To be good or to be evil

25 Últimas Revelações


Matheus caminhava na rua. Cada dia ele andava mais irritado. Ele só queria socar as coisas, socar as pessoas. Avisaram que haveria um encontro na casa de Penton e todos estariam lá. Ele já não aparecia nos encontros com o pessoal fazia um bom tempo, já que passava mal só de olhar para a cara de Pedro.

Ultimamente estava mais difícil de controlar seus ímpetos, ainda bem que ele tinha Caio, sempre cuidando dele.

— Eae irmão. – falou Caio, os dois se abraçaram e seguiram pela rua.

...

Na casa de Penton, não se falava de outra coisa. Antes da conversa começar, eles haviam revistado o local inteiro atrás de escutas e encontraram duas. Também encontraram uma câmera, mas acharam melhor deixar lá. Tudo o que faziam era pensar num plano de ataque à Base, enquanto fingiam jogar Uno. Se vissem a câmera funcionando e as escutas não, iam pensar que era um problema com o som e não uma tentativa de ataque.

Ninguém conseguia pensar em nenhuma ideia produtiva. Na verdade eles nem entendiam o que estava acontecendo, como poderiam atacar algo assim?

Aluria decidiu tomar um ar e sair da casa um pouco.

— Não vai sozinha, já disse pra todos andarmos em pares. Alguém vai com ela. – comentou Jessie.

Douglas decidiu acompanhar a irmã. Os dois saíram e ficaram na porta da casa de Penton.

— Pssssssss.

Os dois olharam para os lados.

— Você ouviu isso? – disse Douglas.

— Ei! Ei! Eu tô aqui embaixo, mas não olhem pra cá. – comentou uma voz feminina.

Aluria ignorou completamente o pedido da garota e saiu procurando onde ela estava.

— Ei! As câmeras vão notar que tem algo estranho! Finge que você derrubou seu brinco no chão e está procurando, Aluria.

Opa. Ela sabe das câmeras. Ela sabe o nome dela. Ela é da Base?

— Você é da Base, garota? Como nos conhece? – falou Aluria baixinho.

— Sou! Mas estou aqui para ajudar vocês.

— Aluria, disfarça. – falou Douglas.

Aluria fingiu que procurava um brinco no chão e Douglas fingiu que estava ajudando. Caso alguém visse, ia entender porque eles foram mais pra trás da casa.

— Fala logo. – cochichou Aluria, olhando desconfiada para os lados (já que ela não enxergava quem estava falando).

— Ok, eu vou me apresentar. – ela saiu das sombras e apareceu só por alguns instantes na visão de Douglas e Aluria. Eles acharam tudo ainda mais curioso, já que não conheciam ela. – Eu sou a Joshe. Nós temos que dar um jeito d’eu entrar na casa da Penton e do Miguel sem ser percebida. É melhor contar logo para todos de uma vez. Eu posso explicar o que está acontecendo.

Aluria explicou que na cozinha tinha uma janela razoavelmente baixa e que se ela se esforçasse talvez conseguisse passar por lá. Subir na janela não foi dificuldade nenhuma para a garota, que aparentemente tinha treinamento ninja, já que era super flexível e silenciosa.

Douglas e Aluria disfarçaram lá na frente por mais alguns segundos e entraram, enquanto Joshe já estava na sala, parada. E ninguém tinha notado ela ainda.

— Então gente... – começou Douglas. Quando ele disse todos viraram para olhá-lo e automaticamente viram a sombra de Joshe, que estava na outra ponta da sala. Todos se armaram com o que tinham pela frente e ficaram em posição de ataque.

— QUEM É ESSA? QUEM É VOCÊ? – Gritou Mostich, com o controle da tv na mão, pronta para atirá-lo.

— Ela está com a gente, galera.. -começou Aluria.

— Vocês estão loucos!!?? Ela pode ser uma espiã! Como deixaram uma desconhecida entrar aqui? – falou Jessie, levantando-se e abrindo as asas.

— Calma pessoal, eu posso explicar. – falou Joshe, com as mãos abertas no ar.

Miguel usou sua velocidade de híbrido e com os dentes a mostra atacou Joshe. Num piscar de olhos, a garota passou uma rasteira nele e caiu em cima de Miguel, segurando-o com as mãos e mostrando seus caninos também elevado. Ela era uma vampira. Sua mecha vermelha caía sobre seus ombros, em cima de Miguel, que tossia com o cabelo entrando na boca.

— Ok, ok. Larga meu irmão agora ou vai dar treta. – disse Penton se levantando e estralando os dedos.

— Tá bom. Eu só me defendi. – disse ela abrindo as mãos e soltando Miguel. – Como eu falei, posso explicar tudo o que está acontecendo aqui e contar minha história.

— E por quê você faria isso? – perguntou Marcabeth.

— Porque eu odeio a Base com todas as minhas forças. Eles tiraram de mim o que eu tinha de mais precioso, meu irmão. – o olhar de Jessie era determinado e soltava faíscas, demonstrando o ódio que ela guardava.

...

Eles decidiram fazer uma mini-reunião, sem ela por perto. Conversaram sobre as possibilidades dela ser uma traidora e das possibilidades dela realmente querer ajudar eles. No fim, por votação, decidiram ouvi-la. Já que por mais que fossem invenções ou alguma trama para emboscá-los, eles saberiam mais do que saberiam agora, que era exatamente vários nada.

Antes deles voltarem, sorrateiramente Joshe tinha dado um jeito na câmera da casa, colocado em modo repetição. (Ela só podia estar torcendo para acharem que a Jessie abrindo as asas ou os outros segurando coisas em sinal de defesa fizesse parte de algum tipo de jogo, já que ela não tinha ficado no campo de visão da câmera). Todos sentaram-se novamente na sala, fizeram uma roda em volta dela.

— Ok, pode começar. – declarou Veliria.

— Então... Ok, não sei muito bem por onde começar mas vou tentar explicar tudo. – Joshe parecia nervosa. – Estou nervosa com tanta gente me olhando, geralmente eu nem converso com ninguém. – ela deu um risinho amarelo.

Miguel revirou os olhos (ainda estava irritado meu golpe que levou).

— Tá. Essa cidade aqui não é nada do que vocês imaginaram.

— Dã. – disse Mostich.

— Shiu! – gritou Aluria.

— Na verdade isso não é uma cidade real. É real, mas as coisas que rolam aqui dentro são forjadas. Atitudes, reações, vidas, famílias... Forjadas. Essa cidade na verdade é um experimento, do qual eu também fazia parte. Igual a vocês, eu também tive que participar da Escolha, eu também tenho poderes mágicos e sou uma criatura, vampiro, como vocês já viram. Eu também tinha um irmão gêmeo, que morreu nessa palhaçada que eles forçam a gente a passar. Vocês veem um padrão aqui? Todos na cidade são iguais... Praticamente a mesma idade, vocês nunca acharam estranho? – ela fez uma pausa para respirar.

Todos cochichavam entre si, todos tinham opiniões, mas será que alguma estava certa? Eles queriam que ela concluísse logo, a curiosidade estava matando.

— Tudo começou com um vírus. Ninguém sabe como começou, se foi a natureza ou alguém programou isso e jogou o vírus para afetar o mundo... Muitos têm desconfianças de que inicialmente um país jogou contra o outro, achando que era uma boa ideia disseminar um vírus sem cura. Aparentemente a disseminação foi mais rápida do que o esperado e acabou afetando todos os países, já que o vírus foi jogado na água. Com esse vírus, toda a população mundial menor de 13 anos foi completamente exterminada. A população mundial com mais de 25 anos foi reduzida a 1%. Por sorte, o mundo habita muitas pessoas, então mesmo que mais da maioria tenha morrido, ainda sobrou bastante gente. Muitas dessas pessoas que sobraram se colocaram à estudar, em nome do Governo. Como praticamente todos os governantes morreram, e grande parte da população, o mundo perdeu o rumo. Estavam desgovernados e ninguém sabia o que fazer. Aproveitando essa oportunidade, uma organização chamada Base dominou o poder e se infiltrou em todos os países. A organização foi criada para salvar o mundo, descobrir a cura do vírus e deixar o ar normal novamente, já que o vírus sofreu uma mudança e passou rapidamente da água para o ar. Perceberam com o tempo que criança nenhuma poderia nascer com o vírus no ar daquele jeito. Todo bebê já nascia morto, ninguém menor de 13 anos teria chance de vida.

— Cacete. – falou Penton, baixinho.

— Obviamente todos começaram a se desesperar. Se nenhuma criança poderia nascer, logo a população mundial seria extinta. Com muitos estudos, notaram que todas as crianças (que no momento já tinham 14 ou 15 anos) com gene de algum monstro/poder especial além da magia, estavam salvas do vírus. Separaram essas crianças em grupos de mal/bem, para fazerem pesquisas sobre as atitudes dos seres humanos e saber quando eles poderiam liberá-los novamente e achar a cura para o ar. Cerca de um ano depois do vírus, a população já estava bem menor do que havia sobrado inicialmente e todos estavam com os ânimos alterados. Enfim descobriram a cura. Soltaram uma ogiva no ar, que normalizou todos os sintomas do vírus, e as crianças puderam voltar a nascer normalmente. Mas isso não foi o bastante, já que por mais que nem todas fossem afetadas, algumas ainda não aguentavam o novo ar e nasciam mortas. Foi necessário mais investimento, mais tempo de estudo e uma pesquisa maior. Decidiram criar cidades-testes. Gousti é a cidade-teste do Brasil, cada país do mundo tem a sua. Aqui é como se fosse uma cidade do interior, com cerca de mil pessoas, por isso praticamente todos se conhecem. Cada país tem um número equivalente à sua população dentro da cidade-teste, então os países menores do que o Brasil, tem menos pessoas em teste. Essas pessoas em teste não sabem de nada o que aconteceu, porque tiveram sua memória prévia apagada.

Joshe parou por um momento para respirar e fez-se um silêncio profundo na sala. Ninguém nem piscava.

— Agora, por mais que eles tenham encontrado a solução para o vírus no ar, a população está quase dizimada. Só nos resta a reprodução, e isso é um dos motivos de vocês estarem aqui. Colocam pessoas com idades férteis próximas umas das outras, para poderem se conhecer e se apaixonar e terem muitos filhos quando saírem daqui. O mínimo de filhos para cada família é três. Mas isso não vem ao caso, o que importa é que fora daqui, as pessoas que restaram no Brasil tem uma vida razoavelmente normal. Existem cidades livres e a grande maioria trabalha ou estuda para a Base, o salário é maior, além dos benefícios. Todo o mundo é governado pela Base atualmente, todo o foco é dedicado à pesquisa das cidades-teste.

— Meu Deus, eu não acredito que nós somos apenas ratinhos de laboratório para eles. – comentou Marcabeth.

— Isso é uma invasão. – disse Jessie, colocando as mãos na cabeça.

— Ok, isso foi um resumo geral, digamos que foi uma aula de história, pois é tudo o que já aconteceu. Agora, o que nos interessa, o que está acontecendo aqui na cidade de Gousti. A pesquisa está falhando. Pessoas boas, com genes inicialmente bons e que tudo levava a crer que seriam Boas, foram para o Mal. Pessoas ruins podem fazer coisas boas... Todos os experimentos estão dando errado, principalmente com o grupo de vocês, em que sempre acontecem opostos. O chefe da Base viu os resultados dessa cidade-teste e não gostou nenhum pouco. Decidiu destruir todos e começar do zero, com outras mil pessoas. Jhonatan não concordou, ele tentou convencer todos de que era uma má ideia, e de que mesmo que não estivesse dando certo, eles não podiam simplesmente matar mil pessoas em idade fértil, já que a população cada dia só diminuía. Mas o chefe se sentia ameaçado por vocês, já que vocês não seguiam nenhum padrão já visto. Jhonatan foi obrigado a acatar as ordens, mas antes disso tentou avisar a Jessie, que avisaria vocês, sobre tudo o que está acontecendo. Antes disso ele foi preso e agora está sendo torturado, já que eles odeiam traidores. – Joshe fez uma expressão de dor. – Inclusive é o que vai acontecer comigo também se me descobrirem.

Joshe parou de falar. Ninguém dizia mais nada. Todos estavam atônitos, em choque.

— Mas.. – finalmente Jessie falou. – Por que ele queria nos contar tudo isso? O que nós poderemos fazer?

— Pois é, apenas essas informações não adiantam de nada, a gente só conhece a vida aqui dentro. – disse Luisia.

— Ele queria que vocês fugissem. É o que eu quero também. Eu tenho meio que um plano, mas precisamos de muita sorte para dar certo. Vocês fogem antes que a cidade exploda.

Todos ficaram em choque.

— Mas... e os outros na cidade? – perguntou Penton.

— Infelizmente passar 15 pessoas despercebidas já vai ser praticamente impossível. Imagine mil... Eles terão que ficar. – Joshe também parecia triste ao dizer isso.

Na sala o silêncio se abateu sobre todos. Eles teriam que deixar todos seus amigos morrerem para que eles próprios pudessem fugir?