e alguns pãezinhos doces para compartilharmos.

Confesso que senti a falta do Rafael. Mesmo ainda ressentida com ele por ele ter me rejeitado daquela maneira... Eu achei que ainda faltava ele ali, fazendo suas piadas sem noção, zoando todo mundo, rindo daquele jeito monstruoso e falando sobre as garotas gostosas do colégio.

Não era a mesma coisa sem ele.

Tudo bem que ele não me quisesse, tudo bem que ele nunca estivesse pronto para nós, tudo bem que ele estivesse confuso, perdido e fosse um tremendo babaca. Mas ainda assim éramos amigos. E eu conseguia entender o lado dele, por incrível que pareça.

E eu só queria muito que ele estivesse ali, pelo menos como meu companheiro. Assim como nos velhos tempos, quando nem tudo era tão complicado, quando ficávamos provocando um ao outro e nos xingando e depois morríamos de rir.

— E aí pessoal – todos pararam e se viraram quando ouviram aquela voz surgindo de uma das laterais da casa que dava acesso ao quintal dos fundos. — Sentiram minha falta?

E eis que surge o Rafael da escuridão, com aquele sorriso cretino.

Todos vibram.

— Demorei muito? – ele se aproximou, baixou-se para cumprimentar todo mundo. Já que estávamos largados pelo gramado.

Como o esperado ele me deixou por ultimo.

— Oi, Gabi. – ele não me cumprimentou com beijinhos ou abraços, mas fez questão de bagunçar o meu cabelo daquele jeito irritante e brincalhão. — Que bom que você está de volta.

Eu sorri, desviando o olhar do dele segundos depois.

Completamente desconcertada com a sua presença.

O lado bom de tudo isso é que agora sim, agora que o Rafa chegou nós éramos verdadeiramente um time completo.

Não me faltava mais nada.

Pelo menos não por agora.

Notas finais
E aí, curtiram a volta da Gabi? E quanto a Duda... Ela não parece boazinha e fazer bem ao Pedro?