Toda Poderosa Swan-Mills
22 Consequencias
Notas iniciais
Lauren
Estava na terceira cerveja, e pra mim que não sou acostumada a beber, já era muita coisa.
Levantei do bar para ir ao banheiro, e tive noção de como estava tonta, cambaleei e quase fui de cara em uma das mesas.
—Opa! — senti um braço me segurando.
A pessoa me colocou encostada no balcão de novo.
—Ei moça, você está bem? — a desconhecida falou, e agora vi que era uma mulher.
—Obrigada! Só estava tentando ir ao banheiro. — disse olhando pra ela que sorria
—Vem eu te ajudo. — pegou meu braço e aos tropeços cheguei ao banheiro feminino.
Tentei entrar em uma das cabines e dei de cara com a porta.
—Você está muito bêbada! — disse rindo.
Me equilibrei de novo e abri a porta.
—Quer ajuda? — ela disse piscando ou pelo menos achei que estava, mas devido ao meu estado nada era confiável.
—Eu consigo! — disse meio arrastado.
Foi o xixi mais difícil que fiz na vida, mas consegui, e quando sai em direção a pia ela ainda estava lá.
—Vamos? — disse me oferecendo o braço.
Voltamos para o meio do bar, mas dessa vez me colocou sentada em uma mesa junto com ela.
—Obrigada de novo moça. — agradeci
—Alice
—Oi?! — Deus como eu estava lenta.
— Meu nome é Alice — disse rindo
—Claro! Prazer meu nome é Lauren — estendi a mão pra ela que apertou e sorriu.
Essa mulher só sabia rir.
—Então Lauren, o que está fazendo aqui nesse bar a essa hora, e nesse estado? Sua mãe deve estar preocupada com você.
—Eu já sou maior de idade, faço o que quiser — disse soluçando.
—Ei garçom, por favor, uma água! — disse ao homem do bar.
—Não uma cerveja! — falei logo depois e outro soluço.
—Ei não acha que já chega de beber, e além do mais você não me engana com esse papo de maior de idade, pela sua carinha linda deve ter pelo menos 16 — falou estreitando os olhos.
—Ok vai! 17, daqui a cinco meses faço 18! — ela sorriu e pegou a garrafa de agua me entregando.
— Agora beba!
Fiz uma cara irritada, mas logo bebi.
—Pronto! Melhor?
Esperei um pouco e o soluço não veio.
—Ah que bom você não sabe o quanto odeio soluçar. — Ela riu mais — porque ri tanto da minha cara?
—Por que você é uma gracinha Lauren… — disse passando a mão pelo meu rosto. Afastei-me — E aí vai me contar o que houve?
O que ia perder com isso, nada! E estava mesmo precisando desabafar com alguém, então que seja com alguém em um bar que nunca mais vou ver na vida.
Contei tudo a ela, a faculdade, Amélia, minhas mães, Granny. Passei um bom tempo falando sem parar, e ela em nenhum momento me interrompeu.
—Uau! — disse tomando um gole de cerveja. — Harvard! Eu nunca nem em mil anos entraria lá!
Fiz um brinde com ela com minha garrafa de cerveja que consegui depois de muito insistir.
—Bem vinda a meu mundo! As rejeitadas de Harvard! — ela gargalhou.
—Para Lauren, não é como se você nunca fosse entrar, tem ótimas notas, você mesmo me contou que é estudiosa que se preparou, eu pelo contrário nunca fui boa com livros!
Revirei os olhos.
—Por que você nunca se deu uma chance, aposto?! — ela pensou um pouco.
—Não sei, talvez se minha vida tivesse sido diferente, quem sabe! — bebeu mais um gole.
—E você qual sua história? – ela me analisou e pensou um pouco.
—Ok! Você partilhou a sua, nada mais justo que compartilhar a minha! Preparada para o resumo da minha triste vida?!
—Ah não deve ser tão ruim assim…
Ela abaixou a cabeça triste.
—Minha mãe morreu quando eu tinha cinco anos…
—Sinto muito.
—Sem problemas, já faz muito tempo — sorriu triste. — Fui criada pelo meu padrasto, que era um bosta! — disse revirando os olhos. — Eu não tenho parentes,minha mãe era filha única e meus avós já faleceram ,então só me restou aquele traste! Ele vivia bêbado e fazendo merda pela cidade ,e eu tinha me virar sozinha pra tudo .Minha sorte foi que uma vizinha que gostava muito da minha mãe, por vezes ficava comigo e me ajudava com as lições e outras coisas.
—Cacete! — disse e outro soluço.
—Garota do soluço — disse rindo. — Vamos beba água! — me estendeu garrafa de água e continuou.
—O tempo passou e quando fiz quinze anos, aquele bastardo tentou abusar de mim — arregalei os olhos. — Calma ele não conseguiu, estava tão bêbado que caiu no primeiro empurrão que eu dei. — respirou fundo. — Depois disso vi que não dava mais pra ficar ali, então fugi! E esse é o fim da minha história! — disse levantando a cerveja.
—Você não tem quinze anos? — falei olhando pra ela que riu.
—Não, garota soluço! Tenho 22!
—E o que fez esse tempo todo depois que fugiu? — Putz e eu achando que minha história era a fodida.
—Ah andei por aí, me virei como pude! Pedi carona, fui de cidade em cidade, trabalhando em cafés, e fiz muita coisa da qual não me orgulho Lauren... Mas era isso ou morria de fome.
—Nossa Alice... Eu não sei o que dizer… — Segurei em sua mão. Ela olhou para nossas mãos juntas.
—Sem problemas! Vida que segue! — disse sorrindo.
—E agora, esta indo pra onde?
—Não sei... Nunca fico em um mesmo lugar muito tempo... Talvez vá para a próxima cidade tentar arrumar algum emprego por um tempo.
Foi aí que tive uma ideia, só não sei se seria boa ideia, mas naquele momento eu só queria ajudar Alice.
—Eu tenho o Grannys como te falei… — disse sem graça e ela me encarou. — Não encare com esses grandes olhos azuis — disse rindo e ela levantou às mãos e sorriu. — Bem o que quero dizer é que sempre preciso de uma garçonete, a cidade está mais movimentada e… — ela me interrompeu.
—Sim! Eu aceito!
Sorri e pedi mais duas cervejas ao barman.
—Então um brinde a minha nova funcionária! — ela levantou a garrafa dela e brindamos.
Mas a noite não acabou aí, já estava ficando alta de novo, Alice me puxou pra dançar e me fez sorrir aquela noite. E por um momento esqueci de tudo.
—Agora moça, você já bebeu demais! — tirou a garrafa da minha mão. — Vou te levar pra casa! — tirei a chave do meu bolso e joguei pra ela.
Ela me ajudou a sair do bar, e abriu a porta do carona pra mim.
—Calma! Com cuidado... Isso! — Estava devidamente sentada e Alice me circulou pra pegar o cinto.
Ela me prendeu, e parou na minha frente me encarando de novo.
—Não me encare olhos azuis — disse atropelando as palavras.
—E que você é linda Lauren… — se aproximou e encostou delicadamente seus lábios no meu.
—Alice… — disse ainda com o pouco de lucidez que me restava.
—Desculpa! — se afastou sem graça. — Não queria fazer isso Lau…
—Olhe deixa pra lá olhos azuis — disse soluçando de novo.
—Ok garota soluço! — disse rindo.
Alice dirigiu até Storybrooke e com o pouco de dificuldade indiquei o caminho da minha casa pra ela.
—É aqui! — disse levantando os braços. Ela parou o carro e deu a volta pra me tirar. — Minhas mães vão me matar! Se eu morrer hoje foi bom te conhecer Alice…
—Elas não vão te matar, mas você está encrencada mocinha… — me pegou pelos ombros e a parte mais difícil começou. Minha mãe Tinker atendeu
— Lauren! — Minha mãe arregalou os olhos ao ver meu estado.
—Oi mãe... Acho que bebi um pouquinho — disse rindo. — Vi Amélia logo atrás me olhando espantada. — Oi Amor, você tá aqui! — me soltei de Alice e andei como pude até minha namorada. Meu estado não me favoreceu e quase dei de cara com o chão, se não fosse minha mãe Ruby me segurar.
—Onde você estava menina?! — minha mãe me encarou irritada. Confesso que me deu medo do seu olhar.
—Oi — Alice disse envergonhada — Bem meu nome é Alice, Lauren estava em um bar na estrada... Ela estava um pouco triste então começamos a conversar… — Aí fiz a primeira merda da noite.
— Não conta pra minha namorada que a gente se beijou! Xiii – Amélia me olhou com os olhos marejados e depois fuzilou Alice com o olhar.
—Não acredito nisso Lauren... – tentei me aproximar, mas ela se afastou.
—Chega por hoje Lauren! Você agora vai tomar um banho! – Minha mãe me puxou e me fez subir as escadas. Mas eu tinha que fazer a segunda merda da noite. Voltei e falei.
—Família, tenho que falar a verdade eu não fui aceita em Havad – disse atropelando as palavras. E agora a terceira — E não me inscrevi em Yale! Surpresa! – falei rindo
—Você é uma idiota Lauren! – Amélia dizia com raiva. Ela fica a cara da tia Regina, quando está assim, e é assustador.
— Sou mesmo, e agora não vou mais pra faculdade, vou ficar aqui mesmo em Storyboke — disse encarando ela.
— Chega Lauren! – Minha mãe tentou me puxar de novo.
—E Alice será minha nova atendente, já que você vai embora querida — Quarta merda. Fiquei pensando depois quantas besteiras uma pessoa pode falar em um dia só, e olha eu bati o recorde, e fiz isso na primeira vez que resolvi fazer uma burrada.
—Pra mim já chega! – Lauren saiu bufando, e olhar de decepção dela não saiu da minha cabeça.
—Feliz com seu show Lauren?! — Minha mãe Ruby me puxou de volta para a escada.
—E você moça, por favor, entre! — disse para Alice que ainda estava boquiaberta.
—Isso Alice agora você vai ficar aqui! — minha mãe me puxou de novo. — E mãe, acho que Amélia me odeia! — disse caindo no degrau.
—Minha filha você fez a burrada, agora aguente as consequências! – me jogou debaixo do chuveiro de roupa e tudo e ligou a agua fria.
—Droga esta gelada! – disse pulando.
—Quando eu tive meu primeiro porre, sua avó fez exatamente isso comigo, na época não achei justo, mas agora... Isso ainda é pouco dona Lauren! – disse me olhando seria.
Depois do banho gelado, já estava me sentindo um pouco melhor, minha mãe separou as minhas roupas.
—Quando acabar desça, queremos conversar com você! – disse seca, nunca vi minha mãe assim.
—Que maravilha LAUREN! – me joguei na cama e minha cabeça doeu na hora. – Bosta!
Desci alguns minutos depois, minhas mães estavam na sala em pé me esperando, me mandaram sentar no sofá.
—Tome esse remédio Lauren, só assim amanha não vai acordar com dor de cabeça. – Ruby falou, minha outra mãe, pelo contrario não estava brava, estava decepcionada... O olhar que tanto temia antes, agora eu mesmo provoquei.
—Você merece ficar de castigo pelo resto da sua vida! – Ruby disse irritada.
—Chega Ruby! – Tinker falou. – Não vai adiantar nada brigar agora...
—Mas...
—Por favor, querida, chega de discussões nessa casa. – Minha mãe se calou e Tinker se sentou ao meu lado.
— Lauren eu nunca ia ficar decepcionada com você, por não ter entrado para Harvard, minha filha. – Levantei os olhos para ela. – Você é uma menina inteligente, e se não conseguiu entrar nessa universidade, existem outras que são tão boas quanto, e eu ficaria orgulhosa do mesmo jeito...
—Mas a senhora se formou lá, sempre sonhou que eu entrasse... – Ela fez sinal para me calar.
—Meu sonho Lauren é que você seja feliz, independente de onde estude! – disse chorando. – E eu sinto muito se a fiz você pensar que Harvard era sua única opção, que você tenha crescido com esse peso nas costas. – ela segurou meu queixo. – Eu te amo Lauren, e jamais ficaria decepcionada com você! – abracei forte minha mãe. Era tudo que precisava ouvir, me permiti chorar em seu colo e ser amparada pelas duas.
—Me desculpem de verdade...
—Acho que deve desculpa a outra pessoa também – Ruby falou.
—Amélia nunca vai me perdoar – disse choramingando.
—Claro que vai, porque ela te ama, e quem ama perdoa – Tinker disse sorrindo. – E agora sobre esse assunto de não ir mais pra faculdade, conversamos depois mocinha. – disse rindo e me fazendo rir.
—E Alice? – Agora que dei a falta dela
—Agradeci a ela por trazer você pra casa e depois ela foi para pensão, disse que amanha conversava com você. – sorri e não falei mais nada.
Aquela noite eu sobrevivi, vamos ver o dia seguinte.
Acordei na manha seguinte, com um pouco de dor de cabeça, as nada exagerado. Sai de casa bem cedo e fui direto para o Grannys.
Abri a lanchonete e minutos depois o pessoal foi chegando. Lucas o funcionário novo chegou e foi arrumando o balcão.
—Que cara horrível Lauren! – disse me encarando.
—Obrigada pela sinceridade Lucas – disse revirando os olhos. – Não dormi muito bem...
—Dá pra perceber – falou rindo.
O sino da porta tocou, e Alice entrou sorrindo pra mim.
—Nossa que gata! – Lucas falou empolgado. E Putz ela era mesmo bonita, não tinha me dado conta ontem à noite.
—Ei garota soluço... – disse rindo.
—Oi Alice – disse sem graça. Ela me beijou e eu contei para Amélia, eu estava muito ferrada. Ela continuou parada me olhando. – Vamos conversar lá no escritório. – dei passagem para ela e me virei para Lucas. –Ei garoto, se Amélia chegar aqui não a deixa ir até o escritório, senão a merda esta feita! – ele concordou e fui logo atrás de Alice.
Passei por ela e sentei na cadeira atrás da mesa, melhor ficar bem afastada.
—Só vim me despedir Lauren – disse triste.
—Como assim se despedir?! Quando te ofereci aquela vaga, não estava brincando.
—Depois de ontem, isso só vai dar problema, acho que sua namorada não vai gostar muito de me ver por aqui... – disse mordendo o canto da boca.
—Olha eu me entendo com Amélia, e você esta precisando do trabalho – ela sorriu. – Aceite como uma forma de agradecimento, por ter me deixado em casa sã e salva – rimos.
—Então eu aceito! – apertamos as mãos e logo em seguida Amélia entrou enfurecida no escritório, olhou para nos duas e fechou mais ainda cara.
—Não precisa se levantar – falou irritada – Olhou com cara de ódio para Alice e jogou o avental em cima dela – Faça bom proveito! – olhou de novo para mim – Eu me demito! – logo depois saiu batendo a porta.
Consequências começando em 3,2,1...
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