Todos Iguais
65 Eduarda e Bianca
Notas iniciais

Prestei vários vestibulares no final do ano passado, mas não obtive uma nota satisfatória em nenhum deles. Mas também não era fim e eu não estava a fim de deixar de lado meus planos para o futuro só por causa disso. E também eu tinha muitas outras opções, como tentar ganhar uma bolsa em uma universidade particular.
Acabei de me inscrever em mais alguns vestibulares e depois de amanhã tenho minha primeira prova. Ainda estou em duvida quanto ao curso que vou escolher. Não sei se quero Administração ou Direito. Bom, muito provavelmente eu escolha Administração, mas prefiro esperar para ver qual será a minha nota em qualquer um dos dois cursos.
Enquanto isso aproveito para também mandar meu currículo para vários contatos que eu encontrei na internet. Cansei de ter que depender do meu pai pra tudo. Sei que ele faz toda questão do mundo em me ajudar, mas eu também não quero ser um fardo para ele pelo resto da vida. Quero ter minha própria independência.
Preciso pagar meus estudos, os meus gastos e o apartamento.
Estou muito ansiosa para que a minha vida finalmente comece a andar. Apesar de isso ser um tanto assustador.
Já não sou mais uma garotinha. Em pouco tempo farei dezenove anos e entrarei para universidade e tudo que me resta é procurar um emprego e dar sentido a minha vida, deixando pra todas as minhas mordomias e finalmente descobrir o valor que é ganhar seu próprio dinheiro com o seu próprio suor.
Fico feliz que o Pedro, meu namorado, esteja me apoiando nisso, mesmo que estejamos vivendo fases de nossas vidas muito diferentes. E tem também meu pai, que liga sempre que pode e me dar conselhos maravilhosos.
Hoje, quando paro para refletir sobre os progressos da minha vida em tão pouco tempo, vejo que não preciso mais arruinar a vida das pessoas só porque a minha não costumava ser satisfatória.
Agora eu tenho uma família, um namorado e amigos. Tenho minha própria casa e em pouco tempo darei inicio a minha carreira. Estou ocupada demais tentando fazer tudo dar certo, mantendo as pessoas queridas perto de mim e cativando coisas boas que não sobra nem tempo para arquitetar planos terríveis para destruir as pessoas.
Só agora eu sinto muito por ter sido tão cruel e cega por causa da inveja, raiva e ódio. Sinto muito por ter pedido boa parte do meu tempo agindo de forma cruel com quem não merecia. Sinto muito por ter espalhados segredos que não eram meus, por ter me metidos em problemas que não eram meus e por ter criado confusão com pessoas que não mereciam passar pelo que eu as fiz passar.
Não tive como voltar no tempo e desfazer toda a maldade que fiz, mas agora eu posso me desculpar por isso e desejar que as pessoas acreditem e mim e possam me desculpar por tudo, mesmo que nem sempre eu não mereça o perdão de todos.
Também não posso forçar a barra e esperar que sejam todos bonzinhos comigo e acreditem em meu arrependimento, por mais sincero que seja. Porque sei que tudo tem um tempo certo para acontecer. E tudo que eu preciso agora é cativar a confianças das pessoas e não voltar a cometer os mesmo erros.
Meu celular começou a tocar naquele momento, dando-me um susto. Eu que até então estava sentada em minha cama com meus tablet em mãos — refletindo sobre a minha vida, — estiquei-me para pegar o celular que estava sobre o criado mudo, ali ao lado.
Era a Tatiana.
— Ei, você está livre hoje? – ela perguntou, sem ao menos dizer um “Oi, como você está?”. Típico da Tatiana, eu já estava acostumada.
— Sim, estou. Hoje é o dia de folga do Pedro. – soltei um riso curto. — Por quê? O que você quer comigo?
— Queria te chamar pra ir ao cinema. – ela voltou a dizer, parecendo animada — Tenho novidades! E tem também um filme ótimo em cartaz, que é a sua cara.
— Tudo bem. — levanto-me e calço os chinelos. — Eu só vou trocar de roupa de roupa e vou aí. Pode ser?
— Claro! Estarei esperando.
***
Não acordei muito bem essa manhã. Eu me sentia terrivelmente triste e tudo que eu queria era ficar ali na minha cama, trancada em meu quarto, ouvindo musicas tristes e chorar até quando eu aguentasse.
Sim, sei que estou sendo absurdamente dramática, mal agradecida e também um pouco exagerada. Mas não era como se eu pudesse evitar de me sentir mal porque os dias estavam passando muito depressa e isso só poderia significar uma coisa: O Felipe estava cada vez mais perto de ir embora da minha vida.
Os últimos dias foram perfeitos. Passamos muito mais tempo juntos que o normal, em festas, em comemorações, em momentos de alegria e descontração junto de nossos amigos. Mas agora, que um novo ano iniciou e logo as férias irão terminar, não posso suportar em pensar que terei que começar a aprender viver sem ele por perto todo o tempo.
Então porque não começar se acostumar a isso agora mesmo?
Desde ontem à noite Felipe me liga sem parar, querendo saber como estou e perguntando por que pareço tão distante e deprimida. E tudo que posso dizer a ele é que estou naqueles dias e não quero aborrecê-lo com meus dramas emocionais.
Ele foi compreensível e deu-me um pouco de espaço, porque ele sabia como era difícil para todas as mulheres aquele período do mês. Mas eu estava mentindo, eu não estava de TPM coisa nenhuma. Eu só estava triste e pensando na melhor forma de começar a me adaptar a essa nova realidade.
Felipe é compreensível, mas também não é tolo. Então ele veio me visitar essa manhã, mas eu pedi a Lídia que dissesse que eu ainda estava dormindo, pois tinha ido dormir muita tarde noite passada. Ele acreditou na história e foi embora, mas não antes de prometer que voltaria mais tarde.
O que eu estava fazendo agora não parecia justo com ele, mas eu não tinha muitas escolhas no momento.
— Filha, você está bem? – perguntou a mamãe ao entrar em meu quarto um pouco depois de bater na porta. Ela sentou-se do meu lado e passou a mão nos meus cabelos finos.
— Sim, estou. – minto mais uma vez, tentando esboçar um sorriso convencido. — Só estou com um pouco de preguiça.
Mamãe sorri.
— Bom, seu pai e eu vamos para o Rio agora resolver uns assuntos da empresa com alguns fornecedores, então eu pensei... Porque você não convida suas amigas para vir aqui hoje passar um tempo com você? Vocês poderiam assistir filme, comer pipoca, se divertirem...
Eu não estava muito a fim de receber visitar naquele momento, mas aquela pareceu uma ótima ideia para tirar pensamentos negativos da minha cabeça por alguns instantes.
Logo depois que a mamãe se foi eu fui tomar um banho, vesti algo mais leve, desci para almoçar e liguei para as meninas: Nati, Luiza e a minha prima, Duda. Sugeri que fizéssemos uma tarde só para nós meninas.
Marcamos as quatro da tarde, enquanto elas não chegavam, eu com a ajuda da Lídia demos uma ajeitada básica na sala de estar. Fechamos as cortinas, deixando o ambiente mais escuro, espalhamos as almofadas pelo carpete e pelo sofá e selecionei os melhores filmes.
Lídia foi fazer a pipoca, preparar suco e alguns sanduíches.
Luiza e Natália foram as primeiras a chegar, de mãos dadas. Cumprimentaram na porta e logo se acomodaram. Quinze minutos depois a campainha tocou, interrompendo nossa conversa. Era a Duda e a Tatiana, a qual Duda pediu para trazer também. Eu aceitei numa boa.
Desliguei o celular e coloquei o primeiro filme pra rodar.
Tínhamos escolhido Sexy and the City.
O filme era bom, apesar de todas nós já temos assistido um milhão de vezes antes. Mas era a primeira vez em que eu chorava tanto com aquele final, quase como se o mundo tivesse prestes a acabar. Chorei tanto que as garotas ficaram assustadas com o meu estado deplorável.
— Bia, o que está acontecendo com você? – Luiza voltou-se para mim após desligar a televisão quando os créditos do filmes já subiam na tela.
— Eu não sei. – desabei de vez, jogando-me em seus braços. As outras se aproximaram rapidamente e me consolaram também, preocupadas.
Tatiana ficou mais receosa de se aproximar, pois não tínhamos tanta intimidade. Tempos atrás eu também não ia muito com a cara dela, mas se eu tinha dado uma chance a Duda, então porque não daria para ela também?
— Vou pegar um copo de água pra você. – disse ela, levantando-se em um pulo e correndo até a cozinha.
— Por favor, se acalme – Duda pediu, alisando meu cabelo com as mãos. — E nos conte o que está acontecendo.
Eu tentei, mas o choro não ajudou muito. Tentei pelo inicio, contanto a elas sobre a viajem do Felipe para ir estudar em outro país. Até em tão ninguém sabia sobre isso. E depois contei o que quanto parecia difícil pra mim começar a pensar na ideia de que eu teria que me acostumar viver sem ele por medo. Porque eu o amava muito para me desapegar tão facilmente.
— Mas vocês continuarão namorando, não é? Mesmo a distancia. – perguntou a Nati. — Vocês são perfeitos juntos! Não podem deixar de ficar juntos só porque algumas horas e alguns países separarão vocês.
— Nós ainda não conversamos sobre isso. – digo, enxugando as lágrimas. Eu já tinha tomado a água e estava um pouco melhor com toda a atenção que elas estavam me dando. — Mas acredito que sim, continuaremos juntos apesar de tudo.
— Eu sei que isso é lindo e tudo mais – Tatiana resolveu abrir a boca e dar sua opinião também. — Mas, vocês realmente acham que isso de namoro a distancia dá certo? Pelo menos não por muito tempo.
— Tatiana! – Duda a repreendeu com um olhar mortal. Eu quase consegui rir da situação. Mas no fundo eu sabia que a Tati tinha um pingo de razão.
Eu não queria pensar nisso, pelo menos não agora.
— Não dê ouvidos a ela. – pediu Maria Eduarda, agora segurando as minhas mãos. — Ela nem nunca se quer namorou a distancia. Ou melhor, nenhuma de nós. Então nem sabemos como isso de fato funciona. Mas nada é possível para aqueles que se amam, isso é clichê e totalmente brega, mas é a verdade e isso sim nós todas sabemos.
Refleti por um momento.
— Você não tem que se afastar dele só para começar a se acostumar com sua ausência. – Luiza aconselhou, olhando-me no fundo dos olhos. — Você se arrependerá muito depois de ver o quanto perdeu por causa de um medo estúpido. É agora que você deve ficar com ele, aproveitando o máximo o tempo que vocês têm juntos, antes que acabe de vez.
As outras concordaram.
Mas antes que eu pudesse voltar a dizer alguma coisa, a campainha tocou. Duda foi ver quem era.
— É ele. – disse ela, baixinho. — Ele quer conversar com você.
Olhei para as outras e elas assentiram juntas, como se me aconselhassem a fazer o que eu tinha mais vontade naquele momento.
Levantei-me e fui até a porta, encontrando um Felipe que parecia muito mal com toda aquela situação. Ele não esperou que eu dissesse nada, ele apenas me abraçou forte e eu não pude conter as lágrimas mais uma vez.
— Não faça isso comigo de novo. Não me afaste assim. – ele sussurrou, segurando meu rosto. — Eu amo você. Não quero perde-la.
— Eu sinto muito...
— Não sinta. – ele me calou, beijando meus lábios suavemente. — Eu estou aqui. Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui.
***
Meu mundo desabou da noite para o dia.
Minha menstruação estava atrasada há cinco dias. Cinco dias! Não eram um, dois, três, quatro... Eram três dias e isso nunca tinha acontecido antes, o que me fez pensar que talvez eu estivesse... Grávida.
Não! Isso não poderia acontecer. Pelo menos não agora. Eu nem me matriculei na faculdade ainda, não tenho nem trabalho. Não sei nem cuidar de mim direito, quem dirá de uma criança.
Comecei a ficar desesperada, andando de um lado para o outro dentro no meu quarto. Passando as mãos pelo cabelo e pensando o que eu faria da minha vida se eu estivesse mesmo grávida.
Sem contar que meu pai iria me matar; o Pedro que não tem nem dezoito anos ficaria com ódio de mim por eu ter arruinado a adolescência dele e o pior: o que as pessoas diriam de mim sendo mãe tão precocemente?
Meu Deus, isso não pode ser real.
Liguei para a Tatiana, porque precisava muito compartilhar isso com alguém. Ela ficou tão chocada quanto eu, mas depois se animou com a ideia de que iria ter um sobrinho. E eu quis estrangulá-la naquele momento. Vendo que eu não estava confortável com a situação, ela sugeriu que eu comprasse um teste de gravidez na farmácia.
Mas nem a pau eu iria fazer isso. Imagine só a vergonha. Sem contar o medo que o exame desse positivo.
Eu estava perdida.
— Não se preocupe. – disse ela, ainda ao telefone. — Eu compro pra você. Eu já fiz isso uma centena de vezes.
Não sei se ficava agradecida por ela estar me ajudando ou se me surpreendia com aquela revelação.
Como assim ela já tinha feito isso uma centena de vezes?
Tatiana chegou meia hora depois com DOIS testes.
Eu estava relutante, ainda sem coragem de fazer. Mas ela acabou me convencendo, dizendo que poderia ser apenas um alarme falso, mas que eu nunca saberia se não fizesse o teste.
Então eu me tranquei no banheiro pelas próximas horas, sentada em cima da tampa no vaso sanitário e encarando aquele primeiro teste.
— Bom, eu vou indo. – gritou Tatiana, do outro lado da porta. — Fiquei de ajudar a minha mãe ir até o mercado fazer compras. Qualquer coisa você me liga, estarei com ele por perto todo o tempo esperando por noticias suas.
Depois ouvi a porta da frente sendo fechada.
Demorei pelo menos uma hora pra criar coragem de fazer o teste. Mas o fiz de qualquer forma. Fiz os dois só pra garantir. Eu sabia que o resultado era imediato, mas dei um jeito de verifica-lo só depois, quando eu estivesse mais calma e com menos pânico.
Joguei-me no sofá. Já era final de tarde, então meu celular tocou. Era um numero desconhecido. Resolvi atender.
— Srta. Maria Eduarda? – perguntou uma mulher, com uma voz agradável.
— Sim, sou eu. Quem está falando?
— Aqui quem fala é a Irene da agencia Ativita. Liguei só para informar que a senhorita passou para a vaga de auxiliar de escritório que a senhorita se candidatou há alguns dias atrás.
Quase pulei de alegria, deixando toda tristeza e preocupação de lado.
Anotei tudo que ela me disse, pois precisaria ir até lá assinar uma papelada no dia seguinte. Me despedi e agradeci pela oportunidade. Isso foi o bastante para eu criar coragem para ir ver o resultado dos exames, que estavam apenas esperando por mim em cima da pia do banheiro.
Foi então que o Pedro apareceu logo atrás de mim, quando eu estava prestes a pegar os dois exames que indicavam que eu...
— O que está acontecendo aqui? – ele perguntou, assustando-me com sua repentina aparição.
Pedro olhou para mim surpreso e depois para os exames em minhas mãos.
Pela expressão que ele fez, deu pra percebeu que ele entendeu exatamente o que aquilo significava.
— Não precisa fazer essa cara. – digo, me aproximando. — Não é nada disso que você está pensando. Eu não estou grávida! Eu achei que estava, mas não estou. – abri um sorriso. — Isso não é incrível?
Não me contive, e o abracei. Largando os exames no chão do banheiro.
***
Desde que eu contara ao Felipe sobre os motivos reais da minha tristeza, ele vinha me mimando ainda mais do que antes de todas as formas possíveis.
Levando-me pra comer fora com o pouco que ele ganhava de mesada, convidando-me para ir ao cinema, me fazendo surpresas e me dando presentinhos bobos, mas que tinham muito significado para mim.
Mas aquela noite em especial eu optei por ficarmos em casa mesmo, em meu quarto, apenas desfrutando da agradável sensação que era estarmos juntos, mesmo que quietinhos.
Felipe estava lendo uma de suas revistinhas de super-heróis e eu estava aninhada junto a ele, apenas o ouvindo ler em voz alta para mim, mesmo eu não entendesse muita coisa.
Quando percebi que ele já estava chegando ao fim de sua leitura, eu comecei a provocá-lo, beijando seu pescoço e mordiscando sua orelha. Ele ria, mas fingia que era inabalável e tentava continuar lendo, até que enfim terminasse para me dar devida atenção.
Eu gostava de causar tais efeitos sobre ele. Gostava de provoca-lo, de conquistá-los, de observa-lo, de ouvi-lo, de senti-lo e irrita-lo. Bom, eu gostava de tudo nele. Isso já não era novidade pra ninguém.
Quando ele finalmente terminou de ler, fechou a revista e a deixou de lado. Felipe virou-se para mim com um sorriso agradável.
— No que você está pensando? – ele perguntou, olhando-me com doçura com seus olhos castanhos claro, quase verdes.
— No quanto eu sou boba por achar que me afastar de você me ajudaria a começar a me acostumar viver sem você. – admito, sorrindo um pouco também. — Eu já deveria saber que isso nunca será possível, porque eu simplesmente não posso me acostumar a isso. Nunca.
Ele beijou a ponta do meu nariz.
— Você não vai precisar se acostumar a isso, porque você nunca irá viver sem mim. Mesmo eu estando a quilômetros de distancia daqui. Eu sempre estarei aqui – ele colocou a mão sobre o meu coração. — em algum lugar dentro de você.
Apaixonada por seu jeitinho conquistador, eu rolei para cima dele, beijei toda extensão de seu rosto. Depois tirei sua camiseta com calma, certa de que a porta estava trancada. Ele suspirou, quando comecei a beijar devagarzinho seu peito e sua barriga lisa.
Ele tinha muitas pintinhas por ali e eu adorava toda elas. Da mesma forma que eu sempre adorei a que ele tinha na bochecha, um pouco abaixo do olho. Que certamente foi uma das primeiras coisas que me encantou nele desde o principio. Além de seu carisma, sua educação, sua leveza, sua inteligência, seu romantismo, sua dedicação às coisas, seu comprometimento aos amigos.
Eu o amava muito, por dentro e por fora.
E sentia que ele me amava assim também ou não teria me suportado por todo esse tempo.
Enquanto nos beijávamos intensamente, comecei a pensar que mesmo que isso não desse certo quando ele partisse e mesmo que acabasse antes que o esperado, eu nunca, nunca mesmo iria me arrepender de nada.
E muito pelo contrário, eu seria eternamente grata por ele, por ter me proporcionado sentir algo tão grandioso, tão puro e tão durador. Algo eu nunca tinha sentido antes e que muito provavelmente não sentiria por mais ninguém. Porque eu sei que coisas assim a gente só sente uma vez na vida. E eu sou feliz por ter sentido isso justamente pelo garoto mais incrível que eu já pude conhecer.
— Você é a melhor coisa que já aconteceu na minha vida. – disse ele, pegando-me de surpresa e invertendo nossas posições. — Às vezes lamento muito por ter demorado tanto tempo para me dar conta disso.
— Não lamente. – sorrio, passando carinhosamente a mão por seu rosto macio. — Não sei se teria sido a mesma coisa se tivesse sido diferente naquela época. Eu, particularmente, não troco isso por nada.
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