To be good or to be evil
9 Penton
– Vai fazer logo o café e vê se para de me encher o saco! – disse Penton, levantando da cama.
– Sempre gentil, irmãzinha. – falou Miguel, bufando.
– Ninguém merece esse menino chato no meu pé. – Penton foi até seu guarda-roupa e começou a procurar pelas roupas que usaria neste belo dia ensolarado. Escolheu uma camiseta, saia e meia-calça. – Hoje é dia de sambar. – falou e foi se trocar.
Em 10 minutos Penton estava lá embaixo sentada na mesa comendo. Hoje ela estava especialmente com fome, então pegou um saco de sangue. Depois disso ainda comeu uma galinha crua que Miguel tinha acabado de pegar no quintal.
– Caramba, hoje você ta com fome hein. Essa galinha era minha.
– Pois é mano, não sei por que mas hoje em especial eu estou faminta.
– Que medo. – ele falou e riu. — Mas então... Alguma novidade? E as meninas, como andam?
– Ah, você sabe... O de sempre. Marcabeth e a treta básica com o Pedro sobre “você-só-pode-pegar-os-boys-assustadores”. E aquele chove não molha com o Kaique. Veliria e Júnior e Mostich e Alexandre na mesma agarração de sempre, coladinhos que só vendo. Jessie e Lucas também, tudo brilhante como sempre. Luisia e Douglas no eterno “não se decidem”. E a Aluria... – ela olhou pra ele. Sabia que o Pedro estava perguntando de todas as amigas mas só queria saber dessa. – Bom, ela terminou com o Caio na semana passada, como você sabe. Agora ela ta tendo superar isso e tal.
– Entendi maninha. Espero que tudo fique bem com a Aluria. – Penton riu baixinho. – E com as outras meninas também, claro! – ele ficou vermelho.
– Ai Miguel... Agora falando sério. Eu não sei o que eu sinto em relação a você e a Aluria. Eu sinceramente até acho que ela poderia gostar de você – os olhos dele brilharam – mas daqui um tempo, é claro. O fim do namoro ainda está muito recente. Mas olha, ela é minha amiga e eu amo ela, mas eu também amo você. E tenho medo que um dos dois saia magoada da relação. Eu tenho ciúmes de você, você sabe.
– Eu sei, mas um dia eu vou ter que arranjar uma namorada né. Já passou da hora, na verdade.
– Então, você está corretíssimo. Por isso eu vou dar minha bênção pra vocês dois. E se você quiser daqui algum tempo eu até te ajudo a conquistar ela.
– Sério? Ah maninha, eu te amo demaisssss! – ele deu vários beijos e abraços em Penton, que correspondeu, sorrindo. Miguel era muito carinhoso e ele era uma das poucas pessoas que ela abraçava sem reclamar.
– Ok, eu sei que você prefere ficar na forma de lobo, vamos correr um pouco, lobinho?
– Mas será possível? Hoje vai chover, Pen!! É muito bom humor, meu Deus.
– O último a chegar na floresta é mulher do padre. Hahaha – Penton falou e saiu correndo, já se transformando em loba. Miguel vinha logo atrás, rindo.
...
Depois de toda essa correria, realmente estava correndo. Penton estava com uma de suas meias-calças preferidas. Ela decidiu nem entrar na primeira aula, já que já tinha passado um bom tempo. Ficou sentada no pátio, no lugar em que costumava encontrar suas amigas. Então pegou seu celular e colocou sua música para tocar, Demons da Imagine Dragons (ouçam, vidoks!).
Ainda bem que ela tinha trazido um lanchinho, ela pegou outra bolsa de sangue da sua mochila, a fome já estava atacando de novo. Pelo jeito ela ia ficar um bom tempo ali sozinha.
Ou não.
– Ei, posso me sentar com você?
– Ah, claro! – Penton nem olhou quem era, mas não estava a fim de ficar sozinha naquele momento, por isso aceitaria a companhia de qualquer um.
Quando ela levantou a cabeça, quase caiu para trás. Em nome de Deus, quem era esse menino maravilhoso da cor do pecado?
– Que simpática, nossa! Obrigada. – ele sorriu. E ela quase chorou, porque não podia ser verdade.
– V-você é novo aqui? Eu acho que nunca te vi por essas áreas.
– Olha, eu já moro aqui na cidade desde os 15, como todos haha mas eu morava em outro bairro, mais pro sul. Eu morei aqui logo que cheguei na cidade, mas tive que me mudar quando fiz 16, e só voltei agora com 18.
– Que legal! Eu também tenho 18, mas sempre morei por aqui.
– Parece que ainda não me acostumei com as aulas daqui, já cheguei atrasado no primeiro dia.
– Hahahaha acontece, eu me atraso sempre rs. Mas como é seu nome mesmo?
– Ah, desculpa, que mal educado! – ele sorriu, com as bochechas vermelhas. – Eu sou o Matheus, muito prazer. E o nome dessa bela senhorita, posso saber? – Penton corou.
– Opa, com certeza. Eu sou a Penton. E o que você é?
– Meu poder é a intangibilidade. Eu posso ultrapassar qualquer coisa, assim ó. – Ele pegou a mochila de Penton e com seu braço ultrapassou ela toda, fazendo sua mão aparecer do outro lado.
– Que legaaaaaaal, adorei ahjaha
– E você é uma vampira pelo visto? – ele perguntou.
– Hum... não completamente. Sou híbrida, meio vampira, meio lobisomem. Mas por que você achou..?
– Pelo sangue na sua mão haha
Penton tinha esquecido completamente da bolsa de sangue. Ele chegou de repente enquanto ela comia.. E ele era tão bonito que ela esqueceu de jogar a bolsa fora... Sua cara devia estar cheia de sangue, ela tinha esquecido de limpar, MEU DEUS!
Ela fez um movimento extremo com a mão, ia limpar rapidamente, morrendo de vergonha. Mas Matheus passou suas mãos antes em seu rosto, limpando o sangue. Pegou o sangue e colocou na sua língua, mas fez uma cara feia.
– Urgh, tem um gosto ruim ahahah
– Na verdade você não tem ideia do quanto é bom hahaha melhor que esse só ao vivo. – mas ela se arrependeu logo depois de falar isso, pois essas coisas a lembravam de um passado que ela queria esquecer, então ela só pensou em como mudar de assunto. – Mas e aí, já fez amigos?
– Sim, na verdade. Tenho um amigo aqui nesse bairro desde quando cheguei aqui, com 15 anos. Ele disse que anda com um grupo de amigos aqui da faculdade e com as irmãs deles. Ele é o Caio Santoss, talvez você conheça ele.
– Caio Santoss? Mentiraaa. Mas ele anda com meu irmão e os amigos dele. Ele anda com nosso grupo.
– Sério? Que coincidência. Que bom!
– Você vai andar com a gente então. – Penton falou, sorrindo. E ela parece ter visto ele corar. – Qual sua próxima aula?
Penton olhou nas anotações dele e viu que a próxima aula deles era a mesma. Penton ficou feliz ao pensar que ainda passaria mais um tempo perto desse menino lindo, super fácil de conversar e extremamente contagiante.
...
Mais tarde, Penton voltava para casa com as amigas.
– Menina, o que foi aquele bofe maravilhoso? – disse Luisia.
– Com certeza a Penton gostou, super faz o tipo dela. Haha – falou Mostich e todas riram e concordaram.
– Eu não tenho um “tipo”. Fala sério ahahah. – Elas cochicharam “tem sim” enquanto riam.
– Você conversou muito com ele, Pents? – perguntou Jessie.
– Sim, ficamos um bom tempo conversando.
– Huuuuuuuuuum. – todas fizeram.
– E você, como uma boa garota, já jogou a isca pra ele, claro? Um boy desses não se perde. — comentou Marcabeth.
– Eu não! Só dava umas babadas de vez em quando, vou falar a verdade. KKKKKKK Mas ele só é fofo, bem legal de conversar. Mas acho que ele nem se mostrou interessado.
– Isso que eu ouço seria o som do amor? – falou Veliria rindo.
– Mas é uma pena que ele seja amigo do meu ex. Porque né, agora se a Penton começar a namorar com ele, o Caio vai se aproximar de novo, nossa. – disse Aluria, meio cabisbaixa.
– Eita, vocês já tão pensando meio longe hein. Hahaha. – quando Penton ria e caminhava ela lembrou que esqueceu seu celular em cima da mesa na escola. Por sorte ela estava no meio do caminho. Ela avisou as meninas e decidiu ir para a escola correndo com sua velocidade sobre-humana de vampira.
...
Rapidamente ela tinha chegado na escola. Penton parou com tudo porque estava muito rápido. Ela parou na entrada da faculdade e quando olhou pro lado, surpreendentemente, Pedro estava lá. Parado lá, ouvindo When I Was You Man do Bruno Mars (ouçam, vidoks!), sentado num banco, sozinho. Essa música era muito significativa para Penton, ela sempre dizia que essa música seria sua e do seu namorado. Todo mundo sabia, ela sabia e nem tentava negar, que tinha uma crush enorme pelo Pedro.
A própria Marcabeth sabia que ela tinha uma crush em seu irmão (e ela não conseguia entender o que Penton via nele, mas ok), só quem não se ligava era Pedro, porque Penton desconfiava que até os meninos já soubessem.
Pedro era tão, mas tão lindo, com seus olhos azuis brilhando e o cabelo preto combinando, parecia um anjo. Ele parecia muito mais velho, ninguém diria que ele tinha apenas 18 anos.
– Ei, Pedro? Tudo bem?
– Ah, oi Penton. Eu estou bem, só relaxando um pouco.
– Por que está sozinho aqui?
– Eu queria pensar.
– Hãn... tudo bem. Vou me sentar aqui, ta? – Penton disse, já sentando.
– Eu estou preocupado com a vida. Preocupado com não estar tomando conta da Marcabeth direito. Preocupado porque às vezes eu me sinto sozinho, mas sinto que ninguém me aguentaria por perto.
Ai, se ele soubesse! Se ele soubesse que Penton gostava dele. Que Penton daria tudo por uma chance...
– Eu tenho que parecer impecável na frente dos outros. Mas sabe... Acho que posso me abrir com você.
– Com certeza pode.
Ele estava com os olhos tão perdidos, quase à beira das lágrimas. Tudo o que Penton queria era consolá-lo, só pensava em beijar ele, ali e agora.
– Mas você pode desabafar comigo, ok? – Penton falou, se aproximando. Mas contra os seus próprios instintos, ela não o beijou. Apenas se aproximou e o envolveu em um abraço.
Ela não sabia se ele sentia ou se um dia sentiria algo por ela, como ela sentia por ele. Mas naquele momento só se preocupava em deixá-lo bem. De repente o sorriso de Matheus passou pela sua cabeça e ela expulsou esses pensamentos, pois estava cada dia mais confusa. Agora ela era apenas amiga de Pedro e aquilo teria que bastar. Por enquanto.
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